Sai Raul, entra Miguel: Cuba elege sucessor dos Castro

A Assembleia Nacional de Cuba se reúne nesta quarta-feira (18) para escolher o próximo presidente da ilha caribenha que, nas últimas seis décadas, foi governada pelos irmãos Castro: Fidel, que morreu aos 90 anos, e Raúl, que prometeu se aposentar aos 86. O novo líder será o primeiro, desde a Revolução Cubana, com outro sobrenome e representando uma geração mais jovem do que aquela que pegou em armas para derrubar a ditadura de Fulgencio Batista (1952-1959) e desafiar os Estados Unidos (EUA), estabelecendo um regime socialista a 150 quilômetros de sua costa.

Raul Castro e Miguel Díaz-Canel
Raul Castro e Miguel Díaz-Canel (Foto: reprodução)

Segundo a jornalista Monica Yanakiew, repórter da Agência Brasil em Buenos Aires, o novo presidente de Cuba assume em um momento delicado. A Venezuela, que fornece petróleo e sustentava o regime cubano, hoje enfrenta grave crise econômica, marcada pela hiperinflação, o desabastecimento e o isolamento internacional.

Com a mudança de governo em 2017, os Estados Unidos recuaram no processo de reaproximação – primeiro passo para o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro que continua impondo à ilha. O presidente norte-americano, Donald Trump, (eleito também com o voto dos cubanos que imigraram para os EUA e que exigem a derrubada do comunismo na ilha), limitou viagens e investimentos (dos norte-americanos) em Cuba.

Nascidos nos anos 60

Raúl Castro diz que foi eleito presidente para “defender, manter e continuar aperfeiçoando o socialismo cubano –  e não para destruí-lo”.

A eleição representa o fim de uma era, mas muitos observadores acham que, na prática, pouca coisa mudará na vida dos 11,5 milhões de cubanos: o Partido Comunista de Cuba (PCC) continua sendo o único e Raúl Castro seu chefe.

“O Partido Comunista é o órgão máximo de decisão política, de acordo com a Constituição cubana. Raúl Castro deixa a presidência do país, mas não o cenário político”, disse à Agência Brasil Erika Guevara-Rosas, diretora para as Américas da Anistia Internacional, uma organização de defesa dos direitos humanos. “Lamentavelmente, Cuba continua sendo um país que violenta, de forma massiva, as liberdades civis, políticas e de expressão.” Cuba é o único país do continente que não permite acesso oficial à Anistia Internacional.

A expectativa é de que o cargo seja ocupado pelo atual vice-presidente, Miguel Díaz-Canel, de 57 anos, que nasceu depois da revolução, não usa farda, mas defende os ideais do Partido Comunista Cubano (PCC), onde atua desde jovem. “Sou como muitos neste país”, disse Díaz-Canel. “Formamos parte de uma geração que nasceu nos anos 60 e agradecemos muito toda a formação e as possibilidades brindadas pela revolução. Tivemos a oportunidade de participar dos processos de decisão nas organizações de base estudantis e da juventude”.

Reforma constitucional

Só houve uma sucessão presidencial na Cuba revolucionária e ela foi programada. Em 2006, Fidel Castro entregou o comando do país ao irmão caçula – primeiro interinamente, depois oficialmente. Fidel estava doente e morreu dez anos depois. Nos últimos 12 anos, Raúl Castro adotou algumas medidas de abertura. Meio milhão de cubanos hoje trabalham no setor privado. Desde 2013, quem quiser pode deixar o país, sem precisar de autorização para viajar ou ter que fugir de barco, numa perigosa travessia para a costa da Flórida. A compra e venda de imóveis e carros, mesmo limitada, foi permitida. E a internet chegou à ilha, onde existem mais de 600 áreas publicas com conexão wifi.

No cenário internacional, Cuba participou da 7ª Cúpula das Américas em 2015. Foi a primeira reunião de líderes dos 35 países do Continente Americano com a participação do governo cubano, que até então tinha sido vetada pelos Estados Unidos. A notícia foi o histórico aperto de mão entre Raúl Castro e o então presidente norte-americano, Barak Obama, marcando a reaproximação dos dois países, depois de mais de meio século de guerra fria.

Apontada como responsável por disseminar revoluções comunistas na região, Cuba patrocinou o acordo de paz entre o governo colombiano de centro-direita, do presidente Juan Manuel Santos, e os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Sete mil rebeldes entregaram as armas, depois de 50 anos de conflito, para formar um partido político, que este ano disputou as primeiras eleições legislativas.

Com a morte de Fidel em 2016, a pergunta era sobre o futuro do país. Raúl Castro propôs ao partido limitar a idade (70 anos) e o mandato (dois períodos de cinco anos) dos dirigentes do PCC, além de uma reforma constitucional. E anunciou que deixaria a presidência, por decisão própria, em abril deste ano.

Nova geração

Para ex-combatentes da revolução, o sucessor de Raúl Castro representa a renovação da cúpula do regime comunista cubano, mas a continuidade de seus ideais. Alejandro Ferras Pellicer, de 94 anos, aposta nesta nova geração que, ao contrário da anterior, nasceu com direito à educação e que, segundo ele, estará mais preparada – intelectualmente e tecnologicamente – para lutar por uma sociedade mais igualitária.

Raúl Castro sinalizou, em mais de uma ocasião, que a ideologia não está em jogo – não importa quem seja o novo presidente de Cuba ou que pressões ele terá de enfrentar. “O substituto de Fidel só pode ser o Partido Comunista”, disse, quando os cubanos tentavam imaginar o futuro sem o pai da revolução.

O analista político cubano Rafael Hernández acredita que o novo governo enfrentará pressões internas por mudanças, porque as expectativas de melhores condições de vida vêm de longa data e cresceram com o tempo. Segundo ele, apesar de Cuba enfrentar hoje uma conjuntura internacional menos favorável, a ilha não está na mesma encruzilhada dos anos 90, quando a União Soviética (principal fornecedora de petróleo a Cuba e financiadora de partidos comunistas no hemisfério internacional) se dissolveu em 15 repúblicas separadas – entre elas, a Rússia.

“Nesses 60 anos, Cuba demonstrou ser capaz de sobreviver a várias crises – até à pior delas, nos anos 90, quando muitos pensavam que ficaria isolada e seria obrigada a mudar”, disse, em entrevista à Agência Brasil, o analista político argentino Rosendo Fraga. “Com a saída de Castro, uma nova geração subirá ao poder. Mas a renovação será feita para manter o mesmo sistema em vigor”.

