Por votos anti-PT, Ciro prioriza Rio e São Paulo

Ciro nas ruas de Osasco (SP). Foto G1 - Tatiana Santiago.

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) focou sua agenda em São Paulo e no Rio de Janeiro no primeiro mês oficial de campanha e está agora começando a aparecer nas propagandas de TV e rádio de candidatos do partido aos governos. A estratégia é impulsionar o nome do ex-governador para conquistar votos de eleitores da centro-esquerda e até antipetistas e permanecer colado em Fernando Haddad (PT)nas pesquisas eleitorais.
No último Datafolha, divulgado na sexta-feira (14), o pedetista e o petista têm 13% das intenções de voto. No Sudeste, Ciro está tecnicamente empatado com Haddad, mas numericamente na frente com 12% de intenções de voto, enquanto o petista tem 10%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Em um mês de campanha, Ciro visitou São Paulo em 14 dias e passou pelo Rio de Janeiro em outros quatro. O estado de SP é o maior colégio eleitoral do país, com 33 milhões, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Já o Rio tem mais de 12 milhões de eleitores. O Brasil tem 147 milhões de cidadãos aptos a votar.
Segundo Carlos Lupi, presidente do PDT e um dos coordenadores da campanha de Ciro, a ideia é se aproveitar da base maior de “rejeição a Haddad no Sudeste”. “O desafio é conseguir os votos que não são petistas e lulistas, mas ter voto dessa base que gosta de PT”, além de atrair, sem ser de direita, “quem não gosta do PT.” *Com informações UOL.

Comentários

De olho no 2° turno, Haddad nega indulto Lula

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta terça-feira, 18, que não vai dar indulto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato. “Lula é o primeiro a dizer que não quer favor, quer reconhecimento do erro do Judiciário”. Pressionado, Haddad, pela primeira vez, negou: “Não. Não ao indulto”, disse, em entrevista à Rádio CBN e ao portal G1.
Mesmo que fosse o desejo de um novo presidente da República, Lula tem o caminho para receber um indulto atualmente impedido por quatro pontos de uma decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em março, Barroso tornou sem efeito quatro pontos do decreto de indulto de Natal assinado pelo presidente Michel Temer, em 2017. A decisão de Barroso é liminar e ainda precisa ser referendada pelo plenário do Supremo. Neste caso o colegiado da Corte decidirá sobre o mérito do caso, confirmando ou não o entendimento do ministro. Para tanto, a questão deve ser pautada pelo presidente do STF, Dias Toffoli. Questionado se colocaria Lula em um ministério, Haddad desconversou. “Acho essa pergunta muito pequena para um cara da estatura do Lula. Ele só aceitou ser ministro da Casa Civil (em 2016) porque estávamos prevendo que um golpe de Estado aconteceria como aconteceu”, disse, em relação ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. *Com informações da CBN, G1 e Estadão.

Comentários

Toffoli cá, Haddad lá – campanha ganha movimento para soltar Lula em 2019

Foto Twitter.

