Xico Sá: “que brasileiro será você na Copa?”

O jornalista Xico Sá, escritor, homem de televisão, apaixonado pelo futebol, num brilhante artigo para o El País, mostra que o Brasil está tão rachado politicamente, que nem o futebol da seleção de Tite une o país às vésperas do mundial da Rússia.
“Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor…” O eco das arquibancadas de 2014 parece soar estranho no momento. Você vai torcer, secar ou não está nem aí para a seleção brasileira? Segundo meu instituto Databoteco, a indiferença domina o chão da praça. Nem o Pacheco, aquele personagem fanático inventado pela Gillete nos anos 1980, está alerta. Vai ter Copa? Pelo tanque vazio de esperança e o saco cheio da realidade, a brava gente parece indisposta a gastar galões de tinta verde e amarela pelas ruas do país.
Nem o Alzirão, tradicional sede da pátria em chuteiras no bairro carioca da Tijuca, está enfeitado neste momento. Tampouco há bandeirolas na praça central de Nova Olinda (CE), onde fiz a farra de criança, na Copa de 70, no meio de uma multidão que tentava enxergar em uma TV de 14 polegadas, os lançamentos do Gerson, o canhotinha de ouro.
A polarização, óbvio ululante, ajuda a entornar o caldo da feijoada. Não tem jeito, caríssimo Juan Arias, a política envenena a nação até na alegria da Copa, ao contrário da sua sensata torcida pela unanimidade aqui nas páginas do EL PAÍS.
Há quem se recuse a vestir a camisa canarinho da CBF, modelo oficial dos manifestoches do impeachment -farsa épica dramatizada na pedagogia do samba da Paraíso do Tuiuti.
Ah, bobagem, meu bem, dizem outros: não misturo futebol e política, mesmo sendo contra tudo que está aí no cenário e no horizonte, vou vibrar sim pelo hexacampeonato, faz mais um pra gente vê, menino Jesus. É apenas uma competição de futebol, sem essa de mané-pátria-em-chuteiras.
Há quem simplesmente ainda não superou o trauma do 7×1 e desconfie, mesmo depois de todo discurso da autoajuda publicitária do Tite, da capacidade da equipe. A turma do “sei não, viu…”
Nessa feira patriótica de Acari, tem “de um tudo”. A patota da “intervenção militar” deve pedir a tortura para os secadores da seleção, esse bando de comunista, vai pra Venezuela, vai pra Cuba. Felipe Melo já como capitão do time Brasil na Rússia -o palmeirense é eleitor declarado de Jair Bolsonaro.
No túnel dialético do tempo, o debate nos leva novamente à Copa de 1970 disputada no México. A esquerda brasileira ficou na bola dividida. Para os mais radicais, torcer pelo timaço de Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivelino seria compactuar com a ditadura que arrepiava nos porões e censurava até livros sobre o cubismo -sim, o movimento artístico de vanguarda.
Uma moçada vermelha desobedecia, mesmo sob vigilante patrulha ideológica, a cartilha gauche das boas maneiras. Em artigo recente na revista Carta Capital, o jornalista Nirlando Beirão faz um bate-bola comparado e com estilo das duas situações, recomendo a leitura: “Para alguém que torceu a favor em 1970, chancelar em 2018 a hipocrisia, a burrice e a vulgaridade que passaram a exalar da pátria em chuteiras é missão ironicamente mais dolorida que da época da ditadura. Em 1970, o povo ainda desabafava no futebol uma alegria asfixiada, mas esperançosa. Em 2018, o futebol exprime a mediocridade turbulenta de um país que perdeu o rumo – em parte pela cegueira suicida de seu próprio povo. Uma gente sempre disposta a culpar ‘os políticos’, mas prestes a confirmar de novo, em outubro, os piores pilantras no Parlamento de Brasília.”
Você vai torcer ou secar? Eis a questão da hora. O caso não é simples ou esquemático. Guarda uma complexidade que lembra o drible do elástico nos pés do Rivelino. Há quem passe a régua no boteco: coxinha se esgoela pelo time da CBF; esquerdopata é do contra. Juízo, torcida brasileira, como prega o amigo Vladir Lemos no programa Cartão Verde, na TV Cultura. Conheço esquerdistas mais vermelhos do que Lênin dispostos a torcer pelo escrete canarinho – “afinal de contas a velha URSS e sua gloriosa camisa CCCP já eram”, fazem troça da história.
O jornalista Juca Kfouri tem um texto antológico sobre o assunto. Ninguém conseguiu resumir com sabedoria e elegância, e em apenas 30 linhas, a parada. O argumento foi publicado em 05 de junho de 2014, na Folha de S. Paulo, sob o título shakespereano “Torcer ou não torcer”. Jovens, ao Google. Antes, porém, deixo uma amostra grátis do breve tratado:
“Então, dizia nossa esquerda, cada gol da seleção atrasa em dez anos a revolução brasileira. Militante da ALN, a Ação Libertadora Nacional de Carlos Marighella, o que meus colegas desconheciam, passei a ser visto como alienado e sustentei discussões para mostrar que não permitiria que a ditadura roubasse o que eu tinha de mais íntimo, que minha paixão pelo futebol ou minha emoção sempre que ouvia o hino nacional não seriam usurpadas pelos que haviam assaltado o poder.”
Há quem torça de camisa da CBF, mesmo que pirata, e há quem adote a indumentária alternativa do “Lula Livre”, vermelha como a semente do pau-brasil, sopra um colega de trabalho, corintianíssimo como o ex-presidente.
O corvo Edgar, meu bicho de estimação, o maior agourento do futebol, seca explicitamente o time canarinho desde 2006. “Não tem acordo patriótico”, crocita o maldito, “esse Neymar virou um tremendo mascarado”. Tento domar a criatura no poleiro. Ele segue na mandinga, no escárnio e na blasfêmia. Nem o competente professor Tite, capaz de levar na lábia até a madre superiora, o comove. Que fazer? Vou convocar a dona Lúcia, a crédula e cândida brasileira que consolou Parreira e Felipão em 2014, para administrar gotas de otimismo a este cético miserável.
Xico Sá é autor de “Sertão Japão” (Casa de Irene edições) e “A pátria em sandálias da humildade” (ed. Realejo), entre outros livros. Escreve no El País e na tv, é comentarista na “ESPN/Brasil”.