(Conteúdo Agência Brasil)

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Iniciativas de empreendedorismo empoderam meninas e mulheres

Créditos: Reprodução / KadAfrica / Mumm / Mama MajiOs projetos promovem oportunidades para que elas se tornem empreendedoras

Ser mulher em um mundo em que a desigualdade de gênero é presente em todos os países, em menor ou maior grau, traz como consequência uma série de restrições desde a infância. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 15 milhões de meninas se casam todos os anos antes de completarem 18 anos de idade, sendo que metade desses casamentos são ilegais. Esse é um dos dados que ajudam a explicar o abismo de oportunidades educacionais e de desenvolvimento entre meninos e meninas.

Nos países subdesenvolvidos, por exemplo, muitas garotas precisam abandonar a escola para cuidar da casa e dos filhos. Para ajudar a romper essas diferenças sociais, projetos em Uganda, no Egito e no Quênia buscam empoderar as meninas e mulheres com o objetivo de promover oportunidades para que elas se tornem empreendedoras. As três iniciativas estão entre os seis finalistas do Prêmio de Inovação Social, promovido pela Nestlé.

Esta edição do prêmio, realizada em parceria com a Ashoka, principal rede mundial de empreendedores sociais transformadores, dará ao vencedor a quantia de até 400 mil francos suíços (cerca de R$ 1,4 milhão) para expandir a iniciativa e uma bolsa de estudos. O ganhador será anunciado no Fórum de Criação de Valor Compartilhado, no dia 16 de março de 2018, em Brasília (DF).

Os projetos

KadAfrica – Uganda

Na região rural de Uganda, a dependência econômica é uma das principais injustiças enfrentadas pelas meninas. Além disso, grande parte delas tem que abandonar a escola, fato geralmente acompanhado pelo casamento infantil e a gravidez precoce. Nessas áreas, a agricultura é uma tarefa delegada apenas a mulheres, mas não é vista como um negócio.

Para mudar essa realidade, a organização KadAfrica empodera e capacita meninas de 14 a 20 anos, que tiveram que parar de estudar, com noções básicas de negócios e agricultura, para que elas possam ter uma renda a partir do cultivo sustentável de maracujá. Na fazenda do projeto, elas participam de um programa de treinamento, onde adquirem habilidades e recursos para começar suas próprias plantações.

A iniciativa compra todas as frutas produzidas pelas participantes, que recebem o dinheiro de seu trabalho para manterem uma renda. Até agora, mais de 2 mil jovens já participaram da KadAfrica.

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Mama Maji – Estados Unidos (sede) / Quênia (atuação)

No Quênia, as mulheres dedicam seu tempo e prejudicam sua educação e saúde para coletar água para toda a comunidade. Para solucionar os problemas da crise de recursos e do saneamento, a organização Mama Maji oferece capacitação para as participantes construírem tanques de água na área rural em que vivem e se tornarem catalisadoras do projeto.

A iniciativa busca transformar a falta de desenvolvimento em um campo de oportunidades para as participantes aprenderem sobre liderança e habilidades empresariais em negócios sustentáveis. A ideia é que as mulheres ofereçam água para toda a comunidade e ainda tenham uma fonte de renda por meio da venda de tanques e tijolos. Atualmente, há 270 empreendedoras do Mama Maji atuando em suas comunidades.

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Mumm – Egito

O Egito lidera o ranking de adultos obesos: 35% da população do país está nesta situação. Pensando nisso, foi criada a plataforma Mumm, que oferece um serviço de entrega de comida caseira e nutritiva feita por cozinheiros desempregados – em sua maioria mulheres refugiadas – dentro de suas casas.

A ideia é substituir o fast food por alimentos saudáveis e que são 40% mais baratos do que a média da comida consumida por meio do delivery dos restaurantes. O serviço funciona da seguinte maneira: o cliente faz o pedido da comida on-line e a cozinheira mais próxima prepara o prato. Quando a refeição fica pronta, uma pessoa cadastrada no site faz a entrega.

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Fonte: catracalivre.com.br

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Crise política, terremoto e eleição; veja o que ocorreu na América Latina

Na América Latina, região que ainda convive com altos níveis de pobreza e desigualdade, 2017 foi um ano de dificuldades, mas com viés de melhora. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), as projeções econômicas estimam um crescimento da região de 1,2% para este ano, em um aumento impulsionado pela produção de matérias-primas.

No plano político, a crise na Venezuela continua e as relações entre os Estados Unidos e Cuba retrocederam após a assunção ao poder do republicano Donald Trump, que revisou várias das medidas de distensão adotadas para a ilha pelo seu antecessor Barack Obama. E vários países sofreram turbulência por causa da crise deflagrada com as revelações de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht, o que levou à prisão de autoridades.

Argentina

Passados dois anos de sua chegada ao poder, 2017 foi o ano no qual o presidente Mauricio Macri viu a vitória dos governistas nas eleições legislativas de outubro, o representou um ganho de fôlego para a segunda metade do mandato, que será marcada pela presidência argentina do G20 em 2018. Apesar de polêmica e de protestos contrários, a reforma da Previdência foi aprovada em dezembro, com mudanças nas regras para aposentadoria.

Em Buenos Aires, polícia usa balas de borracha e gás lacrimogênio para conter manifestantes que protestam contra votação da reforma da Previdência no CongressoDavid Fernández/EFE/direitos reservados

Venezuela

Vivendo a sua “maior crise política, social e econômica”, com desemprego recorde e protestos nas ruas, a economia venezuelana termina o ano com uma inflação de mais de 2.000%, segundo cálculos do Parlamento. O país atravessa uma grave escassez de alimentos, remédios e outros produtos básicos e aumento quase diário dos preços. Com uma questionada Assembleia Constituinte instalada em agosto, presos políticos e a Justiça controlada pelo governo, o Parlamento é o único poder do Estado venezuelano controlado pela oposição. Por conta da falta de liberdades democráticas, a Venezuela está suspensa do Mercosul desde dezembro de 2016 e em 2017 sofreu sanções da Organização dos Estados Americanos (OEA), de países da região e da Europa e dos Estados Unidos. Apesar da crise, o presidente Nicolás Maduro já anunciou que buscará a reeleição em 2018.

