Bolsonaro é esfaqueado em ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Veja o vídeo

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) foi retirado às pressas de um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), depois de ser esfaqueado. A informação foi confirmada por um de seus filhos.

Jair Bolsonaro sofreu um atentado agora em Juiz de Fora, uma estocada com faca na região do abdômen. Graças a Deus, foi apenas superficial e ele pesa bem. Peço que intensifiquem as orações por nós!
Segundo seu filho, o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o presidenciável “sofreu um atentado” com “uma estocada com faca na região do abdômen”, e passa bem. De acordo com o parlamentar, o ferimento “foi apenas superficial”. “Peço que intensifiquem as orações por nós!”, escreveu, em postagem no Twitter.
A Polícia Militar de Juiz de Fora também confirmou o esfaqueamento, que aconteceu na rua Halfeld, no centro da cidade. A corporação disse que um homem suspeito do crime foi preso em flagrante e levado para a superintendência da Polícia Federal na cidade mineira para prestar esclarecimentos.
Em imagens divulgadas em redes sociais, o deputado federal aparece sendo carregado por outros homens. Depois de ser tocado pelo objeto, enquanto está no meio de apoiadores, Bolsonaro faz expressão de dor.

Pelo Twitter, outro filho do presidenciável, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), disse que recebeu informações “preliminares” e disse que, neste tipo de situação sempre há muita notícia desencontrada.
“Mas chegou a mim que Jair Bolsonaro foi esfaqueado num evento em MG, mas está fora de risco de morte”, escreveu.
O superintendente de Investigação e Polícia Judiciária da polícia Civil de Minas Gerais, Carlos Capristrano, disse que os policiais tiveram dificuldade em retirar o suspeito do crime do local porque apoiadores de Bolsonaro tentavam agredí-lo.
“A informação que obtive do local é que a polícia teve dificuldades em tirar o suspeito da área porque muitos apoiadores queriam linchar o rapaz”, afirmou o delegado.
Mais cedo, o próprio deputado federal falou sobre o seu “aparato de segurança”. “Todos que estão comigo são da Polícia Federal e são voluntários. Até vocês que não integram ou nunca integraram forças de segurança, como civis, colaboram nesse momento porque os senhores querem em grande parte ver mudar o nosso Brasil”, declarou, a apoiadores.
*Com informações do UOL (Gustavo Maia, Luciana Amaral e Leandro Prazeres)

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“Enquanto os ratos roem o poder, a multidão sofre”

