França, com uma jovem seleção, conquista segunda Copa e se iguala a Uruguai e Argentina

Kai Pfaffenbach/Reuters/Direitos reservados/Agência Brasil

A França venceu a Croácia por 4 x 2 e é campeã da Copa do Mundo da Rússia. O time francês foi aplicado taticamente, apostou na solidez de sua defesa e na eficiência de seus atacantes e levantou a taça. Com o título, franceses se juntam aos uruguaios e argentinos como bicampeões do mundo. O primeiro título foi em 1998, contra o Brasil.
Os jogadores receberam a taça debaixo de uma forte chuva em Moscou. O presidente francês, Emmanuel Macron, cumprimentou os jogadores, assim como a presidente da Croácia, Kolinda Kitarovic; o presidente da Rússia, Vladimir Putin e o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Em uma Copa com estrelas de destaque nas principais favoritas, o técnico Didier Deschamps, que jogava na seleção de 98, apostou em um time de qualidade coletiva e com jovens talentos.
A França tem vários jogadores de destaque no futebol mundial, como Mbappé, Pogba, Griezmann e o goleiro Lloris, mas nenhum deles pode ser apontado sozinho como responsável por esse título. O coletivo francês foi o que menos oscilou durante a Copa. Um exemplo está em Giroud. O centroavante titular não fez nenhum gol, mas contribuiu taticamente e não perdeu a vaga no time, mesmo passando em branco na competição.
O jogo
O primeiro tempo mostrou uma Croácia mais agressiva e ofensiva. Mesmo com o peso de três prorrogações nas costas, os croatas não se intimidaram e foram para o ataque. Mas a França tem uma boa defesa e deu poucos espaços para os atacantes adversários.
A França pouco chegava ao ataque, mas quando chegou, marcou. Em cobrança de falta de Griezmann, na primeira subida mais contundente, a bola foi jogada para dentro da área aos 17 minutos. O atacante croata Mandzukic tentou cortar e acabou enganando o goleiro no lance. Subasic apenas assistiu a bola morrer no fundo da rede.
A Croácia saía atrás no placar novamente. O time do técnico Zlatko Dalic teve que correr atrás do prejuízo nas partidas de oitavas, quartas de final e semifinal. E como nessas partidas, buscou o empate. Aos 27 minutos, Perisic recebeu na entrada da área, após cruzamento de Modric, e acertou um belo chute cruzado no canto de Lloris.
Mas a França chegou ao segundo gol, com auxílio do VAR. Perisic cortou um cruzamento com o braço. Os franceses reclamaram, o árbitro argentino Néstor Pitana foi rever o lance no vídeo e marcou o pênalti.
O segundo tempo teve uma Croácia ofensiva, obstinada. Os croatas foram para cima, mas deram espaços lá atrás. E foi assim que a França fez o terceiro e quarto gols. Primeiro, Pogba fez um lançamento perfeito para Mbappé, que invadiu a área e cruzou. A bola sobrou para o próprio Pogba, que emendou para o gol. O camisa 10 francês faria seu gol aos 19 minutos do segundo tempo. Hernandez fez boa jogada pela esquerda e tocou para Mbappé, que recebeu e bateu de fora da área, no canto de Subasic.
A Croácia tentou uma série de jogadas para diminuir o placar, mas chegou ao segundo gol após um erro incrível de Lloris. O goleiro francês tentou sair jogando com os pés e foi desarmado por Mandzukic, que botou a bola para dentro do gol. A Croácia se animou com o gol e tentou mais um, mas a defesa francesa foi sólida, assim como em toda a Copa do Mundo, e garantiu o resultado.
Invasão
A final da Copa do Mundo entre França e Croácia, no Estádio Luzhniki, em Moscou, foi interrompida por causa da invasão simultânea de campo de quatro mulheres, em ato reivindicado pelas integrantes do grupo punk russo Pussy Riot.

A paralisação ocorreu aos 7 minutos do segundo tempo, com entrada no gramado por diversos lados do campo. As invasoras vestiam peças de roupas semelhantes as utilizadas pelos seguranças.

Através das redes sociais, o Pussy Riot assumiu a autoria da invasão. O grupo musical é conhecido pelo ativismo político, de oposição ao governo de Vladimir Putin.
* Com informações da Agência Brasil e da EFE

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Croácia não está na final por acaso; saiba mais sobre esse jovem e pequeno país

Croácia e Nigéria. Comemoração do segundo gol da Croáciai.