Venezuelanos lotam as ruas em Caracas após paralisação no metrô por blecauteREUTERS/Marco Bello

Bolívia 

O presidente Evo Morales anunciou que disputará o seu quarto mandato consecutivo. Morales visitou o Brasil no começo deste mês de dezembro, quando destacou seu interesse estratégico em fornecer energia aos estados brasileiros que fazem fronteira com a Bolívia. O governante boliviano se referiu também ao interesse mútuo dos dois países de dispor de “uma saída ao Pacífico”, mediante o projeto do Corredor Ferroviário Bioceânico, que atravessaria o Peru, a Bolívia e o Brasil, interligando os países por via férrea desde o Oceano Pacífico até o Atlântico.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, discursa durante almoço no Palácio Itamaraty José Cruz/Agência Brasil

Chile

Em dezembro, o candidato conservador Sebastián Piñera venceu as eleições presidenciais contra o aliado da presidente Michelle Bachelet, que encerra seu mandato. Apesar de ser um dos países mais equilibrados economicamente da América do Sul, com desemprego baixo (6,7%), os chilenos cobram garantia do Estado de educação de qualidade, um sistema de saúde confiável, aposentadorias dignas, segurança e bons empregos.  Segundo analistas, o Chile segue cotado para tornar-se o primeiro país desenvolvido da América do Sul, devendo fechar 2017 com uma expansão de 1,5% do PIB.

Sebastian Piñera foi eleito presidente do Chile REUTERS/Rodrigo Garrido

Peru

Foi um dos mais afetados pelas revelações da construtora Odebrecht, que quase levaram à destituição do presidente Pedro Pablo Kuczynski. Na véspera do Natal, Kuczynski tomou uma decisão polêmica ao conceder indulto ao ex-presidente e opositor Alberto Fujimori. A medida levou peruanos às ruas e pedidos de demissão de integrantes do governo. Para muitos, o indulto é interpretado como um acordo político.

O ex-presidente Alberto Fujimori pediu perdão aos peruanos Reprodução Agência Reuters

Cuba

O país enfrentou a passagem de violentos furacões, a redução da ajuda de sua aliada Venezuela e a reversão da reaproximação Cuba-EUA, com o endurecimento do embargo dos Estados Unidos. Em novembro, o governo de Donald Trump tornou mais difícil para os americanos viajar e realizar negócios com a ilha, revertendo a política anterior de Obama de estabelecer relações mais amigáveis com Havana. Apesar disso, o crescimento no turismo, transporte, comunicações, agricultura e construção proporcionou uma expansão de 1,6% este ano. E o Parlamento de Cuba adiou em dezembro a transferência histórica de poder de Raúl Castro para um novo presidente, o que só deve ocorrer a partir de abril de 2018.

Colômbia

A celebração do acordo de paz entre o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que entrou em vigor no final de 2016, trouxe mais segurança e estabilidade. Na sequência, as Farc anunciaram em julho sua transformarão em partido político e disposição de concorrer às eleições. Os conflitos contudo permanecem em algumas áreas e prosseguem as negociações de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN). E, como em outros países, as denúncias da Odebrecht também levaram à prisão de vários políticos e autoridades colombianas em 2017.

Mercosul

Neste ano, as negociações, que já duram 20 anos, do acordo do bloco com a União Europeia (UE) avançaram, e a assinatura está prevista para o início de 2018. O tratado reduz as barreiras comerciais entre os 28 países da UE e os quatro do Mercosul e afetará 90% do comércio entre os dois blocos. O Brasil presidiu o Mercosul durante o segundo semestre de 2017 e, em dezembro, ao final da 51° Cúpula de Chefes de Estado do bloco, em Brasília, transmitiu a presidência pro tempore do grupo para o Paraguai. Em julho, os países do Mercosul assinaram, durante reunião de cúpula, um acordo ampliando suas relações comerciais com a Colômbia.

México

No começo do ano, com a posse de Donald Trump, os mexicanos protestaram veementemente contra a construção de um muro na fronteira. E, apesar da retórica protecionista inicial do republicano, em novembro, os governos do México, dos EUA e do Canadá conseguiram avançar nas negociações para atualizar o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Hotel afetado por terremoto no estado de Oaxaca, no MéxicoÁngel Hernández/EFE/Direitos Reservados

O momento mais dramático para o México em 2017 contudo ocorreu em setembro, quando dois fortes terremotos causaram mais de 400 mortes, enormes perdas financeiras e uma reação popular de solidariedade.

Por: Agência Brasil- Augusto Queiroz e Carolina Pimentel

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Mesmo sob protesto o Congresso argentino aprovou a Reforma da Previdência

Lá na Argentina, assim como é no Brasil, o principal argumento para a Reforma da Previdência é a redução do déficit fiscal. Entre as diferenças de brasileiros e argentinos neste caso, estão os protestos, muito mais intensos por lá, e a solução para o caso, que chegou primeiro no país dos hermanos.
Mesmo com a pressão popular, o Congresso da Argentina aprovou hoje, 19, a proposta de reforma. Houve um longo debate e violentos confrontos entre manifestantes de oposição e a polícia.
O projeto, que já havia passado pelo Senado, foi aprovado pela Câmara com 128 votos a favor, 116 contra e duas abstenções, depois de árduas negociações políticas do governo para conseguir apoio a um proposta que reduzirá os aumentos previstos para os aposentados.

(Foto: reprodução)

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Sebastián Piñera ganha as eleições presidenciais do Chile

A diferença nas urnas a favor do ex-presidente ficou acima do esperado. O conservador venceu com 54,5% dos votos, consolidando a guinada à direita no Chile. Os jornalistas Carlos E. Cué e Rocío Montes, descreveram uma excelente versão dessa disputa, direto de Santiago do Chile para o portal El País. O texto segue abaixo:

Sebastián Piñera ganha as eleições presidenciais do Chile

O ex-presidente chileno Sebastián Piñera conseguiu uma vitória muito clara sobre o rival Alejandro Guillier e será outra vez presidente do Chile por quatro anos. O conservador venceu por mais de nove pontos de diferença (54,5% dos votos, ante 45,5% de Guillier). A diferença de nove pontos é muito acima da esperada, o que representa uma derrota muito dura para o progressista, que claramente não conseguiu atrair para si os 20% de chilenos que apoiaram no primeiro turno a esquerdista Frente Amplio. Guillier perdeu inclusive em sua região, Antofagasta. Essa vitória consolida no Chile a guinada liberal da região que teve início em 2015 na Argentina com a vitória de Mauricio Macri, fiel apoiador de Piñera, tanto que até provocou uma grande tensão diplomática ao respaldá-lo abertamente em plena campanha.

Na equipe de Guillier, afirmava-se que a votação acabou sendo menor do que a esperada e caiu em relação ao primeiro turno, o que significaria que o candidato progressista não conseguiu a mobilização do voto da Frente Amplio de que necessitava para reverter uma eleição na qual nunca foi o favorito. Guillier tentou transformar a eleição em um plebiscito contra Piñera, um dos homens mais ricos do país, ao mobilizar o voto anti-direita, mas não conseguiu. As pesquisas, que indicavam um empate técnico, voltaram a falhar.

