A ordem é combater a corrupção político-partidária sistêmica

Lava Jato (Foto: Reprodução)
Lava Jato (Foto: Reprodução)

O afastamento do Senado do todo poderoso presidente nacional do PSDB Aécio Neves, a prisão preventiva de sua irmã Andrea e o duro golpe no coração do Planalto, atingindo diretamente o presidente Michel Temer, a operação Lava Jato se descola do rótulo antipetista, golpeia ao mesmo tempo o Governo e seu principal partido de apoio.

Para os setores de esquerda a Lava Jato só enxergava o PT, seus aliados e negócios com empreiteiras e a Petrobras. As delações da Odebrecht atingiram caciques tucanos, do PMDB, DEM e PSD, mas ainda não havia uma festa da mídia como na prisão de José Dirceu, ou de Antônio Palocci, grandes nomes do partido petista, ou dos peemedebistas Eduardo Cunha e o ex-governador Sergio Cabral. Agora, com a divulgação das gravações de Joesley Batista, da JBS, os cenários foram equiparados

Nos últimos três dias não se viu nenhuma crítica mais ácida, tampouco reclamações nas redes sociais de setores esquerda à Lava Jato. Alguns até elogiaram os atuais métodos contra os tucanos e o Planalto. As delações e as gravações tão criticadas, foram aplaudidas, principalmente as repassadas ao jornal O Globo, em um momento de equilíbrio e de sinais de simpatia da população ao Governo Temer.  Os vazamentos jogam areia nos planos de Temer, que comemorava uma tímida melhora nos indicadores econômicos.

O juiz Sérgio Moro, personagem mais conhecida da Operação Lava Jato, é frequentemente criticado pela partidarização do caso, porque cabe a ele julgar os casos da operação na primeira instância, como o do ex-presidente Lula e do ex-deputado Eduardo Cunha. Lula, que é réu em cinco processos, deve ser sentenciado por Moro na ação que trata de ocultação de patrimônio envolvendo um tríplex no Guarujá até julho. A esquerda não perdoa o magistrado porque ele tirou o sigilo dos grampos feitos sobre Lula e a então presidenta Dilma Rousseff, que escancarou as conversas sobre a nomeação do ex-presidente para um ministério como estratégia para lhe garantir direito ao foro privilegiado.

Enquanto isso, na República de Curitiba, procuradores, lavaram a alma, lendo a reportagem do jornal o Globo. Vejam o desabafo do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima nas redes sociais: “Enquanto diziam que éramos contra um partido ou outro, a Procuradoria da República se manteve firme na sua tarefa de revelar a corrupção político-partidária sistêmica que mina todos os esforços da população para trabalhar e crescer por esforços e méritos próprios”.

E para acabar com qualquer dúvida de direita, centro ou esquerda, a Procuradoria Geral da República também cortou na própria carne. A pedido do procurador geral Rodrigo Janot, o ministro do Supremo Edson Fachin determinou a prisão preventiva do procurador Ângelo Goulart Villela e do advogado Willer Tomaz. A PGR determinou o afastamento de Villela de suas funções no Ministério Público Federal e a exoneração do servidor da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral. É como diz o ditado popular: “O pau que dá em Chico, dá em Francisco”.

Comentários

Ir ao topo da página