Com a chegada da seleção da Croácia à primeira final de Copa do Mundo, o país entrou no radar de muita gente pela primeira vez. Os jogadores que entram em campo neste domingo (15), com sua tradicional camisa quadriculada, representam um país de 4,4 milhões de habitantes, localizado no Leste Europeu e vizinho da Eslovênia, Hungria, Sérvia, Bósnia Herzegovina e Montenegro.

A Croácia se estabeleceu como país independente em 1991, após a separação das repúblicas que compunham a antiga Iugoslávia. Além da Croácia, a Sérvia, a Bósnia Herzegovina, a Eslovênia, a Macedônia, Montenegro e Kosovo conquistaram sua independência com fim da Iugoslávia. O Kosovo, no entanto, é reconhecido como um país apenas por parte dos membros da Organização das Nações Unidas (ONU). O Brasil, por exemplo, é um dos países que não dão esse reconhecimento ao Kosovo.
A maioria da população do país finalista da Copa é composta por pessoas de origem croata, mas há também bósnios, sérvios e húngaros. Quase dois terços da população vivem em um pouco mais de um terço do território. A capital, Zagreb, concentra 18% dos habitantes do país. Curiosamente, a Croácia sofreu um decréscimo populacional nos últimos anos. Chegou a quase 5 milhões de habitantes em 1991, mas vem caindo desde então.
Segundo o site oficial do governo croata, a queda do número de habitantes decorre da redução da população economicamente ativa, do aumento dos cuidados com os idosos e da diminuição do número de nascimentos.
Brasão de armas
A camisa quadriculada em vermelho e branco usada pela seleção de futebol, e por grande parte da torcida que acompanha os jogos na Rússia a é inspirada no brasão de armas, composto de 25 quadrados dispostos alternadamente em vermelho e branco, semelhante a um tabuleiro de xadrez.

O brasão atual é usado desde 1990, mas o padrão xadrez existe desde o século 16, quando a Croácia era administrada por um rei. Além disso, o desenho assemelha-se ao de uma flor encontrada na região, chamada kockavica.
Futebol
Aqueles que acompanham o futebol, além das partidas da Copa da Rússia, sabem que a Croácia não chegou à final do torneio por acaso. Vários jogadores atuam em clubes de ponta do futebol mundial.
O meio-campo croata não é celebrado à toa. Os meias Modric e Rakitic são titulares no Real Madrid e no Barcelona, respectivamente.
O centroavante Mandzukic, autor do gol da classificação para a final, joga na Juventus, da Itália. Perisic, autor do primeiro gol do time na semifinal, joga na Internazionale de Milão. Já os defensores Lovren e Vrsaljko jogam no Liverpool e Atlético de Madrid, respectivamente.
Esta, no entanto, não é a primeira geração croata a ir longe em uma Copa. No mundial de 1998, a seleção liderada pelo atacante Davor Suker só foi parada na semifinal pela França, dona da casa, que seria campeã daquela Copa.
Nos mundiais seguintes, o país teve participação discreta. Esteve nas Copas de 2002, 2006 e 2014, mas não avançou às oitavas de final em nenhuma delas. Pelo retrospecto recente, é possível dizer que a sua presença na final deste ano é uma surpresa, mas um olhar mais atento sobre a equipe comandada por Zlatko Dalic mostra que a França deverá ter muito cuidado, se quiser sair da Rússia com o troféu da Copa do Mundo na bagagem. (Conteúdo Agência Brasil – texto Marcelo Brandão)

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França quer o bi, Croácia quer vingar 98

Torcedora croata na Praça Vermelha na véspera da final. JEWEL SAMAD AFP

França x Croácia se enfrentam neste domingo, às 12h (horário de Brasília), no estádio Luzhniki de Moscou, pela final da Copa do Mundo Rússia 2018. A partida será transmitida por FOX Sports (tv fechada), SporTV (tv fechada) e Rede Globo (tv aberta). O EL PAÍS também fará ao vivo a cobertura da decisão, minuto a minuto.
Os franceses chegam à sua terceira final de Copa do Mundo buscando o segundo título. Eles foram campeões na primeira decisão, contra o Brasil, em 1998 – ocasião em que eliminaram os croatas na semifinal –, mas perderam para a Itália em 2006. Para chegar até aqui, a equipe de Griezmann e Mbappé eliminou Argentina, Uruguai e Bélgicano mata-mata.
Já os croatas, liderados pelo camisa 10 e capitão Modric, além dos atacantes Perisic e Mandzukic, disputarão uma final de Mundial pela primeira vez na história. A seleção precisou dos pênaltis para eliminar Dinamarca nas oitavas e Rússia nas quartas, além da prorrogação para bater a Inglaterra nas semis. Ao todo, contando os minutos extras, a Croácia jogou o equivalente a uma partida a mais que os franceses durante sua campanha na Rússia