O Chile debatia se daria uma guinada à direita com Piñera ou se manteria com Guillier o eixo de centro-esquerda em que se colocou com Bachelet há quatro anos, e que dominou quase toda a fase democrática recente do país. Mas a verdade é que a mudança não seria radical em nenhum dos casos. Até mesmo Piñera, na reta final, aceitou indiretamente a polêmica gratuidade da educação universitária promovida por Bachelet. Piñera, que não tem maioria no Parlamento, precisa se aproximar de deputados progressistas moderados para levar adiante suas leis, e isso garante uma transição tranquila.

Com Guillier haveria o aprofundamento das reformas progressistas de Bachelet, com Piñera deve haver parada e reposicionamento, mas é difícil imaginar uma volta atrás radical sequer em uma lei tão polêmica para a direita como a descriminalização parcial do aborto, aprovada por Bachelet na reta final de seu mandato. O mais provável é que Piñera não dê um passo além em direitos civis ou em reformas progressistas, mas é difícil imaginar um forte retrocesso. Não tem força política para isso, nem vontade de se meter nesse vespeiro.

Seu ambiente é o da economia, com redução de impostos —tampouco radicais, sem margem devido ao déficit fiscal— e medidas em favor das empresas para dinamizar a economia. O Chile tem números invejáveis no entorno latino-americano —1,5% de déficit e 25% de dívida— mas altas para sua linha tradicional de equilíbrio fiscal. Então com qualquer um dos dois presidentes esperava-se uma transição tranquila, não uma virada radical.

Tudo indica que Guillier não conseguiu a mobilização de que necessitava no voto de esquerda e de protesto que respaldou a Frente Amplio no primeiro turno. O jornalista que saltou para a política precisava do apoio de todos os votantes da esquerdista Frente Amplio para reverter os resultados do primeiro turno, no qual Piñera obteve 15 pontos de vantagem. E os níveis de participação, menores do que no primeiro turno, indicam que muitos deles preferiram ficar em casa a votar em um candidato socialdemocrata e permitiram assim a vitória de Piñera.

Apesar do drama da reta final de campanha, com uma tensão política muito forte para o tranquilo Chile, os dois candidatos demonstraram um tom conciliador no dia do pleito. Se conhecem bem, até trabalharam juntos, quando Piñera contratou Guillier como âncora de sua emissora de televisão. Os dois se cumprimentaram e se comprometeram a telefonar imediatamente um para o outro para reconhecer a vitória. “As diferenças não nos transformam em inimigos. Quero cumprimentar Alejandro Guillier, tenho apreço por ele, trabalhamos juntos no passado. Também espero que continuemos a trabalhar juntos no futuro”, afirmou Piñera. “Vamos ganhar por uma diferença clara, pequena, mas clara. Quero enviar um abraço fraterno a todos os chilenos e chilenas, incluindo o líder da oposição”, encerrou Guillier.

A Frente Amplio tem um grande protagonismo nesse segundo turno, muito maior do que conseguiu no primeiro, porque seus 20% são decisivos. E isso fez com que o dia das eleições gerasse ainda mais interesse midiático e entusiasmo da população na votação de Beatriz Sánchez, a jornalista que surpreendeu a todos e colocou as pesquisas em situação ridícula ao ficar muito perto de ir para o segundo turno como candidata da Frente Amplio. Em suas declarações, Sánchez apontou as dificuldades que Guillier teria para conquistar os eleitores do partido que ela representa, situada à esquerda do líder do grupo socialdemocrata. Ela disse que votará no candidato progressista, mas deixou muito clara a distância entre ele e seu grupo.

“Nós, como Frente Amplio, nos apresentamos como projeto de país, vamos fazer oposição a qualquer um dos candidatos. Não vamos participar do Governo. Não vamos estabelecer negociação. Nos colocamos como oposição ao que ganhar. Eu disse em quem vou votar [Guillier] mas as pessoas são donas de seus votos. Não me sinto possuidora dos votos de ninguém. Não fiz uma convocação a votar”, insistiu.

Essa distância demonstrada pela Frente Amplio em relação a Guillier, apesar de seus dirigentes importantes terem dito no último momento que votariam nele, contrasta com o voto da direita, totalmente unida com Piñera. Tanto é que o candidato à direita do ex-presidente, José Antonio Kast, um ultracatólico pinochetista, não só pediu o voto abertamente desde o primeiro minuto para Piñera como foi a uma seção eleitoral interceder em favor do ex-presidente como um gesto a mais para reunir todos os votos diante da esquerda desagregada.

A participação de Kast gerou os únicos momentos tensos de um dia muito tranquilo, como é de costume no Chile. Alguns cidadãos xingaram o dirigente direitista que teve de ser protegido pelas forças da ordem no colégio eleitoral do Estádio Nacional, em Santiago. Os gritos e a tensão continuaram por mais de uma hora, mas os agentes impediram que chegassem a vias de fato. Kast se mantinha firme em sua cadeira enquanto o atacavam.

Nos últimos dias inclusive se tentou instilar nos eleitores de direita o medo de uma vitória de Guillier, apoiado pela Frente Amplio, com o termo “Chilezuela” —uma mistura de Chile e Venezuela— pelo temor de que o Chile entrasse em um caminho bolivariano. É algo tão irreal em um país em que até a intenção de Michelle Bachellet de tornar gratuita a educação universitária teve enormes resistências que virou piada. “A ideia de Chilezuela é ridícula, ficará como um ponto de humor nessa campanha”, riu Sánchez. Nada é tão dramático no Chile como costuma ser em seus vizinhos latino-americanos, sequer a política.

 

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OMS: Metade da população mundial não tem acesso a serviços de saúde

Pelo menos metade da população mundial não tem acesso a serviços essenciais de saúde e as que têm gastam grande parte do orçamento com despesas médicas. Os dados são de relatório do Banco Mundial e da Organização Mundial de Saúde divulgado nesta quarta-feira (13) em conferência em Tóquio, no Japão.
De acordo com o documento, 800 milhões de pessoas no mundo gastam 10% do que ganham com saúde e quase 100 milhões são obrigadas a viver com menos de US$ 1,90 por dia por conta desses gastos.
As informações também foram divulgadas simultaneamente no ‘Lancet Global Health’ e publicados um dia após o Dia da Cobertura Universal de Saúde, comemorado no dia 12 de dezembro.
Ainda, a divulgação do relatório vai na esteira de um dos objetivos da Organização Mundial de Saúde: o de estimular o investimento de países no acesso universal a serviços de saúde. Segundo a entidade, todos seus países membros se comprometeram a tentar oferecer o acesso expandido à saúde até 2030.

(Foto: reprodução)

“É completamente inaceitável que metade do mundo ainda não tenha cobertura para os serviços de saúde mais essenciais”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, em nota.
 
