Redes sociais é manipulada em 48 países

Um relatório do Instituto de Internet da Universidade de Oxford, no Reino Unido, mapeou iniciativas do que chamou de “manipulação do debate público” em todo o mundo. Os autores identificaram entre 2010 e 2018 campanhas que visaram influenciar os cidadãos em polêmicas políticas e eleições em 48 países, que chamaram de “cibertropas”.
As nações estão localizadas em todos os continentes, como Américas, África, Europa, Ásia e Oceania. São listados casos mais notórios, como os Estados Unidos (na eleição de Trump em 2016) e o Reino Unido (com o referendo de saída da União Europeia em 2016). O Brasil foi citado como um dos locais onde as “cibertropas” atuaram, tendo como referência as eleições de 2010. Os pesquisadores mapearam partidos e entidades privadas atuando para influenciar a disputa.

Crescimento
O levantamento identificou um crescimento de mais de 70% nas iniciativas de manipulação do debate político. Na edição anterior do inventário, divulgada em 2017, haviam sido registrados 28 casos em diferentes países. Em cada um desses países há pelo menos um órgão público ou partido político envolvido nesse tipo de mobilização em redes sociais.
Os autores creditam o crescimento à atuação em processos eleitorais, no caso de legendas, e de reação à difusão das chamadas notícias falsas, no caso de agências estatais. O emprego de recursos para influenciar agendas políticas online por partidos foi localizado em 30 dos 48 países. Já a atuação de governos muitas vezes esteve relacionada ao medo de interferências externas nas discussões promovidas na internet. Essas iniciativas envolvem também órgãos criados para combater as notícias falsas.
“Ao redor do mundo, agências governamentais e partidos políticos estão explorando redes sociais para difundir notícias falsas e desinformação, exercer censura e controlar e minar a confiança na mídia, nas instituições públicas e na ciência. Em um tempo em que o consumo de notícias é crescentemente digital, inteligência artificial, coleta e análise de dados e algorítimos – caixas-pretas – estão sendo alavancados para desafiar a verdade e a confiança: os pilares da sociedade democrática”, sintetizam os autores.
Meios de difusão
Entre os recursos mais utilizados estão os robôs (bots), contas automatizadas empregadas para repercutir uma ideia ou perfil (que pode ser de um político, partido ou fonte de informação). Outra são as equipes de comentário, grupos contratados para ampliar as interações de um determinado indivíduo ou coletivo e, assim, fazer com que suas publicações alcancem mais pessoas e sejam objeto de mais interações.
Mas os autores descobriram o uso crescente de anúncios pagos nas plataformas digitais como recurso das iniciativas de manipulação. No Google, aparecem de foma destacada nos resultados das buscas. No Facebook, aparecem tanto como publicidade quanto como “posts patrocinados”, em caso de uma publicação paga para obter maior alcance.
No Brasil, as eleições deste ano serão as primeiras em que esse tipo de “conteúdo impulsionado” poderá ser utilizado como canal de campanha por candidatos e partidos. Recentemente o Facebook anunciou algumas medidas com o intuito de rebater críticas quanto à falta de transparência nesse tipo de mensagem.
Além dos anúncios, outro canal de divulgação que vem ganhando espaço são as redes sociais de mensagens, como Whatsapp, Telegram e o chinês WeChat. Segundo o levantamento, em 20% dos países onde foram identificadas iniciativas de manipulação esses são os principais espaços de difusão dessas campanhas, especialmente em nações do Hemisfério Sul.
Negócio
O estudo identificou os diversos instrumentos adotados em campanhas de manipulação (como coleta e análise de dados, construção de perfis comportamentais, difusão segmentada e personalizada de mensagens e plataformas de análise com inteligência artificial) como um grande negócio. Desde 2010, os partidos listados teriam gasto R$ 1,87 bilhão com a contratação de serviços como esses. A maioria dessas ferramentas, concluíram os autores, foram empregadas na difusão de notícias falsas em eleições. (Conteúdo Agência Brasil – Jonas Valente/Fernando Fraga)

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Fake News, não. Whatsapp limita envio de mensagens

O aplicativo de mensagens Whatsapp vai passar a ter um limite de destinatários para o encaminhamento de mensagens. Segundo a empresa, de propriedade do Facebook, o objetivo com isso é reduzir a disseminação de notícias falsas. A novidade foi anunciada ontem (19) pela empresa por meio de seu blog institucional.
O Whatsapp é a segunda maior rede social do planeta, com 1,5 bilhão de usuários. A plataforma perde apenas para o Facebook, com 2,2 bilhões de pessoas inscritas. No Brasil, são mais de 100 milhões de pessoas com o aplicativo.
Até antes da mudança, uma mensagem poderia ser repassada a até 250 chats(conversas, que podem ocorrer com pessoas ou grupos) de uma vez. Com a limitação, o número será de 20 chats quando alguém desejar encaminhar um texto recebido.
Na Índia, a restrição será maior, com o encaminhamento sendo permitido somente cinco chats. Também haverá uma alteração na ferramenta de repasse, retirando a opção de perto das mensagens. O país registrou casos de linchamentos e assassinatos a partir de boatos disseminados pelo Whatsapp, o que colocou o aplicativo em questão e gerou debates em diversos países.
“Nós acreditamos que essas mudanças, que nós vamos continuar avaliando, vão ajudar a manter o Whatsapp no sentido do que ele foi desenvolvido para ser: um aplicativo de mensagens privadas”, afirmou a empresa em seu blog.
O app vem sendo apontado por especialistas e autoridades como um dos canais mais potentes de difusão de notícias falsas. Entre os fatores que abririam espaço para esse tipo de prática estariam a facilidade de repassar as mensagens e a ausência de identificação desse tipo de procedimento, o que favoreceria uma lógica de mensagens sem autoria.
Para lidar com o segundo problema, na semana passada o Whatsapp já havia anunciado que as mensagens repassadas passariam a ser identificadas enquanto tal. “Esta indicação extra tornará conversas individuais e em grupo mais fáceis de serem seguidas”, argumentou a empresa em seu blog institucional.
*Conteúdo Agência Brasil – reportagem Jonas Valente

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Mbappé, o super herói da periferia de Paris

O astro francês nasceu em Bondy, coração da periferia de Paris marcado pela precariedade e a exclusão, onde o futebol é visto como um meio de ascensão social
Do outro lado se abre outro mundo: a banlieue, ou a periferia. Desconhecido e mitificado. A banlieue é o lugar em que a França projeta seus fantasmas, suas frustrações. Palco de distúrbios ou viveiro de islamistas. Muro invisível no qual a ascensão social se choca. Também, às vezes, o território de onde a República espera que chegue a salvação, o herói que irá debelar suas ansiedades, que acalmará o terror da fratura da nação.