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Bélgica crava a melhor campanha de sua história

A Bélgica bateu a Inglaterra por 2 a 0 neste sábado e se tornou a terceira colocada na Copa do Mundo Rússia 2018, conquistando a melhor campanha da sua história no Mundial. Os gols foram marcados por Meunier e Hazard. Logo aos três minutos da etapa inicial, Meunier chegou completando cruzamento de Chadli e abrindo o placar para os belgas.
Mesmo atrás, a equipe de Harry Kane, que veio bastante modificada em relação ao time titular, não conseguiu incomodar no restante da primeira etapa, enquanto De Bruyne, Hazard e Lukaku continuaram oferecendo perigo ao goleiro Pickford.
Gareth Southgate voltou com modificações no intervalo, colocando Dele Alli e Rashford, e os ingleses pressionaram atrás do empate. Alderweireld precisou tirar uma bola em cima da linha em finalização de Dier. Mas, nos contra-ataques, o veloz ataque belga deu trabalho a Pickford, que fez excelente defesa em outra tentativa de Meunier. Aos 37 minutos, De Bruyne puxou jogada pelo meio e enfiou para Hazard, que não deu chances ao goleiro, fechando o placar em 2 a 0.

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Fifa mirou CBF ao cortar árbitro brasileiro da final da Copa

Sandro Meira Ricci em jogo da Croácia e Nigéria, no estádio Caliningrado, Russia Foto: Matthew Childs / Reuters

Sandro Meira Ricci estava entre os 12 selecionados com chances de apitar a decisão do Mundial, no domingo, entre França e Croácia. Mas seu nome não foi levado em consideração na reta final pelo Comitê de Arbitragens da Fifa por causa de um pedido da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Tudo isso em represália à quebra de acordo do presidente da CBF, coronel Antônio Nunes, com os demais dirigentes do continente para a escolha da sede do Mundial de 2026.
Segundo o jornalista Sílvio Barsetti, a informação foi passada ao portal Terra por um dirigente da Conmebol, que está na Rússia para ver o último jogo da Copa. A exclusão de Sandro Meira teria sido acatada de imediato pela Fifa, também indisposta com a cúpula da CBF por causa dos últimos anos de escândalos de corrupção envolvendo a confederação nacional e em razão de atitudes do coronel Nunes durante sua permanência na Rússia. Lá, ele protagonizou mal-estar ao assumir que votaria com a candidatura conjunta de EUA, Canadá e México para a Copa de 2026, mas acabou optando por Marrocos.
Seu gesto abriu uma crise na relação da CBF com as demais federações da América do Sul. Depois disso, o coronel envolveu-se numa confusão num restaurante, em São Petersburgo, quando um dos seus assessores agrediu um torcedor brasileiro com um copo de vidro. Em seguida, a CBF precisou blindar o seu presidente e quase o manteve enclausurado nos hotéis que o hospedavam.
Quem vai apitar França x Croácia será o argentino Néstor Pitana. Ele estava bem cotado e foi escolhido em comum acordo entre as duas finalistas e a Conmebol.