“E é desnecessário. Existe uma solução: a cobertura de saúde universal (UHC) permite a todos obter os serviços de saúde de que precisam, quando e onde precisam, sem enfrentar dificuldades financeiras”, continuou.
Não são todos os países no mundo que oferecem acesso universal à saúde: quando todos os cidadãos têm acesso gratuito e completo a serviços de médicos. O Brasil, com o SUS, oferece acesso universal. Países como Holanda, Reino Unido e Canadá também oferecem. Nos Estados Unidos e na África do Sul, por exemplo, não há acesso universal.
Há progresso, mas ele é lento e desigual
 
O documento mostra que, se por um lado há o acesso maior a alguns tratamentos, como o de drogas anti-HIV e vacinas, esse acesso é lento e desigual no mundo. Um outro ponto é que parte desse acesso é conquistado com sacrifício financeiro de famílias.

A OMS aponta lacunas na disponibilidade de serviços na África Subsaariana e no Sul da Ásia.
Nos países de baixa e média renda, apenas 17% das mães de crianças em lares mais pobres recebem as intervenções de saúde básica para o cuidado de crianças, como testes essenciais e vacinas.
Já nos países de renda alta, esse índice é bem maior: 74% das famílias têm acesso a serviços básicos durante a maternidade.

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Brasil pode enfrentar Alemanha, depois de passar pela Suíça, Costa Rica e Sérvia

Com Pelé, como a grande estrela reverenciada por todos, o sorteio das seleções da Copa do Mundo de 2018 foi realizado nesta sexta-feira (1º/12), em Moscou. O Brasil caiu no Grupo E e enfrentará Suíça, Costa Rica e Sérvia na fase de grupos do Mundial da Rússia.

A estreia será contra os suíços, no dia 17 de junho, um domingo, na cidade de Rostov. A segunda partida do time de Tite será diante da Costa Rica, em 22 de junho, em São Petersburgo. A seleção brasileira encerra a sua participação na fase de grupos diante da Sérvia, no dia 27 de junho, em Moscou. A partida será na Arena do Spartak.

O sorteio da Costa Rica como adversária dos comandados de Tite foi feito pelo ex-lateral Cafu na cerimônia que aconteceu em Moscou. O Brasil levou a melhor sobre a Costa Rica em 1990, na Itália, pelo placar de 1 a 0, e em 2002, no Mundial dividido entre Japão e Coreia do Sul, por 5 a 2.

(Foto: reprodução)

Os costarriquenhos foram uma das sensações da última edição da Copa, no Brasil, ao avançar em grupo da morte, com Uruguai, Itália e Inglaterra, passar pela Grécia nas oitavas e parar apenas em duelo com a Holanda, nos pênaltis, nas quartas de final.

Quem colocou a Suíça no Grupo do Brasil foi o argentino Diego Maradona. Ele poderia ter colocado a Inglaterra no caminho dos comandados de Tite, mas os ingleses caíram no grupo G, ao lado da Bélgica. Brasil e Suíça se enfrentaram uma única vez em Mundiais, em 1950. O jogo foi disputado no estádio do Pacaembu e terminou empatado em 2 a 2.

A Sérvia foi a segunda a ser retirada do pote 4 – no caso, pelo ex-zagueiro italiano Fabio Cannavaro -, que continha as participantes com piores posições no ranking da Fifa, o que a colocaria no Grupo B. No entanto, esta chave, assim como a C e a D, já era formada por dois europeus, máximo permitido pelas regras.

Se o Brasil caiu em um grupo teoricamente fácil, a equipe pode ter adversários mais complicados no mata-mata. Se avançar de fase, a seleção vai enfrentar os adversários do Grupo F, que tem Alemanha, México, Suécia e Coreia do Sul. Esta chave foi o mais próximo que o sorteio chegou de um “grupo da morte”.

O sorteio também definiu que o jogo de abertura da Copa será entre Rússia e Arábia Saudita, no dia 14 de junho de 2018, no Lujniki, em Moscou.

 Confira os grupos:

GRUPO A: Rússia, Arábia Saudita, Egito e Uruguai

GRUPO B: Portugal, Espanha, Marrocos e Irã

GRUPO C: França, Austrália, Peru e Dinamarca

GRUPO D: Argentina, Islândia, Croácia e Nigéria

GRUPO E: Brasil, Suíça, Costa Rica e Sérvia

GRUPO F: Alemanha, México, Suécia e Coreia do Sul

GRUPO G: Bélgica, Panamá, Tunísia e Inglaterra

GRUPO H: Polônia, Senegal, Colômbia e Japão

 

Faça o download da tabela dos jogos da Copa do Mundo no horário de Brasília:

http://infograficos.estadao.com.br/public/esportes/ChavesCopa2018.pdf

 

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Quem são os tripulantes do submarino que desapareceu na costa argentina?

A agência de notíciasTelam divulgou nesta quinta-feira (23/11) a lista que o mundo, principalmente os argentinos, não queriam ver: os 44 tripulantes do ARA San Juan, que desapareceu na costa argentina no trajeto entre Ushuaia e Mar del Plata. O último contato feito pela tripulação ocorreu no dia 15 de novembro, pela manhã. A lista de tripulantes não foi divulgada oficialmente pela Armada argentina.

Pedro Martin Fernández
Pedro Martin Fernández (Foto: reprodução)

Pedro Martín Fernández

Capitão de fragata, é o comandante do submarino. Tem 45 anos, casado e pai de três filhos. Nasceu em Tucumán, no norte da Argentina. Em 2 de março de 2015, mudou-se para a cidade costeira de Mar del Plata, 400 quilômetros ao sul da capital, base do “San Juan” e onde vive quase toda tripulação. No dia 6 de novembro, antes de zarpar de volta para Mar del Plata procedente de Ushuaia, 3.200 quilômetros ao sul de Buenos Aires, comandou uma viagem submersa do “San Juan”. Dela participaram autoridades do governo e do Judiciário da província de Tierra del Fuego.

