União Suzano/Fibria nasce com dívida de R$ 50 bilhões e reduz opção de trabalho

Foto: reprodução.

Os trabalhadores, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Silvicultura, no Plantio, nos Tratos Culturais, Extração e Beneficiamento da madeira em Atividades Florestais e Indústrias Moveleiras no extremo Sul da Bahia (Sintrexbem), estão preocupados. Eles acusam a Suzano de ter uma política perversa de metas de produção, a ponto de gestor dizer “sei que tem trabalhador que se mata no trabalho para bater as metas”.

Situação que os sindicalistas acreditam que ficará pior, pois, “com a gigante da celulose,  nasce também uma dívida monstruosa de R$ 50 bilhões, que certamente sobrará para o trabalhador pagar. Com mais metas abusivas, jornada de trabalho extenuante e com retirada de benefícios conquistados com muita luta”. A nota é assinada pelo presidente da Sintrexbem, Silvânio Alves.

Nos últimos dias, setores ligados à economia e, mais especificamente, ao agronegócio do Brasil e do mundo, estão atentos às movimentações entre Suzano e Fibria que transformou a companhia resultante em líder mundial em celulose de mercado. Uma negociação bilionária que tornou a Suzano controladora com 46,6% da estrutura societária da nova companhia, conforme foi anunciado na última sexta-feira (16). A fusão entre as duas companhias foi aprovada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Diante disso, outra questão colocada pela classe é a diminuição das possibilidade de trabalho, já que o trabalhador técnico na área, ficará sem opção e “caso seja desligado terá que se mudar para uma outra região para conseguir emprego em uma outra empresa”. No entendimento dos profissionais, a união criará um “poder totalitário” no seguimento da celulose, com a formação da quinta maior companhia do país, “que consequentemente será a dona de alguns municípios da nossa região”.

Um argumento do sindicato, que encontra respaldo em outros entes ligados à empresa, é que a Suzano tem uma postura de pouco diálogo com a comunidade, deixando como saldo social apenas suas obrigações fiscais e os empregos gerados. Ainda assim, existe o questionamento acerca de uma preferência da empresa por mão de obra barata e/ou, contratação de pessoal de fora para postos e cargos melhor remunerados.

Essa postura, ainda de acordo com os trabalhadores  “gera um enorme déficit de emprego na região”, “falamos com conhecimento de causa, com propriedade, pois já vivenciamos situação parecida, quando a Votorantim em 2009 comprou a Aracruz e criou a Fibria Celulose S/A.” A Fibria nasceu da compra da Aracruz pela Votorantim em 2009, com ajuda do BNDES, em negócio que evitou quebra da empresa.

Na negociação da gigante da celulose, os acionistas da Fibria receberão um total de cerca de R$ 29 bilhões e 255 milhões de novas ações da Suzano Papel e Celulose como parte do acordo de fusão. A dívida líquida combinada das duas empresas soma R$ 21 bilhões. Com as captações e empréstimos previstos para concluir a combinação dos negócios, a dívida deverá subir para R$ 50 bilhões. Os executivos descartaram entretanto a necessidade de venda de ativos.

A Votorantim, que hoje detém fatia de 29.42% na Fibria, passará a ter participação minoritária de 5,6% na nova companhia. Já o BNDESPar, que possui 29,08% da Fibria, terá 11,1% após o término da união das companhias. Diante da nova realidade, há a possibilidade de o nome da Fibria desaparecer na nomenclatura da nova companhia.

Em apresentação da operação na sexta, os executivos da Suzano, que é controlada pela família Feffer, avaliaram sinergias entre R$ 8 bilhões e 10 bilhões “no mínimo”, em até 3 anos. Na avaliação da Suzano, a fusão proporcionará ganhos de eficiência e redução de custos em manejo florestal, logística, estruturas administrativas e nas compras de suprimentos.

A produção do Portal Extremus21 entrou em contato com a Associação Baiana de Empresas de Base Florestal (ABAF), mas a instituição preferiu não se posicionar neste primeiro momento sobre o impacto da negociação para a Bahia. Segundo a sua assessoria de comunicação, as informações ainda são insuficientes para que a ABAF se manifeste.

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