Jonathan Molar: Teixeira tem uma pluralidade muito forte, mas precisa construir a sua identidade

Fotomontagem: Extremus21

Os especialistas, pesquisadores e curiosos do universo político de Teixeira de Freitas, vivem em busca de explicações mais claras sobre um ponto fora da curva que espontaneamente aparece em todas as pesquisas para as eleições deste ano, Jonathan Molar. Um sobrenome sem muita tradição no extremo sul, mas, que de uma hora para outra é conhecido e falado em todos cantos da cidade. Para compreender melhor é preciso voltar no tempo, saber de onde veio essa semente portuguesa, plantada no italianíssimo bairro da Mooca, e regada no Belenzinho, em São Paulo.

É uma história pra ser contada pelo representante comercial Jone e pela professora Tânia, casal que desde cedo se preocupava e se encantava com a rapidez como as coisas aconteciam para seu primeiro filho, que velozmente concluiu o primeiro e segundo grau nas escolas do bairro e aos 16 anos entrou na Universidade Estadual do Paraná, em Ponta Grossa. Como tudo para este adolescente acontecia na “velocidade da luz”, ainda muito jovem concluiu os cursos de História e Direito, fez mestrado e aos 26 anos doutorado, já em Curitiba, na Universidade Federal.

Enquanto concluía os dois cursos de graduação, achou que devia ajudar os mais carentes a entrar na universidade pública. Com o apoio de colegas e da igreja católica, que cedeu um salão, criou um cursinho pré-vestibular gratuito, que acaba de completar 10 anos de vida. O Cursinho Imaculada Conceição, homenagem à padroeira, já ajudou na aprovação de mais de 2 mil universitários paranaenses.

Depois de tanto estudo, compreendeu que precisava trabalhar para se manter e ajudar sua pequena e simples família –  pai, mãe e uma irmã mais nova. Saiu à luta: disputou o concurso para professor de história na Universidade do Estado da Bahia. Aprovado, não esperou o dia de defender a tese de doutorado em Curitiba, e no início de 2011 se apresentou na Uneb, em Teixeira de Freitas. Chegou, gostou, trabalhou e três anos depois trouxe toda família para cidade que escolheu para viver.

Para conhecer e entender a história desse docente (ensina História na Uneb e Direito na Pitágoras), e hoje vereador combativo da Câmara Municipal, o extremus21 convidou o experiente conhecedor da vida da cidade, o editor do Foco no Poder, Dilvan Coelho e o publicitário Manoel Vasconcelos, também responsável pelas fotos. Jonathan Molar chegou na hora marcada, acompanhado do assessor Jonatas Jesus.

Esta é a primeira de muitas entrevistas que, semanalmente faremos aqui na nossa redação. Leia os melhores momentos de mais de uma hora de conversa.

(Chico Vasconcellos)

 

Foto: Manoel Vasconcelos/ Extremus21

 extremus21 O que fez você, um paulistano da Mooca, criado no Belenzinho, graduado, mestre e doutor no Paraná, entrar na política de Teixeira, já disputando uma cadeira na Câmara?     

Jonathan Molar – Vamos por parte, vou chegar na sua pergunta. Primeiro porque a mudança do Paraná para a Bahia tem a ver comigo, porque gosto de conhecer outras culturas. Não tenho a ideia que você precisa, necessariamente, nascer e morrer naquele lugar. O Brasil é grande, todos os Estados pertencem ao Brasil, e eu sempre achei interessante a cultura baiana, mesmo não conhecendo profundamente. Pela minha formação na área da História você aprende a respeitar e querer entender para conhecer. Eu já estava há alguns anos querendo sair do sul. Meu eixo sempre foi o Sudeste e o sul, cheguei a morar na Argentina, fazendo crédito de doutorado, voltei para Curitiba. Surgiu um concurso pra a Universidade do Maranhão, mas São Luís era muito longe e era pra uma vaga para mais de vinte candidatos. Uma semana depois saiu um concurso para a Bahia e a área que eu queria era pra Teixeira de Freitas. Passei e vim, mas com um pensamento claro se eu não gostasse voltaria e faria outro concurso no Sudeste, se gostasse tocaria a vida.

e21 E como foram os primeiros dias da sua chegada?