A Copa é uma destas ocasiões. Kylian Mbappé —produto perfeito da banlieue de Paris; filho da periferia mais dura e a mais pura; revelação na Rússia— encarna o renovado sonho dessa França diversa e coesa. Mbappé nasceu em 1998, em Bondy, uma cidade de 52.000 habitantes a 12 quilômetros do centro de Paris. Seu pai era de origem camaronesa; sua mãe, argelina. Ambos esportistas. Se existisse uma capital da banlieue, Bondy aspiraria ao posto. A banlieue castigada pela precariedade —na moradia e na educação— e pela discriminação. E pela falta de oportunidades. A banlieue, também, das casas ajeitadinhas com jardim, os cafés hipsters e livrarias independentes, um espaço de convivência e respeito aparente e de trabalho duro que desmente os retratos apocalípticos de um território sem lei. Tudo é mais complexo.
“Quando os bairros populares são vistos sob o prisma dos acontecimentos e da violência, do islamismo e do terrorismo, ou sob o prisma do heroísmo, é uma visão caricatural e perigosa porque não remete à realidade que as pessoas vivem”, diz Nassira El Moaddem, diretora do Bondy Blog, mídia de referência na cobertura das banlieus, com sede em Bondy.
El Moaddem cita um relatório recente apresentado na Assembleia Nacional sobre o “fracasso do Estado” em Seine-Saint-Denis. O relatório constata que este é o departamento com os habitantes mais pobres da França (com exceção dos territórios de ultramar) e com a criminalidade mais elevada. “Em Seine-Saint-Denis”, resume Le Monde, “há menos de tudo: menos policiais, menos professores, menos funcionários do Judiciário, menos magistrados, menos médicos escolares…”
De algo “há mais” em Seine-Saint-Denis, e na banlieue em geral: mais jogadores. As instalações da AS Bondy, onde Mbappé se formou, são um autêntico canteiro do futebol francês. Em seu gabinete no pavilhão do clube, o diretor esportivo, Jean-François Suñer, contabiliza 16 profissionais na ativa, entre os quais Sebastian Corchia, que joga no Sevilla, e, claro, Killian Mbappé. Boa parte da seleção francesa —Pogba, Matuidi, N’Golo Kanté— é composta de filhos da periferia de Paris.
Suñer, filho de uma valenciana e um catalão que chegaram depois da guerra, conhece Mbappé desde que nasceu. Quando tinha 5 anos, se deu conta de que era especial. Quando exatamente? “Quando o vi com a bola nos pés. É um talento natural.”
A filosofia de Suñer e do AS Bondy é simples: Dizemos às crianças e aos pais: primeiro tem de trabalhar na escola. Se depois vemos que pode ser um profissional, ajudaremos. Antes de formar jogadores, formamos homens”, acrescenta. E recorda o caso recente de dois meninos de 10 e 11 anos que, por mau comportamento na escola, foram excluídos do jogo do sábado.
“Muitos querem que seus filhos tenham sucesso para sair da banlieue”, diz Suñer. “Nós não vamos nos enganar.”
Em cidades como Bondy, e ainda mais com fenômenos como Mbappé, o futebol corre o risco de ser a única esperança de muitos pais para prosperar, de encontrar aí —e não na escola republicana— a ascensão social em que empacam na vida civil: os currículos sem respostas, a discriminação silenciosa.
“Antes de Mbappé, o fato de vir de Bondy podia ser motivo de discriminação na busca de trabalho. Hoje acontece o contrário: pode ser positivo”, diz Mahmoud Bourassi, que na semana passada voltou da Rússia depois de torcer pela França com um grupo de jovens da cidade. Mas Bourassi alerta contra o perigo de confiar excessivamente no futebol para consertar a França.
Os distúrbios na noite anterior em Nantes, depois que a polícia matou um jovem em um controle policial, são um lembrete. Como são as esperanças que a vitória da França de Zidane —outro filho dos bairros multiculturais— despertou em 1998. Quatro anos depois, a Frente Nacional, partido contrário à imigração, chegava ao segundo turno das eleições presidenciais.
“É preciso manter a cabeça fria”, diz Bourassi: “Como faz Mbappé quando comparam-no com Pelé.”
*Conteúdo: Marc Bassets (El País), texto – foto Reau Alexis (L’Equipe)

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A Rússia que os torcedores do Brasil vão encontrar

Mascote do Brasil na Praça Vermelha, em Moscou. Foto Lucas Figueiredo - CBF.

