Divulgação de pesquisas e a postura do mau político

A divulgação de pesquisas eleitorais nos dias atuais não terá o mesmo poder de influência que exerceu em eleições passadas. O eleitor está mais consciente, mais informado, fazendo o uso de critérios mais rigorosos para a avaliação dos candidatos, levando em consideração o respeito dado pelo político a sua opinião, deixando a decisão do voto para o mais próximo do dia em que terá a obrigação de confirmar na urna sua escolha.

Não é função de um Instituto de pesquisa influenciar eleitores, fazer papel de guru com adivinhações ou coisas do tipo. O trabalho das empresas que atuam no ramo das pesquisas de opinião pública com foco político-eleitoral é de fornecer para gestores, candidatos e demais clientes, informações que possam subsidiar o planejamento de ações futuras. O levantamento político-eleitoral nada mais é que uma espécie de fotografia momentânea com o objetivo principal de mostrar de forma precisa e confiável um cenário em estudo, seus atores e a sua evolução.

Recentemente foram divulgadas pela imprensa regional pesquisas de opinião pública realizadas com o intuito de avaliar o trabalho dos gestores de alguns municípios do extremo sul baiano e o potencial eleitoral de lideranças políticas. Como na maioria das vezes a divulgação de pesquisas tende a agradar apenas quem aparece bem, gestores e pré-candidatos que no momento estão mal avaliados contestaram parte dos resultados e atacaram os responsáveis pela publicação.

Assim como não é função dos Institutos de pesquisas e dos órgãos de imprensa atestar a competência ou incompetência administrativa e de antecipar vitórias ou “sepultar” candidaturas com levantamentos políticos eleitorais, também não é a estratégia mais inteligente de um gestor ou de um pré-candidato a cargo político contestar resultados sem argumentos técnicos. A contestação política e a ira com os resultados acabam potencializando a repercussão negativa dos fatos e faz o contestador irado agir de forma autodestrutiva.

A política é um processo constante. Um bom político não deve fazer contestações passionais ou bravatas, deve ser humilde e utilizar uma pesquisa com resultados adversos como ferramenta de trabalho para corrigir sua postura, melhorar sua imagem, entender melhor o cenário de fora para dentro com o olhar do eleitor e principalmente respeitar a opinião pública. Só assim aparecerá bem numa próxima “fotografia”.

 

Rommel Moreno é administrador de empresas, MBA em gestão estratégica de marketing e RH. Dirige desde 2008 o Centro de Desenvolvimento Insight e o Instituto Foco Pesquisa & Desenvolvimento.

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Batalha nas redes e as pesquisas eleitorais

2018 chegou e é ano da competição que fará alguns “apaixonados” perderem o sono, roerem as unhas e ficarem o tempo que for necessário nas redes sociais tentando de alguma forma fazer o máximo de pessoas que está do lado adversário mudar para o seu time.

É ano de copa do mundo, de ruas enfeitadas, de bandeiras tremulando, de família e amigos reunidos provavelmente torcendo pelo mesmo time, a seleção brasileira de futebol. Também é ano de escolher presidente, governador, dois senadores, um deputado estadual e outro federal, e é aí, que a torcida antes unida pelo escrete canarinho se dividirá em vários times, em várias cores, ideologias, critérios, numa guerra de argumentos que se intensificará num campo de batalha onde todos são teoricamente bravos e fortes: as redes sociais.

A internet contribui para aumentar o nível de informação do eleitor de forma quase instantânea, com alcance ilimitado e com um custo na maioria das vezes menor que os meios de comunicação convencionais. Aproveitando essa ferramenta, políticos contratam empresas e profissionais da área da tecnologia da informação para propagar dados muitas vezes distorcidos que serão compartilhados nas redes sociais por eleitores apaixonados transformados em soldados políticos que atirarão para todos os lados qualquer munição que receberem nessa guerra virtual.Para os que não são “combatentes”, principalmente os que fazem das redes sociais instrumento de trabalho, fica o conselho de avaliar as informações de cunho eleitoral com bom senso antes de tomar a decisão de publicar ou compartilhar qualquer coisa do tipo.

No final de 2017, várias enquetes e supostas pesquisas eleitorais foram divulgadas indiscriminadamente através do facebook e do WhatsApp. É preciso ter cuidado, pois publicar ou compartilhar dados de pesquisas eleitorais sem o prévio registro no TSE ou números fictícios de pesquisas fraudulentas constituem crimes puníveis com detenção de seis meses a um ano e multa que pode ultrapassar o valor de cem mil reais. Vários proprietários de perfis de redes sociais foram punidos em 2016.

Os grandes institutos até começar o período de campanha eleitoral devem divulgar pesquisas para os cargos de presidente da república, governadores e senadores no final ou no início de cada mês e são as fontes de dados mais confiáveis para quem quiser publicar ou compartilhar números da disputa eleitoral. Quem não usar o filtro do bom senso pode escapar das punições e das multas, mas dificilmente escapará da ridicularizarão. Nessa batalha, é preciso usar a melhor munição para ter mais chance de dar um tiro certeiro.

Rommel Moreno é administrador de empresas, MBA em gestão estratégica de marketing e RH. Dirige desde 2008 o Centro de Desenvolvimento Insight e o Instituto Foco Pesquisa & Desenvolvimento.

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