Foto Gerard Glaumed - Divulgação

Há um Brasil que preferia que Gilberto Gil, um dos gênios música popular brasileira, com mais do meio século de carreira artística nas costas e forte projeção mundial, se mantivesse mudo. Ele próprio denuncia isso em sua canção OK, OK, OK, que abre o novo disco com 12 composições inéditas. Será lançado em 17 de agosto, e é mais que uma canção. Poderia ser uma confissão ou um testamento. Num brilhante texto para o jornal El País, o jornalista Juan Arias apresenta o novo disco e o olhar do inquieto Gil para o Brasil que estamos vivendo. Continue lendo.
De todas as artes, poucas são tão capazes quanto a música e a poesia de expressar a dor do mundo. Gilberto Gil, que se descreve na canção como “músico e poeta”, nela retrata o sofrimento e a convulsão que a sociedade brasileira está vivendo. Descreve o momento atual como “vil situação”, na qual reinam a penúria, a fúria, o clamor e o desencanto. Uns, diz, pedem-lhe que grite, outros que fique quieto e mudo. Uns que seja seu herói, que resolva tudo, que seja solidário com o sofrer do pobre. Os que o preferem mudo, diz, aderem ao coro irado dos que o ferem com ódio e terror.
O que fazer? Falar ou calar-se? Gilberto Gil é um desses artistas que sofreram as sombras da ditadura e do exílio. Tiveram que aprender, para burlar a censura, a dizer sem dizer. A sugerir. Hoje, o músico tropicalista não vive banido nem em um regime opressor ou com censura. Entretanto, em sua dolorida canção quis usar também o paradoxo. Diz: “Então não falo, músico e poeta, me calo sobre as certezas e os fins. Meu papo reto sai sobre patins a deslizar sobre os alvos e as metas”. Mas ao final de fato fala, de forma clara e dura. Aos que o prefeririam calado, canta: “Enquanto os ratos roem o poder, os corações da multidão aos prantos”. E vai além. O músico sabe que essa multidão aos prantos está voltando à pobreza, que os sem-poder vão ficando cada vez mais isolados nas sarjetas, que os mais desamparados estão perdendo a batalha. E chega a escandalizar ao dizer que esses pobres hoje são tratados pior do antigamente se tratavam os animais. “O nobre, nobre mesmo, amava os seus, prezava mais o zelo e a compaixão, tratava seu vassalo com afeição, a mesma que pelo cão e o cavalo.” E hoje?
“Pensei, pensei, pensei, pensei. Palavras dizem sim, os fatos dizem não.”
Com esses dois versos finais, Gilberto Gil diz tudo sobre o Brasil político de hoje, em que os fatos tantas vezes acabam desmentindo as promessas.
Deve ter pensando o poeta que sua canção sairia perto da feira livre da propaganda eleitoral de rádio e televisão de uma das eleições presidenciais mais difíceis e perigosas da democracia brasileira. Nela, as palavras de muitos políticos, de todas as cores, segundo o músico, dirão sim a tudo. Sim às melhoras na saúde, na educação, na cultura, no transporte públicos, sim à luta contra a violência e contra a corrupção, contra as desigualdades sociais, a favor dos valores democráticos. As palavras e as promessas serão todas e sempre, sim. E os fatos? Esses mesmos políticos, uma vez eleitos e entronizados em seus privilégios, insinua Gilberto Gil em sua canção, voltarão como ratos vorazes a roer o poder. Encerrada a feira das promessas, desmentirão o que tinham jurado fazer. Enquanto isso, a multidão aos prantos continuará sofrendo como sempre.
Ao final, Gil se esquece de quem o quer mudo e se dirige aos que o preferem mais solidário com o sofrer do pobre. Manda-lhes uma mensagem pessoal: “Espero que minh’alma seja nobre o suficiente enquanto eu estiver vivo”.
Aos que preferiam o grande artista mudo, como nos tempos da ditadura, e até gostariam de apedrejá-lo, é preciso lhes recordar um velho adágio de sua amada Bahia: “As pessoas só jogam pedras nas árvores que dão frutos”.
Continue, Gilberto Gil, gritando sua música e seu compromisso com “as multidões aos prantos”. Para os milhões que nos nutrimos de sua arte, você será sempre um espelho de liberdade e da alegria de viver.

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Rui: foi um dia de trabalho no extremo sul

Em um dia agitado no extremo sul, o governador Rui Costa participou de várias inaugurações, assinou ordens de serviços, entregou veículos para agricultura saúde e segurança, nas cidades de Nova Viçosa e Teixeira de Freitas.

Rui Costa
Rui Costa

Rui encerrou o giro em Teixeira de Freitas, onde entregou à região o Centro Integrado de Comunicações (Cicom), que vai beneficiar as populações de Teixeira de Freitas, Itamaraju, Nova Viçosa, Mucuri, Prado, Medeiros Neto, Alcobaça, Caravelas, Itanhém, Jucuruçu, Ibirapuã, Vereda e Lajedão.

Cicom
Cicom

“Um dia de trabalho. Pela manhã, em Nova Viçosa, obras de estrada, abastecimento de água e agricultura familiar. E agora, em Teixeira de Freitas, obras de esgotamento sanitário, abastecimento de água, inauguração do Cicom e do Disep, além da duplicação da entrada da cidade. Enfim, são muitas obras e muito trabalho. Isso garante melhor infraestrutura e melhores condições de segurança para Teixeira de Freitas”, afirmou Rui.

O Cicom centraliza todas as ligações dos serviços de emergência 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil) e 193 (Bombeiros), nas 13 cidades contempladas. Um efetivo de 18 policiais atuará no Cicom. “Todas as pessoas que ligarem para esses números serão atendidas aqui e daqui faremos o despacho das viaturas. Ou seja, a gente tem uma noção exata de onde as viaturas estão e quais os meios a serem empregados. Todos ganham muito com esse equipamento”, destacou o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa.

Viaturas
Viaturas
Bombeiros
Bombeiros

Ainda em Teixeira de Freitas, o governador inaugurou o 30º Distrito Integrado de Segurança (Disep). Assim como em outros 29 municípios que já possuem a estrutura, o equipamento integra as corporações de segurança. No espaço, com 1,6 mil metros quadrados de área construída, 40 policiais vão atuar e recepcionar a população com mais conforto e agilidade. A obra exigiu um montante de R$ 1,36 milhão. Na ocasião, 17 viaturas foram entregues para a Polícia Militar.