JM – Como sempre o primeiro ano foi de adaptação, mas logo percebi que 75 a 80% das pessoas que moram em Teixeira não são teixeirenses: são mineiros, paulistas, capixabas, pernambucanos, baianos de outras cidades.  É por isso que muita gente fala que Teixeira não é Bahia. Pra mim é uma cidade que está construindo sua identidade. Você está tendo agora uma geração de teixeirense, uma molecada de 12, 14, 18 anos. Na sala de aula quando pergunto quem é teixeirense, levanta a mão os mais jovens, os da minha idade vieram de algum outro lugar. Me chamou muito atenção que as pessoas não nasciam em Teixeira, adotam Teixeira e Teixeira adotava eles. Isso me ajudou muito na adaptação. Se por um lado a cidade não tem uma identidade baiana, ela ganha com a pluralidade interessante. Você pega a cultura mineira, a paulista, a capixaba, a carioca, a própria cultura baiana.

e21 – Então você acha que Teixeira precisa criar a sua própria identidade?

JM – Acho interessante. Teixeira precisa criar uma identidade, mas não uma identidade fixa, uma identidade flexível, que consiga lidar com as diferenças. Como disse, logo no primeiro ano achei uma cidade com muita oportunidade em desenvolvimento, tanto pra cidade, como para as pessoas que estavam chegando. Na Uneb mesmo, hoje uma grande parte dos professores não são baianos, são de outros estados, chegam, gostam e fixam residência por aqui. Hoje meus pais, minha irmã e meu cunhado moram em Teixeira, meu filho é teixeirense, minha esposa é de Caravelas. Eu criei vínculos, criei raízes.

e21 O que a gente sabe é que você, logo que chegou, paralelo ao ensino começou a fazer projetos sociais aqui em Teixeira. Já passava por sua cabeça entrar na política propriamente dita?

JM – Eu faço projeto social há 10 anos. O primeiro que fiz foi com dois colegas – eu formando em História, um da Geografia e um da Biologia. Montamos um cursinho pré-vestibular gratuito. Naquela época, quem tinha condição pagava um bom cursinho e tinha mais chance num curso de Direito, Engenharia, etc. Eu, sou católico e frequentava a paróquia e vi que tinha uma sala com cadeira, lousa e estava fechada. Pedimos ao padre Zezinho a sala para montar o curso, acredito que ele não levou fé, mas cedeu. Começamos com 40 alunos e 7 professores voluntários. Esse ano fui lá nas comemorações dos 10 anos. O colega da Geografia (Rodrigo) continua coordenando. O cursinho tem 300 alunos e 55 professores voluntários. Ele aprova mais do que os cursinhos particulares da cidade. Foi um sonho, hoje uma realidade. O nome é Cursinho Pré-Vestibular Imaculada Conceição.

e21 Bom, sabemos como foi o começo da sua história com projeto sociais no Paraná, vamos tentar entender como ela se fez em Teixeira…

JM – Nos dois primeiros anos de Bahia, fui entender a cidade para tentar fazer trabalho social. Era outra realidade, jeito e infraestrutura diferentes. Primeiro precisava conhecer. Meus alunos falavam, mas fui com eles conhecer bairros como São Lourenço, Liberdade, Tancredo. Começamos com cinema para as comunidades, usando o auditório da Uneb. Passávamos filmes e depois debatíamos. Depois comecei a fazer projetos de extensão dentro da universidade. Os alunos queriam trabalhar dentro das comunidades, se envolver mais e me envolvi junto.

e21 Esses projetos são interessantes, mas não eram meio assistencialistas? O que acha do assistencialismo nos projetos sociais?

JM – Eu acho que o assistencialismo é bacana, mas entendo que ele deixa a pessoa sempre dependente de você. Não vejo isso como positivo. Nós fazemos algumas ações assistenciais, mas eu gosto muito de trabalhar no polo formativo. Há 3 ou 4 anos criamos um projeto chamado cozinha solidária, nós capacitávamos mulheres na área da culinária básica – marmitas, salgados, doces pra festas. Depois, em parceria com a Uninter, criamos cursos de quatro e seis meses, para preparar jovens ao primeiro emprego. Já capacitamos mais de 500 jovens para o mercado.

 

Foto: Manoel Vasconcelos/ Extremus21

e21 Nesse momento você já pensava em entrar na política, se candidatar à Câmara, ser prefeito…

JM – Peraí, vou responder a sua pergunta. O que me levou a ir para política… Eu sempre fui politizado, mas nunca fui político partidário. Nunca fui filiado a partido nenhum; até por entender, com raras exceções, que partido político no Brasil tem dificuldade muito grande. Já se foi o tempo que partido no Brasil tinha uma identidade ideológica. Tem muita interferência econômica, política e homogeneidade ideológica é muito difícil. Sempre tive um pé atrás com partidos. Quando você começa a fazer projetos sociais não percebe que eles não têm apoio do Estado – isso não é só aqui, é em Ponta Grossa também.

e21 – Eles têm medo do surgimento de novas lideranças a partir desses projetos.