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Brasil perde para a Bélgica e está fora da Copa

O Brasil perdeu para a Bélgica por 2 a 1 e está fora da Copa do Mundo. A seleção brasileira criou chances, pressionou o adversário, mas perdeu muitos gols e sofreu com 20 minutos muito ruins no primeiro tempo, quando a Bélgica fez os dois gols.
Os belgas aproveitaram o mau momento da seleção brasileira no jogo e impuseram seu melhor futebol. Com imposição física e contra-ataques em velocidade, o time europeu foi melhor no primeiro tempo e soube segurar o resultado no segundo tempo. O gol de Renato Augusto, descontando na segunda etapa, não foi suficiente para manter o Brasil na Copa.
O jogo
O Brasil partiu para o ataque logo no começo do jogo. E aos 7 minutos quase abriu o placar. Em uma cobrança de escanteio, Miranda escorou para o meio da área e Thiago Silva quase marcou. Ele tocou na bola e ela bateu na trave. O Brasil tentou o gol novamente em outro escanteio, pouco depois. Na cobrança, a bola chegou baixa em Paulinho, dentro da área, mas ele errou o chute.
Era um início promissor para o Brasil. A defesa belga ainda não estava completamente ligada no jogo. Mas, quando parecia que o Brasil iria se impor, sofreu o primeiro gol. Aos 12 minutos, em cobrança de escanteio para a Bélgica, a bola bateu em Fernandinho, enganou Alisson e entrou.

O Brasil ensaiou uma pressão, mas a defesa belga conseguia se fechar bem e saía rápido nos contra-ataques. E aos 30 minutos, foi fatal. Após uma cobrança de escanteio da seleção brasileira, a bola perdida deu contra-ataque à Bélgica. Lukaku avançou com velocidade e tocou para De Bruyne, que chutou de longe, no canto de Alisson. Antes de fazer a primeira defesa, goleiro brasileiro já havia levado dois gols.
Com dois gols de déficit, a seleção brasileira se lançou toda ao ataque, buscando um gol. A Bélgica se fechava com eficiência e puxava contra-ataques perigosos. Fagner tinha dificuldades para marcar Hazard, que ligava vários ataques do time belga. O ataque brasileiro não achou os espaços que procurava no primeiro tempo. Bem marcados, Neymar e Philippe Coutinho não conseguiam entrar com a bola na área e tentavam ameaçar com chutes de fora.
Segundo tempo
O Brasil voltou com Firmino no lugar de Willian e deu mais presença de área. O time brasileiro começou a segunda etapa pressionando. Foram cerca de dez minutos de ataque contra defesa. Mas jogadores importantes estavam abaixo do que vinham apresentando na Copa. Philippe Coutinho e Paulinho erravam passes e perdiam divididas. Neymar, por sua vez, não encontrava espaços na defesa.
Mas o Brasil continuava insistindo. Tite colocou Doulgas Costa no lugar de Gabriel Jesus e o time ganhou em velocidade pelo lado direito do ataque. Aos 30 minutos, finalmente, o Brasil fez seu gol. Philippe Coutinho, que vinha mal no jogo, acertou um passe perfeito na cabeça de Renato Augusto, que havia acabado de entrar. O meia cabeceou no canto de Courtois, colocando o Brasil no jogo. Aos 35 minutos, quase o empate. Em contra-ataque, Coutinho tocou para Renato Augusto, que bateu colocado. A bola passou rente à trave.
O Brasil continuava perdendo chances claras de gol. Aos 38 minutos, Neymar recebeu em contra-ataque rápido, entrou pela esquerda da grande área e tocou para o meio. Livre, Coutinho chegou e chutou muito mal, longe do gol. Aos 48 minutos, Courtois salvou a Bélgica pela última vez. Neymar recebeu na entrada da área e bateu colocado. O goleiro belga fez uma grande defesa e decretou a eliminação brasileira da Copa do Mundo.
(Conteúdo Agência Brasil, reportagem Marcelo Brandão, edição Fernando Fraga)

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Mbappé, o super herói da periferia de Paris

O astro francês nasceu em Bondy, coração da periferia de Paris marcado pela precariedade e a exclusão, onde o futebol é visto como um meio de ascensão social
Do outro lado se abre outro mundo: a banlieue, ou a periferia. Desconhecido e mitificado. A banlieue é o lugar em que a França projeta seus fantasmas, suas frustrações. Palco de distúrbios ou viveiro de islamistas. Muro invisível no qual a ascensão social se choca. Também, às vezes, o território de onde a República espera que chegue a salvação, o herói que irá debelar suas ansiedades, que acalmará o terror da fratura da nação.