Toffoli cá, Haddad lá – movimento para soltar Lula em 2019
Eleição do petista seria a porta aberta para a volta ao poder do ex-presidente (*)
Nenhum candidato diz isso claramente, mas a posse do ministro Antonio Dias Toffoli na presidência do Supremo Tribunal Federal reforça um discurso crescente na campanha eleitoral: o de que a eleição do petista Fernando Haddad seria a porta aberta para a volta ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva.
Os dois movimentos, Toffoli no STF e o crescimento de Haddad nas pesquisas (8% pelo Ibope), convergem na mesma direção: a desconfiança de que Lula será solto de alguma forma em 2019.
A intenção de Toffoli é pôr em pauta no plenário, logo no início do ano, a prisão após condenação em segunda instância. A antecessora Cármen Lúcia encerrou seu mandato cumprindo a promessa de não fazê-lo. Toffoli o fará. Como a última decisão sobre a questão foi por um único voto, não é impossível mudar.
E Haddad presidente seria não apenas Lula dando as cartas, como a possibilidade real de soltar Lula por indulto. Aliás, ele ou Ciro Gomes (PDT), que já admitiu publicamente a hipótese durante a campanha.
Há, porém, outros aspectos a serem considerados nos dois casos. Um deles é que, não raro, as pessoas se superam ao assumir imensos desafios e prezam, antes de seus compromissos políticos ou partidários, o seu próprio nome e a sua imagem para a história.
Toffoli, 50 anos, é o mais novo presidente da história do Supremo. Sua nomeação por Lula como ministro da Corte causou surpresa, perplexidade e crítica, não só pela idade, mas porque ele fora reprovado em duas provas para juiz, não era um nome brilhante no meio jurídico e tinha como credenciais ter sido advogado do PT, assessor da Casa Civil de José Dirceu e advogado-geral da União de Lula.
Toffoli, porém, de bobo não tem nada. Ao assumir a cadeira, informou-se, aproximou-se dos colegas, ganhou passe livre no gabinete de Gilmar Mendes, nomeado por FHC, identificado com o PSDB e considerado, goste-se ou não dele, um dos mais preparados e técnicos ministros do Supremo.
Foi assim também, na busca de reconhecimento e de negociação com os extremos, que Toffoli saiu do seu gabinete no STF, cruzou o Eixo Monumental e foi até o Quartel General do Exército conversar com o comandante, general Eduardo Villas Bôas.
Saiu dali com o nome do respeitado general Fernando de Azevedo e Silva para sua assessoria especial na presidência.
Gesto inteligente, sobretudo num momento em que o comandante do Exército alerta para a legitimidade do próximo presidente da República, o candidato líder nas pesquisas é um capitão reformado e seu vice é um general de quatro-estrelas que acaba de deixar a ativa. Sem maldade, apenas como constatação, Toffoli atraiu o “inimigo” para bem perto dele. E tem um canal direto com as Forças Armadas.
Quanto a Haddad: ele assumiu simultaneamente a candidatura pelo PT e uma vaga no “segundo pelotão”, aquele que disputa chegar ao segundo turno contra Jair Bolsonaro (PSL). E, assim, passa a ser alvo natural de todos os demais concorrentes, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva.
A diferença é que Ciro disputa o espaço de esquerda diretamente com Haddad e não pode bater em Lula, para não afugentar votos principalmente do Nordeste, onde já lidera com 18%. Marina bate na polaridade PT x PSDB e Alckmin não tem restrições, está livre para bater. No seu discurso, Bolsonaro é “passaporte para a volta do PT” e Haddad, para a volta de Lula.
Logo, os três procuram uma brecha ao centro para furar o embate Bolsonaro-Haddad, que caracteriza a chegada da direita radical ou a volta do PT, Lula e Dilma. Em suma, Ciro, Alckmin e Marina são os candidatos do mesmo partido, o “voto útil”.
*Artigo de Eliane Cantanhêde, publicado jornal no O Estado de S.Paulo

Comentários

Oficializado candidato, Haddad vira alvo de Ciro

A possibilidade de crescimento das intenções de voto do petista, principalmente nos Estados nordestinos, onde Lula e o PT têm mais força eleitoral, causou uma inflexão no comportamento de Ciro.
Em ato público em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde Luiz Inácio Lula da Silva está preso desde abril, o PT anunciou, nesta terça-feira (11/09), publicamente a candidatura presidencial de Fernando Haddad em substituição ao ex-presidente, enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Pela manhã, antes mesmo de ser confirmado, Haddad foi alvo de críticas do agora concorrente Ciro Gomes (PDT), com quem disputa o espólio eleitoral de Lula, principalmente no Nordeste.

A 26 dias da eleição, Haddad inicia oficialmente a campanha presidencial com 8% das intenções de votos, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta terça. O petista está empatado tecnicamente com Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede), ambos com 9%; e Ciro Gomes (PDT), que registrou 11%.

A possibilidade de crescimento das intenções de voto do petista, principalmente nos Estados nordestinos, onde Lula e o PT têm mais força eleitoral, causou uma inflexão no comportamento de Ciro, que também busca conquistar eleitores inclinados à esquerda e na região.

Nesta terça pela manhã, ao cumprir agenda de campanha em Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, Ciro já deu sinais de como pretende se comportar na disputa direta. Ele foi aconselhado a questionar a experiência administrativa do petista e o desempenho eleitoral de 2016 sem tecer críticas pessoais a Haddad, com quem tem relações de amizade.

Em Taboão da Serra, o pedetista criticou o desempenho eleitoral de Haddad e a postura do PT de insistir na candidatura de Lula à Presidência. Ao discursar, lembrou a campanha de 2016, quando o então prefeito da capital paulista e candidato à reeleição Fernando Haddad foi derrotado no primeiro turno para João Doria (PSDB).

“Eu e Lula apoiamos o Haddad em 2016 e tivemos uma decepção profunda, já que ele perdeu no primeiro turno para o Doria e perdeu para os votos brancos e nulos. Isso não desqualifica o Haddad. Gostaria de tê-lo como vice em outra configuração. Mas ele sai muito fragilizado”, afirmou o pedetista.