Brasileiros são o 3º maior público da Copa na Rússia, onde a população é afável, mas rejeita movimentos gays e tolera o racismo nos estádios. Veja dicas e curiosidades sobre o país.
Até maio deste ano, mais de 72.500 ingressos para a Copa do Mundo Rússia 2018 foram adquiridos por brasileiros – o número coloca o país atrás apenas de russos (871.797 entradas) e americanos (88.825) no ranking de maiores compradores do Mundial, que totaliza mais de um milhão e meio de ingressos vendidos na última parcial divulgada.
Visto que os torcedores do Brasil prometem “invadir” a maior nação do mundo em território, o EL PAÍS preparou um guia com informações a respeito das cidades que receberão a competição mais importante do futebol. Mas antes, é bom lembrar que as temperaturas na Rússia, ainda que seja verão durante a Copa, tem temperaturas mais amenas que a do Brasil.
Os russos são afáveis, mas vivem suas idiossincrasias que podem constituir um choque cultural. Herdeiros do socialismo e a da guerra fria que imperou no século XX, têm uma visão planetária diferente da quem está no Ocidente e em especial do Brasil, onde o eixo central do mundo são os Estados Unidos.
Os russos, ao contrário, entendem sua grandiosidade em contraposição aos americanos. Nada que uma vodca não ajude a quebrar o gelo. A população russa gosta de beber e de fazer amizades e tem apreço pelo Brasil.
A circulação no território russo não tem restrições, a não ser que o turista permaneça na mesma cidade por mais de sete dias seguidos – neste caso, deverá ser preenchido um formulário de Registro Migratório, normalmente encontrado nos hotéis do país e no momento do desembarque. Nenhuma vacina é exigida para visitantes brasileiros, apesar de recomendada; a carteira internacional de vacinação pode ser solicitada por autoridades russas de Imigração na entrada do país.
O Rublo russo, moeda oficial do país-sede, pode ser adquirido em conversão direta do real, dólar ou euro; para estas últimas duas moedas, ela pode ser feita na chegada ao país. Para mais informações, a Embaixada Brasileira na Rússia disponibilizou uma página com contatos de emergência e procedimentos necessários para a visita de turistas e uma cartilha de 134 páginas com mais informações sobre o que evitar no país, documentos, clima e moeda. Serão abertos, ainda, cinco novos postos consulares na Rússia para garantir assistência aos brasileiros, nas cidades de Kazan, Samara, Rostov, Sochi e São Petersburgo.
Caso a opção feita seja pelo carro, a carteira de habilitação do Brasil tem validade na Rússia, mas precisa ser expedida por um DETRAN, traduzida em russo e autenticada nos consulados do Brasil ou do país europeu. A carteira de habilitação internacional também pode ser usada. Não existem muitas diferenças entre o modo de dirigir brasileiro e o modo de dirigir russo; apenas que, lá, o limite de velocidade nas rodovias varia entre 60 km/h e 90 km/h.
A relação do país com as minorias também merece atenção. A homossexualidade foi descriminalizada em 1993, mas a constituição russa tem leis que condenam “propaganda gay” visando “proteger as crianças de conteúdo homossexual”.
Segundo pesquisa feita pelo instituto Levada Center no país no início deste ano, 83% da população considera o movimento LGBTQ “condenável” – opinião que aumentou nos últimos dois anos entre pessoas abaixo de 30 anos, segundo o mesmo estudo. Seja nos grandes centros ou nas menores cidades, a cartilha do Itamaraty pede para que “demonstrações homoafetivas em ambientes públicos” sejam evitadas.
Racismo e machismo estão igualmente presentes; no último março, em amistoso entre Rússia x França, jogadores franceses negros foram discriminados pela torcida local e, na temporada 2017/18 do Campeonato Russo, foram contabilizados 51 casos semelhantes dentro de estádios com “forte caráter de extrema-direita”. Para as mulheres, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil alerta que elas “devem evitar andar sozinhas pelo país, especialmente durante a noite e/ou em áreas isoladas” e até desacompanhadas em bares com muitos homens. São 11 cidade-sedes que abrigarão 12 estádios durante a Copa do Mundo:

1. Moscou
Capital da Rússia, a cidade com cerca de 12 milhões de habitantes é a única da Copa que tem dois estádios: o Spartak, com capacidade para 42.000 pessoas, e o Luzhniki, principal estádio do país, onde cabem 81.000 torcedores. Ambas as arenas ficam no distrito central da cidade, que conta com a riqueza cultural da época de União Soviética: a Praça Vermelha, a Catedral de São Basílio e o Kremlin de Moscou são algumas das maiores atrações turísticas. A capital tem grande variedade de hotéis e hostels, com os mais caros próximos aos estádios e os mais baratos afastados do centro, e metrô e ônibus como principais meios de transporte público. O Luzhniki, além da final, também receberá a abertura da Copa, entre Rússia x Arábia Saudita; o Spartak terá Sérvia x Brasil, o último jogo da seleção na fase de grupos.
2. São Petersburgo
Cidade-sede mais ao norte do país, São Petersburgo é banhada pelo mar Báltico e tem aproximadamente cinco milhões de habitantes. Na região, está a Arena Zenit, estádio para 68.000 pessoas e casa do time homônimo. A cidade, que por décadas se chamou Leningrado em homenagem ao líder da Revolução Russa, abriga o Museu Hermitage, que tem em sua coleção mais de três milhões de peças artísticas, além do Palácio de Inverno. Linhas de metrô e ônibus compõem o transporte público do local, que também conta com uma grande variedade de hotéis, dos luxuosos aos hostels. Além da anfitriã Rússia e da Argentina, a cidade receberá Brasil x Costa Rica, pela segunda rodada do grupo E, e poderá voltar a ver a seleção nas oitavas caso a equipe de Tite se classifique em segundo lugar.

