Pedro Parente deixa a
presidência da Petrobrás

A Petrobrás anuncia a demissão do presidente Pedro Parente nesta sexta-feira, 1º. O executivo esteve em reunião com o presidente da República Michel Temer no Palácio do Planalto e entregou carta de demissão (na íntegra abaixo). Na carta de demissão, o executivo afirmou que os resultados obtidos à frente da estatal revelam o acerto de medidas que foram tomadas pela estatal, mas que a greve dos caminhoneiros desencadeou “intenso e emocional debate” e por isso sua permanência na presidência da Petrobrás “deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente”.
Em fato relevante, a companhia informa que a nomeação de um CEO interino será examinada pelo Conselho de Administração ao longo do dia, e que a composição dos demais membros da diretoria executiva não sofrerá qualquer alteração.
Segundo informou a Coluna do Broadcast na última terça-feira, 29, Parente estaria cogitando trocar o comando da estatal pela presidência da empresa de alimentos BRF. Ele teria, inclusive, solicitado nos últimos dias para ‘segurarem’ o processo de escolha de um CEO na companhia. A possibilidade de a troca ocorrer já corria no mercado financeiro, principalmente, diante da crise gerada com a greve dos caminhoneiros e já mexeu nos papéis da própria empresa de alimentos.
O ex-presidente da Petrobrás chegou a negar qualquer intenção de entregar o cargo durante a greve dos caminhoneiros. O executivo mantinha o mesmo posicionamento frente à necessidade de continuidade da atual política de preços dos combustíveis da estatal.
Na berlinda desde o início da greve dos caminhoneiros, a Petrobras chegou a sair em defesa de sua política de preços de derivados para os próprios funcionários. Em uma série de vídeos, o agora ex-presidente Pedro Parente e executivos de médio escalão de várias áreas da companhia falavam sobre estratégia de refino, formação de preço, endividamento e justificam os reajustes diários. Na prática, também rebateram alegações da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e pediam “reflexão aos funcionários” sobre os movimentos recentes de caminhoneiros e petroleiros.
Reflexos.
Os papéis da ação da estatal no exterior (ADR) chegaram a cair mais de 15% em Nova York, influenciados pela notícia da demissão de Pedro Parente do comando da estatal. Às 11h48 (de Brasília), o ADR da Petrobras ON recuava 13,04%, para US$ 8,87. A queda superou os 15%. Já o da PN cedia 12,21%, para US$ 8,96. Nas mesas de operações, os investidores avaliam que o tamanho das concessões feitas pelo governo e a consequente demissão de Pedro Parente mostram a fraqueza do governo e temem que isso se estenda a outros segmentos da economia.
Cargo. Parente assumiu o comando da estatal em maio de 2016 no lugar de Ademir Bendine. Pedro Parente iniciou a carreira no setor público no Banco do Brasil, em 1971. Dois anos depois, foi transferido para o Banco Central (BC). Parente foi ainda consultor do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de instituições públicas brasileiras, bem como da Assembleia Nacional Constituinte, em 1988. Ele foi ministro durante todo o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1999-2002). Ocupou a Casa Civil até 2001 e, depois, o Planejamento.

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