Em outro momento, sem mencionar o nome de Haddad, Ciro condenou a cúpula do PT. “Eles incitaram frações importantes do nosso povo que quer bem o Lula para tentar manipular este sentimento e lançar uma pessoa que talvez tenha dificuldades para interpretar com fidelidade aquilo que o Brasil precisa agora”, disse.

Ciro também afirmou que a esquerda do país já está dividida. “Nós já estamos divididos, porque não aceito a imposição da cúpula do PT. Eu fui convidado para exercer este papelão aí, de ser vice de ataque e amanhã ser escolhido na frustração do povo diante da não candidatura de Lula. Não é assim que se constrói uma liderança”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários

Campanha na TV é a ‘bala de prata’ de Alckmin

Foto divulgação campanha de Alckmin

Um copo de leite que representa o desemprego é perfurado à bala. Em seguida, surgem novos projéteis. Atravessam uma jarra com água onde se lê falta de saneamento, uma fileira de livros que destaca a palavra analfabetismo, uma bolsa de sangue retratando as filas da saúde, um melão que apresenta a fome. Em seguida, uma nova bala, que para a centímetros da cabeça de uma criança e se dissolve na mensagem: “Não é na bala que se resolve.” A primeira propaganda divulgada pela campanha de Geraldo Alckmin(PSDB), uma paródia de uma campanha pelo desarmamento britânica, é um recado velado a um de seus principais alvos: o extremista Jair Bolsonaro (PSL). É dele que o tucano pretende roubar eleitores de direita, que ainda não estão tão seguros se darão, de fato, seu voto ao militar. Para isso, o tucano confia no que acredita ser sua bala de prata: o tempo de TV.
Com nove legendas em sua coligação, a maior dentre todos os presidenciáveis, Alckmin garantiu 5 minutos e 32 segundos a cada programa eleitoral de rádio e TV. Uma vantagem que ele pretende explorar nas próximas cinco semanas para tentar desfazer as amargas estatísticas que o cercam até o momento: 6% dos eleitores afirmam ter intenção de votar nele, segundo o último Datafolha, e 82% dos brasileiros acreditam que ele ainda segue em sua rotina de governador, apesar de ter deixado o comando do Governo de São Paulo há quase cinco meses, destacam sondagens internas tucanas.
A afirmação de que a campanha só começa após o início do horário eleitoral virou um mantra na campanha tucana, e Alckmin o repete sempre que questionado sobre o mau desempenho nas pesquisas. O primeiro desafio dele é ultrapassar Bolsonaro. Confia, para isso, em dados como o do último levantamento do site Poder360 onde apenas 8% dos eleitores do militar afirmam que votariam “com certeza” nele. Outros 17% dizem que “poderiam votar”. Bolsonaro é ainda o mais rejeitado pelo eleitorado —39% diz que não votaria nele de jeito nenhum; entre as mulheres, a taxa sobre para 43%, aponta o último Datafolha.
Antes de partir para o ataque, contudo, o PSDB deve aproveitar o horário eleitoral para apresentar seu candidato na esperança de motivar a população a votar. A primeira propaganda, que foi ao ar na tarde deste sábado, procurou humanizar Geraldo, um homem “que entrou na política porque gosta de cuidar dos outros”. Apresentou ainda fotos históricas da vida pessoal e política do tucano e depoimentos de médicos e amigos sobre seu trabalho. “Não dá para errar de novo”, dizia seu jingle, ao mostrar uma foto discreta de Bolsonaro.
As pesquisas internas da campanha também apontam desilusão no eleitor, que precisa ser convencido a deixar a própria casa no dia da eleição. Quando chegar a hora de atacar Bolsonaro, os tucanos têm certeza de pelo menos uma de suas estratégias. A campanha de Alckmin submeteu o embate no debate da RedeTV!entre a ex-ministra Marina Silva (Rede) e o deputado do PSL, em que a candidata colocou em xeque a postura machista do oponente, a um grupo focal. E 100% dos participantes apontaram vitória da candidata da Rede. Essa informação será usada na hora de machucar a imagem de Bolsonaro, especialmente entre as mulheres, tentando aumentar ainda mais a rejeição a ele neste grupo. Por isso, o tucano abriu seu primeiro programa com a narração de uma mulher negra afirmando que “não dá para votar com raiva”.
Campanhas falhas