3. Kazan
A Kazan Arena, estádio para 45.000 torcedores, fica na cidade de Kazan, 800 km ao leste de Moscou. A cidade tem como principal atração turística o Kremlin (sinônimo de fortaleza) local, que, ao contrário da arena, fica no centro, onde se encontram a maioria dos hotéis. Com mais de um milhão e meio de habitantes, a região, que tem o sistema metroviário mais novo do país, é famosa por ter a maior concentração muçulmana da Rússia
4. Ecaterimburgo
Ecaterimburgo é a cidade-sede que está mais longe de Moscou, a quase 1.800 km para o leste da capital russa. A cidade de um milhão e meio de habitantes tem transporte público via metrô e ônibus, além de hotéis com preços relativamente acessíveis próximos a Ekaterinburg Arena, onde cabem 35.696 pessoas. Egito x Uruguai e França x Peru estão entre os quatro jogos que acontecerão na cidade, que também abriga um monastério em homenagem à família do czar Nicolau II, último monarca da Rússia.
5. Rostov-on-Don
Palco da estreia do Brasil, no dia 17, contra a Suíça, a cidade de Rostov-on-Don, 1.000 km ao sul de Moscou, abriga a Rostov Arena, para 45.000 pessoas. Apesar dos 1,3 milhão de habitantes, a cidade não conta com metrô; o transporte público depende dos ônibus locais. O estádio fica na região mais frequentada da cidade, onde estão os principais hotéis.
6. Níjni Novgorod
Níjni Novgorod é a cidade-sede mais próxima de Moscou, a 400 km da capital russa. A região tem aproximadamente 1,3 milhão de habitantes, uma fortaleza que data do século XIV e foi onde a URSS realizava pesquisas sobre armas nucleares. O estádio é o Nizhny Novgorod, para 45.000 pessoas, que receberá um Argentina x Croácia e duas partidas de mata-mata. O palco dos jogos é cercado de hotéis, com preço menor se comparado à média, e a cidade tem malha metroviária.
7. Samara
Caso o Brasil se classifique em primeiro em seu grupo, a seleção jogará as oitavas de final contra o segundo colocado do grupo F em Samara, cidade 1.000 km ao leste de Moscou. Com aproximadamente 1,2 milhão de habitantes, a região abriga a Samara Arena, estádio para 45.000 pessoas que também receberá os anfitriões da Copa no duelo contra o Uruguai. Samara foi capital da União Soviética no período em que Moscou sofria perigo de invasão, durante a Segunda Guerra Mundial, e por isso tem alguns bunkers que eram utilizados pelo ditador Josef Stalin. A cidade tem malha metroviária, mas poucas opções de hotel se comparada às outras.
8. Volgogrado
Conhecida durante a Segunda Guerra por Stalingrado, a cidade foi palco de uma das principais batalhas do conflito, marcada por ter contido o avanço nazista em território soviético 900 km ao sudeste de Moscou. Por isso, conta hoje com monumento, memorial e museu sobre o evento. O estádio da cidade de pouco mais de 1 milhão de habitantes é a Volgograd Arena (45.568). Apesar de turística, a região não conta com estrutura de metrô; o estádio é próximo dos lugares mais frequentados pelos visitantes.

9. Caliningrado
Caliningrado não é a cidade-sede mais distante de Moscou, mas é a única que não está no mesmo território russo das outras dez. A cidade está localizada na província homônima, que faz divisa com Lituânia e Polônia, está mais próxima da Bielorrússia do que de Moscou, é banhada pelo mar Báltico e tem 450.000 habitantes. O estádio local, Kaliningrad, tem capacidade para 35.000 pessoas e receberá Sérvia x Suíça, pelo grupo do Brasil, além de Inglaterra x Bélgica. O Istmo da Curlândia, faixa estreita de terra entre o Lago da Curlândia e o mar Báltico, se destaca como destino turístico e é patrimônio mundial pela UNESCO. Com preços na média do restante das sedes, os hotéis são próximos à região do estádio, que também não tem metrô.
10. Sochi
Casa do Brasil na Rússia, a cidade de Sochi está 1.600 km ao sul de Moscou, quase na divisa com a Geórgia. O estádio de lá é o Olímpico de Fisht, para 47.700 torcedores, feito para as Olimpíadas de Inverno de 2014. A estrutura olímpica ainda faz com que o local seja rodeado de hotéis e a cidade tenha estações de trem e linhas de ônibus, mesmo com apenas 350.000 habitantes. Como o verão predomina durante o Mundial, as praias do mar Negro são opção turística. Sochi receberá, logo na primeira rodada, o clássico ibérico entre Portugal x Espanha.
11. Saransk
A menor cidade-sede do Mundial, Saransk tem pouco mais de 300.000 habitantes, está 650 km ao leste de Moscou e abriga a Mordovia Arena, estádio para 45.000 espectadores que será reduzido para 25.000 após a Copa do Mundo. Pequena, a cidade não tem metrô em sua estrutura e conta com poucas opções de hotel; sua maior atração turística é uma catedral ortodoxa, construída nesse milênio. *Conteúdo: texto Diogo Magri (El País) – foto Lucas Figueiredo (CBF)

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Começou a Copa do Mundo: teste de fogo para Putin, desafio para Alemanha e esperanças para o Brasil