Além da segurança pública, uma das prioridades do Governo do Estado é levar água tratada para os moradores de todas as localidades, principalmente aquelas mais afastadas. Em Teixeira de Freitas, o governador entregou diversas obras que melhoram a distribuição da água. Foram aplicados R$ 2,43 milhões na implantação de adutora; ampliação da casa de bombas; instalação de válvula de retenção; melhorias em estações de tratamento e comportas; e implantação de rede de distribuição.

Rui também assinou ordem de serviço para a construção da segunda etapa do esgotamento sanitário do município, no valor de R$ 6,7 milhões. Outro documento garantiu o início imediato das obras de duplicação da BA-290, no trecho de travessia urbana de Teixeira de Freitas, com R$ 6,3 milhões em investimentos.

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Doença falciforme, da angustia à ação

Vivi por muitos anos na sombra desta  patologia sem que ninguém precisasse saber os motivos das minhas limitações, a não ser meus médicos, minha família e os amigos mais íntimos.

Em 18 de maio de 2011 experimentei um desses ritos de passagem na vida, que nos torna mais forte, mais madura e consciente de nossas limitações e também de nossas possibilidades. Vitimado pela doença, meu irmão faleceu aos 35 anos, depois de ter passado cinco meses no hospital,  lutando com as consequências da Doença Falciforme (conhecida também como anemia falciforme). O choque pela morte de alguém tão próximo e querido, padecendo sob a mesma patologia, mexeu com minha cabeça, ao ponto de eu não conseguir pensar em outra coisa. Quando seria minha vez? Teria forças para resistir? De que maneira continuar a incessante lutando pela vida? Será que iria ver meu filho crescer?

Esses questionamentos passaram a me preocupar e a preencher minhas horas de reflexão. Senti a necessidade de dialogar com todos sobre a doença. Daí, criei uma canal no youtube e uma página no Facebook (Energia Falciforme), para transformar em vontade de viver o que poderia ser somente pessimismo, auto-compaixão e conformismo. Todos podem visitá-la e interagir com página. Afinal, é um espaço aberto para dialogar sobre a Anemia Falciforme e suas consequências. Também ingressei na ABADFAL (Associação Bahia de Pessoas com Doença Falciforme), como uma forma de unir forças.

Falar sobre minha patologia, entrar na ABADFAL e conhecer outras pessoas que sentem as mesmas coisas que eu, foi um divisor de águas na minha vida. Aceitar que a doença  existe foi e é de total relevância, mas não posso deixar que isso se torne a penitência da minha vida, como também não posso ignorar a sua existência.

Em se tratando de doença falciforme, cada um vai saber o seu limite, até onde se pode ir para tentar evitar uma crise de dor e/ou infecções.
Tem limitações que não tenho como saber, mas enfrento, atiro no escuro, pois não quero deixar de aproveitar a vida.
Muitas vezes a crise vem sem ter porquê e nem pra quê (aí é que dar raiva, uma revolta latente, que temos que superar a cada crise. Estava me cuidando direitinho, por que estou com essa dor?
Por muito tempo questionei Deus por isso. Mas, reuni fé e força para me aceitar do que jeito que sou. Afinal,  Deus  deve ter seus motivos, a presença Dele é tão viva no meu coração que não me permito mais tal questionamento. Se é pra eu passar por certas dores, é porquê Ele quer que eu seja forte. E é assim que vai ser, serei forte!
Aprendi isso na infância e carrego essa força comigo sempre.
Quem sou eu para questionar a dádiva de viver?? Eu quero é vida!!! Se para isso for preciso algumas vezes parar tudo e entrar num contexto  de dor física e emocional e depois voltar…Eu vou e volto!
E cada vez, volto emocionalmente mais forte, achando a vida cada dia mais linda, e com uma enorme vontade de fazer com que todas as pessoas que tenham DF e que seus parentes/amigos também sintam essa força.
Uma boa autoestima, a força de vontade e a fé, são ferramentas que andam comigo.
Essas três palavras me ajudaram a concluir o ensino médio e a faculdade, confesso que não foi nada fácil, mas foram etapas vencidas.
Essas três palavras fizeram de mim uma adolescente quase como qualquer outra, freqüentei festas.. festas…muitas festas, mas sem colocar uma gota de álcool na boca (mesmo os médicos dizendo que um pouquinho socialmente, não teria problema). Namorei… paquerei, curti a vida como uma jovem comum, apesar  das internações e crises de dor crises que a anemia falciforme me impunha.

