O palco dos palcos

Eram quase 500 convidados (empresários, intelectuais, artistas, jornalistas e políticos), numa manhã de sexta-feira de março, lotando o auditório do Arraial D’Ajuda Eco Resort, para assistir a palestra do publicitário Nizan Guanaes sobre turismo no Extremo Sul da Bahia. Por não conhecerem de perto esse inquieto soteropolitano, não imaginavam que iriam ouvir bem mais do que o tema que estava escrito no convite.

Tudo começou como o esperado. Apresentação de grupos folclóricos, disputa pelas cadeiras das primeiras filas, fala dos anfitriões, canetas e blocos para anotações. E a ansiedade da plateia chegou ao fim, quando o baiano, da linha de outros apaixonados pela terra, subiu ao palco para falar. Sendo uma sexta-feira, dia de Oxalá, o Nosso Senhor do Bonfim, Nizan estava de branco, da cabeça aos pés, numa monocromia cortada apenas pelo cinto de couro preto.

Daí em diante foi único na cena: falou de tudo. Ideias brilhantes e avançadas sobre o turismo da região, da virada na sua vida apostando no marketing digital, por sua amada DM9, da sua crença religiosa conhecida pelo mundo afora, da sua simpatia pelo partido dos tucanos, da Reforma da Previdência, que comparou com o tratamento que fez para emagrecer: “cheguei a pesar 200kg e fui obrigado a comer menos, mesmo com fome. Fiz a minha reforma da previdência para ter saúde e vivo bem com a metade do peso que cheguei a ter”.

Elba e Bethânia

E entre um assunto e outro, Nizan deixou propostas no ar, como a criação do movimento “Amigos do Quadrado de Trancoso”, elogiou o que era para elogiar e criticou o que era para criticar. O alvo repetido em vários momentos da palestra, e que até hoje é assunto em todos os cantos de Trancoso e Arraial D’Ajuda, foi o jeito com que o casal Lovatelli (Sabine e Carlo) administra, cuida do Teatro L’Occitane. Não aliviou e falou apaixonado: eles elitizaram demais o espaço.

No quesito elogios, Nizan resguardou o presidente honorário Reinold Geiger, dono do grupo L’Occitane en Provence: “gente finíssima, humilde e simpático”. E fez questão de falar da qualidade arquitetônica do teatro e do caráter erudito do Festival de Música de Trancoso, mas voltou a censurar o desdém dos diretores a uma oferta de Elba Ramalho e Maria Bethânia para uma apresentação no espaço. “Isso é um absurdo, quem diz não a essas duas artistas? É loucura. O teatro tem potencial para ser o Centro Convenções de Porto Seguro, um lugar lindo, mas que precisa servir à população para fugir do risco de virar um elefante branco”.

Aplausos

O Teatro L’Occitane, que foi batizado com o nome do seu grupo mantenedor, conta com palco aberto de 254m², palco coberto de igual tamanho e mais de 2 mil lugares, tem ainda oito salas com tratamento acústico e térmico, seis camarins e dois vestiários coletivos, além de backstage completo. Uma infraestrutura capaz de chamar a atenção dos cidadãos de todas as nações, idealizada pelo arquiteto de Luxemburgo, François Valentiny, que tem como referência profissional o brasileiro Oscar Niemeyer.

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