Jorge Ignacio Bergallo
Jorge Ignacio Bergallo (Foto: reprodução)

Jorge Ignacio Bergallo

Capitão de corveta, vive em Mar del Plata. Tem uma filha. Seu pai, Jorge Bergallo, foi comandante do ARA San Juan e também da Fragata Libertad e tem muito orgulho da profissão escolhida pelo filho

Fernando Vicente Villarreal
Fernando Vicente Villarreal (Foto: reprodução)

Fernando Vicente Villarreal

Tenente de navio, nasceu em Ushuaia, lugar em que cresceu e estudou grande parte da escola primária. Vive em Mar del Plata com sua mulher e filha. Segundo sue pai, Fernando é “muito solidário, altruísta, respeitoso, cada vez que alguém precisa de ajuda ele se dispõe”, afirma

Fernando Ariel Mendoza
Fernando Ariel Mendoza (Foto: reprodução)

Fernando Ariel Mendoza

Tenente de navio, nasceu em Concordia, Entre Ríos. Estudou na Escola Técnica Nº 1 antes de se mudar para Mar del Plata

Diego Manuel Wagner
Diego Manuel Wagner (Foto: reprodução)

Diego Manuel Wagner

Tenente de navio, tem 38 anos, é casado e tem três filhos. Nasceu em Olavarría e vive em Mar del Plata

Eliana María Krawczyk
Eliana María Krawczyk (Foto: reprodução)

Eliana María Krawczyk

Tenente de navio, tem 35 anos. Sonhava com ser engenheira industrial, mas uma tragédia familiar causou uma reviravolta em sua vida. Ela se tornou a primeira submarinista sul-american. Nascida em Oberá, na província argentina de Misiones, conheceu o mar apenas aos 21 anos. A morte de um irmão em um acidente e a perda da mãe, por um infarto, mudaram sua vida. Ela se inscreveu na Escola Naval e, em 2012, tornou-se submarinista. Aos 35 anos, é a chefe de Armas do submarino. Sobre sua vida embarcada e sobre sua condição de única mulher, diz se sentir à vontade. “Sempre vivi bem, e sempre gostei. Não tive nenhum freio, nem intervenção de ninguém. E nunca tive qualquer problema. Durmo com dois companheiros no mesmo camarote. Sou a única mulher a bordo e me sinto bem, contente e feliz”, contou ela, em uma entrevista.

Víctor Andrés Maroli
Víctor Andrés Maroli (Foto: reprodução)

Víctor Andrés Maroli

Tenente de navio, tem 37 anos e está na Marinha desde 2002. Nasceu em Villa María. É licenciado da área de recursos humanos da Defesa

Luis Alberto Niz
Luis Alberto Niz (Foto: reprodução)

Luis Alberto Niz

Tenente de fragata

Renzo David Martín Silva
Renzo David Martín Silva (Foto: reprodução)

Renzo David Martín Silva

Tenente de fragata, tem 32 anos e está de casamento marcado para o próximo ano. Entrou para a Escola Naval aos 18 anos e sonhava em ser tripulante de submarino desde a infância em sua natal San Juan, uma província próxima da Cordilheira dos Andes. Vive com María Eugenia Ulivarri Rodi, também militar e sua futura esposa

Jorge Luis Mealla
Jorge Luis Mealla (Foto: reprodução)

Jorge Luis Mealla

Tenente de corveta, tem 30 anos e vive há cinco em Mar del Plata. É o mais velho de quatro irmãos. Após esta missão do submarino, voltaria para sua terra natal, Jujuy, para passar o Natal e o Ano Novo com a família

Alejandro Damián Tagliapietra
Alejandro Damián Tagliapietra (Foto: reprodução)

Alejandro Damián Tagliapietra

Tenente de corveta, tem 27 anos e se mudou de Beccar para Mar del Plata neste ano

Javier Alejandro Gallardo
Javier Alejandro Gallardo (Foto: reprodução)

Javier Alejandro Gallardo

Suboficial principal, tem 47 anos e vive em Mar del Plata com sua família. Torcedor fanático do Boca Juniors

 

Alberto Cipriano Sánchez

Suboficial primeiro

Walter Germán Real
Walter Germán Real (Foto: reprodução)

Walter Germán Real

Suboficial primeiro

Hernán Ramón Rodríguez
Hernán Ramón Rodríguez (Foto: reprodução)

Hernán Ramón Rodríguez

Soboficial primeiro, é o chefe de máquinas do ARA San Juan, onde trabalha há nove anos. Nascido em General Alvear, é casado e vive em Real 

Cayetano Hipólito Vargas
Cayetano Hipólito Vargas (Foto: reprodução)

Cayetano Hipólito Vargas

Suboficial segundo, tem 45 anos, é casado e tem dois filhos. Nascido em Angaço, província de San Juan, vive há muitos anos em Mar del Plata

Roberto Daniel Medina
Roberto Daniel Medina (Foto: reprodução)

Roberto Daniel Medina

Suboficial segundo, tem 40 anos, é casado e pai de dois filhos. Vive com a sua família em Mar del Plata, para onde se mudou para terminar os estudos. Nasceu em Atocha, Salta, mas viveu um tempo em Buenos Aires para integrar a Armada argentina. Tem experiência em manobras marítimas de patrulha no Atlântico

Celso Oscar Vallejos
Celso Oscar Vallejos (Foto: reprodução)

Celso Oscar Vallejos

Suboficial segundo

Hugo Arnaldo Herrera
Hugo Arnaldo Herrera (Foto: reprodução)

Hugo Arnaldo Herrera

Suboficial segundo, nasceu em Jujuy

 

Víctor Hugo Coronel

Suboficial primeiro, é o enfermeiro do ARA San Juan. Nascido em Libertador, Jujuy, é casado e tem filhos

Víctor Marcelo Enríquez
Víctor Marcelo Enríquez (Foto: reprodução)

Víctor Marcelo Enríquez

Suboficial segundo, tem 37 anos, é casado e tem duas filhas, de 5 e 11 anos. Nasceu em Las Margaritas, Salta. Vive em Mar del Plata

Ricardo Gabriel Alfaro Rodríguez
Ricardo Gabriel Alfaro Rodríguez (Foto: reprodução)

Ricardo Gabriel Alfaro Rodríguez

Suboficial segundo, tem 37 anos e vive com a mulher e o filho em Mar del Plata. Está encarregado da cozinha, e trabalha no submarino há quatro anos

 

Daniel Adrián Fernández

Suboficial segundo

Luis Marcelo Leiva
Luis Marcelo Leiva (Foto: reprodução)

Luis Marcelo Leiva

Suboficial segundo

Jorge Ariel Monzón
Jorge Ariel Monzón (Foto: reprodução)

Jorge Ariel Monzón

Cabo principal, é casado e tem uma filha. Nascido em Caseros, vive com a sua família em Mar del Plata

Jorge Eduardo Valdez
Jorge Eduardo Valdez (Foto: reprodução)

Jorge Eduardo Valdez

Cabo principal, tem 33 anos e uma filha pequena. Nasceu em Hipólito Yrigoyen, Salta, mas vive com a família em Mar del Plata

 

Cristian David Ibañez

Cabo principal, é parte da equipe de radaristas do submarino

Mario Armando Toconas
Mario Armando Toconas (Foto: reprodução)

Mario Armando Toconas

Primeiro-cabo, 36, ingressou na Marinha há 13 anos. Deixou sua Patagônia natal para se instalar em Mar del Plata perto da base naval, para onde foi destinado. Pai de um garoto de oito anos, espera seu segundo filho. Sua companheira está grávida de quatro meses