Com o tempo os médicos e sua equipe acabam se tornando amigos de verdade, pela frequência em clínicas/hospitais/emergências/UPAS.

Sentir dor não é fácil, ser arrancado de sua rotina e de momentos especiais para passar alguns dias sofrendo em hospital é muito difícil, mas é preciso continuar e tentar tirar alguma coisa boa dessa dor e é por isso que digo que a DF, extraiu de mim sentimentos como; amor,compaixão,fé e perseverança.

A vida me fez nascer com doença falciforme, mas em contrapartida ela me deu uma mãe heroína e me deu uma família que tenho orgulho e amigos verdadeiros.

A DF me fez repeti de ano uma vez para que eu conhecesse as melhores amigas do universo, selecionou os melhores amigos e selecionou o amor verdadeiro.
Tento sempre ver o melhor que a vida me oferece, por isso que digo que não tenho hemácias em forma de foice correndo nas minhas veias, e sim meia Lua. Será que é por isso que eu sou tão apaixonada pela Lua?!!
Não é por acaso que o maior presente da minha vida, meu filho, se chama Luan.

Sim, tenho Doença Falciforme, que procuro transformar em Energia, para prosseguir na incessante luta pela sobrevivência e pela vida normal. Temos que tentar transformar a nossa anemia em energia, para que possamos energizar e embelezar nossa vida.

* Luciana Serafim é contadora e portadora de anemia falciforme

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BOLSONARO 2018

Pré candidato a presidente da república representa para alguns o “novo”, outros o chamam de Trump brasileiro, ex-militar, defensor da moral e dos bons costumes, faz parte da bancada da arma e da bala, nacionalista, misógino e sua novidade é a recente filiação ao Partido Liberal. Liberdade questionada, se tratando de Bolsonaro, sua grande missão é equilibrar seu discurso convencendo o setor empresarial e social que o militar não é um radical ou um falastrão, temem as surpresas caso Bolsonaro seja eleito, entretanto, conquista com facilidade o público das redes sociais, mas enfrenta resistências com os Progressistas, Defensores dos Direitos Humanos e sua futura equipe econômica é objeto de desconfiança do mercado financeiro.

Sua zona de conforto é falar sobre segurança pública, combate a corrupção e temas que agradam os  conservadores, o discurso utópico do uso de arma de fogo é também um tema que o aproxima do seu eleitorado.  Bolsonaro entende que a violência é assunto que faz parte do cotidiano da sociedade e propõe soluções simples para problemas complexos.

Ainda não é possível analisar a capacidade de convencimento, argumentação e crescimento nas pesquisas de Jair Bolsonaro, contudo é fato que a sua candidatura é irreversível e seus eleitores são muitos nas ruas, nos grupos de WhatsApp e Facebook. Bolsonaro segundo a pesquisa Datafolha divulgada no último domingo dia 15/04/2018 aponta o deputado na vice-liderança das intenções de voto.É possível Bolsonaro alcançar metade dos eleitores brasileiros e mais um? Para assim ser o vitorioso?!?A indignação social é grande, torna o militar um candidato com força, voz e seguidores, para debater pelo segundo turno.  Jair Bolsonaro é um sucesso de marketing pois mesmo em pré campanha, tendo exercido apenas funções no legislativo, sem registro de projetos de sua autoria aprovados e desconhecido por parcela da sociedade, representa  possibilidade de estar presente no segundo turno.O militar é objeto de amor e ódio, há aqueles que o defende com ânimo e também há o que o ignora. Ideias prontas, como bandido bom é bandido morto e o fim dos Direitos Humanos.Bolsonaro aparenta estar fora do mecanismo, establishment, causa frio na barriga dos que torcem pelo FLA FLU, VERMELHOS E AZUL, porque Bolsonaro é uma terceira via ,que o  discurso comove e identifica muita gente.