O histórico recente das campanhas tucanas, entretanto, não é bom. A última realmente efetiva no contexto presidencial foi a de José Serra, em 2002. Na ocasião, o candidato tucano tirou o segundo lugar nas pesquisas de Ciro Gomes, então no PPS, em apenas 20 dias de propaganda eleitoral gratuita. Serra começou seu programa expondo uma gravação em que Ciro chamava um ouvinte de “burro”, mas, apesar de levá-lo ao segundo turno, as estratégias não foram suficientes para impedir a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva naquela eleição. E nas últimas três eleições, as campanhas do PSDB só se destacaram pelas suas falhas. Em 2010, por exemplo, usou favelas cenográficas na campanha de Serra. Liderados pelo marqueteiro Luiz Gonzalez, os tucanos se defenderam das críticas depois alegando que a legislação eleitoral proibia a exibição de cenas externas nas inserções, mas o estrago estava feito. Desta vez, a estratégia está nas mãos de Lula Guimarães, que ajudou a eleger João Doria (PSDB) à Prefeitura de São Paulo, em 2016, e cuidou da campanha de Marina Silva em 2014.
Em março deste ano, quando ainda não tinha assumido a campanha de Alckmin, Guimarães disse em entrevista que “o eleitor brasileiro deve estar em busca de um candidato que possa oferecer uma certa segurança, ou seja, a possibilidade de governar com responsabilidade, saber lidar bem com o Congresso, saber da gestão pública”. “Provavelmente um candidato muito inexperiente não sobreviva aos argumentos apresentados por outros candidatos”, comentou o marqueteiro, que também destacou a necessidade de o presidenciável não ter muito envolvimento com corrupção, apesar de os últimos escândalos terem deixado o eleitor mais leniente em relação a esse tema.
Neste ano, os tucanos montaram a maior coligação exatamente por apostar na força da campanha. de televisão. Além dos 5 minutos e 32 segundos por programa eleitoral, a reunião de nove partidos por meio de entendimento com o Centrão dará a Alckmin direito a 434 inserções de 30 segundos a serem distribuídas ao longo da programação de rádio e televisão durante os 35 dias de eleição. Desde 1994, os detentores dos dois maiores tempos de TV ou ganharam a eleição ou foram para o segundo tuno. Em 1989, o hoje senador Fernando Collor (PTC-AL) passou para o segundo turno com metade do tempo de propaganda dos dois candidatos mais destacados, mas, assim como todos os nanicos daquela eleição, ele tinha expressivos cinco minutos para falar.
Para se ter uma ideia da expressividade da exposição de Alckmin ao longo do horário eleitoral, a segunda candidatura com maior tempo é a do PT, com 2 minutos e 23 segundos de programa e 189 inserções. O terceiro lugar entre os tempos de propagada é do ex-ministro Henrique Meirelles ((MDB), com 1 minuto e 55 segundos e 151 inserções. Se Meirelles seguir o tom de sua campanha virtual, será um dos maiores críticos de Bolsonaro na televisão. O senador Alvaro Dias (Podemos-PR), que se apresenta como candidato anticorrupção e maior defensor da Operação Lava Jato, terá 40 segundos e 53 inserções; Ciro Gomes (PDT) vem com 38 segundos e 51 inserções; e Marina Silva, 21 segundos e 29 inserções.
Redes sociais
Neste ano, a expectativa sobre o impacto das redes sociais na campanha está maior do que nunca, ainda que os especialistas ainda não ousem botar em questão a vantagem da exposição no horário gratuito. Líder nas pesquisas sem Lula, que agora está oficialmente fora da disputa, Bolsonaro terá apenas 8 segundos de programa e 11 inserções. O tempo é tão curto que ele já avisou que, durante o programa, pretende chamar os telespectadores para a Internet, onde terá mais tempo para falar por meio de transmissões ao vivo.
Ao contrário de Bolsonaro, que tem 5,6 milhões de seguidores no Facebook, Alckmin não tem uma infraestrutura virtual capaz de acompanhar o poder televisivo de sua coligação — na mesma rede, o perfil do tucano tem apenas 935.000 seguidores. Na semana passada, seus assessores publicaram uma nota de esclarecimento após o Estado de S.Paulo noticiar trocas na equipe responsável pela gestão das redes sociais da campanha, cujos resultados não estariam agradando. “A coordenação de comunicação da campanha de Geraldo Alckmin esclarece que Marcelo Vitorino continua como responsável pelas ações de estratégia na área digital, agora com foco na mobilização, que tem como um dos objetivos combater notícias falsas e boatos disseminados em redes sociais e veículos de comunicação, arma prioritariamente utilizada pelos adversários”, dizia a nota.
Independente da razão da mudança na campanha de Internet, o desempenho recente de Alckmin nas redes sociais não é nada bom. Desde o dia 1º de maio, o tucano amarga tímidas derrotas diárias em seus perfis, perdendo mais seguidores do que ganha em boa parte dos dias. As perdas acabaram revertidas no balanço dos três últimos meses (maio, junho e julho), que registram um crescimento de 12.146 fãs no Facebook. Para se ter uma ideia da distância de Alckmin nesse terreno para alguns de seus concorrentes, Bolsonaro ganhou 291.496 fãs no mesmo período, e João Amoêdo (Novo), o candidato que mais cresceu nas últimas semanas, somou mais 1.150.981 seguidores em sua página.
*Conteúdo El País – reportagem Rodolfo Borges.

