Divulgação de pesquisas e a postura do mau político

A divulgação de pesquisas eleitorais nos dias atuais não terá o mesmo poder de influência que exerceu em eleições passadas. O eleitor está mais consciente, mais informado, fazendo o uso de critérios mais rigorosos para a avaliação dos candidatos, levando em consideração o respeito dado pelo político a sua opinião, deixando a decisão do voto para o mais próximo do dia em que terá a obrigação de confirmar na urna sua escolha.

Não é função de um Instituto de pesquisa influenciar eleitores, fazer papel de guru com adivinhações ou coisas do tipo. O trabalho das empresas que atuam no ramo das pesquisas de opinião pública com foco político-eleitoral é de fornecer para gestores, candidatos e demais clientes, informações que possam subsidiar o planejamento de ações futuras. O levantamento político-eleitoral nada mais é que uma espécie de fotografia momentânea com o objetivo principal de mostrar de forma precisa e confiável um cenário em estudo, seus atores e a sua evolução.

Recentemente foram divulgadas pela imprensa regional pesquisas de opinião pública realizadas com o intuito de avaliar o trabalho dos gestores de alguns municípios do extremo sul baiano e o potencial eleitoral de lideranças políticas. Como na maioria das vezes a divulgação de pesquisas tende a agradar apenas quem aparece bem, gestores e pré-candidatos que no momento estão mal avaliados contestaram parte dos resultados e atacaram os responsáveis pela publicação.

Assim como não é função dos Institutos de pesquisas e dos órgãos de imprensa atestar a competência ou incompetência administrativa e de antecipar vitórias ou “sepultar” candidaturas com levantamentos políticos eleitorais, também não é a estratégia mais inteligente de um gestor ou de um pré-candidato a cargo político contestar resultados sem argumentos técnicos. A contestação política e a ira com os resultados acabam potencializando a repercussão negativa dos fatos e faz o contestador irado agir de forma autodestrutiva.

A política é um processo constante. Um bom político não deve fazer contestações passionais ou bravatas, deve ser humilde e utilizar uma pesquisa com resultados adversos como ferramenta de trabalho para corrigir sua postura, melhorar sua imagem, entender melhor o cenário de fora para dentro com o olhar do eleitor e principalmente respeitar a opinião pública. Só assim aparecerá bem numa próxima “fotografia”.

 

Rommel Moreno é administrador de empresas, MBA em gestão estratégica de marketing e RH. Dirige desde 2008 o Centro de Desenvolvimento Insight e o Instituto Foco Pesquisa & Desenvolvimento.

Comentários

Ir ao topo da página