É real também que suas ideias conservadoras, podem ameaçar a liberdade dos costumes, oferecer riscos às minorias e dialogar com discurso pronto para família “real” brasileira, contudo este fato por si só não é capaz de derrubar a popularidade do militar.Jair Bolsonaro falem o que quiser, mas seu nome terá destaque e com chances reais de ocupar uma vaga no segundo turno, vaga concorrida também por Alckmin e Marina, tema posterior.

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Após Ordem de Prisão expedida pelo juiz Sérgio Moro, Lula se entrega

A prisão de Lula era fato preanunciado, já existia expectativa social de quando isso iria de fato acontecer, aconteceu e Lula está preso.

Sua prisão desperta diversos questionamentos, tais como:

  • O mérito da sentença de Moro
  • A quem interessa Lula preso
  • Qual impacto social da prisão de Lula
  • O que ainda pode acontecer

No que diz respeito ao mérito da sentença de Moro, é necessário analisar com imparcialidade a existência de circunstâncias espúrias entre empreiteiras e o poder público, que cooperam entre si, com a máxima maquiavélica de que os fins justificam os meios, frase escrita no Livro O Príncipe, o qual reflete o comportamento dos líderes do Estado que objetivam  manter a governança.

No caso concreto de Lula e o tríplex é fato o interesse do ex presidente pelo o apartamento, principalmente oferecido nas condições do seu antigo companheiro Leo Pinheiro, dono da empreiteira OAS, interesse pessoal e contratos públicos são objetivos divergentes daqueles que  interessam por gerir o orçamento público, mas também é fato que apenas despertar interesse de obter o apartamento, não é crime, ou seja além das circunstâncias e das expectativas, é necessário provas que materializam qual crime ocorreu, quando ele ocorreu, onde e em quais condições, sem essas respostas objetivas, faltam requisitos  de prova, cai na subjetividade sua condenação.

A prisão de Lula é interesse de diversos grupos sociais, principalmente os que representam o capital financeiro, pois é entendimento de ambos os lados que as operações financeiras, lucros e dividendos serão taxadas pelo estado, ou seja, aqueles que ganham dinheiro apenas pela renda, ações, dólares, vão precisar produzir, investir o dinheiro e contratar funcionários pois a lucratividade dos rentistas e banqueiros já não serão as mesmas, abrindo espaço para o crescimento do capital produtivo.

Quando apontam a mídia também como interessado pela prisão de Lula, o fato é que os interessados são os contratantes dessas mídias, empresários, representantes do capital financeiro, banqueiros ou mesmo os concessionários de rádio e televisão que temem uma regulação financeira desse sistema altamente lucrativo.

O impacto social da prisão de Lula é uma caixa de pandora, pois o encarceramento do ex presidente tem o poder de despertar o ânimo e o coração dos brasileiros, também do exterior, seja para acolher o Lula ou crucificar este. Os próximos dias serão importante para o campo da esquerda e do Partido dos Trabalhadores, terão a dura missão de partir para o enfrentamento, mostrar a força, a capacidade de argumentação e resistência, será nas ruas, no diálogo com a sociedade que é possível informar, ouvir e manifestar.

O fato é, a prisão de LULA muda o jogo eleitoral, o Partido dos Trabalhadores vai precisar abrir canais de diálogos, talvez até abdicar de uma candidatura própria, assunto este que enfrenta muita resistência em alas do Partido. Apoiar um candidato de outro partido, estando o PT com Lula em primeiro lugar nas pesquisas não é algo fácil de abdicar, mas é consenso que Lula terá dificuldade em registrar sua candidatura para concorrer a presidente.

Diante do impasse da prisão de Lula e da dificuldade do registro de sua candidatura, abre um vazio político, muitos ficam órfão do seu maior líder político e com isso surge espaço para outras candidaturas e é sobre esse espaço que iremos analisar adiante.

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Lula

Ontem 04 de abril de 2018 foi um dia esperado por muitos, já que o ex presidente Lula, algoz ou ídolo estava no banco dos réus, a espera de habeas corpus, instrumento constitucional que tem como objetivo garantir o direito de liberdade, ir e vir de todo cidadão brasileiro.

Quais questionamentos, dúvidas e obscuridades estavam em jogo no julgamento de Luís Inácio?

O primeiro questionamento a ser respondido é o porquê do julgamento deste habeas corpus,

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

A Constituição Federal em seu artigo 5º em interpretação literal escreve que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, ou seja, enquanto existir recurso disponível para interpor em favor da liberdade e absolvição do réu este não será culpado.