Comentários

Campanha de Bolsonaro tem tudo para dar errado. Talvez por isso esteja dando certo até aqui

A frase, do candidato ao Senado Major Olímpio (PSL-SP), resume talvez à perfeição a mais inusual campanha política majoritária da história: a de Jair Bolsonaro a presidente. Veja abaixo detalhes na matéria do repórter Igor Gielow, publicada no jornal Folha de S.Paulo.
Totalmente descentralizada, sem tesoureiro ou marqueteiro formais, a estrutura do presidenciável do PSL está coalhada de intrigas, desavenças e instâncias concorrentes de decisão. Uma confusão, como define com termo menos publicável outro membro de destaque da trupe, que pede para não se identificar.
Ao fim, quem tem a palavra definitiva da campanha é Bolsonaro, que percorre há mais de dois anos o país e as redes sociais instilando sua mensagem, com sucesso revertido no primeiro lugar das campanhas sem Lula (22% no mais recente Datafolha).
“O zero-um é quem decide”, diz Olímpio, presidente estadual do PSL paulista, usando a sigla policialesca para o chefe de uma unidade militar. Os zeros seguintes na estrutura são os filhos de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo (PSL-SP), o vereador carioca Carlos (PSL) e o deputado estadual Flávio (PSL-RJ).
Eduardo e Flávio são estrategistas políticos e transmitem as ordens do pai. Não sem ruídos, já que o presidenciável costuma discordar deles.
Só silencia quando o outro filho, Carlos, fala grosso.
Chefe da estratégia digital vitoriosa até aqui do pai, ele é a mão forte invisível da empreitada ao Planalto. A mulher de Bolsonaro, Michelle, divide com ele o papel de “firewall”: controla quem tem acesso ao recesso do lar do presidenciável no Rio de Janeiro.
Ela veta a presença de políticos na casa da família, num condomínio de luxo na Barra (Rio). Na terça passada (28), por exemplo, Bolsonaro preparou-se para a entrevista no Jornal Nacional da Rede Globo na casa de Carlos, que mora no mesmo condomínio.
Ainda assim, para irritação de muitos aliados do polêmico candidato, o acesso a Bolsonaro tem barreiras adicionais.
A primeira, fora do quartel-general familiar, é o núcleo partidário. Gustavo Bebianno, o advogado de Bolsonaro no processo em que ele é réu por ter dito que não estupraria a petista Maria do Rosário, virou presidente interino do PSL por ordem do presidenciável e assumiu o papel de cão de guarda dele.
Na tarde da entrevista da Globo, ele vetou a presença de aliados na casa de Carlos.
“Não é uma campanha comum”, admite Letícia Catel, secretária-geral do PSL em São Paulo. Amiga de um curso de pós-graduação de Eduardo e, como ele, praticante de tiro, ela emergiu como eminência parda no entorno do candidato.
“Falo diretamente com o Jair, mas é tudo de forma orgânica. Ajudo a coordenar a campanha em São Paulo”, afirma. A agenda de Bolsonaro, por sua vez, é tocada pela mulher de Bebianno, Renata —com supervisão de Michelle.
Letícia negociou em nome do candidato participações em debate e protagonizou um bate-boca de rede social com uma jornalista, mas nega ser uma assessora. “Não existe ninguém que possa dizer que assessora o candidato. Nada é oficial, eu não ganho um centavo”, afirma.
Olímpio e Luiz Antonio Nabhan Garcia, o presidente da UDR (União Democrática Ruralista) e um dos principais conselheiros de Bolsonaro, a desautorizam. “Ela não fala pelo partido, não é minha escolha no PSL-SP. Se falar, passa por cima de mim”, diz o candidato a senador. “Infelizmente, isso acontece em campanhas. Mas ela não é da coordenação”, afirma o ruralista.
Ambos, contudo, elogiam Bebianno, que esteve em conflito no mês passado com o QG da família pela questão da participação ou não em debates. Houve uma pressão, coordenada por aliados mais moderados do grupo, para que o general da reserva Augusto Heleno assumisse a coordenação da campanha.
Bolsonaro manteve Bebianno, negou publicamente a crise, e seus filhos ordenaram o fim da querela. As críticas acabaram focadas em Julian Lemos, vice nacional do PSL, que estava “muito aparecido”, como diz um integrante do núcleo empresarial da campanha. Com efeito, Lemos se retirou para sua campanha a deputado pelo PSL-PB. Ele e Bebianno não concederam entrevistas.
Essa facção do empresariado acompanha a escalada de Bolsonaro há tempos. Seus dois primeiros apoiadores explícitos foram Fábio Wajngarten e Meyer Nigri, expoentes na comunidade judaica paulistana. O primeiro tem uma empresa de análise de mídia e auxilia nos contatos do presidenciável na área, além de ajudar na sua comunicação.