JM – E tem uma questão, quando você faz projeto social sério não tem 10%, não tem acordo com ninguém. O Estado brasileiro nasceu com a base na corrupção. Aí você começa a observar que quem te ajuda é sociedade civil, um empresário, um pequeno e médio comerciante, alguém do povo. Mas você não faz mais porque não tem apoio do Estado, o grande fomentador de projetos sociais.  Eu cito dezenas deles que nâo tem nenhum apoio do poder público. Isso começou a me incomodar.

E21 Sim, estamos curiosos, como foi que acendeu a luzinha da política partidária?

JM – Eu estava dando uma aula na Uneb, falando de política de um modo geral, lascando pau na corrupção, nos esquemas, essa coisa já enraizada no Brasil. No final da aula, uma aluna levantou e perguntou: professor, por que o senhor nunca se candidatou a nada? Eu respondi que tinha sérias resistências a partido político, etc. Em cima da minha explicação ela cobrou: o senhor fala tanto de política, gosta tanto de política, será que não está na hora de dar a cara à tapa? Aquilo mexeu comigo. Uma coisa é falar da política, dos políticos de fora, outra coisa é tornar-se vidraça. Daí foi surgindo esse interesse por candidatura, mas evitando misturar com os projetos sociais. Fiz um pacto comigo mesmo que ganhando ou perdendo os projetos continuariam do mesmo jeito. Claro que não sou ingênuo de negar que eles nos ajudam.

e21 – Usando suas palavras, os projetos sociais foram importantes na sua eleição.

JM – A população hoje, ainda bem, não vota mais porque lhe conhece, ela quer saber se você tem trabalho prestado, o que faz pela cidade. Já foi o tempo que só o nome elegia.

e21 Pela ordem dos mais votados, qual a sua classificação?

JM – Fui o vigésimo, com a proporcionalidade passei para o 16° lugar. Valcir foi o primeiro do meu partido e eu fui o segundo. Quando é que surge a questão partidária… Faltando uns 35 dias para o fim das filiações encontrei o Valcir na cantina da Uneb (não o conhecia bem, não era seu amigo), sabia que era uma pessoa que todos falavam bem, tem uma história longa na cidade. Ele foi direto e me perguntou se eu não tinha interesse em candidatura. Respondi que nos últimos seis meses tenho pensado nisso, considerando a falta de apoio aos projetos sociais, considerando o momento político do país… e questionei  o motivo da pergunta. Ele foi claro e disse que já tinha sido candidato, que estava no partido Solidariedade e que o presidente do municipal, Caio, ia ser candidato a prefeito.

 

Foto: Manoel Vasconcelos/ Extremus21

 e21 E o próximo passo?

 JM – Bom, falei que não conhecia Caio pessoalmente, conhecia o prefeito João, de ouvir falar, porque era prefeito e ouvia muito falar do Temóteo, uma lenda, a gente admite isso. E veio a pergunta: você topa conversar com Caio? Uma semana depois estava conversando com ele, ouvindo suas propostas para a cidade. Muitas delas tinham a ver com o que pensava. Foi aí que me filiei, sem saber se seria candidato.

e21 Você não foi chamado para ser candidato por outro partido?

JM – Não, até porque eu não tinha militância no meio político. Foi tudo muito novo, muito rápido. E decidi encarar.

e21 Vamos pular a campanha e chegar nos dias do seu mandato de vereador. Como é que você está enxergando o papel da Câmara a atuação dos seus novos colegas? Era o que você esperava?

JM – Eu entrei na política sabendo, não foi de maneira ingênua, sabia que ia encontrar muitas pedras no caminho para fazer a política que eu queria fazer. Devo muito aos meus alunos, devo muito às pessoas que me confiaram o voto e você sabem o quanto é difícil fazer a pessoa acreditar em você e se fazer representado pelo voto. Eu não prometi nada, porque sabia que não podia prometer o que você não tem condições de cumprir. Eu tinha consciência que órgão legislativo é colegiado – eu podia até querer fazer, mas se outros não quisessem…

 

e21 Explique melhor.

JM – O cenário de Teixeira não é diferente do resto do país. É histórico. Criou-se os três poderes – o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. A ideia é que eles se fiscalizem entre si: pesos e contra freio. Quando há uma relação de apadrinhamento, quando é mais forte o diálogo familiar você perde o caráter fiscalizatório, é uma dificuldade.

e21 Como é formada a composição da Câmara? Quantos da chamada base do Governo e quantos vereadores são oposição?

