Reflexões e indignação ornam o utópico romantismo da data

Fotomontagem Extremus21

Hoje é o “Dia Internacional da Mulher”. Esse não é um dia festa, mas de indignação, de reflexão e até de orgulho. O dia exato em que mulheres romperam as amarras e passaram a reivindicar direitos, espaços, condições, não consta na literatura. Assim como não está registrado o dia em que alguém, ou alguma convenção míope lhe retirou o espaço legítimo.

Em março de 1911, as mulheres que foram brutalmente queimadas naquela fábrica têxtil em Nova Iorque, não foram as primeiras a se rebelar, são as que simbolizam a luta, que persiste. Entendeu a razão de não ser esse um dia de comemoração? São necessárias mais reflexões e menos romantismo.

O fato é que as mulheres têm a inquietude na alma e nos feitos. Da Eva bíblica até a histórica Joana D’Arc, das personagens mitológicas até as contemporâneas, rotineiras. As mulheres, detentoras do dom da maternidade, seguem a parir suas próprias trajetórias que, se convergem numa vontade imensa de serem MULHERES, sem rótulos.

Sobre essa via crucis de lutas, conquistas, retrocessos e avanços, as colunistas Quitéria Costa e Lívia Maria, numa narrativa rica, clamam: “Não me dê flores! (confira aqui) Me deixe exalar meus odores do suor da minha luta, do perfume que uso para me festejar, para festejar a vida! Me deixe com minhas cores todas… Se me pinto, se me lavo… Se me adorno, se me desnudo… Tudo isso sou eu!”.

Elas, com senso crítico e muita informação, denunciam : “A minha condição de mulher tem sido um risco para minha própria existência. Posso morrer no auge da minha juventude, vítima daqueles que me tratam como objeto e me subjugam exercendo controle sobre a minha vida e morte para simplesmente satisfazer os desejos de uma mente doentia e criminosa. [O Brasil está entre os países com o maior índice de feminicídios!] Portanto, não me dê flores, deixe-me viver!

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