Professores vestem preto contra a violência e em solidariedade à colega agredida

Professores de preto fazem manifestação silenciosa contra a violência

Na manhã desta segunda-feira, 26, em Teixeira de Freitas, os professores vestiram preto, indignados e confusos com a violência sofrida por uma colega. Inêz Aparecida da Silva foi vítima da própria aluna M.M, uma menina de 13 anos que a atacou com socos e pontapés, dentro da sala de aula, na Escola Clélia das Graças, no bairro Santa Rita.

Inêz, na sexta-feira, ao entrar em sala, viu M.M. sentada no braço de uma das carteiras e pediu para que se assentasse de forma correta para evitar dano no móvel e, por consequência, que se machucasse. Antes de bater, a aluna xingou a professora com palavrões.

No espaço que deve ser de troca de saberes, a cena chocou os estudantes, um dia antes da Caminhada Pela Paz na cidade. A repercussão levou os professores do município a esta manifestação silenciosa. Muitos que no sábado vestiram branco em nome da paz, usaram preto nesta segunda-feira, contra a violência.

O Secretário Municipal de Educação, Hermon Freitas, orientou os diretores escolares para que, em cada escola, fossem feitas orações pela paz e respeito.  E, em nota, lembrou que “a escola ensina português, matemática, história (…)”, mas que é responsabilidade das famílias, educar com valores morais e éticos.

As manifestações de apoio chegaram até Inêz também pelo Facebook. “Colega! Me solidarizo com você! O que ocorreu contigo me agrediu na alma, e creio que a todos os professores!”, escreveu Helga Louise Magalhães. 

Professora Inêz

A professora Jilnete Santos, da Escola Municipal Cardoso Neto, teme pela banalidade da violência e clama pelo respeito, avaliando que “a sociedade que não respeita estes profissionais só demonstra a decadência e a fragilidade de um sistema. É preciso educar e reeducar-se para o respeito. Professor em seu horário de trabalho sendo agredido por exigir o cumprimento de normas impostas da instituição escolar é inadmissível! Um profissional da educação agredido responde em todos nós, já vítimas dessa mais valia e dessa vergonhosa remuneração. É preciso que as instâncias encontrem formas de impedir tais agressões, já que para os jovens existem suas defesas. Não vamos nos calar!”.

A indignação toma até quem já deixou as salas de aula, como é o caso da esteticista Carmen Ribeiro, que lembra da conduta anos atrás. “Já fui aluna e o respeito pelos professores vinha em primeiro lugar. Já fui professora e os valores e respeito pelo professor continuavam. Professores eram a autoridade. Mas parece que isso se perdeu no meio do caminho. É lamentável.”

O comunicador Alex Figueiredo, resumiu seu sentimento em uma palavra: “absurdo”. Há quem defenda que a menina seja apresentada ao Conselho Tutelar, como é o caso de Rogério Pereira.

Para o Conselheiro Tutelar Vitor Volejo, que se manifestou como cidadão, esse ato de violência é uma consequência de algumas carências sociais, pois “para cada a ação haverá uma reação”. E, “como a família e o Estado não vem cumprindo seu papel básico haverá sempre, e em números sempre maiores, esse tipo de reação”. A revolta dos profissionais da educação encontrou apoio na sociedade.

Professores municipais engajados e e mobilizados contra a violência ao professor
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