Comentários

Julio Cesar volta feliz para encerrar carreira no Flamengo

O Flamengo anunciou na manhã desta segunda-feira o retorno do goleiro Julio Cesar, titular da seleção brasileira nas últimas duas Copas do Mundo. Revelado pelo clube carioca em 1997, ele retorna após 13 anos, para um “contrato simbólico”, de apenas três meses, até o fim do Campeonato Carioca.

Julio Cesar havia anunciado sua aposentadoria no fim de 2017, com a camisa do Benfica, mas voltou atrás para realizar um antigo sonho. “Volto feliz, com muita vontade de ser campeão e de encerrar a carreira de maneira brilhante”, afirmou o ídolo em sua reapresentação.

Julio Cesar Flamengo
Julio Cesar (Foto: reprodução)

Julio Cesar deve ser reserva de Diego Alves e vestirá a camisa 12, que o acompanhou nos grandes momentos da carreira, e estava aposentada pelo clube. “Sei que esse número pertence à torcida do Flamengo, mas vou pegá-lo emprestado só por três meses”, brincou. O diretor executivo Rodrigo Caetano não revelou o salário do reforço, mas falou em “contrato simbólico.” Segundo Julio, não há nenhuma chance de o vínculo ser renovado.

Aos 38 anos, o goleiro volta após passagens por Chievo Verona, Inter de Milão, Queens Park Rangers e Benfica. Foi campeão italiano cinco vezes, da Liga dos Campeões e do Mundial um, todas pela Inter de Milão, e campeão português três vezes pelo Benfica. Deixou o futebol europeu apenas para defender o Toronto FC, do Canadá, em 2014.

(Com conteúdo da revista Placar)

Comentários

Sheherazade: não acredito em nenhum “salvador da pátria”

A notícia caiu como uma bomba no chamado campo da direita e extrema direita da política brasileira: a jornalista Rachel Sheherazade, apresentadora do SBT Brasil, autodeclarada “uma liberal conservadora”, frustrou nos últimos dias admiradores que a consideravam automaticamente uma apoiadora da candidatura de Jair Bolsonaro (PSC-RJ) a presidente.

Tudo começou quando ela postou em redes sociais reportagens do jornal Folha de São Paulo sobre ele e se viu alvo de ataques. Em entrevista, por e-mail, à coluna de Mônica Bergamo, ela, entre outras coisas, disse que não apoia nenhum candidato por ser “uma jornalista independente”.

Rachel Sheherazade
Rachel Sheherazade (Foto: reprodução)

Folha – Qual a sua posição em relação a Bolsonaro?

Rachel Sheherazade – Em nenhum momento apoiei o candidato Jair Bolsonaro. O que efetivamente defendi foi o cidadão Jair Bolsonaro, e numa ocasião bem específica: quando acusado de estuprador pela deputada Maria do Rosário [PT-RS]. Falei sobre o entrevero entre os dois, e de fato não encontrei razão para aquelas acusações de estupro, o que acredito ter sido um linchamento político movido por exagero e sexismo.

O fato é que jamais tive qualquer ligação, nem mesmo de empatia política, pelo senhor Bolsonaro. Quando a Folha publicou reportagem sobre a evolução patrimonial do pré-candidato, senti-me, como jornalista e como cidadã, impelida a me manifestar. Foi o que fiz.

O que pensa sobre a candidatura dele?

Toda candidatura é lícita, desde que não seja impedida pela Justiça Eleitoral. O que me preocupa é a polarização em torno de dois candidatos tão igualmente radicais e populistas (Lula e Bolsonaro). A idolatria a políticos —tanto de esquerda quanto da “suposta” direita— me assusta, e o ódio com que esses “messias” conduzem seus seguidores é um retrocesso para a liberdade de expressão e a democracia.

Por que acha que é considerada apoiadora de Bolsonaro?

Como sempre fui identificada como uma jornalista liberal, as pessoas acabaram me vinculando ao deputado, que, agora, se apresenta como um defensor dos valores da direita. Desde que Bolsonaro assumiu o discurso de conservador, seus seguidores vêm disseminando postagens indevidas.

Pode dar exemplos?

Utilizam minha imagem ao lado da imagem do deputado, sugerindo uma falsa aliança política e ideológica entre nós.