Wajngarten reconhece dispersão na campanha. “Se você busca um objetivo, o planejamento é imprescindível”, afirma. Já Nigri está recluso desde que surgiu como apoiador de Bolsonaro: dono da construtora Tecnisa, ele foi fustigado por pares mais alinhados com o PSDB.
Outros empresários, a partir de um café da manhã de 62 deles com Bolsonaro em 10 de agosto na casa de Wajngarten, saíram do armário. “Nunca saí de um encontro com político sem que me pedissem dinheiro”, disse Sebastião Bomfim, dono da rede Centauro. Gente de varejo, como Luciano Hang (lojas Havan) e Mário Gazin, do grupo homônimo, declararam voto a Bolsonaro.
“Não temos dinheiro. Sou tesoureiro estadual do PSL em São Paulo, mas na prática faço de tudo”, afirma Victor Metta, um advogado que fazia parte de um grupo de entusiastas de direita com Letícia Catel e outros, que hoje são voluntários da campanha.
Metta diz que não tem tem nem o que declarar ao TSE por ora. A candidatura recebeu R$ 9,2 milhões do fundo criado para as eleições, mas ninguém sabe como o dinheiro será repartido de fato.
Essa opacidade ainda pode se voltar contra Bolsonaro, que faz publicidade de sua alegada independência de financiadores tradicionais.
O discurso de que “estou fazendo por amor”, ou “sou voluntário” permeia quase a totalidade das conversas com apoiadores do deputado. Restará saber se o TSE aceitará passivamente a argumentação.
Na viagem de Bolsonaro pelo oeste paulista, na semana retrasada, Metta diz que “algumas coisas vieram prontas do PSL nacional, outras a gente fez, mas eu tenho de ficar pedindo para pagar tudo o que oferecem para a gente, como carros”.
Essa jornada interiorana, aliás, foi fonte de um estresse razoável no PSL devido à presença da jornalista Joice Hasselmann. Candidata a deputada federal, ela se colocou de forma proeminente nos palanques e entrevistas de Bolsonaro, ganhando a alcunha maldosa de “primeira-dama” por parte de aliados.
“O ser humano é assim, tem ciúme. Eu fui convidada para os eventos”, afirmou Joice. A gota-d’água ocorreu em Araçatuba, no dia 16, quando ela se apresentou como candidata ao governo do estado, sendo imediatamente desautorizada por Olímpio em redes sociais. “Isso é normal, pessoas atravessam o samba em campanhas para querer aparecer. Foi um desatino, mas o episódio está superado”, diz ele.
“O lançamento foi feito por filiados de bom coração e pegou mal. Falei com o Jair, e vou ajudar como mulher forte para trazer votos na disputa”, disse ela, que manteve sua candidatura. Na mesma viagem, teve bem menos acesso a Bolsonaro Janaina Paschoal, que quase foi vice na chapa federal e agora disputa a Assembleia.
1.
Para tentar dar um pouco de coesão programática, nesta semana deverão se reunir integrantes dos núcleos empresarial, de agronegócio e militar da campanha.
Pelo currículo de Bolsonaro no Exército, o último é integrado por pessoas de sua estrita confiança.
À frente de outros militares da reserva está o general Heleno, um respeitado quatro estrelas (topo da hierarquia).
“Faço consultoria e análise, buscando mostrar o que está errado no país. O grande problema é que, com o aparelhamento do Estado ao longo dos anos, os dados não são confiáveis. Então podemos ter uma crise maior ou menor se assumirmos. A essa altura, qualquer plano de governo é farsa.”
Outro general da reserva que colabora é Aléssio Ribeiro Souza. Já o general da reserva Hamilton Mourão virou vice da chapa, mas está distante do centro decisório.
Dão pitacos econômicos no programa de governo os irmãos Abraham e Arthur Weintraub, professores da Universidade Estadual Paulista notórios em sua reclusão.
Mas quem manda no setor é Paulo Guedes, o economista que aderiu a Bolsonaro após o global Luciano Huck dar sinais de que não iria em frente na corrida ao Planalto. Ele trabalha sozinho e sua interlocução é com o QG, trocando ideias eventuais com os núcleos empresarial e militar.
Os evangélicos, usualmente associados a Bolsonaro, são acessados basicamente por meio do senador Magno Malta (PR-ES). O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, casou o presidenciável com Michelle em 2013, mas ela mudou-se para uma denominação batista e a influência do religioso diminuiu.
Essa amálgama tenta colocar Bolsonaro na Presidência. Se terá sucesso, é incerto, mas é inegável que constitui fenômeno inédito em sua desorganização até aqui.