Quando a opinião pública ou a opinião publicada de acordo com seus interesses pessoais achaca o Supremo Tribunal Federal com críticas incisivas e chantagens claras, coloca em cheque o grau de independência do STF. O Supremo Tribunal Federal que negou o habeas corpus a Lula ontem por 6×5 é o mesmo STF que devolveu mandato ao senador Aécio Neves também por ¨6×5 com o voto decisivo da Ministra Carmen Lúcia o que ocorreu em ambos episódios.

O que é preciso esclarecer: É  que em uma democracia consolidada, a mais alta corte do país, não pode ser vítima de qualquer chantagem, pouco importando de onde elas surgem, seja do executivo, legislativo ou a própria imprensa. A independência e harmonia dos poderes é um preceito essencial para fortalecer a democracia. Caminhos que não passam pelo voto popular, são autoritários e ferem as garantias individuais.

Lula é condenado em segunda instância e ainda não foi preso, porque faltam elementos essenciais para que se decrete prisão cautelar, ou seja o ex-presidente não oferece risco as investigações, nem mesmo a sociedade, mas aí entra a obscuridade do julgamento de lula, a alguém este nordestino oferece riscos, quem?

É claro que existe uma parcela ainda não muito clara, próximas ao capital financeiro, que por motivos ainda obscuros, não aceitam que Lula participe do processo eleitoral, sim as eleições de outubro é foco desse Habeas Corpus. Caso Luís Inácio continue sua campanha política e fique fora das grades o seu desempenho eleitoral no que dizem as últimas pesquisas, Ibope e Data Folha, mostram claramente LULA em primeiro lugar.

Parece até uma teoria da conspiração, mas é fato que essa condenação de Lula abriu diversas divergências, judicias e sociais, mexendo com o ânimo da população, uns os querem atrás das grades, a outros Lula será presidente e a também há aqueles que só defendem a participação do ex presidente nas eleições de outubro.

O Fato é que o Habeas Corpus ontem negado a Lula, muda o cenário político e causa a necessidade de mudança de estratégia tanto para o Partido dos Trabalhadores, quanto para a esquerda e a direita do País que vão precisar identificar candidatos e unificar discursos para que possam receber os votos dos eleitores de Lula caso este seja impedido de participar do processo eleitoral, com base na Lei Ficha Limpa, que impede condenados em segunda instância a registrarem suas candidaturas.

Mas quem pensa que Lula é carta fora do baralho após ter seu pedido de liberdade negado, está realmente enganado, pois a força popular e capacidade do ex presidente em conversar com grande parcela da população e a possibilidade real de transferência de votos ao candidato que contar com seu apoio, dará a Lula uma responsabilidade significativa. Já que independe onde estiver, em campanha ou atrás das grades sua voz ecoará próximo ao novo Presidente Da República ….

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Tempo

Meu nome é Marcelo Caetano e um dia me disseram para usar meus poderes para o bem. O autor dessa pérola foi um dos meus grandes professores de redação publicitária, mais tarde personagem do meu primeiro livro. Acho que nunca nem falei pra ele, mas aquela brincadeira fez um efeito razoável. Nos últimos quinze anos, a minha carreira de publicitário misturou-se a de locutor, roteirista, escritor e o resultado deu muito certo. Verdade… Uma escorregada e outra acontece nas melhores famílias, mas no geral sigo usando meus poderes para o bem. A ideia desse projeto segue nesse rumo. Só que desta vez, pego a poesia como transporte e carrego na bagagem toda vivência de uma criação dividida entre recôncavo e sertão da Bahia. A missão é clara – em meio a tanta informação pesada que recebemos todos os dias – compartilhar um pedacinho de tranquilidade não faz mal pra ninguém.

Confira abaixo o meu mais novo vídeo, , espero que gostem. Boa semana e vamo que vamo!