JM – Pelo que é sabido a maioria defende o Governo. Eu tenho conseguido dialogar com eles dependendo da questão, do apoio a algum projeto, etc. Há limites diferentes, alguns estão mais comprometidos com a base, outros nem tanto. Sei a quem devo procurar para ajudar em tal projeto, as vezes esse que apoiou nesse projeto é contra em outro. E assim vai. Uma coisa que nunca me furtei foi abrir diálogo, sempre dialoguei com todos. Eu sempre prezo a minha posição. Não sou oposição, sou independente. Se eu acho que acertou, uso a tribuna e elogio, se eu acho que errou, volto à tribuna e critico, sempre propondo novas possibilidades. Criticar por criticar não resolve.

e21Dê um exemplo.

JM – Quando a Prefeitura fez o Domingo de Lazer, alí na Getúlio Vargas, eu fui o primeiro a subir na tribuna e parabenizar o secretário de Esportes, o prefeito, a equipe, porque Teixeira não tem área de lazer, teria uma alternativa, mesmo improvisada. Quando o Departamento de Cultura levou os cursos de teatro, balé, música para os bairros, fui o primeiro a dar parabéns ao diretor e ao secretário de Educação. Entretanto, eu não posso me fingir de cego para não criticar os problemas da saúde pública, do reordenamento escolar.

e21 – Na sua visão, qual é o principal calo, ou os principais da administração?

JM – Na minha visão?

e21 Claro…

JM – O principal problema é a saúde, que já vem se arrastando há mais de ano. Na verdade, o problema já vem desde o final 2016, mais vem se arrastando em 2017 e 2018, vamos ser sinceros. A Educação se torna um problema mais drástico, mais latente. Não sou contra reordenar, até porque a Prefeitura tem de sair do aluguel, mas não da maneira que se pretende reordenar, rápida, em três meses. Não existe condições orçamentária, nem planejamento.

e21 – É incompetência do povo responsável, má vontade?…

JM – Acho que faltou planejamento. Tentou se cortar um recurso muito rápido, que na minha leitura podia ter sido cortado antes. Vou te dar um exemplo: Eu não sou contra festa, gosto e vou, mas se você vive um momento de crise dentro do orçamento municipal, cortando 500 ou 600 mil dos aluguéis da escolas em nome da economia, como é que pode gastar quase 700 mil em atividades festivas, sem discriminação de cada uma? Eu disse para o secretário Hermon, mesmo sabendo que ele recebe ordens de cima pra baixo, por que ele não usa o ano de 2018 para fazer essa transição de maneira suave? E continuei: quantas escolas vocês pretendem construir? Ele respondeu três ou quatro. Eu disse, então é simples: construa uma a uma, passe os alunos para os prédios próprios. Em dois ou três anos tá tudo resolvido. Não tente fazer isso em dois ou três meses. Tentou recuperar as escolas às pressas, e o resultado todo mundo sabe. Teve escola que está cobrindo há dias atrás, outras sem carteiras, etc.

e21 – Isso não é só falta de planejamento, alguma coisa tá errada.

JM – É falta de planejamento e mau uso dos recursos públicos.

E21 Mudando um pouco do assunto, para não misturar as instalações. A última pesquisa Datafolha aponta a corrupção como o principal problema brasileiro, passando na frente do desemprego, saúde e educação. Qual é a sua opinião sobre esse cenário?

JMMeus pais não queriam que eu me candidatasse (Jonathan você é doido! Nâo se meta nisso. Você é professor efetivo na Uneb, tem mestrado, doutorado, é advogado. Você pode fazer um concurso da magistratura.). Eu expliquei esse passo-a-passo. Eles não queriam porque tinham medo, insegurança, porque no Brasil política é sinônimo de corrupção, de ódio, de baixeza agressiva do ponto de vista pessoal. Então eu fiz um compromisso com eles e com quem estava me seguindo, que, fosse quem fosse o prefeito eu seria independente.

e21O jeito Temóteo de ser, de governar não ajuda na sua independência?

JM – Não é porque é Temóteo. Se fosse João, se fosse Marta, se fosse Caio. Quantas e quantas vezes eu discuti ideologicamente com o Caio! Ele pensa uma coisa e eu penso outra. É natural.

e21Você, como vereador, tem acompanhado de perto a atual administração?

 JM – Quando comecei o mandato eu fui até o secretário de Saúde, o Archangelo, meu amigo pessoal, e apresentei o meu relatório da saúde, dizendo, passe para o prefeito. Eu visitei o Hospital Regional, UPA, UMMI, 12 postos de saúde e fiquei muito assustado com o que vi. Pessoas morrendo por falta de um ventilador, apesar da boa vontade dos funcionários, que faziam o possível e o impossível.

e21 – E esse relatório chegou nas mãos do prefeito?

