Depois do depoimento, o passo a passo do processo de Lula

O tão esperado interrogatório do ex-presidente Lula, nesta última quarta-feira, em Curitiba, encerrou a etapa de instrução do processo movido contra ele. Negou ser dono do triplex no Guarujá, usou a expressão “não sei” 82 vezes, “não lembro” sete e falou 36 vezes o nome de sua esposa Marisa, falecida recentemente. A ação do tríplex é a primeira aberta por Moro contra Lula.

A audiência da última quarta-feira foi a última realizada pelo juiz federal Sérgio Moro na ação, sendo que outros seis acusados já foram ouvidos. Agora, as atenções se voltam novamente para o magistrado. O próximo passo é o estabelecimento de uma data para que tanto a defesa como a acusação façam suas considerações finais no processo, para então, publicar seu veredito.

A tramitação do processo a partir de agora depende dos prazos estabelecidos por Moro para as alegações finais, tanto para a acusação quanto para a defesa. Com o fim da fase de interrogatórios dos réus, o juiz abre prazo de 10 dias para que o Ministério Público Federal (MPF) faça suas alegações finais. Após a entrega desses argumentos a Moro, o juiz deve dar mais 10 dias para que as defesas, tanto de Lula quanto de outros acusados, apresentem suas próprias alegações.

A partir daí começa a contar o prazo para a sentença do juiz. Esse período pode demorar de poucos dias até semanas. Em março, ao julgar o processo envolvendo o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o magistrado de Curitiba divulgou a sentença com cerca de 48 horas após receber as alegações finais dos advogados. Foi uma das condenações mais rápidas entre os processos da operação Lava Jato.

A expectativa é que a sentença de Moro sobre o caso do triplex seja proferida entre o fim de junho e o começo de julho. Isso caso não ocorra nenhuma suspensão do andamento processual. A defesa de Lula tenta retirar das mãos de Moro os processos que envolvem seu cliente. Nas últimas duas semanas, os advogados tentaram suspender a ação com recursos, mas os pedidos foram negados por Moro, pelo Tribunal Regional Federal (TRF-4), e também no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O cronograma dos trâmites é considerado essencial para Lula, pois interfere diretamente na possibilidade de ele concorrer à presidência da República em 2018. O petista já disse que é sua intenção concorrer.

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