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UNIDADE EM PRETO (26/03/2018)

A Segunda-feira começou com todos os professores de preto. Mesmo os que não estavam de preto nas roupas, estavam de preto nos olhos, no coração. Alguns tiraram velhas roupas do armário para tentar externar sua indignação usando a cor do enlutados. A cor do luto, também é a cor do respeito, que podia ser vista em roupas que comumente são evitadas nesses dias tão quentes, de tanto calor que temos vivido… Mas quentes também são os nossos sentimentos, os nossos clamores nesse dia em especial. Dia em que lembramos a colega agredida. Dia em que lembramos a agressão que temos vivido diariamente e que tem partido de muitas direções para a nossa direção. Uma aluna agrediu uma professora a socos e pontapés dentro de uma sala de aula. Uma aluna agrediu a todos nós docentes. Uma aluna foi porta-voz de várias entidades que nos agridem diariamente. Uma nação toda foi agredida… Essa professora, essa escola, essa família, essa aluna foram agredidas. A punição veio antes e veio hoje e, infelizmente, tudo leva a crer, que virá amanhã… Uma punição para todos nós. O que aprendemos diante de tanta punição? A nos acostumar com ela? Não… Não é o que vejo. O que vejo na minha escola, pelas ruas e nas redes sociais é que estamos de preto. Estamos mostrando que estamos de luto, que algo nos marcou tão profundamente que nos tirou um pedaço… Nos tirou a paz, a felicidade em sair cedo para trabalhar… Imagino como a colega, agredida nesse caso emblemático, acordou de manhã para mais um dia de aula. Que gosto estava em sua boca? Que sentimentos trazia dentro de si? Era preta a sua roupa? Era preta a sua angústia? Talvez sim… Mas havia um planejamento a executar… Mais uma aula a ser dada… Uma turma de alunos a esperava… A aluna que a agrediu lá estava? Se sim ou se não fisicamente, mas em memória e dor sim… Tenho certeza que sim, pois ela estava também em minha sala, em minha escola, nas escolas todas desse município… Ela está atrás da mesa que assina leis que não nos representam; Ela está em algumas famílias que não mais compreendem nosso papel, tampouco seus próprios papéis; Está também numa parcela da sociedade que nos aponta o dedo como únicos responsáveis pela educação moral dos cidadãos; Ela está em muitos lugares, em muitos rostos, em múltiplos papéis… Ela nos assombra. Ela, não é apenas a M.M. de 13 anos que estava sentada no braço de uma carteira escolar. Ela é muita gente e gente forte. Aliás, toda gente é forte e é por isso que, nós como professores, nós como também parcela da sociedade professores ou não, nós como gente somos fortes também! É por isso que vestimos preto, essa cor que demonstra força! Mais forte que todas as outras cores… Essa cor nobre e nobre também são os nossos motivos para dela nos valermos no nosso manifesto pacífico e doloroso. Somos todos pretos hoje, embora sejamos coloridos… Muitas cores, muitas diferenças entre nós, mas hoje lembramos o que temos em comum: Nossa força, nosso poder de transformação, nossa seriedade e compromisso com o nosso papel de mediadores do conhecimento. Somos uma só cor, uma só voz, um só grito… Que essa unidade nos leve além! Que nos fortaleça! Que dê visibilidade a nossa causa, que deve ser a causa das famílias, dos alunos, da sociedade, dos governantes… Que a unidade seja um imã e que sejam atraídos aqueles que desejam que o direito de todos a uma educação de qualidade seja garantido no papel e na prática, não só pelos professores, mas também pelo estado e pelas famílias. “Unidos, venceremos. Divididos, cairemos.” Alguém assim disse e eu faço dessas minhas palavras.

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As perguntas pedem espaço

Os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes no Rio de Janeiro na última semana, surpreenderam e geraram grande comoção não apenas nos familiares, amigos e nos mais de 46 mil eleitores a quem Marielle representava na Câmara de Vereadores do Rio. Provocaram indignação e pesar também em milhares de pessoas que se identificam com as lutas da vereadora e não se conformam com a violência estrutural que dizima milhões de pessoas no Brasil, sobretudo entre as populações mais pobres e marginalizadas da sociedade.

Recebendo apoio de lideranças políticas e religiosas, organizações de classe, artistas, intelectuais, representantes de distintos movimentos sociais e de organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) o caso alcançou grande repercussão em todo o Brasil e em diferentes países pelo mundo. Em diversos lugares foram organizados protestos que expressaram emoções, denúncia e, sobretudo a força da união daqueles/as que lutam por um justo e digno viver para todos/as.