Franco Javier Espinoza
Franco Javier Espinoza (Foto: reprodução)

Franco Javier Espinoza

Cabo principal, tem 33 anos e é pai de uma menina de cinco anos. É parte da tripulação do submarino há mais de cinco anos. Sua família é de Jujuy, mas vive em Mar del Plata

Jorge Isabelino Ortiz
Jorge Isabelino Ortiz (Foto: reprodução)

Jorge Isabelino Ortiz

Cabo principal, tem 32 anos, é casado e tem um filho de dois anos. Nasceu em Posadas, e tem dois irmãos mais novos. É encarregado no submarino pelo setor elétrico e pelos motores

 

Hugo Dante César Aramayo

Cabo principal, tem 33 anos e nasceu em Jujuy

 
Luis Esteban García

Cabo principal, tem 31 anos e nasceu em Tucumán. É casado e tem dois filhos

Sergio Antonio Cuellar
Sergio Antonio Cuellar (Foto: reprodução)

Sergio Antonio Cuellar

Primeiro-cabo

Fernando Gabriel Santilli
Fernando Gabriel Santilli (Foto: reprodução)

Fernando Gabriel Santilli

Cabo principal, tem 35 anos e é tripulante de submarino desde 2010. Engenheiro de formação, deixou muito jovem sua província natal de Mendoza para buscar seu sonho. Com um pouco mais de um ano, seu filho Stefano aprendeu a dizer “papai” nesses últimos dias, contou sua esposa, Jessica Gopar, no Facebook. “Oi Fernando. Aqui cada dia é um pouco mais duro. Há momentos de esperança e outros de angústia. Muitas pessoas rezam por você, não sabe quantas. Stefano aprendeu a dizer ‘papai’. Diga a ele, filho, diga-lhe que ele virá….”, acrescenta Jessica. E pede ao comandante do “San Juan”: “Faça o impossível para voltar à superfície. Tem 44 almas nas mãos. Que Deus faça um milagre. Eu te espero, meu amor. Até logo”

Alberto Ramiro Arjona
Alberto Ramiro Arjona (Foto: reprodução)

Alberto Ramiro Arjona

Cabo principal, tem 32 anos, é casado e pai de duas filhas. A família vive em Mar del Plata há mais de uma década. Nasceu em Campo Quijano, em Salta

 

Enrique Damián Castillo

Cabo principal

Luis Carlos Nolasco
Luis Carlos Nolasco (Foto: reprodução)

Luis Carlos Nolasco

Cabo principal, tem duas filhas de quatro e sete anos. Ingressou na Armada argentina em 2007. Nascido em Salta, hoje mora em Miramar

David Alonso Melián
David Alonso Melián (Foto: reprodução)

David Alonso Melián

Cabo principal, tem 30 anos e integra a Armada há oito anos. Nascido em El Bobadal, é parte de uma família de nove irmãos

Germán Oscar Suárez
Germán Oscar Suárez (Foto: reprodução)

Germán Oscar Suárez

Cabo principal, é sonarista de Santa Fé e, entre 2008 e 2014, esteve no estaleiro Cindar Tandanor. É casado e dizia que era quase impossível que algo de errado ocorresse na embarcação

Daniel Alejandro Polo
Daniel Alejandro Polo (Foto: reprodução)

Cabo principal, nasceu em San Pedro de Jujuy, mas vive em Mar del Plata

Leandro Fabián Cisneros
Leandro Fabián Cisneros (Foto: reprodução)

Leandro Fabián Cisneros

Cabo principal, tem 28 anos e está na Marinha há sete. É recém casado com uma mulher que também trabalha na Marinha argentina. Viveu cinco anos em Bahía Blanca e dois em Mar del Plata como submarinista. Nos últimos anos, especializou-se em imersão para integrar a tripulação do ARA San Juan

 

Luis Alberto Niz

Caob principal, tem 25 anos e está de casamento marcado com a também cabo Alejandra Morales em 7 de dezembro. Promovido em 2016, Niz foi destinado ao “ARA San Juan”. Nasceu em uma província sem litoral, La Pampa.

Federico Alejandro Alcaraz Coria

Cabo principal, tem 27 anos e é maquinista do San Juan há um ano. Nascido em El Volcán, San Luis

Aníbal Tola

Cabo segundo. Enviou para a sua família sua última foto tirada em Ushuaia, de onde partiu o submarino

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Vem aí uma nova era comunista na China: meio-ambiente, economia, mas sem espaço para divergências

O presidente chinês, Xi Jinping, ao longo de três horas e meia de discurso na abertura do 19º Congresso do Partido Comunista, o grande evento político que nomeará os dirigentes do país para a próxima meia década, garantiu que está nascendo uma  “uma nova era” para a China, mas deixou claro que, em seus próximos cinco anos de mandato, continuarão as mesmas  políticas, ainda mais marcadas: não haverá espaço para a divergência.  “A China ocupa agora uma nova posição no mundo”.

O Congresso, um evento que só acontece duas vezes por década, é desta vez o palco para a coroação de Xi Jinping como o homem mais poderoso na história recente da China. Não só será nomeado para comandar o destino do país por mais cinco anos, como também terá seu nome incluído na Constituição, ao lado de Mao Tsé-Tung, e selecionará para as principais vagas na hierarquia alguns de seus assessores de maior confiança.

Congresso China
Congresso China (Foto: reprodução)

Em discurso aos 205 membros do Comitê Central e 2.300 delegados, Xi quis apresentar a imagem de homem de Estado. Bem vestido, com vagar e um tom por vezes paternalista, deixou claro que é ele quem toma as decisões. E que não permitirá que ninguém lhe faça sombra.

Milagre na terra

O chefe de Estado, secretário-geral do Partido e presidente da Comissão Militar central – seus principais títulos, e nessa ordem – desfiou as prioridades de sua nova legislatura. No exterior, confirmar a China como uma nova grande potência. Uma potência que, deu a entender, pode ultrapassar os Estados Unidos no futuro: “Precisaremos continuar nos esforçando por mais 30 anos para alcançar a completa modernização. Então, nos situaremos orgulhosamente entre as nações e seremos uma potência global”.

No terreno interno, desenvolver a economia e proteger o meio ambiente. As duas prioridades que, considera, exigem dele os cidadãos e são imprescindíveis para manter a legitimidade do mandato do Partido Comunista à frente do país.

Entre as medidas a serem adotadas nos próximos anos: é preciso reduzir os desequilíbrios. As reformas econômicas continuarão, desde a moeda chinesa até medidas sobre os preços crescentes da habitação. Reformas, sim, mas não muitas: defendeu a igualdade de tratamento a todas as empresas presentes na China – um aceno às empresas estrangeiras, que denunciam o protecionismo de Pequim –, mas o Estado manterá um papel importante. O combate à corrupção vai continuar.