Mais recentemente, foram publicadas notícias falsas dando conta de que eu estaria me filiando ao partido do senhor Bolsonaro para lançar uma possível candidatura ao seu lado. Levei o fato até a assessoria de imprensa do SBT, que logo desmentiu esses boatos. Mas, quando há uma rede de militantes engajados e multiplicadores de fake news na internet, é difícil ver a verdade sobressair às mentiras convenientemente fabricadas por “messias” de ocasião.

Que tipo de ataques recebeu?

Recebi todo tipo de ataque sórdido e covarde. Calúnias e difamações de toda natureza, atingindo desde minha honra como mãe e mulher até a minha credibilidade profissional. Também recebi ameaças de morte contra meus filhos, além de ataques machistas e contra a minha origem nordestina.

Essas agressões cheias de ódio e ressentimento partiram de eleitores e seguidores do senhor Bolsonaro, do filho do parlamentar Carlos Bolsonaro e também do ator pornô e aliado político de Bolsonaro, Alexandre Frota, contra quem já representei penalmente.

Você critica os chamados “messias”. Por que acha que eles assumem esse papel? Acredita que algum “salvador” surgirá até outubro?

Espero que não precisemos de qualquer “salvador da pátria”, mas que tomemos, nós mesmos, as rédeas de nosso destino político. Acredito que políticos populistas como Bolsonaro, Lula e Maduro (na Venezuela) surgem quando os eleitores não ocupam seu lugar no espectro político, não assumem seu papel como corresponsáveis pelo futuro de seu país e acabam terceirizando essa atribuição ao primeiro demagogo que encontram pelo caminho. Espero que tomemos um rumo diferente do quadro que se apresenta no momento, que nos afastemos dos extremos, da irracionalidade e do ódio.

Hoje você apoia algum candidato a presidente?

Não apoio nenhum candidato, pois não sou cabo eleitoral. Sou uma jornalista independente. Como jornalista e formadora de opinião, não me sinto confortável em declarar meu voto. Seria uma forma indireta de envolver-me na política partidária.

O fato é que nunca tive político nem partido de estimação. Nunca me envolvi na política partidária porque preciso manter a distância necessária para ser independente jornalisticamente. Por não ter amarras políticas, é que sou livre para criticar ou elogiar qualquer político ou legenda —e disso não abro mão.

Onde você se localiza em relação ao espectro político?

Considero-me uma liberal conservadora. Sou defensora das liberdades individuais dos cidadãos, do Estado minimalista, da economia aberta, mas também sou contrária a pautas como a legalização do aborto e a liberação das drogas, por exemplo.

No campo da moral, acredito que as pessoas devam exercer seu livre-arbítrio, até o limite de sua individualidade, sem invadir ou desrespeitar o direito de terceiros.

Há algum tipo de interferência do seu noivo, Matheus Faria, na sua postura crítica a Bolsonaro, como foi apontado por seguidores?

Meu noivo é uma pessoa que vive a política cidadã, não a política partidária. Como eu, ele nunca se aliou a qualquer partido ou político, mas sempre se mostrou um crítico ferrenho de corruptos e populistas, independentemente do espectro ideológico.

Nossa forma de pensar a política é muito parecida, e esse foi um dos motivos pelos quais acabamos nos aproximando. Entre nós, não há uma relação de influenciador e influenciado. Somos adultos e temos nossas convicções bem solidificadas e independentes.

Qual sua expectativa em relação ao resultado do julgamento do ex-presidente Lula no dia 24?

Minha expectativa é que a justiça seja feita, independente de pressões políticas, mas que seja uma justiça serena —sem revanchismos, sem ódios e sem paixões.

Como se sentirá caso venha a noticiar no SBT a confirmação da condenação do petista?

Como jornalista, estarei apenas informando um fato aos telespectadores. Como cidadã, e acreditando na culpabilidade do réu, sentirei que a justiça, enfim, prevaleceu.

Comentários

William Waack fala do caso que motivou sua saída da Globo

O jornalista William Waack, ex-apresentador do Jornal da Globo, em artigo publicado  no jornal Folha de S.Paulo, neste domingo (14/01), negou ser racista e pede desculpas pelo comentário que culminou em sua demissão da rede Globo, há quase um mês.

William Waack, já no primeiro parágrafo, assume a culpa pela piada que vazou na internet. “Desculpem-me pela ofensa; não era minha intenção ofender qualquer pessoa, e aqui estendo sinceramente minha mão”, diz. Em seguida, ele ressalta que existe racismo no país e que comentários do tipo podem sim contribuir para tal problema, mas garante que o episódio infeliz em nada representa quem ele é.

William Waack
William Waack

E continua: “durante toda a minha vida, combati intolerância de qualquer tipo —racial, inclusive—, e minha vida profissional e pessoal é prova eloquente disso. Autorizado por ela, faço aqui uso das palavras da jornalista Glória Maria, que foi bastante perseguida por intolerantes em redes sociais por ter dito em público: ‘Convivi com o William a vida inteira, e ele não é racista. Aquilo foi piada de português.’”, diz, antes de garantir que não listaria ali os muitos amigos negros que tem, pois não separa colegas por cor ou religião.

Mesmo sem citar o nome da Globo, o ex-apresentador alfinetou o canal e outros meios de comunicação ao afirmar que todos cedem à “gritaria de grupos organizados”. “Entender esse fenômeno parece estar além da capacidade de empresas da dita ‘mídia tradicional’. Julgam que ceder à gritaria dos grupos organizados ajuda a proteger a própria imagem institucional, ignorando que obtêm o resultado inverso (o interesse comercial inerente a essa preocupação me parece legítimo). Por falta de visão estratégica ou covardia, ou ambas, tornam-se reféns das redes mobilizadas, parte delas alinhada com o que “donos” de outras agendas políticas definem como ‘correto’.”