Depois do estrondoso fracasso em casa, há quatro anos, poucos poderiam imaginar que a seleção brasileira chegaria à Copa do Mundo Rússia 2018 não só como uma das principais favoritas, mas também exibindo um futebol que voltou a encher os olhos do torcedor brasileiro. Sob o comando de Tite, que assumiu o cargo de treinador somente em 2016, o Brasil classificou-se em primeiro lugar nas Eliminatórias sul-americanas, espantando o fantasma alimentado pela gestão Dunga que ameaçava deixar o país de fora de uma Copa pela primeira vez na história. A seleção estreia no próximo domingo, contra a Suíça, em Rostov-do-Don.
Mais do que retomar o prestígio internacional da seleção, abalado pelo 7 a 1 contra a Alemanha, Tite tem como desafio na Copa desvincular o time de Neymar e companhia dos escândalos de corrupção que arranharam a imagem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nos últimos anos. O técnico se esforça para transmitir um discurso de ética e transparência no que diz respeito à parte futebolística. Pretende lutar pelo hexacampeonato competindo de forma leal, sem apelar para malandragens e o “jeitinho brasileiro”, que, em outras Copas, se tornaram uma marca tão associada à camisa amarela quanto a mística do futebol-arte. Destaca a todo o momento o senso coletivo que ajudou a incutir na seleção. “Temos jogadores extraordinários, como o Neymar”, disse Tite depois da vitória contra a Áustria, no último amistoso antes do Mundial. “Mas eles fazem parte de um conjunto forte, que funciona para privilegiar as individualidades na hora certa.”
Em sua força-tarefa pessoal para fazer com que a seleção brasileira seja lembrada apenas pelo futebol, o técnico ressaltou antes de embarcar para a Rússia que, caso o Brasil seja campeão, não irá a Brasília para a tradicional recepção à delegação no Planalto, rechaçando um possível encontro com o presidente Michel Temer. Pela crise de representação no país, que colocou até mesmo seu nome entre os cotados em pesquisas eleitorais, Tite tenta evitar que o time se transforme em instrumento de manobra na mão de políticos e cartolas.
Por outro lado, a CBF jogou um balde de água fria nesse esforço antes mesmo do início da Copa. Presidente da confederação após o banimento de Marco Polo Del Nero, indiciado por corrupção pelo FBI, Antonio Carlos Nunes, conhecido como Coronel Nunes, provocou uma crise diplomática em Moscou ao votar no Marrocos para sediar o Mundial de 2026, ignorando o combinado com a Conmebol de apoiar a candidatura conjunta de Canadá, Estados Unidos e México. Depois da gafe, executivos da CBF se empenham para isolar o Coronel, de 80 anos, sobretudo de aparições públicas. Apesar da boa fase em campo, a seleção ainda sofre para escapar dos estilhaços provocados pelos deslizes de seus dirigentes.
Caprichos de Putin
Vladimir Putin não gosta de futebol, mas será a bola e tudo o que gera a organização de uma Copa do Mundo que medirão a partir desta quinta-feira o presidente russo e a capacidade de organização da Rússia. Pela primeira vez em vinte e uma edições, a grande festa da bola viaja a um país do Leste da Europa graças ao empenho pessoal e ao esforço financeiro realizado e promovido pelo presidente russo. Nos tempos da cortina de ferro teria sido impensável que a FIFA escolhesse o país para sediar a competição que faz transbordar seus cofres a cada quatro anos.
Esta Copa do Mundo se tornou o estandarte do renascimento da Rússia como superpotência econômica e política. Putin e o país estão jogando seu prestígio com as atenções do planeta futebol voltadas a sua capacidade de vencer duas grandes ameaças: o terrorismo islâmico e os hooligans locais. Os centros nevrálgicos das cidades-sede, as concentrações das seleções e os estádios se transformaram em bunkers e formam uma paisagem pré-bélica. Somente em Moscou foram mobilizados 30.000 soldados para garantir a segurança do evento.
Desde a Eurocopa de 2016, realizada na França, os ultras russos ostentam a supremacia e a bandeira da barbárie anteriormente agitada pelos hooligansingleses. Tanto quanto a extrema violência dos torcedores violentos, a FIFA está preocupada com episódios de racismo, homofobia e xenofobia que possam ocorrer. “Nosso país está pronto para organizar a Copa do Mundo, garantir a todos que vierem à Rússia o máximo de conforto e deixar-lhes as emoções mais positivas”, declarou Putin com sua fria veemência durante o 68º Congresso da FIFA.
Lá, pouco antes de a candidatura conjunta de Estados Unidos, México e Canadá ser designada sede da Copa de 2026, e como se fossem dois capitães antes de iniciar um jogo, Gianni Infantino entregou uma flâmula da FIFA a Putin. Talvez esse tenha sido o gesto mais futebolístico que Putin já protagonizou na vida. Nesta quinta-feira, Putin assistirá no luxuoso camarote do estádio Luzhniki, em Moscou, ao início de uma Copa histórica por conta da introdução da tecnologia de arbitragem. O árbitro argentino Néstor Pitana pode entrar na história se com a ajuda do VAR elucidar um lance duvidoso. Há mais expectativa para determinar o impacto da arbitragem por vídeo no desenvolvimento do jogo e no resultado do que a respeito do futebol que possa ser mostrado por Rússia e Arábia Saudita.
O desafio da Alemanha
Na verdade, o grande tiro de partida futebolístico acontecerá na sexta-feira, agigantado pela bomba-relógio em que a Espanha se transformou depois do tsunami da saída de Lopetegui e a presença de Cristiano Ronaldo. Será a primeira das três grandes vedetes a entrar em cena. Como Messi, o português pode estar diante de sua última oportunidade de ganhar uma Copa. Neymar ainda tem mais horas de voo para alcançá-la. Os três disputam neste evento o trono de melhor jogador do mundo, agora que um esporte coletivo como o futebol superdimensiona como nunca a dignidade individualista da Bola de Ouro. Competirão por essa glória euísta em um torneio em que só faltará Gareth Bale como representante do estrelato mundial. Os franceses Antoine Griezmann e Kylian Mbappé são os dois grandes candidatos para tentar desbancar esse grande tríptico.
Coletivamente, a Alemanha defende o título sem uma megaestrela, mas com um buquê dos campeões de 2014 e uma geração de jovens liderada por Goretzka que reafirmou a guinada para a supremacia através da bola. Os alemães abordam a empreitada de ser a primeira seleção a conquistar duas Copas do Mundo consecutivas desde que o Brasil alcançou o feito com as de 1958 e 1962. Também buscarão igualar os cinco títulos dos brasileiros. E de fundo, como sempre, a luta pela hegemonia entre a Europa e a América do Sul. Se a Alemanha aspira a imitar o bicampeonato do Brasil depois de ter sido a primeira seleção europeia a conquistar a Copa do Mundo do outro lado do oceano, o Brasil aspira a sua segunda conquista na Europa depois daquela de 1958 na Suécia. Sem a Itália, Argentina, Espanha, França e Portugal são os grandes candidatos para impedir que brasileiros e alemães prolonguem sua hegemonia. *Conteúdo – texto Breiller Pires (El País)

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Papa aceita renúncia de bispos chilenos suspeitos de pedofilia

O papa Francisco aceitou nesta segunda-feira (11/06) a demissão de três bispos do Chile – entre eles Juan Barros, acusado de ter protegido um padre pedófilo. A decisão foi anunciada seis meses após a visita ao Chile, que foi marcada por protestos de vítimas de abuso sexual, cometido por integrantes da Igreja Católica.
Em janeiro, o papa mal chegou ao Chile e pediu perdão pelos crimes de abuso sexual, encobertos pelo Vaticano e que ele prometeu punir. Porém, Francisco defendeu Barros, que ele mesmo nomeou bispo de Osorno, em 2015, em meio a acusações de que o sacerdote teria protegido Fernando Karadima – padre que havia sido condenado quatro anos antes, pela própria Igreja, por pedofilia.
“No dia em que me trouxerem uma prova contra o bispo Barros, falarei”, disse o papa na ocasião, durante a visita ao Chile. “Não ha nenhuma prova. Tudo é calúnia”, acrescentou. Juan Carlos Cruz, uma das vítimas de Karadima, respondeu ao papa, no Twitter. “Como se eu pudesse tirar uma selfie enquanto Karadima abusava de mim, enquanto Juan Barros estava parado ao lado, vendo tudo”.
Barros sempre negou as acusações. Mas os protestos levaram o papa a encomendar nova investigação, ouvindo testemunhos de bispos e das vítimas de abuso sexual no Chile. Quando recebeu os resultados, detalhados num documento de 2,3 mil páginas, Francisco novamente pediu perdão. Só que desta vez por ter errado na sua avaliação.
Em maio, todos os 34 bispos chilenos pediram demissão. A Conferência Episcopal do Chile confirmou que o papa aceitou as renúncias de Barros e de mais dois bispos: Cristián Caro e Gonzalo Duarte. (Conteúdo Agência Brasil – texto Monica Yanakiew)