Pretende fazê-lo mantendo as mesmas políticas que empreendeu até agora. Afinal, disse, mudar para quê? A China responde hoje por 30% do PIB mundial. Veio crescendo cerca de 7% ao ano. Tirou 60 milhões de pessoas da pobreza. A reforma das forças armadas foi um sucesso. “Resolvemos problemas que ninguém conseguia solucionar”, declarou no cavernoso salão principal do Grande Palácio do Povo da Pequim, decorado para a ocasião com enormes bandeiras vermelhas e, em lugar de destaque, a foice e o martelo. A gestão do Partido “é um milagre na terra”.

Firmeza com sabotadores

Com o excelente resultado dessas medidas, não haverá tolerância para as divergências. O Partido Comunista, prestes a superar o russo como o mais longevo entre os marxistas no poder, não vai seguir o caminho de outros que – como o russo – abandonaram a ortodoxia e acabaram defenestrados. “Não devemos copiar mecanicamente os sistemas políticos de outros países”, alertou.

Desde 2012, a mão dura contra qualquer vislumbre de dissidência na China só apertou, a ponto de organizações de direitos humanos descreverem o atual controle sobre a sociedade civil como o mais duro em décadas. Os veículos de imprensa receberam ordens de aderir estritamente às diretrizes do Partido, a internet está rigidamente censurada; ativistas, líderes religiosos e defensores dos direitos humanos foram parar na cadeia. Para a região autônoma de Xinjiang, de população majoritariamente muçulmana (chamados uigures), foram enviados dezenas de milhares de agentes das forças de segurança com o argumento de impedir a violência de grupos extremistas islâmicos. Essa atitude não vai afrouxar.

O regime, prometeu Xi, não terá compaixão de quem tentar sabotar a liderança do Partido, fomentar o extremismo religioso ou o separatismo: uma clara advertência a Taiwan, a ilha que a China considera parte de seu território e onde a presidenta Tsai Ying-wen mantém posições opostas a Pequim.

Relatório de 60 páginas

Também é uma mensagem a Hong Kong, onde os pedidos por mais democracia foram respondidos com um estrangulamento cada vez maior das liberdades; a cassação de deputados pouco afeitos a Pequim e inclusive a prisão de Joshua Wong e outros jovens líderes políticos que organizaram os protestos maciços de 2014. “É preciso ir contra tudo que prejudica os direitos do povo, contra todos os que querem separar-se da China”, declarou.

Em suas cadeiras, os membros do Comitê Central escutavam com o estoicismo conferido por longos anos de prática em reuniões desse tipo. O venerável ex-presidente Jiang Zemin aproximava uma lupa do texto para poder ler. O antecessor de Xi, Hu Jintao, ausentou-se por dez minutos.

Os delegados, munidos cada um de uma cópia do relatório presidencial e uniformizados de terno – a única exceção, os representantes de minorias étnicas, vestidos com seus trajes típicos –, passavam as 60 páginas e aplaudiam em uníssono. Com a intensidade na medida certa, sem desânimo, mas sem entusiasmo.

Talvez um dos aplausos mais entusiasmados tenha sido para o anúncio do que a agência oficial Xinhua descreveu como a nova “diretriz de longo prazo à qual o Partido deve aderir”. O que até agora se conhecia simplesmente como “o pensamento de Xi Jinping”, e que oficialmente passará a se chamar “Pensamento sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era”. Um título tão reluzente como a ocasião

(Conteúdo El País)

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Trump insiste em muro completo e quer dar vistos apenas por mérito

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, quer que uma futura reforma migratória inclua a construção completa do muro na fronteira com o México e um sistema de concessão de vistos baseado no mérito, de acordo com o plano de princípios enviado nesse domingo (8) ao Congresso. A informação é da Agência EFE.

O plano de Trump defende também um aumento no custo dos vistos para financiar a melhoria da segurança fronteiriça, o retorno ágil para seus países dos menores de idade que chegam sozinhos aos EUA, a maioria deles centro-americanos, e o fim do “abuso” no sistema de concessão de asilo.

Donald Trump quer o muro completo na fronteira

Além disso, o presidente pretende melhorar o cumprimento e a aplicação das leis migratórias, com a contratação de mais 10 mil agentes para o Escritório de Controle de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e 300 fiscais federais adicionais.

Segundo o rascunho ao qual a EFE teve acesso, o governo Trump está disposto a trabalhar com o Congresso para atingir três objetivos: garantir entradas nos EUA seguras e legais, defender a segurança do país e proteger os trabalhadores e contribuintes americanos.

Trump acredita que “é imperativa a completa construção do muro”, comentou à EFE um funcionário de alto escalão da Casa Branca.

O primeiro ponto do plano no quesito segurança de fronteira é o “financiamento e a construção completa do muro na fronteira sul”, uma ideia rejeitada totalmente pela oposição democrata.

Quanto à imigração baseada no mérito, a proposta de Trump contempla, sem dar números, estabelecer limites às permissões de residência ou green cards para cônjuges e filhos menores de idade daqueles que já vivem nos EUA, bem como criar um sistema de pontos para obter essas cartões.

Em agosto passado, Trump já apoiou um projeto de lei dos senadores republicanos Tom Cotton e David Perdue, que pretende reduzir à metade a entrada de imigrantes legais nos EUA ao longo da próxima década, por meio da redução da concessão de cartões de residência.

Junto com a segurança fronteiriça e a mudança nos parâmetros de aceitação de imigrantes, o plano de Trump enfatiza a necessidade de fazer cumprir as leis migratórias e fazer reformas para a rápida saída do país daqueles que ficam mais tempo do que é permitido pelo visto.

 

“Agora, simplesmente não temos as ferramentas para garantir o cumprimento das leis”, detalhou o funcionário da Casa Branca, ao lembrar a necessidade de contratar mais agentes e advogados para o ICE, juízes de imigração e promotores federais.

 

A proposta enviada ao Congresso não inclui a busca de uma solução para os 800 mil jovens sem documentos que evitaram a deportação e ganharam licenças de trabalho graças à Daca, um programa encerrado por Trump em setembro.

Apesar disso, o presidente falou aos líderes democratas no Senado, Chuck Schumer, e na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, sobre a possibilidade de se chegar a um acordo para substituir a Daca, mas até agora não se sabe de nenhum avanço.

O funcionário da Casa Branca insistiu na necessidade de que o Congresso elabore uma legislação para os beneficiários da Daca, lembrando que a Casa Branca gostaria que isso ocorresse “o mais rápido possível”.

Conteúdo: Agencia Brasil

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