Lula começa a cumprir a pena de 12 anos na sede da Polícia Federal, em Curitiba – terra da Lava-Jato

Depois de mais de 48 horas da expedição do decreto de prisão pelo juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Lula, condenado pela Operação Lava Jato, se entregou à Polícia Federal pouco antes das 19 horas deste sábado, 7. Ele deixou o prédio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC a pé e entrou em um dos carros da PF não identificados que o aguardavam em uma garagem próxima. Em seguida, os veículos saíram em comboio.

Lula chega em Curitiba
Lula chega em Curitiba (Foto: reprodução)

O ex-presidente tentava deixar o prédio desde as 17 horas, mas era impedido por militantes contrários à rendição. Eles gritavam “cercar, cercar e não prender”, enquanto dirigentes do PT pediam que saíssem dos portões do sindicato. Gleisi Hoffmann, presidente do partido, alertou que a situação jurídica de Lula poderia se agravar se ele não cumprisse o acordo feito entre seus advogados e a PF.

O petista anunciou que havia decidido se entregar no início da tarde, em discurso ao final de uma missa em homenagem à sua falecida esposa, Marisa Letícia. Ainda, convocou os aliados a se tornarem “milhões de Lulas pelo País”. “Não adianta eles tentarem me parar. Eu não vou parar porque não sou ser humano, sou uma ideia e estou com vocês”, disse.

Às 22hs18 Lula chegou à terra da Lava Jato. Em um monomotor da Polícia Federal, o ex-presidente aterrissou no aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, e às 22hs31 chegou na Polícia Federal e foi imediatamente encaminhado à sala especial na carceragem da corporação no Paraná

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o primeiro presidente da República do Brasil preso por crime comum. Condenado a 12 anos e um mês por corrupção e lavagem de dinheiro, ele ficará preso em uma sala especial da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Antes de Lula, cinco ex-presidente da República foram detidos só que por motivações políticas. As prisões começaram com Hermes da Fonseca, no começo do século 20, depois, Washington Luís e Arthur Bernardes, nos anos de 1930, Café Filho, na década de 1950, e Juscelino kubitschek, durante a ditadura militar.

No caso de Lula, ele foi condenado após acusação de ter sido beneficiado com o repasse de R$ 3,7 milhões para a compra e reforma do triplex no Condomínio Solaris em Guarujá (SP). Deste valor, uma parte teria sido utilizada para o armazenamento, entre 2011 e 2016, de presentes que Lula recebeu durante os mandatos como presidente.

De acordo com a denúncia, as reformas feitas no imóvel pela construtora OAS, como a instalação de um elevador privativo, eram parte de pagamento de propina da empreiteira a Lula por supostamente tê-la favorecido em contratos com a Petrobras.

(Conteúdo Estadão e Agência Brasil)

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