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Sai Raul, entra Miguel: Cuba elege sucessor dos Castro

A Assembleia Nacional de Cuba se reúne nesta quarta-feira (18) para escolher o próximo presidente da ilha caribenha que, nas últimas seis décadas, foi governada pelos irmãos Castro: Fidel, que morreu aos 90 anos, e Raúl, que prometeu se aposentar aos 86. O novo líder será o primeiro, desde a Revolução Cubana, com outro sobrenome e representando uma geração mais jovem do que aquela que pegou em armas para derrubar a ditadura de Fulgencio Batista (1952-1959) e desafiar os Estados Unidos (EUA), estabelecendo um regime socialista a 150 quilômetros de sua costa.

Raul Castro e Miguel Díaz-Canel
Raul Castro e Miguel Díaz-Canel (Foto: reprodução)

Segundo a jornalista Monica Yanakiew, repórter da Agência Brasil em Buenos Aires, o novo presidente de Cuba assume em um momento delicado. A Venezuela, que fornece petróleo e sustentava o regime cubano, hoje enfrenta grave crise econômica, marcada pela hiperinflação, o desabastecimento e o isolamento internacional.

Com a mudança de governo em 2017, os Estados Unidos recuaram no processo de reaproximação – primeiro passo para o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro que continua impondo à ilha. O presidente norte-americano, Donald Trump, (eleito também com o voto dos cubanos que imigraram para os EUA e que exigem a derrubada do comunismo na ilha), limitou viagens e investimentos (dos norte-americanos) em Cuba.

Nascidos nos anos 60

Raúl Castro diz que foi eleito presidente para “defender, manter e continuar aperfeiçoando o socialismo cubano –  e não para destruí-lo”.

A eleição representa o fim de uma era, mas muitos observadores acham que, na prática, pouca coisa mudará na vida dos 11,5 milhões de cubanos: o Partido Comunista de Cuba (PCC) continua sendo o único e Raúl Castro seu chefe.

“O Partido Comunista é o órgão máximo de decisão política, de acordo com a Constituição cubana. Raúl Castro deixa a presidência do país, mas não o cenário político”, disse à Agência Brasil Erika Guevara-Rosas, diretora para as Américas da Anistia Internacional, uma organização de defesa dos direitos humanos. “Lamentavelmente, Cuba continua sendo um país que violenta, de forma massiva, as liberdades civis, políticas e de expressão.” Cuba é o único país do continente que não permite acesso oficial à Anistia Internacional.

A expectativa é de que o cargo seja ocupado pelo atual vice-presidente, Miguel Díaz-Canel, de 57 anos, que nasceu depois da revolução, não usa farda, mas defende os ideais do Partido Comunista Cubano (PCC), onde atua desde jovem. “Sou como muitos neste país”, disse Díaz-Canel. “Formamos parte de uma geração que nasceu nos anos 60 e agradecemos muito toda a formação e as possibilidades brindadas pela revolução. Tivemos a oportunidade de participar dos processos de decisão nas organizações de base estudantis e da juventude”.

Reforma constitucional

Só houve uma sucessão presidencial na Cuba revolucionária e ela foi programada. Em 2006, Fidel Castro entregou o comando do país ao irmão caçula – primeiro interinamente, depois oficialmente. Fidel estava doente e morreu dez anos depois. Nos últimos 12 anos, Raúl Castro adotou algumas medidas de abertura. Meio milhão de cubanos hoje trabalham no setor privado. Desde 2013, quem quiser pode deixar o país, sem precisar de autorização para viajar ou ter que fugir de barco, numa perigosa travessia para a costa da Flórida. A compra e venda de imóveis e carros, mesmo limitada, foi permitida. E a internet chegou à ilha, onde existem mais de 600 áreas publicas com conexão wifi.

No cenário internacional, Cuba participou da 7ª Cúpula das Américas em 2015. Foi a primeira reunião de líderes dos 35 países do Continente Americano com a participação do governo cubano, que até então tinha sido vetada pelos Estados Unidos. A notícia foi o histórico aperto de mão entre Raúl Castro e o então presidente norte-americano, Barak Obama, marcando a reaproximação dos dois países, depois de mais de meio século de guerra fria.

Apontada como responsável por disseminar revoluções comunistas na região, Cuba patrocinou o acordo de paz entre o governo colombiano de centro-direita, do presidente Juan Manuel Santos, e os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Sete mil rebeldes entregaram as armas, depois de 50 anos de conflito, para formar um partido político, que este ano disputou as primeiras eleições legislativas.

Com a morte de Fidel em 2016, a pergunta era sobre o futuro do país. Raúl Castro propôs ao partido limitar a idade (70 anos) e o mandato (dois períodos de cinco anos) dos dirigentes do PCC, além de uma reforma constitucional. E anunciou que deixaria a presidência, por decisão própria, em abril deste ano.

Nova geração

Para ex-combatentes da revolução, o sucessor de Raúl Castro representa a renovação da cúpula do regime comunista cubano, mas a continuidade de seus ideais. Alejandro Ferras Pellicer, de 94 anos, aposta nesta nova geração que, ao contrário da anterior, nasceu com direito à educação e que, segundo ele, estará mais preparada – intelectualmente e tecnologicamente – para lutar por uma sociedade mais igualitária.

Raúl Castro sinalizou, em mais de uma ocasião, que a ideologia não está em jogo – não importa quem seja o novo presidente de Cuba ou que pressões ele terá de enfrentar. “O substituto de Fidel só pode ser o Partido Comunista”, disse, quando os cubanos tentavam imaginar o futuro sem o pai da revolução.

