Rui Costa pede que o PT esqueça o impeachment e cogite apoiar presidenciável de outra sigla

Rui Costa. Foto Nathan Lopes do UOL.

Ruy Costa rasgou o verbo. Deixou de lado as picuinhas partidárias, contrariou a e se apresentou como Governador da Bahia e não como governador dos petistas. Tudo isso aconteceu nessa segunda-feira (12) durante entrevista à reportagem do portal UOL.

O governador contrariou a cúpula petista em dois fatos relevantes: o discurso sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a possibilidade de um plano B caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não possa se candidatar em outubro. Sobre o primeiro tema, ele sugere que seu partido “vire a página” do impeachment e que pare de brigar com “aquele momento histórico”.

Sem usar o termo “golpe”, ao contrário de muitos de seus correligionários, Costa disse que milhões de pessoas foram às ruas pedir a saída de Dilma e que não se pode rejeitar os votos daqueles manifestantes. “Nós queremos ou não o voto dessas pessoas para reconstruir o Brasil? Queremos”, respondeu a si mesmo.

Cenário sem Lula

Quanto ao segundo tema, o governador avaliou ainda que uma eventual prisão de Lula pode render votos ao partido. E foi bem explicito quando afirmou que o PT também deve considerar apoiar candidaturas de outras siglas para a disputa pelo Planalto caso o ex-presidente fique fora do pleito de outubro.

“Por que o candidato não pode ser de outro partido?” Para Costa, o PT precisaria entender que, em um cenário sem Lula, “mais importante que ter um nome do partido, é ter um nome que reconstrua o Brasil”. “Não podemos ficar nessa …

Condenado em segunda instância, Lula, hoje, está inelegível com base na Lei da Ficha Limpa. O partido, porém, diz que vai insistir na candidatura. O ex-presidente também pode ser preso, já que o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). O ex-presidente é líder em todas as pesquisas de intenção de voto. Por isso, seria difícil discutir uma alternativa a ele no caso de um impedimento, diz Costa.

“Não é fácil discutir plano B com os índices de aprovação de Lula. Di… O governador também diz acreditar que, em outra situação, sem os processos e a condenação, Lula poderia estar puxando um nome “que viesse a firmar uma nova geração do PT”. “Mas quem hoje vai se colocar como nome?”, questiona.

Momento de convergência

Para o governador, a prisão de Lula poderia, inclusive, render votos ao PT. Para Costa, a detenção aumentaria um sentimento “de revolta, de indignação”. Os beneficiários disso seriam os candidatos alinhados a Lula ou quem ganhar o apoio do ex-presidente. “Vai aumentar ainda mais a indicação de algum nome que ele venha a apoiar, acho que aumenta a chance”.

O governador, porém, diz orar para que o ex-presidente não seja preso. Independentemente de Lula ou de quem também seja candidato ao Planalto por outros partidos, Costa torce para que, a partir de 2019, o momento seja de convergência.

“Quando digo reunificar não é um partido só, que todos passem a pensar da mesma forma, mas buscar negociar uma agenda comum que passe uma mensagem muito clara aos investidores”, pontua, recordando que investidores estão evitando o Brasil em função de seu “turbulento” momento político.

Esquecer o impeachment

Segundo Costa, o Brasil precisa de um projeto de Estado, e não de um projeto de um partido. E, para isso, será necessária a colaboração de todos, até da oposição, indicando que as definições, tomadas em conjunto, deverão ser mantidos… seja quem estiver no comando do país. “Precisamos apontar que nós não temos projetos de governo, que nós temos projetos de Estado”, diz o petista.

O governador diz acreditar que Lula, apesar de ter críticos e atacar decisões do governo Michel Temer (MDB), tem condições de reunificar o país. “Mas mesmo que não seja o ex-presidente, que a pessoa no comando tenha essa convicção e faça um discurso de busca pela unidade nacional”. Nesse caso, deveriam ser debatidos temas como reforma da política e reforma tributária, diz Costa

Nesse sentido de união, o PT também precisaria deixar de lado os discursos sobre o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Nós temos que virar a página daquele momento. Se a gente ficar remoendo o impeachment, nó… nós não vamos nem dialogar com a sociedade”.

Costa, por exemplo, diz que pretende manter o PP, partido de seu vice e que apoiou o impeachment, em sua chapa à reeleição. Ele comenta ser “inegável que milhões de pessoas foram para… foram para a rua naquele momento”.

Nós queremos ou não o voto dessas pessoas [que apoiaram o impeachment] para reconstruir o Brasil? Queremos. Então não adianta ficar brigando com aquele momento histórico, seus erros, seus acertos. Nós temos que dialogar com a sociedade e chamar quem compor o Brasil em novas bases éticas, onde a gente consiga pactuar mudanças estruturais …

Nome na manchete

Sem preconceito com o mercado Defensor de parcerias entre a iniciativa privada e os governos, as PPPs, Costa diz ver dificuldade em tocar projetos com empresas por falta de conhecimento de representantes de Tribunais de Conta e de membros do Ministério Público sobre o tema. “Nós não temos preconceito de dialogar com o mercado. São iniciativas locais, regionais que chamam os investidores, sem nenhum tipo de direcionamento, de favorecimento E vai consolidando uma imagem de um jeito moderno de fazer gestão”, diz. … –

Para 2019, o governador, além das reformas, avalia que o novo presidente, seja quem for, precisará tocar as reformas política e tributária. Mas ele também acha que se deva aprovar uma “lei de responsabilidade dos agentes públicos”

“Todos têm que ser responsabilizados pelos seus atos”. Ele cita como exemplo ordens judiciais que pedem a paralisação de obras que estariam sob suspeita, mas que, depois, são atestadas como corretas. ”E se dá prejuízo? Quem paga isso? Você imagina se o governador tivesse dado esse prejuízo? Meu nome estaria na manchete…

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