Ele ainda cita comentários de Luis Felipe Pondé e da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, que saíram em sua defesa.

Por fim, ele invoca sua obra e seus 48 anos de profissão como testemunhas de sua índole. “Admito, sim, que piadas podem ser a manifestação irrefletida de um histórico de discriminação e exclusão. Mas constitui um erro grave tomar um gracejo circunstanciado, ainda que infeliz, como expressão de um pensamento. Até porque não se poderia tomar um pensamento verdadeiramente racista como uma piada.”

Comentários

Anitta: de mulher-maravilha à nova rainha do pop brasileiro

Foram quatro clipes de estrondoso sucesso e repercussão internacional nos últimos meses – 2017. Com texto primoroso a jornalista Flávia Tavares explica o sucesso dessa carioca, que queria apenas mostrar o ritmo do seu universo, os bailes, as lajes e ladeiras dos morros do Rio de Janeiro. No começo muita gente fez beicinho, tapou os ouvidos e nariz. Hoje é reconhecida além das fronteiras brasileiras. Se você não conhece, conheça, delicie-se e curta a explosão Anitta.

É o salto de vinil altíssimo da bota estampada de Brasil, acima do joelho, que promove o rebolado autêntico de Anitta logo na primeira cena. O minishort vermelho sobreposto ao de oncinha deixa de fora boa parte da abundância de molejo da cantora. Ela sacode sua brasilidade Morro do Vidigal acima. “Ah lá, toda animadinha”, delicia-se um marmanjo no off. Anitta sobe na garupa de um mototáxi, desembarca num boteco, monta na mesa de sinuca. Tunturuntuntum. Não precisa de repeat. A batida do funk já grudou. O clipe de “Vai, malandra”, nova música da cantora carioca, foi lançado no YouTube na segunda-feira, dia dia 18 de dezembro, às 11 horas. Em 24 horas, teve 14 milhões de visualizações – foi o clipe brasileiro mais visto no dia em que foi lançado e o que ultrapassou a marca de 1 milhão de curtidas mais rapidamente. No Spotify, plataforma de streaming de músicas, o funk alcançou, na quarta-feira, dia 20, a 18a posição da lista mundial de músicas mais tocadas. Foi a primeira vez que um artista brasileiro ficou no top 20. Estatísticas e recordes que compõem a curva do efeito Anitta em 2017: ascendente e delineada com cuidado para culminar precisamente em suas curvas emolduradas por fita isolante na laje da favela no clipe.

Anitta Extremus21
Anitta Extremus21 (Foto: reprodução)

Tunturuntuntum. Enquanto Anitta sacoleja seu corpo e suas tranças implantadas, garotas e rapazes lambuzados de suor e óleo flertam nos cenários do Vidigal. Tudo é muito sexual, permissivo. “Vai, malandra” é o quarto e último clipe de um projeto que Anitta denominou “CheckMate” e anunciou em agosto passado. Sua estratégia era clara: em parcerias com produtores e cantores internacionais de renome, ela lançaria um clipe por mês até dezembro. Seu objetivo, ambicioso: reconhecimento nos Estados Unidos e em países latinos. A primeira música foi “Will I see you”, em parceria com o produtor Poo Bear, que já trabalhou com nomões como Justin Bieber e Usher. Uma toadinha enjoada de violão embala uma Anitta doce, cantando em inglês, envolta em transparências sensuais, mas românticas. A segunda foi “Is that for me”, também em inglês, desta vez com o DJ sueco Alesso. O clipe foi gravado na Amazônia. Anitta está permanentemente fantasiada, figurativa. A melodia é customizada para pistas de dança e funciona. Em seguida, veio “Downtown”, com o colombiano J Balvin – essa em espanhol. O vídeo é repleto de clichês sobre a sexualidade latina, sob medida para o gosto americano. Anitta vendeu um pacote de sua versatilidade. Podia, no quarto e último clipe, apresentar-se como ela mesma, uma funkeira do Rio de Janeiro.

A estética de “Vai, malandra” é toda celebração das comunidades cariocas. Anitta é da periferia, de Honório Gurgel, na Zona Norte do Rio. Anitta é do funk, foi lançada pelo Furacão 2000 sete anos atrás. Anitta é do rebolado, sempre usou seu talento de dançarina para promover seu trabalho como cantora. Não surpreende que ela tenha escolhido honrar essas três características no xeque-mate de sua estratégia de marketing. A cantora defende com afinco, dentro de suas limitações, o feminismo, o poder das mulheres, a diversidade. E suas armas para isso variaram entre declarações nas redes sociais (6 milhões de seguidores só no Twitter) e em entrevistas; sua absoluta independência e autogerência da própria carreira; e sua própria arte. No Twitter, ela respondeu com elegância a um moleque que a chamou de prostituta: “Se prostituir no Brasil não é ilegal. Uma prostituta pode ser mais honesta, estudada e competente que um adolescente machista e preconceituoso”. Dicionário ilustrado para o que ficou conhecido como “lacre”. Em “Vai, malandra”, ela autoriza que seu parceiro no clipe, o Mc Zaac, use sua bunda como batuque na borda de uma piscina improvisada na caçamba de um caminhão. Quem caça sarna em derrière alheio a acusa de “objetificar” a mulher. Quem entende sua linguagem sabe que a mensagem é que mulher poderosa usa sua sexualidade da maneira que bem entende, seja com cinto de castidade ou com shortinho vermelho deixando a celulite de fora no meio da favela. Xeque-mate.