A Copa é uma destas ocasiões. Kylian Mbappé —produto perfeito da banlieue de Paris; filho da periferia mais dura e a mais pura; revelação na Rússia— encarna o renovado sonho dessa França diversa e coesa. Mbappé nasceu em 1998, em Bondy, uma cidade de 52.000 habitantes a 12 quilômetros do centro de Paris. Seu pai era de origem camaronesa; sua mãe, argelina. Ambos esportistas. Se existisse uma capital da banlieue, Bondy aspiraria ao posto. A banlieue castigada pela precariedade —na moradia e na educação— e pela discriminação. E pela falta de oportunidades. A banlieue, também, das casas ajeitadinhas com jardim, os cafés hipsters e livrarias independentes, um espaço de convivência e respeito aparente e de trabalho duro que desmente os retratos apocalípticos de um território sem lei. Tudo é mais complexo.
“Quando os bairros populares são vistos sob o prisma dos acontecimentos e da violência, do islamismo e do terrorismo, ou sob o prisma do heroísmo, é uma visão caricatural e perigosa porque não remete à realidade que as pessoas vivem”, diz Nassira El Moaddem, diretora do Bondy Blog, mídia de referência na cobertura das banlieus, com sede em Bondy.
El Moaddem cita um relatório recente apresentado na Assembleia Nacional sobre o “fracasso do Estado” em Seine-Saint-Denis. O relatório constata que este é o departamento com os habitantes mais pobres da França (com exceção dos territórios de ultramar) e com a criminalidade mais elevada. “Em Seine-Saint-Denis”, resume Le Monde, “há menos de tudo: menos policiais, menos professores, menos funcionários do Judiciário, menos magistrados, menos médicos escolares…”
De algo “há mais” em Seine-Saint-Denis, e na banlieue em geral: mais jogadores. As instalações da AS Bondy, onde Mbappé se formou, são um autêntico canteiro do futebol francês. Em seu gabinete no pavilhão do clube, o diretor esportivo, Jean-François Suñer, contabiliza 16 profissionais na ativa, entre os quais Sebastian Corchia, que joga no Sevilla, e, claro, Killian Mbappé. Boa parte da seleção francesa —Pogba, Matuidi, N’Golo Kanté— é composta de filhos da periferia de Paris.
Suñer, filho de uma valenciana e um catalão que chegaram depois da guerra, conhece Mbappé desde que nasceu. Quando tinha 5 anos, se deu conta de que era especial. Quando exatamente? “Quando o vi com a bola nos pés. É um talento natural.”
A filosofia de Suñer e do AS Bondy é simples: Dizemos às crianças e aos pais: primeiro tem de trabalhar na escola. Se depois vemos que pode ser um profissional, ajudaremos. Antes de formar jogadores, formamos homens”, acrescenta. E recorda o caso recente de dois meninos de 10 e 11 anos que, por mau comportamento na escola, foram excluídos do jogo do sábado.
“Muitos querem que seus filhos tenham sucesso para sair da banlieue”, diz Suñer. “Nós não vamos nos enganar.”
Em cidades como Bondy, e ainda mais com fenômenos como Mbappé, o futebol corre o risco de ser a única esperança de muitos pais para prosperar, de encontrar aí —e não na escola republicana— a ascensão social em que empacam na vida civil: os currículos sem respostas, a discriminação silenciosa.
“Antes de Mbappé, o fato de vir de Bondy podia ser motivo de discriminação na busca de trabalho. Hoje acontece o contrário: pode ser positivo”, diz Mahmoud Bourassi, que na semana passada voltou da Rússia depois de torcer pela França com um grupo de jovens da cidade. Mas Bourassi alerta contra o perigo de confiar excessivamente no futebol para consertar a França.
Os distúrbios na noite anterior em Nantes, depois que a polícia matou um jovem em um controle policial, são um lembrete. Como são as esperanças que a vitória da França de Zidane —outro filho dos bairros multiculturais— despertou em 1998. Quatro anos depois, a Frente Nacional, partido contrário à imigração, chegava ao segundo turno das eleições presidenciais.
“É preciso manter a cabeça fria”, diz Bourassi: “Como faz Mbappé quando comparam-no com Pelé.”
*Conteúdo: Marc Bassets (El País), texto – foto Reau Alexis (L’Equipe)

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Roberto Firmino é o único nordestino da seleção