Se de um lado, acompanhamos tantas expressões de solidariedade e compaixão contemplando a face bela e terna da humanidade, de outro presenciamos um verdadeiro show de horrores em relação a Marielle, especificamente.  As tentativas de assassinar também a sua honra utilizando-se das fake news, dos comentários maldosos, do discurso de ódio e intolerância propagados pelas redes sociais, evidenciaram a face violenta, espinhosa e torpe de seres humanos que nos fazem acreditar que a crise civilizatória que temos vivido é mais aguda do que imaginamos.

Marielle carregava em si todos os “estigmas” que despertam a intolerância, o desrespeito e o ódio em muitos: era uma ativista dos direitos humanos, mulher negra, lésbica e favelada. Aqueles/as que ainda não conseguiram reconhecer as gritantes desigualdades econômicas, de raça, de gênero e outras tantas, como causas da violência tendem à culpabilização das vítimas e perante um caso emblemático como este, vociferam tentando deslegitimar as lutas por igualdade de direitos.

Era contra todas essas desigualdades que a “Cria da Maré” (assim ela se definia) protestava! Era a favor dos “deserdados da terra” e pela igualdade de direitos que ela bravamente lutava. Sofreu na própria pele tudo que denunciava, contrariou todos condicionamentos impostos pela sua condição social, racial e de gênero, mas não viveu só para si. Enriqueceu o seu viver fazendo da sua vida uma entrega solidária, se colocando como porta-voz de uma maioria curiosamente chamada de minorias.

O que a vida e o contexto em que se dá a morte de Marielle Franco nos leva a refletir? Qual a sua simbologia? Qual o legado da sua memória para as mulheres, para os negros, para os favelados, para as vítimas da violência e para os ativistas dos direitos humanos?

Não tenho a pretensão de uma análise sobre o caso (muitos já fizeram isso brilhantemente) e nem de apresentar respostas a questões tão complexas (isso também nem me seria possível). O que faço é um convite aflito para que lancemos mais perguntas… Como sabiamente diz o escritor português José Saramago “tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas?”. Não acredito que possamos encontrar respostas para problemas tão difíceis sem nos indagarmos profundamente. Penso que o tempo em que investirmos elaborando boas perguntas será salutar em nos proporcionar o encontro com as respostas que esperamos do mundo.

Reforçando a pedagogia da pergunta, Jostein Gaarder também ensina sobre o valor da interrogação. Segundo o autor “A resposta é sempre um trecho do caminho que está atrás de você. Só a pergunta pode apontar o caminho para frente”. Portanto para colocarmos luz nesse caminho turvo é importante saber: quem? Como foi tramada e o por quê da morte de Marielle? Mas é também fundamental formularmos perguntas que nos leve até as profundidades do solo que produziu o seu extermínio e que tem produzido o de tantos milhões, vítimas da barbárie que tem assolado não apenas o Rio de Janeiro, mas centenas de cidades brasileiras, inclusive a nossa.

É necessário nos indagarmos também sobre as raízes de tanto ódio e intolerância que tem marcado a convivência humana. Por que humanos contra direitos de seus próprios semelhantes? Por onde andarão a racionalidade e a ética daqueles/as que embora não disparem o gatilho das armas, disparam o discurso da intolerância às diferenças, da violência simbólica e da mentira que trucida a reputação das pessoas que não comungam dos mesmos princípios e valores que eles/as.

Onde andará a habilidade de interpretação e a coerência daqueles/as que se apresentam como cristãos, mas acreditam na superação da violência com a produção de mais violência, legitimam o derramamento de sangue e a propagação da insana máxima “bandido bom é bandido morto?” propondo com ironia o silenciamento dos ativistas pelos direitos humanos?

O que pensar sobre a naturalização das desigualdades sociais que se revelam numa absurda concentração de renda nas mãos de um pequeno grupo? Quem rumos tomar perante um Estado com uma estrutura corrompida e rendido aos interesses do capital cumprindo o papel imoral de distribuir migalhas aos mais pobres e excluídos do sistema?

Imersos neste cenário que tentam nos limitar, ameaçam as nossas esperanças nos roubando também a paz de espírito, resta a quem não milita nos campos da violência, da intolerância e do desrespeito dois caminhos:  o da omissão ou o caminho de um renovado contrato com a ética, com o respeito à vida, com a gentileza, com a justiça e a igualdade social. Nesse último, a presença e o testemunho de Marielle certamente nos acompanharão e nos inspirarão.

Quitéria Costa é pedagoga, mestra em educação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Escreve quinzenalmente às quintas-feiras.

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