Mulher poderosa usa sua sexualidade como bem entende, seja com cinto de castidade ou com shortinho na favela.

Mas isso foi só um quadrimestre de Anitta. Seu ano todo foi glorioso. O recado de Anitta sobre o poder das mulheres está também em seu esforço incessante em levantar sua carreira. Mulher poderosa administra seu presente e futuro. Numa entrevista ao programa Fantástico no domingo que antecedeu o lançamento de “Vai, malandra”, Anitta, que tem 24 anos, contou como se atira sozinha nas empreitadas. Mas com um sorriso de satisfação, de quem desfruta o sucesso com mais orgulho por isso. “Ninguém me ajudou. Não houve investimento de ninguém. Houve eu fazendo assim: ‘ah é, ninguém quer me ajudar?’ Então, fui eu metendo a minha cara sozinha, real”, disse. Anitta lembrava do lançamento de “Paradinha”, single em espanhol, no México, no fim de maio. “Enfrentei lá a mesma situação que passei aqui no meu início: ‘Ninguém vai escutar, essa produção não tem nada a ver com o mercado latino, é muito brasileira.’” A desforra veio breve. Caminhando pelo aeroporto de Nova York, ela ouviu sua música no alto-falante. O clipe tem quase 223 milhões de visualizações no YouTube. “Paradinha” ultrapassou “Despacito” nas paradas das rádios mexicanas. E mesmo você que porventura não tenha nenhuma afinidade com esse universo pop sabe de que música se trata.

Três meses depois, Anitta botava no ar o clipe de “Sua cara”, música gravada com Major Lazer (de que faz parte o DJ e produtor musical Diplo) e com a cantora drag queen Pabllo Vittar. O vídeo foi todo rodado na porção marroquina do Deserto do Saara. Anitta e Pabllo dançam, triunfantes, na areia escaldante. Elas avisam que vão “rebolar bem na sua cara” e rebolam mesmo. Anitta escolheu exibir o clipe pela primeira vez na festa Combatchy, criada por ela para o público LGBTQ, que a idolatra. Em 24 horas, o clipe teve 17,8 milhões de visualizações no YouTube. Foi a maior estreia de um clipe no ano até ali e a sexta maior audiência da história. Por isso, ninguém entendeu quando, em setembro, os curadores do Rock in Rio decidiram deixar a rainha do pop de fora dos palcos. Especialmente quando Lady Gaga anunciou que não viria ao Brasil, porque precisava tratar sua fibromialgia. Críticos e fãs imploraram por Anitta. Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio, deu uma resposta ambígua: “Ninguém sobe nesse palco sem estar preparado”. Depois, complementou que não daria para chamar alguém que já não estivesse no festival, “nem que fosse a Madonna”.

Anitta não se ressente. Fala de, um dia, montar um festival próprio. Mas já topou participar do Rock in Rio em Lisboa, no ano que vem, e no Rio, em 2019. Desde que não tenha de maquiar seu estilo, disfarçar seu funk, como lhe foi sugerido. No ano mais produtivo de sua trajetória até aqui (até casar ela casou), Anitta calculou uma forma de explorar outros ritmos e mercados de maneira a voltar, vitoriosa, ao funk. Alguém terá coragem de contrariá-la? Tunturuntuntum.

Comentários

De príncipe herdeiro a delator, de acusador a presidiário, da cela para casa

A saga de Marcelo Odebrecht, agora de volta ao lar

Após dois anos e meio (30 meses)  preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, acusado de superfaturar obras para a Petrobras e corromper autoridades, o empresário Marcelo Odebrecht, 49 anos, foi liberado no meio da manhã desta terça-feira, 19, para cumprir prisão domiciliar. Antes, porém, ele passou pela sede da Justiça Federal, em Curitiba, para a colocação da tornozeleira eletrônica. Informações dão conta de que ainda hoje ele chega em São Paulo, onde tem uma casa avaliada em R$ 30 milhões,  num condomínio de luxo, no bairro do Morumbi.

O príncipe renegado

Marcelo Odebrecht

Acionista de um império que faturava R$ 130 bilhões por ano, Marcelo viveu uma vida de conto de fadas. Por isso, sempre foi considerado “o príncipe” dos empreiteiros. Marcelo é um dos homens mais ricos do Brasil, o empreiteiro é dono de uma fortuna de R$ 13,1 bilhões. Preso, ficou numa cela de 12 metros quadrados, junto com outros presos da Lava Jato, dormia em beliche e seu vaso sanitário se resumia em um buraco no chão. Antes da prisão, ele só conhecia uma rica realidade. Filho de família abastada, poderoso executivo de uma empresa igualmente poderosa.

Mas a vida familiar de Marcelo está abalada. Seu pai, Emilio, por exemplo, para evitar qualquer possibilidade de encarar o filho que deixa a prisão, ou de passar o Natal com ele, refugiou-se numa Ilha de sua propriedade na Bahia.