Foto Manan Vatsyayana - AFP

Dida em 2006, Rivaldo em 2002, Mazinho em 1994, Júnior e Sócrates em 1982 e Clodoaldo em 1970. Nos últimos cinquenta anos de Copa do Mundo, em todas as memoráveis seleções brasileiras, havia pelo menos um representante do Nordeste, segunda região mais populosa do país. O Brasil de Tite não tem um nordestino entre os 11 titulares. No elenco todo, apenas um nome nascido lá: Roberto Firmino, o atacante reserva natural de Maceió que começou no Figueirense, foi se aventurar antes dos 20 anos na Alemanha e, mesmo após grande temporada pelo Liverpool, ainda precisa lidar com certa rejeição do torcedor que não viu o jogador se desenvolver dentro do cenário brasileiro. Contra o México, ele mostrou porque é o mais cotado para assumir a vaga de Gabriel Jesus, que mais uma vez passou em branco. No segundo tempo, entrou no lugar de Philippe Coutinho e anotou o segundo gol do Brasil para selar a passagem da seleção de Tite para as quartas. Foi a primeira vez que um jogador brasileiro saiu do banco e marcou um gol em mata-matas de Copas.
Firmino deu os primeiros passos no futebol dentro do CRB, clube da capital alagoana, ainda em categorias inferiores. De lá saiu para jogar pelo sub-20 no Figueirense, no oposto geográfico do país, onde encontrou o treinador Hemerson Maria, que hoje comanda o Vila Nova de Goiás. “Fui eu quem aprovei o Roberto Firmino na base do Figueirense, em 2009. Era um talento nato”, conta Hemerson. “O que tínhamos que trabalhar com ele era a parte tática: posicionamento e entendimento de jogo, que foi também o que ele mais aprendeu na Europa”. Desde a juventude, Firmino fez tratamento para clarear os dentes ‒ como fica claro cada vez que ele sorri para as câmeras ‒, mas conserva uma timidez exemplificada nas respostas curtas que dá em suas entrevistas. “Ele sempre foi um pouco introvertido, mas isso acabava quando entrava em campo. Ele era muito determinado e admirado pelos garotos. Se tornou um líder técnico em campo”, afirma o treinador.
O jogador disputou uma temporada como profissional no time de Santa Catarina, marcando 12 vezes em 51 jogos e ajudando a equipe a subir da série B para a série A nacional. No entanto, antes de disputar a elite, foi negociado em 2011 com o Hoffenheim, da Alemanha. Chegou como garoto, mas assumiu a camisa 10 e a posição de destaque do time, que renderam a ele as primeiras convocações à seleção brasileira. Saiu apenas em 2015, por 140 milhões de reais, para o Liverpool.
Chegou vestindo a 11, mas pegou a camisa 9 depois da saída de Benteke, centroavante belga. A troca de camisas simboliza a versatilidade de Firmino, que atua em mais de uma posição no ataque. “Eu prefiro ele como meia, atrás do atacante, como jogava no Hoffenheim e no Figueirense. Acho que ele tem mais espaço em campo e se destaca mais”, comenta Hemerson Maria. Mas foi como atacante que ele brilhou na temporada 2017/18, marcando 27 gols em 54 jogos no Liverpool (onde formou o trio vice-campeão da Champions League com Mané e Salah) e chegando à Copa do Mundo, ainda que na reserva de Gabriel Jesus. “Firmino é um jogador universal, pode se adaptar a qualquer sistema tático. Penso que pode jogar junto com Jesus na seleção, e que não é apenas o seu substituto”.
Hemerson Maria ainda comenta sobre a influência de Jürgen Klopp, treinador do clube inglês, que comandou Firmino na melhor temporada da carreira. “À distância, o Klopp me parece um treinador que trabalha muito bem a questão mental dos atletas. E isso é importante para jogadores com o temperamento do Roberto; eles precisam se sentir protegidos pelo treinador”. Apesar de não ter sido contratado pelo alemão, foi com ele que o brasileiro teve sua maior ascensão, se tornando um dos grandes jogadores da Europa. “Faltava alguém que o ajudasse a deslanchar de uma maneira definitiva em sua carreira, e o Klopp fez isso”, opina Hemerson.
Por ter crescido como profissional longe do futebol brasileiro, Firmino enfrenta um questionamento do público nacional sempre que compete com Gabriel Jesus, Jô e outros atacantes consagrados dentro do Brasil por uma vaga na seleção. “Esse preconceito existe porque ele não jogou na primeira divisão e nem em um grande centro do país”, defende Hemerson. A crítica começou a mudar na recém-encerrada temporada, quando o país de Firmino acompanhou o atacante ajudando o Liverpool a chegar na final da Champions. “Mas basta um ou dois jogos em que ele não faça gol ou que não tenha um destaque elevado para que voltem a cobrá-lo de maneira exagerada. É um erro porque não se julga a qualidade do atleta, e sim de onde ele veio. Acho que é um defeito cultural do nosso país”. A ver se a performance na Rússia vai ter força para debelar esses fantasmas. (Conteúdo El País – texto Diogo Magri)