JM – Acredito que sim, imagino. E disse: aqui uma cópia pra você. Se não tomar providências vou fazer denúncias no Ministério Público e vou levar para Câmara. Aguardamos algumas semanas e não vi nada. Voltei lá e os serviços estavam do mesmo jeito.

e21 Foi na época que ele não quis lhe receber?

JM – Foi um pouco antes disso. Ele ficou muito chateado comigo por causa disso. Ele entendeu, ou entenderam e ficavam sussurrando no ouvido dele que eu estava fazendo isso porque era contra ele. Eu não sou contra ninguém. É lógico que tenho diferenças ideológicas, mas não sou contra pessoas. Nem conheço ele bem pra isso. O que é que fiz, levei para o Ministério Público, levei para Câmara. Sobre o reordenamento escolar fiz a mesma coisa.

e21 Ministério Público Federal ou Estadual?

JM –Os dois. Tem verbas do Estado e da União. Eu levei em abril cinco processos administrativos pedindo que a Prefeitura se explique sobre as denúncias que fiz. Sei que as coisas no Brasil demoram um pouco. Eu não entrei na política para ter enriquecimento próprio. Mesmo sendo legal, achei o 13° para os vereadores imoral. Votei contra. Quando saiu peguei todo o valor e distribuir para entidades sociais.

e21 – Como vereador como você pode ajudar extirpar a corrupção que hoje assola o país?

JM – Da minha parte pautei meu mandato em duas diretrizes. A primeira priorizando projetos coletivos, como a redução da taxa da Embasa, e a publicação na internet a lista de pessoas que estão na fila para cirurgias, evitando que apadrinhados entrem na frente. Segundo ponto um combate à corrupção, denunciando qualquer situação que surja na minha frente, mesmo sabendo que como vereador não posso fazer muito.

e21 Vamos direto: nas eleições deste ano você vai ser candidato a deputado – federal ou estadual?

JM – Olha se meu nome está nas ruas, simplesmente porque faço o que meu cargo exige. Veja bem: em torno de 50% dos projetos da Câmara foram de minha autoria, dos aprovados, metade também nasceram no meu gabinete. Não estou criticando meus colegas, apenas digo que eu legislo, eu fiscalizo. Noventa por cento das denúncias do Ministério Público, da Defensoria Pública são de minha autoria.

e21 Você não respondeu, você é candidato a deputado federal ou estadual?

JM – Eu te digo, hoje não sou nem federal, bem estadual. Eu tenho que passar por dois processos. Um dentro do partido e o outro é o de aceitação popular. Se o povo deseja uma candidatura diferente, eu me coloco, sem dúvida nenhuma.

Mas o meu partido tem o vereador Valci e Caio, que se coloca como candidato a deputado federal.

e21 Você tem conhecimento de alguma pesquisa?

JM – Eu soube de algumas que em alguns cenários a gente pontua. Mas o negócio começa a esquentar agora. Uma coisa é -população. E eu faço parte de um grupo político que devo respeitar a tomada de decisão.

e21 Na sua cabeça que será o futuro presidente da República?

JM – Pergunta difícil. Se você tivesse me perguntado em qual deles eu votaria, repondo que não tenho esse candidato com 100% de certeza. Tenho uma candidatura que me agrada, pela postura, que é a do Joaquim Barbosa. Extremismo na política, seja pra lá ou pra cá, me causa um pouco de medo. Joaquim é um candidato interessante.

e21 Voltando para o debate da construção da identidade teixeirense. Existe algum movimento social, empresarial, que atrapalha esse processo?

JM – Teixeira tem famílias tradicionais que ainda tomam conta da cidade por 35 40 anos. Não só no sentido político, mas no fazer a cidade. Não sou contra isso, mas o conservadorismo desse tomar de conta não permite que a cidade consiga se renovar, se reconstruir na sua identidade.

  e21 Se você fosse prefeito da cidade o que faria para construir essa identidade teixeirense?

JM – Eu investiria em Cultura. Ela é a base de tudo. A Cultura é importante para construir uma identidade. Investiria na Área Social. Teixeira é uma cidade muito migratória. As pessoas chegam, saem, alguns voltam. Ainda existe esse movimento de idas e vindas. É como eu disse anteriormente, o pai não é de Teixeira, mas o filho é. Eu não sou de Teixeira, mas meu filho é teixeirense. Ele vai ser sempre teixeirense. Você consegue construir identidade por dois modos: pelo lugar onde você nasce, ou pelo lugar onde você mora.

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