Uma redoma de luxo sem janelas

Em liberdade, Marcelo voltará para sua vida de luxo, em sua mansão de 300 metros quadrados, mas com as memórias da prisão e sob a vigilância do Estado, que o rastreará pela tornozeleira eletrônica por mais dois anos.  Enquanto isso, ele poderá desfrutar da ampla área de lazer, com uma piscina majestosa, cercada por mata nativa, vizinha ao Parque Burle Marx. Sair de casa será mais difícil.

Para deixar o condomínio, ele precisará de autorização da Justiça e mesmo assim, só sob a supervisão da Polícia Federal e apenas para atividades de necessidade básica, como ir ao médico. Ele também não poderá receber visitas livremente. Empreiteiros e testemunhas ligadas à Lava Jato, por exemplo, estão expressamente proibidas de frequentar a mansão dos Odebrecht.

Documentos e família

Suas prioridades, num primeiro momento, serão resgatar a relação com a família e recolher documentos que comprovem as denúncias que fez à Justiça no acordo de delação premiada. “Marcelo sempre foi um homem da família. Quando dirigia a Odebrecht, saía do trabalho e ia para casa. Como ficou afastado das filhas por quase três anos, quer retomar a relação com elas. Quanto aos papeis que prometeu entregar ao juiz Sergio Moro, ele terá agora tempo livre para ir atrás da documentação”, disse seu advogado, Nabor Bulhões à uma reportagem da Isto É.

Apenas R$ 10 milhões por mês

A vida profissional de Marcelo permanecerá na geladeira até 2025. Ele está impedido de exercer qualquer função executiva na Odebrecht, como também de praticar qualquer atividade empresarial. Mas quando começar o período de regime aberto, em 2020, Marcelo pretende ser mais ativo na atuação na holding Kieppe, onde detém 5% das ações, e pensa em criar uma empresa que preste serviços para outras organizações, inclusive para a própria Odebrecht. Para isso, ele deseja construir uma aliança com os primos Francisco Peltier de Queiroz Filho e Emilio Odebrecht Peltier de Queiroz, que detêm outros 10% da Kieppe. Nessa holding, Marcelo tem direito a uma retirada mensal de R$ 10 milhões.

O problema será voltar para a Odebrecht. Na segunda-feira 11, uma semana antes de Marcelo deixar o presídio, seu pai, que ainda é o acionista principal, emitiu um documento determinando que nenhum membro da família poderá ocupar cargos de direção na empresa. Foi a maneira que ele encontrou para barrar qualquer pretensão de Marcelo em voltar algum dia para a empreiteira.

Nada de presidência

Na sexta-feira 15, Emílio anunciou que está deixando o cargo de presidente do conselho da Odebrecht, função que passou a exercer após a prisão do filho em 2015. O patriarca rompeu com o filho quando ele foi para a cadeia e lá resolveu fazer delação e pagar R$ 8,5 bilhões num acordo de leniência. Emílio discordou de tudo. Brigou a ponto de não querer recebê-lo assim que ele sair da cadeia.

Comentários

Sebastião Salgado: a nossa Sociedade é muito mentirosa

Sebastião Salgado sobre Fotografia e pela primeira vez, um brasileiro ingressa na Academia de Belas Artes da França.

“Hoje não se faz fotografia, se faz imagem”, diz. Fotografia, para ele, é algo que se guarda e se pode tocar. Já a imagem, afirma ele, é uma forma de comunicação.

Sebastião Salgado e esposa.

“A pessoas fazem selfies para postar e depois nada é guardado. A fotografia tem um caráter de memória.” Selfies, aliás, não o agradam. “Meu ego ainda não solicitou que eu me fotografasse.”

“Até uns quatro anos atrás, eu ia a um lugar público e as pessoas conversavam, havia uma troca”, lamenta.

“Depois do Instagram e do Facebook, a quantidade de pessoas que querem tirar um retrato para se colocarem nas redes é uma coisa incrível.” (Os parágrafos fazem parte de um resumo da reportagem de Isabella Menon, editado por Aninha Franco, a primeira ministra da República do Pelô, na sua página do facebook. Abaixo uma rápida pesquisa da equipe Extremus21 no portal History):
Cidadão do mundo 

Sebastião Ribeiro Salgado, nascido no dia 8 de fevereiro de 1944, em Aimorés (MG), é um fotógrafo premiado e reconhecido mundialmente por seu estilo único em retratar, em especial, a condição humana em diferentes partes do planeta. Vive em Paris desde o final de década de 60.

Formado em economia pela Universidade de São Paulo, em 1968, tornou-se doutor pela Université de Paris, em 1971. Quando trabalhava na Organização Internacional do Café, em Londres, entre 1971 e 1973, descobriu sua paixão pela fotografia quando fazia uma viagem de trabalho à África. Começou usando a câmera fotográfica de sua mulher, Lélia Wanick Salgado, arquiteta, urbanista e também dedicada ao trabalho de fotografia, direção de arte e curadoria de projetos do marido.

Atentado contra Ronald Reagan

(A nossa sociedade é muito mentirosa. Ela prega como sendo única a verdade de um pequeno grupo que detém o poder.)

Em Paris, passou a fotografar profissionalmente para a agência Sgyma, em 1974. No ano seguinte, foi para a Gamma, onde começou a retratar a vida dos camponeses e índios da América Latina. Em 1979, foi para a renomada Magnum. Quando trabalhava para esta agência, ele foi o único repórter fotográfico a registrar o atentado a tiros cometido por John Hinckley Jr. contra o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, no dia 30 de março de 1981, em Washington. Ficou na agência até 1994, quando criou a Amazonas Imagens, ao lado de sua esposa, uma agência exclusivamente voltada ao seu trabalho.