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A Europa mostra a força da organização do seu futebol: seis seleções continuam na briga pela Copa. Da América, apenas dois

A Copa do Mundo da Rússia se aproxima da sua reta final. Trinta e dois times começaram a competição e agora só restam oito. Algumas seleções gigantes do futebol, como Alemanha, Argentina e Espanha, já estão em casa, vendo a Copa pela televisão.
Dos times que ainda restam, seis são europeus e dois são sul-americanos. Uruguai, França, Brasil, Bélgica, Suécia, Inglaterra, Rússia e Croácia são os países que continuam na briga pelo topo.
O Brasil chega para a fase de quartas de final com atuações cada vez melhores. Depois de um empate na estreia, venceu a Costa Rica nos últimos minutos. Já contra a Sérvia, a vitória foi menos dramática. O jogo das oitavas, contra o México, mostrou um time com sistema defensivo bem ajustado, pronto para resistir à pressão. E lá na frente, o ataque tem se mostrado mais entrosado e eficiente.
Os uruguaios, junto com o Brasil, têm a melhor defesa da Copa, com apenas um gol sofrido. Além disso, Suárez e Cavani têm sido cada vez mais eficientes no ataque. Cavani fez uma partida de gala nas oitavas de final, contra Portugal. O atacante fez os dois gols do time, mas saiu com uma lesão na panturrilha e ainda não está confirmado para a próxima partida.
A França fez um jogo eletrizante contra a Argentina nas oitavas de final. As falhas da defesa, que cederam três gols aos argentinos, foram ofuscados pela grande partida de Mbappé. Companheiro de Neymar no Paris Saint-Germain, o francês liderou o time às quartas de final com um futebol técnico, veloz e preciso.
Os belgas continuam na Copa após uma partida de recuperação contra o Japão no final do segundo tempo. O inimaginável quase aconteceu. Quando os japoneses marcaram 2 a 0, revelaram que a seleção belga, tão respeitada por sua geração atual de craques como Hazard e De Bruyne, tinha falhas ainda não demonstradas no torneio. Será difícil ver uma Bélgica jogando tão lenta e desconectada na partida contra o Brasil. Esses erros deverão ser acertados pelo técnico Roberto Martinez.
Liderados pelo camisa 10, Forsberg, os suecos têm méritos de sobra para estarem nas quartas de final. Se classificaram em primeiro em um grupo muito disputado e, mesmo após perderem para a Alemanha no último lance da segunda rodada, souberam manter a calma e garantiram a classificação sobre o México. Não aparecem como favoritos ao título, mas têm uma defesa alta e sólida, que pode fazer o time ir mais longe na Copa.
A Inglaterra veio para a Copa com um time jovem e já fez melhor que a geração anterior, que caiu na fase de grupos em 2014. Na última partida, dominaram a Colômbia durante todo o jogo, anulando suas principais armas ofensivas. Mas um minuto de desatenção tornou a classificação desnecessariamente dramática, com a vitória vindo só nos pênaltis. Apesar do susto, a Inglaterra ainda não foi testada ao limite. A Suécia poderá impor esse teste.
Há quem diga que os donos da casa já estão fazendo hora-extra na Copa do Mundo. A Rússia se aproveitou de uma Espanha sem criatividade para levar a partida de oitavas de final para os pênaltis e, lá, eliminar os campeões de 2010. O time do técnico Stanislav Cherchesov chega às quartas de final com um futebol de transpiração e aplicação tática, sobretudo na defesa.
A Croácia merece o lugar que ocupa. Está entre os oito melhores times da Copa com méritos. Com um meio campo de qualidade, os centroavantes são bastante acionados e conseguem participar do jogo com eficiência. O toque de bola frio e refinado na armação das jogadas remete ao futebol praticado no Real Madrid e Barcelona, onde com Modric e Rakitic jogam, respectivamente.
Os confrontos das quartas de final são:
Uruguai x França, sexta-feira (6) às 11h, em Nizhny Novgorod;
Brasil x Bélgica, sexta-feira (6) às 15h, em Kazan;
Suécia x Inglaterra, sábado (7), às 11h, em Samara;
Rússia x Croácia, sábado (7), às 15h, em Sochi
(Conteúdo Agência Brasil – por Marcelo Brandão, repórter)

