O sim, o não e o talvez da ampliação do Frisa

Teve muita gente que chegou a comemorar, em novembro do ano passado, 2016, a anunciada ampliação do Frigorífico Frisa, um dos principais produtores de carne bovina do Brasil, que no Extremo Sul tem unidade em Teixeira de Freitas. A possibilidade de investimento de capital e geração de emprego e renda foi amplamente divulgada, inclusive, por políticos apadrinhando a negociação. O contrário aconteceu quando a transação foi abortada, depois da extinção contratual, coisa que aconteceu em 05 de janeiro deste ano, com anúncios bem mais discretos.

O fato é, que os empregos, tão bem vindos em épocas de crise econômica, não vieram. Pra entender o cenário, a taxa de desemprego no país fechou 2016 em 12% da população economicamente ativa, a média do ano ficou em 11,5%. Entre os estados, a Bahia ficou com o índice mais alto, 36,2%.

A faísca no fim do túnel aparece quando se considera o que dizem representantes da Frisa, que mesmo sem explicar detalhes, falam que haverá a expansão de vagas, talvez em 2017, junto com uma provável ampliação. O gerente administrativo da unidade Teixeira de Freitas, Roque Bianchi, fala em mais 100 vagas de emprego local, caso haja o crescimento.

Automaticamente extinto

Esse aumento do Frisa, anunciado em 2016 para acontecer em 2017, seria possível porque a companhia Minerva Foods, segunda maior exportadora de carne e a maior exportadora de gado vivo do Brasil, estava disposta a investir R$ 205 milhões pela transferência da titularidade das ações – representativas de 99,56% do capital social total, sendo 100% do capital social votante, e 98,41% sem direito a voto – mais capital de giro, calculado em R$ 45 milhões.

À época, a Minerva chegou a publicar em nota que o preço da aquisição poderia ser ajustado para cima ou para baixo, conforme variação do capital de giro. Só que em janeiro, o contrato foi extinto. A Minerva conta que a Frisa não apresentou todos os documentos exigidos. Foi especulado que esses papéis seriam relacionados ao quadro de empregos. Já a Frisa, em nota, deixa a responsabilidade para a Minerva, apesar do “inobstante o esforço de ambas as partes, algumas das condições precedentes previstas contratualmente, de responsabilidade do comprador, não foram concluídas dentro dos prazos previstos” e com isso o contrato teria sido automaticamente extinto.

Ainda tem chance

O interesse da Minerva Food, em relação ao frigorifico, seria a receita líquida de R$ 942 milhões (2015) e seu potencial de exportações, representando 33% das vendas totais, com certificação para vender até para a China e Estados Unidos. E tem também a estratégia de diversificação geográfica, com distribuição em ES, BA e RJ. A companhia chegou a cogitar a retomada da negociação, caso o Frisa apresente toda a papelada pedida.

O frigorífico Frisa tem origem capixaba e unidades em Colatina (ES), com capacidade de abate de 500 cabeças/dia; Nanuque (MG), de 800 cabeças/dia; e Teixeira de Freitas (BA), 400 cabeças/dia, além de um Centro de Distribuição e escritório em Niterói (RJ).

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