O analista político cubano Rafael Hernández acredita que o novo governo enfrentará pressões internas por mudanças, porque as expectativas de melhores condições de vida vêm de longa data e cresceram com o tempo. Segundo ele, apesar de Cuba enfrentar hoje uma conjuntura internacional menos favorável, a ilha não está na mesma encruzilhada dos anos 90, quando a União Soviética (principal fornecedora de petróleo a Cuba e financiadora de partidos comunistas no hemisfério internacional) se dissolveu em 15 repúblicas separadas – entre elas, a Rússia.

“Nesses 60 anos, Cuba demonstrou ser capaz de sobreviver a várias crises – até à pior delas, nos anos 90, quando muitos pensavam que ficaria isolada e seria obrigada a mudar”, disse, em entrevista à Agência Brasil, o analista político argentino Rosendo Fraga. “Com a saída de Castro, uma nova geração subirá ao poder. Mas a renovação será feita para manter o mesmo sistema em vigor”.

(Conteúdo Agência Brasil)

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Iniciativas de empreendedorismo empoderam meninas e mulheres

Créditos: Reprodução / KadAfrica / Mumm / Mama MajiOs projetos promovem oportunidades para que elas se tornem empreendedoras

Ser mulher em um mundo em que a desigualdade de gênero é presente em todos os países, em menor ou maior grau, traz como consequência uma série de restrições desde a infância. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 15 milhões de meninas se casam todos os anos antes de completarem 18 anos de idade, sendo que metade desses casamentos são ilegais. Esse é um dos dados que ajudam a explicar o abismo de oportunidades educacionais e de desenvolvimento entre meninos e meninas.

Nos países subdesenvolvidos, por exemplo, muitas garotas precisam abandonar a escola para cuidar da casa e dos filhos. Para ajudar a romper essas diferenças sociais, projetos em Uganda, no Egito e no Quênia buscam empoderar as meninas e mulheres com o objetivo de promover oportunidades para que elas se tornem empreendedoras. As três iniciativas estão entre os seis finalistas do Prêmio de Inovação Social, promovido pela Nestlé.

Esta edição do prêmio, realizada em parceria com a Ashoka, principal rede mundial de empreendedores sociais transformadores, dará ao vencedor a quantia de até 400 mil francos suíços (cerca de R$ 1,4 milhão) para expandir a iniciativa e uma bolsa de estudos. O ganhador será anunciado no Fórum de Criação de Valor Compartilhado, no dia 16 de março de 2018, em Brasília (DF).

Os projetos

KadAfrica – Uganda

Na região rural de Uganda, a dependência econômica é uma das principais injustiças enfrentadas pelas meninas. Além disso, grande parte delas tem que abandonar a escola, fato geralmente acompanhado pelo casamento infantil e a gravidez precoce. Nessas áreas, a agricultura é uma tarefa delegada apenas a mulheres, mas não é vista como um negócio.

Para mudar essa realidade, a organização KadAfrica empodera e capacita meninas de 14 a 20 anos, que tiveram que parar de estudar, com noções básicas de negócios e agricultura, para que elas possam ter uma renda a partir do cultivo sustentável de maracujá. Na fazenda do projeto, elas participam de um programa de treinamento, onde adquirem habilidades e recursos para começar suas próprias plantações.

A iniciativa compra todas as frutas produzidas pelas participantes, que recebem o dinheiro de seu trabalho para manterem uma renda. Até agora, mais de 2 mil jovens já participaram da KadAfrica.

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Mama Maji – Estados Unidos (sede) / Quênia (atuação)

No Quênia, as mulheres dedicam seu tempo e prejudicam sua educação e saúde para coletar água para toda a comunidade. Para solucionar os problemas da crise de recursos e do saneamento, a organização Mama Maji oferece capacitação para as participantes construírem tanques de água na área rural em que vivem e se tornarem catalisadoras do projeto.

A iniciativa busca transformar a falta de desenvolvimento em um campo de oportunidades para as participantes aprenderem sobre liderança e habilidades empresariais em negócios sustentáveis. A ideia é que as mulheres ofereçam água para toda a comunidade e ainda tenham uma fonte de renda por meio da venda de tanques e tijolos. Atualmente, há 270 empreendedoras do Mama Maji atuando em suas comunidades.

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Mumm – Egito

O Egito lidera o ranking de adultos obesos: 35% da população do país está nesta situação. Pensando nisso, foi criada a plataforma Mumm, que oferece um serviço de entrega de comida caseira e nutritiva feita por cozinheiros desempregados – em sua maioria mulheres refugiadas – dentro de suas casas.

A ideia é substituir o fast food por alimentos saudáveis e que são 40% mais baratos do que a média da comida consumida por meio do delivery dos restaurantes. O serviço funciona da seguinte maneira: o cliente faz o pedido da comida on-line e a cozinheira mais próxima prepara o prato. Quando a refeição fica pronta, uma pessoa cadastrada no site faz a entrega.

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Fonte: catracalivre.com.br

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Crise política, terremoto e eleição; veja o que ocorreu na América Latina

Na América Latina, região que ainda convive com altos níveis de pobreza e desigualdade, 2017 foi um ano de dificuldades, mas com viés de melhora. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), as projeções econômicas estimam um crescimento da região de 1,2% para este ano, em um aumento impulsionado pela produção de matérias-primas.

No plano político, a crise na Venezuela continua e as relações entre os Estados Unidos e Cuba retrocederam após a assunção ao poder do republicano Donald Trump, que revisou várias das medidas de distensão adotadas para a ilha pelo seu antecessor Barack Obama. E vários países sofreram turbulência por causa da crise deflagrada com as revelações de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht, o que levou à prisão de autoridades.

Argentina

Passados dois anos de sua chegada ao poder, 2017 foi o ano no qual o presidente Mauricio Macri viu a vitória dos governistas nas eleições legislativas de outubro, o representou um ganho de fôlego para a segunda metade do mandato, que será marcada pela presidência argentina do G20 em 2018. Apesar de polêmica e de protestos contrários, a reforma da Previdência foi aprovada em dezembro, com mudanças nas regras para aposentadoria.