Comentários

TSE quer declaração de bens nos mínimos detalhes

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intimou na noite de ontem (20) todos os candidatos às eleições deste ano, inclusive os 13 candidatos à Presidência da República, a detalharem a declaração de bens, após a Corte recuar de uma simplificação no sistema de declarações para as eleições deste ano.
Na eleição de 2014, ao declarar um bem imóvel, por exemplo, o candidato precisava detalhar além do valor, o tamanho e o endereço, mas neste ano tais informações não estavam sendo exigidas.
No ano passado, o TSE resolveu simplificar o sistema de prestação de informações, com o intuito de torná-lo mais leve e célere, e extraiu os campos de detalhamento na declaração de bens. Com a repercussão negativa da medida, o ministro Luiz Fux, presidente da Corte até a semana passada, decidiu recuar e reincluir os campos no sistema.
Segundo o TSE, a medida tem por objetivo conferir “o maior grau de transparência possível ao processo eleitoral”.
A partir do momento em que foram intimados, todos os candidatos, a todos os cargos, passaram a poder fazer o detalhamento. Ao todo, 27.811 políticos tiveram pedidos de registro de candidatura protocolados no TSE.
Somados somente os candidatos à Presidência da República, o patrimônio declarado neste ano foi de mais de R$ 834 milhões. Os dois mais ricos concentram boa parte dessa quantia: João Amoêdo (Novo), com R$ 425 milhões; e Henrique Meirelles (MDB), com R$ 377,5 milhões.
Neste ano, os candidatos têm permissão, se quiserem, a bancar a integralidade dos gastos de campanha, observados os limites de R$ 70 milhões para o primeiro turno e de R$ 35 milhões para o segundo turno. *Com informações do TSE e Agência Brasil

Comentários

FHC: segundo turno será disputado por Alckmin e Haddad, mas Bolsonaro não pode ser descartado

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse em entrevista ao jornal O Globo desta segunda-feira (20) que Jair Bolsonaro (PSL) “assusta” com suas “soluções simplistas e autoritárias” e que Fernando Haddad (PT) é “visto como marionete do Lula”.
“Não creio que ele [Bolsonaro] tenha a experiência e a visão democrática de aceitar o outro com facilidade. O pior, para mim, é que ele tem soluções simplistas e autoritárias. Eu não acredito nisso. Acredito que as coisas são complicadas e que você precisa convencer. Num país diverso como o nosso, como é que você governa sem capacidade de juntar?”, disse FHC ao O Globo.
Caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha sua candidatura barrada, Haddad deve assumir a chapa com Manuela D’Ávila como vice. Embora mantenha “boa relação pessoal” com Haddad, FHC avalia que ele está sendo visto como “marionete do Lula”. “Um presidente tem que ter força própria para governar”, afirma.
Sobre o segundo turno, o ex-presidente acredita que será disputado por Haddad e Geraldo Alckmin (PSDB), mas reconhece a possibilidade de eventual segundo turno entre o tucano e Bolsonaro.
FHC também disse que gosta de Marina Silva, mas que falta um pouco de “malignidade” à presidenciável. Em resposta, Marina publicou em suas redes sociais que o acordo do PSDB com o centrão tem “excesso de malignidade”.
“Com todo respeito e admiração que tenho por FH, o que trouxe o país à crise atual não foram as boas intenções, mas sim o excesso de malignidade — aliás, muito presente na coligação do candidato tucano”. (Com agências, InfoMoney e o Globo)