Ao longo dos anos, Sebastião Salgado tem contribuído com organizações humanitárias incluindo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, (ACNUR), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ONG Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional.

Em mais de 100 países

(Você não fotografa com a sua máquina, você fotografa com toda a sua cultura.)

Entre os prêmios que já recebeu pode-se citar o World Press (Holanda, 1985), o prêmio Oscar Barnack (Alemanha, 1985 e 1992), o prêmio Erna e Victor Hasselblad (Suécia, 1989), e o prêmio de Fotojornalismo do International Center of Photography (EUA, 1990). Recebeu ainda diversas outras honrarias, sendo representante especial da Unicef e membro honorário da Academia das Artes e Ciências dos Estados Unidos.

Ele já viajou por mais de 100 países para projetos fotográficos que, além de inúmeras publicações na imprensa, foram apresentados em forma de livros. Pode-se citar Trabalhadores (1996), Terra (1997), Serra Pelada (1999), Outras Américas (1999), Retratos de Crianças do Êxodo (2000), Êxodos (2000), O Fim do Pólio (2003), Um Incerto Estado de Graça (2004), O Berço da Desigualdade (2005), África (2007) e Gênesis (2013) .

Sal da terra 

Sebastião Salgado e Lélia têm dois filhos, Juliano e Rodrigo, que é portador de Síndrome de Down, e o neto Flávio. Juliano, ao lado do diretor alemão Win Wenders, dirigiu o documentário Sal da terra sobre a vida do fotógrafo. A obra foi indicada ao Oscar de melhor Documentário.

Foto Sebastião Salgado
Foto Sebastião Salgado
Foto Sebastião Salgado
Foto Sebastião Salgado
Foto Sebastião Salgado

Comentários

Uldurico Jr, um brasileiro que nasceu com o destino traçado

O Tribunal Regional Eleitoral decidiu por unanimidade (11 x 0) dar ganho de causa ao deputado federal Uldurico Jr (PV, eleito pelo PTC – Partido Trabalhista Cristão) no processo movido pelo suplente Joceval Rodrigues (PPS), hoje vereador de Salvador e companheiros na Coligação Unidos pela Bahia, nas eleições 2014. A decisão tranquiliza o parlamentar e é vista como o pontapé inicial da campanha para a reeleição no próximo ano.

Uldurico Jr

Para entender melhor a importância dessa vitória, vamos voltar no tempo e saber como tudo começou: a vitória de um desconhecido e mais jovem deputado eleito à Câmara Federal foi pauta da grande Imprensa do país, ávida em saber quem era esse fenômeno. Além da idade (22 anos), o nome (Uldurico) e o sonho de um dia chegar a ser Presidente da República chamou a atenção dos jornalistas.

Ele deu continuidade à saga de duas famílias políticas – Pinto e Alencar. Repetiu a história do seu tio Heitor Alencar Furtado, também eleito deputado federal com 22 anos. Já o nome vem da linhagem paterna, avô e pai. “Esse nome é uma marca. Na época o Brasil conhecia Odorico Paraguaçu, personagem da novela “Bem Amado”, lembra o experiente publicitário Edson Barbosa, responsável pelo vídeo de lançamento da campanha do jovem e também desconhecido deputado do extremo sul da Bahia em 1986: Uldurico Pinto.

Uldurico Pinto (Pai)

Eleito deputado constituinte, Uldurico pai, votou contra a pena de morte, o presidencialismo, o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney. Votou a favor do rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, da jornada semanal de 40 horas, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional, do voto aos 16 anos e da anistia aos micro e pequenos empresários, entre outros desafios. E em 1992, já na segunda legislatura, votou a favor do impeachment do então presidente Collor.

Pelo lado materno (Dionee Cavalcante Furtado Pinto), a saga de Uldurico Jr vem de longe: do Ceará ao Paraná.  Começou com o cearense de Araripe, José Alencar Furtado, avô materno. Advogado em 1950 na Faculdade de Direito do Ceará, em Fortaleza, onde conheceu e casou com a colega de turma Míriam Cavalcanti Alencar. O casal transferiu residência para o município de Paranavaí, no norte do Paraná.

Alencar Furtado (Avô)

Em novembro de 1966, Alencar Furtado, conseguiu se eleger à Assembleia Legislativa paranaense e em 1970, deputado federal. No início dessa legislatura, em janeiro de 71, ao lado de deputados mais combativos, fundou o grupo dos “autênticos” do MDB, ala mais à esquerda da bancada oposicionista.

Em 30 de junho de 1977, no governo Geisel, teve seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos em consequência do pronunciamento feito três dias antes, em programa de rádio e televisão do MDB, onde rendeu homenagem a parlamentares cassados, presos e exilados.

Após sua saída forçada da vida política, retomou a carreira de advogado. Durante o ano de 1978, empenhou-se na campanha de seu filho, Heitor Alencar Furtado, que, em novembro, foi eleito deputado federal pelo Paraná, com a mesma idade do sobrinho Uldurico Junior.

Em 1982, já no PMDB, foi eleito novamente deputado federal.

Durante a campanha eleitoral, seu filho Heitor — deputado federal pelo Paraná de 1979 a 1982, e que concorria a uma vaga na Assembleia Legislativa paranaense —, foi assassinado a tiros por um policial no dia 22 de outubro de 1982, com apenas 26 anos de idade.