Em Buenos Aires, polícia usa balas de borracha e gás lacrimogênio para conter manifestantes que protestam contra votação da reforma da Previdência no CongressoDavid Fernández/EFE/direitos reservados

Venezuela

Vivendo a sua “maior crise política, social e econômica”, com desemprego recorde e protestos nas ruas, a economia venezuelana termina o ano com uma inflação de mais de 2.000%, segundo cálculos do Parlamento. O país atravessa uma grave escassez de alimentos, remédios e outros produtos básicos e aumento quase diário dos preços. Com uma questionada Assembleia Constituinte instalada em agosto, presos políticos e a Justiça controlada pelo governo, o Parlamento é o único poder do Estado venezuelano controlado pela oposição. Por conta da falta de liberdades democráticas, a Venezuela está suspensa do Mercosul desde dezembro de 2016 e em 2017 sofreu sanções da Organização dos Estados Americanos (OEA), de países da região e da Europa e dos Estados Unidos. Apesar da crise, o presidente Nicolás Maduro já anunciou que buscará a reeleição em 2018.

Venezuelanos lotam as ruas em Caracas após paralisação no metrô por blecauteREUTERS/Marco Bello

Bolívia 

O presidente Evo Morales anunciou que disputará o seu quarto mandato consecutivo. Morales visitou o Brasil no começo deste mês de dezembro, quando destacou seu interesse estratégico em fornecer energia aos estados brasileiros que fazem fronteira com a Bolívia. O governante boliviano se referiu também ao interesse mútuo dos dois países de dispor de “uma saída ao Pacífico”, mediante o projeto do Corredor Ferroviário Bioceânico, que atravessaria o Peru, a Bolívia e o Brasil, interligando os países por via férrea desde o Oceano Pacífico até o Atlântico.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, discursa durante almoço no Palácio Itamaraty José Cruz/Agência Brasil

Chile

Em dezembro, o candidato conservador Sebastián Piñera venceu as eleições presidenciais contra o aliado da presidente Michelle Bachelet, que encerra seu mandato. Apesar de ser um dos países mais equilibrados economicamente da América do Sul, com desemprego baixo (6,7%), os chilenos cobram garantia do Estado de educação de qualidade, um sistema de saúde confiável, aposentadorias dignas, segurança e bons empregos.  Segundo analistas, o Chile segue cotado para tornar-se o primeiro país desenvolvido da América do Sul, devendo fechar 2017 com uma expansão de 1,5% do PIB.

Sebastian Piñera foi eleito presidente do Chile REUTERS/Rodrigo Garrido

Peru

Foi um dos mais afetados pelas revelações da construtora Odebrecht, que quase levaram à destituição do presidente Pedro Pablo Kuczynski. Na véspera do Natal, Kuczynski tomou uma decisão polêmica ao conceder indulto ao ex-presidente e opositor Alberto Fujimori. A medida levou peruanos às ruas e pedidos de demissão de integrantes do governo. Para muitos, o indulto é interpretado como um acordo político.

O ex-presidente Alberto Fujimori pediu perdão aos peruanos Reprodução Agência Reuters

Cuba

O país enfrentou a passagem de violentos furacões, a redução da ajuda de sua aliada Venezuela e a reversão da reaproximação Cuba-EUA, com o endurecimento do embargo dos Estados Unidos. Em novembro, o governo de Donald Trump tornou mais difícil para os americanos viajar e realizar negócios com a ilha, revertendo a política anterior de Obama de estabelecer relações mais amigáveis com Havana. Apesar disso, o crescimento no turismo, transporte, comunicações, agricultura e construção proporcionou uma expansão de 1,6% este ano. E o Parlamento de Cuba adiou em dezembro a transferência histórica de poder de Raúl Castro para um novo presidente, o que só deve ocorrer a partir de abril de 2018.

Colômbia

A celebração do acordo de paz entre o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que entrou em vigor no final de 2016, trouxe mais segurança e estabilidade. Na sequência, as Farc anunciaram em julho sua transformarão em partido político e disposição de concorrer às eleições. Os conflitos contudo permanecem em algumas áreas e prosseguem as negociações de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN). E, como em outros países, as denúncias da Odebrecht também levaram à prisão de vários políticos e autoridades colombianas em 2017.

Mercosul

Neste ano, as negociações, que já duram 20 anos, do acordo do bloco com a União Europeia (UE) avançaram, e a assinatura está prevista para o início de 2018. O tratado reduz as barreiras comerciais entre os 28 países da UE e os quatro do Mercosul e afetará 90% do comércio entre os dois blocos. O Brasil presidiu o Mercosul durante o segundo semestre de 2017 e, em dezembro, ao final da 51° Cúpula de Chefes de Estado do bloco, em Brasília, transmitiu a presidência pro tempore do grupo para o Paraguai. Em julho, os países do Mercosul assinaram, durante reunião de cúpula, um acordo ampliando suas relações comerciais com a Colômbia.

México

No começo do ano, com a posse de Donald Trump, os mexicanos protestaram veementemente contra a construção de um muro na fronteira. E, apesar da retórica protecionista inicial do republicano, em novembro, os governos do México, dos EUA e do Canadá conseguiram avançar nas negociações para atualizar o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Hotel afetado por terremoto no estado de Oaxaca, no MéxicoÁngel Hernández/EFE/Direitos Reservados

O momento mais dramático para o México em 2017 contudo ocorreu em setembro, quando dois fortes terremotos causaram mais de 400 mortes, enormes perdas financeiras e uma reação popular de solidariedade.

Por: Agência Brasil- Augusto Queiroz e Carolina Pimentel

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Mesmo sob protesto o Congresso argentino aprovou a Reforma da Previdência

Lá na Argentina, assim como é no Brasil, o principal argumento para a Reforma da Previdência é a redução do déficit fiscal. Entre as diferenças de brasileiros e argentinos neste caso, estão os protestos, muito mais intensos por lá, e a solução para o caso, que chegou primeiro no país dos hermanos.
Mesmo com a pressão popular, o Congresso da Argentina aprovou hoje, 19, a proposta de reforma. Houve um longo debate e violentos confrontos entre manifestantes de oposição e a polícia.
O projeto, que já havia passado pelo Senado, foi aprovado pela Câmara com 128 votos a favor, 116 contra e duas abstenções, depois de árduas negociações políticas do governo para conseguir apoio a um proposta que reduzirá os aumentos previstos para os aposentados.

(Foto: reprodução)

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