Comentários

Os votos de Lula serão herdados por Haddad, Marina, Ciro e Bolsonaro

Se confirmada a impugnação da candidatura do ex-presidente Lula e a eleição fosse hoje, os votos do petista se fragmentariam entre quatro candidatos: Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PSL).
De acordo com uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), Lula, mesmo preso em Curitiba por uma condenação em segunda instância, ampliou sua liderança em relação a maio e tem 37,3% da preferência do eleitorado. Bolsonaro, por sua vez, avançou 2,1 pontos percentuais em comparação a maio e atingiu 18,8% das intenções de voto, uma variação dentro da margem de erro. Marina marca 5,6% e é seguida por Alckmin (4,9%) e por Ciro (4,1%).
O quadro se embola com a saída de Lula do pleito — o cenário mais provável, já que ele está virtualmente enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Dos votos que seriam do petista, 31,3% iriam para brancos e nulos. O maior herdeiro do espólio seria Fernando Haddad, que reúne 17,3% dos votos que iriam para Lula. Marina Silva (11,9%), Ciro Gomes (9,6%) e Jair Bolsonaro (6,2%) também se beneficiariam da saída o ex-presidente do pleito.
A CNT realizou 2.002 entrevistas, em 137 municípios, entre os dias 15 e 18 de agosto. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. A sondagem foi registrada no TSE com o número BR-09086/2018. (Com informações da CNT e agências).

Comentários

ACM Neto é o ‘presidente’ da coligação de Alckmin

O ex-governador Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência nas eleições 2018, nomeou o prefeito de Salvador, ACM Neto, presidente nacional do DEM, como “presidente” da coligação de nove partidos que formam aliança em torno de seu nome ao Palácio do Planalto.
Segundo interlocutores do tucano, o gesto é um afago ao DEM e sinaliza que a sigla terá protagonismo não só na condução da campanha mas também em um eventual governo. Pelo acordo fechado com as legendas do Centrão, o PSDB vai apoiar a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara caso ele seja eleito para mais uma mandato como deputado.
Em entrevistas e discursos, Alckmin tem usado o argumento de que fez a aliança pela governabilidade. O nome de ACM Neto foi protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, o prefeito passou a ser o responsável pela chapa junto ao tribunal.
“Ele (ACM Neto) não é candidato nesta eleição e tem expressão nacional”, disse o deputado federal Silvio Torres (SP), tesoureiro do PSDB. Segundo ele, ACM Neto já era o principal interlocutor de Alckmin junto aos partidos do Centrão.
Com a escolha, o ex-governador atende a um pedido do DEM de retirar na linha de frente da campanha o ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Ex-coordenador político da pré-campanha tucana, Perillo é adversário do senador Ronaldo Caiado (DEM) em Goiás. A exigência foi colocada na mesa de negociação com os partidos do Centrão.
Após ser pressionado pelos partidos da coligação para abrir espaço na coordenação de sua campanha, Alckmin decidiu criar um conselho político. A medida será anunciada em uma reunião nesta terça-feira, 14, em Brasília. Perillo será o representante do PSDB no colegiado, que também contará com os presidentes do PR, PP, Solidariedade, PRB, PPS, PSD e PTB.
Programa. O PSDB pretende apresentar na semana que vem um documento de 60 páginas que será o plano de governo Alckmin. O texto foi produzido por um grupo de especialistas em várias áreas e não foi submetido aos partidos do Centrão, o que gerou reclamação dos aliados.
Para contornar o mal-estar, a campanha de Alckmin adiou a divulgação do programa que deveria ter sido lançado na convenção tucana, que ocorreu no sábado, 4, em Brasília. A ideia agora é que os dirigentes dos partidos aliados elaborem as metas do programa de governo.
Bolsonaro. Além da ocupação de espaços na campanha, a estratégia de Alckmin no primeiro turno da eleição também será discutida pelos aliados na primeira reunião do conselho político.
Parte do grupo avalia que o tucano precisa adotar um tom mais agressivo e mirar no presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) para conseguir chegar ao segundo turno. O tema também divide auxiliares de Alckmin, que resiste a ideia.
A expectativa de aliados era de que o ex-governador deflagrasse a estratégia durante o primeiro debate entre presidenciáveis realizado nesta quinta-feira, 9, pela da TV Bandeirantes. Para surpresa até se deu entorno, Alckmin evitou o confronto, poupou Bolsonaro e direcionou a maioria das perguntas para a ex-ministra Marina Silva. *Com informações do jornal O Estado de S.Paulo.

Comentários

Ir ao topo da página