Mantendo a posição firme dos Pinto e Alencar Furtado na defesa dos interesses do povo brasileiro, Uldurico Jr votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, por acreditar que naquele momento o país precisava buscar um novo rumo, mas votou duas vezes a favor da abertura do inquérito para apurar denúncias contra o atual presidente Temer, mostrando a independência do seu voto.

Na Câmara Federal, o deputado Uldurico Jr carrega a grande responsabilidade de representar os mandatos do seu pai Uldurico Pinto, do avô Alencar Furtado, dos tios Heitor Furtado e Francistônio Pinto e do primo Ubaldino Jr.

Comentários

Ivete Sangalo é a celebridade mais famosa e influente do Brasil

O Instituto Ipsos, especializado em mídia e comunicação de marca, realizou o maior estudo sobre celebridades já feito no Brasil. A empresa entrevistou 2.000 pessoas (homens e mulheres com 16 anos ou mais) em todo o país. Os entrevistados avaliaram 100 nomes de destaque, dentre eles 22 youtubers e bloggers, para saber quais são as personalidades mais influentes do Brasil. A grande campeã das celebridades é a cantora Ivete Sangalo. A artista baiana é considerada a mais influente e popular do país. Considerando apenas os nativos do ambiente digital, Whindersson Nunes é o youtuber mais famoso e Iberê Thenório o mais influente.

Ivete Sangalo
Ivete Sangalo (Foto: reprodução)

A pesquisa revela que a influência das personalidades não é proporcional à fama deles, porque os critérios utilizados para medir a influência não são os mesmos usados para analisar a fama. “A popularidade é muito mais o quanto as personalidades são conhecidas, chamam a atenção do público, enquanto, a influência é mais qualitativa, sendo mais difícil de ser alcançada”, explica Carolina Tonussi, gerente da Ipsos, e uma das líderes do estudo.

Critérios de avaliação

O estudo encontrou sete dimensões que explicam a influência: confiança, sucesso, comprometimento, modernidade, família, alegria/carisma e atração. Cada uma delas possui um peso na construção da influência, os mais importantes este ano são confiança e sucesso, respectivamente; enquanto atração (qualidades físicas) é a dimensão com menor impacto.

Ranking famosos
Ranking (Foto: reprodução)

A pesquisa também traz uma correlação entre os drivers e o seu impacto em diversas categorias de consumo, dentre eles: cerveja, alimentos, cafés, chocolates, fast food, jogos, tecnologia, moda, cuidados com o corpo, medicamento, automotivo e em temas como sexualidade, saúde, beleza, entre outros.

Para se ter uma ideia, avaliando o apresentador Rodrigo Hilbert, as três categorias que os participantes mais relacionam à imagem dele são alimentação, restaurante e família, nesta ordem. Já a atriz Thaís Araújo é cuidado com o corpo, beleza e moda. Por outro lado, a blogger Nathalia Arcuri tem notoriedade em investimento, moda e beleza, respectivamente.

Comentários

A despedida do polonês mais baiano de todos os tempos

Frans Krajcberg nasceu na Polônia, fez a Bahia de morada em 1948 e nesta quarta-feira, 15, despediu-se deste mundo deixando uma riqueza imensurável em obras de arte. Vivia num sítio, em Nova Viçosa. Sobre sua naturalidade teimava: “A imprensa insiste em dizer que sou polonês naturalizado brasileiro; não sou. Sou brasileiro”.

Ele chegou ao Brasil fugindo do trauma do holocausto, contava: “Perdi toda a minha família de modo bárbaro. Sabe o que é isso? Fazer um buraco enorme, jogar eles vivos, jogar terra em cima? Não suportava mais viver. Fiquei sozinho, quis fugir de tudo, principalmente do homem”.

Frans Krajcberg morre aos 96 anos

Já em solo baiano, se preocupou com as queimadas, com o mau uso do meio ambiente. Contava que por vezes se imagina ainda na guerra, por causa da fumaça densa. Passou a militar pela natureza com sua arte, era sua forma de protesto. “A arte foi a maneira que encontrei para reagir”.

Conhecido principalmente por suas esculturas feitas a partir de troncos e raízes de árvores calcinadas pelos incêndios que derrubam densas áreas verdes para transformá-las em pastos, Krajcberg sempre foi um artista engajado. Sua obra transitou pela pintura, escultura, gravura e fotografia.

Comunicava-se por meio da arte: “É preciso falar sobre a destruição do planeta. E é preciso falar sobre cultura. Estamos passando por momentos difíceis, tem um vazio de arte, não se pronuncia mais a palavra cultura. É uma crise mundial, mas no Brasil parece estar mais profunda. Porque aqui, também se trata de uma crise moral”

Sua obra o perpetuou, mesmo com a saúde frágil, ele continuava recebendo amigos em Nova Viçosa. Artistas e intelectuais o cercavam. Com a doença agravada, chegou a ficar internado, recentemente, em Teixeira de Freitas. Acabou transferido para o Hospital Samaritano, na Zona sul do Rio, onde ficou por um mês, até o momento do seu óbito.

O quadro de saúde do artista era considerado frágil, e ele chegou à capital fluminense com várias infecções. O corpo dele será cremado e as cinzas depositadas no sítio onde ele morava.

 

Galeria de fotos

Comentários

Ir ao topo da página