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Neymar deslancha, Willian ressurge, e o Brasil despacha o México pra casa

O Brasil derrotou o México por 2 a 0 nesta segunda-feira, em Samara, pelas oitavas de final da Copa do Mundo Rússia 2018. Os gols da vitória saíram no segundo tempo, com Neymar e Roberto Firmino. Agora, a seleção aguarda a decisão do confronto entre Bélgica e Japão para conhecer seu adversário nas quartas de final.
No primeiro tempo, a seleção mexicana partiu para o ataque, bem ao estilo do técnico Juan Carlos Osorio. Explorando a velocidade de Carlos Vela e Guardado pela esquerda, deu trabalho ao sistema defensivo de Tite, mas só conseguiu finalizar uma vez no gol de Alisson. Com dificuldades para sair jogando e ditar o ritmo da partida, o Brasil também se expunha aos contra-ataques após escanteios no campo ofensivo, já que Osorio costuma posicionar apenas quatro defensores em sua área para reforçar a segunda bola nos contragolpes. Aos poucos, porém, a seleção controlou o ímpeto dos mexicanos e criou as melhores oportunidades com Philippe Coutinho, Gabriel Jesus e Neymar, que, aos 24 minutos, parou em arrojada defesa do goleiro Ochoa.
Para a etapa final, Osorio tirou o veterano Rafa Márquez e colocou Layún, buscando dar mais mobilidade ao meio-campo. Todavia, foi a seleção brasileira quem voltou em ritmo acelerado do intervalo. Coutinho parou em Ochoa. Aos 6 minutos, entretanto, a muralha mexicana nada pode fazer depois que Neymar rolou para Willian, que cortou para a canhota e bateu cruzado. O camisa 10 apareceu no segundo pau, empurrando para as redes. Superou Cristiano Ronaldo e Messi ao marcar seu primeiro gol em um mata-mata de Copa.
Willian, por sinal, teve sua melhor atuação no Mundial, sobretudo no segundo tempo. Arriscou mais jogadas individuais pela linha de fundo e não ficou preso ao lado direito, tanto que, no lance do gol, ele se movimenta do meio para a esquerda. Fez jus ao apelido de “Foguetinho”, acelerando no tempo certo e, como sempre, ajudando Fagner na recomposição defensiva. Já Neymar se mostrou novamente mais objetivo. Resistiu à provocação dos mexicanos, a ponto de levar um pisão de Layún. É o jogador que mais recebeu faltas (23) neste Mundial. Valorizou algumas delas, é verdade, mas nada que lembrasse a postura descompensada que exibiu diante da Costa Rica. Além de iniciar a jogada em que abriu o placar, ele ainda deu assistência para Firmino, que havia entrado no lugar de Coutinho, fechar a conta aos 43 minutos. Foi eleito o melhor jogador da partida.

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Como de praxe, a defesa brasileira, comandada pelo capitão Thiago Silva, reluziu solidez e soube administrar a agressividade do ataque mexicano. Apesar de ter sobressaído na posse de bola (54% x 46%), a equipe de Osorio só conseguiu finalizar uma vez em direção à meta de Alisson. Os laterais Fagner e Filipe Luís, que ficou com a vaga de Marcelo, sofreram para marcar os pontas Lozano e Vela, mas deram conta do recado. Casemiro, o pilar do meio-campo, levou seu segundo cartão amarelo na competição e está fora das quartas. Fernandinho deve ser o substituto.
Essa é a quarta vitória do Brasil sobre o México em cinco jogos de Copas do Mundo – o outro duelo, em 2014, terminou empatado. No histórico do confronto em Mundiais, a seleção soma 14 gols e jamais foi vazada pelos mexicanos, que caíram na fase de oitavas pela sétima vez desde 1986. O próximo jogo do Brasil será em Kazan, às 15h (horário de Brasília), na próxima sexta-feira (dia 6). (Conteúdo El País – Breiller Pires/Diogo Magri)

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