O que existe de verdade no affair de Dilma Rousseff e James Green

Tudo começou no dia 7 de junho do ano passado, num evento em que um grupo de historiadores foi até o Palácio da Alvorada, residência oficial, para manifestar solidariedade à presidente, afastada da função desde a votação do dia 12 de maio. Entre eles, o americano James Green, professor de história latino-americana da Brown University, autor dos livros “Apesar de Vocês”, sobre a resistência à ditadura brasileira, e de “Além do Carnaval”, uma história da homossexualidade masculina no Brasil.

Sentado ao lado esquerdo de Dilma, Green foi o último a falar. “Foi uma mesa lotada de acadêmicas e ativistas incríveis. Estava bem ansioso, como sempre, quando falo em português. Tem que acertar o gênero, se é ‘o’ ou ‘a’, se tem que usar o subjuntivo… E eu falei da solidariedade internacional, e de como, enquanto ela estava sendo submetida à tortura no Brasil, pessoas nos Estados Unidos estavam se mobilizando em solidariedade. Eu estava tão tenso que nem olhava para ela, mas as pessoas comentaram comigo depois que ela estava prestando muita atenção.”

Depois das palestras, Green comentou com a ex-presidente que estava escrevendo um livro sobre Herbert Daniel, companheiro de luta com quem ela morou na clandestinidade no Rio de Janeiro em 1969. O livro, “Brazilian Gay Revolutionary: The Life and Times of Herbert Daniel”, sairá em breve pela Duke University Press. Dilma ficou encantada ao saber do tema do livro e topou ser entrevistada sobre o amigo e o período da clandestinidade. Duas semanas mais tarde, James voltou ao Alvorada, desta vez para um encontro particular. Dilma parabenizou-o pelo manuscrito, disse ter passado três noites seguidas lendo. O que era para ser uma entrevista de 45 minutos acabou sendo uma conversa de duas horas e meia.

Super ciumento

O reencontro dos dois se deu no mês passado. Dilma deu palestras em nove universidades na Costa Leste norte-americana, entre elas a Brown, onde James dá aula. Depois do evento na Brown, em Providence, Rhode Island, ela discursou na City University of New York. No dia de folga da ex-presidente em Nova York, o estudioso a levou para passear no Central Park (“já que sei que ela gosta de exercício físico”), ao Metropolitan Museum of Art, e ao Lincoln Center.

Os dois se viram novamente quando a ex-presidente deu uma palestra em Harvard, no final da viagem. Green fez as vezes de intérprete quando Dilma se encontrou com Jane Sanders, mulher de Bernie Sanders, e com o ator Danny Glover. “E foi só isso. Foi uma temporada muito agradável”. Green também rejeita a imagem da ex-presidente como durona, descrevendo-a como divertida e engraçada.

Ao terminar de relatar o tempo que passaram juntos, o tom de Green mudou. “O curioso sobre esse boato [do namoro] é que reflete toda a misoginia que ronda a Dilma. Como historiador e pesquisador das relações afetivas, respondeu tranquilamente a pergunta que todos queriam saber: o que Moshe Sluhovsky, seu companheiro , com quem está casado há 24 anos, está achando dessa nova amizade? “Ele está super ciumento”, brincou, “e a Dilma disse que ele tem toda a razão para estar”. (Com informação da Revista Piauí- Flora Thomson-DeVeaux)

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