Religiosos a favor do ecumenismo criam Grupo de Vivências

Pr. Davi, Pe. Fabiano e Pe. Celso

No dia 14 de março de 2018, um grupo de religiosos cristãos de diferentes denominações reuniu-se, pela primeira vez, a convite do padre ortodoxo Celso Kallarrari, no auditório da UNEB, Campus X. Naquela oportunidade, definiu-se que o grupo seria chamado de “Grupo de Vivências Ecumênicas”, por ser formado por um conjunto de Igrejas Cristãs Tradicionais. Discutiu-se também ali sobre a realização no mês de maio da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – SOUC, organizado pela Igreja Católica Romana – ICAR, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia – ISOA e Igreja Evangélica de Confissão Luterana – IECLB, cuja temática é “A mão de Deus nos une e nos liberta” (Ex 15, 1-21). O grupo conta com a participação do padre Celso Kallarrari – ISOA, do Padre Fabiano – ICAR, do pastor Davi Haesi – IECLB e do pastor Oséias Santos da Primeira Igreja Batista de Teixeira de Freitas – PIBATEF. Estas Igrejas fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC.

Oração de Norte a Sul

Neste ano, no hemisfério sul, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – SOUC acontecerá entre os dias 13 a 20 de maio. Ela é promovida pelo Conselho Pontífice para Unidade dos Cristãos (CPUC) e pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), e acontece em períodos diferentes nos dois hemisférios. De acordo com o CONIC, “No hemisfério Sul, por sua vez, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem, em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja. No Brasil, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) lidera e coordena as iniciativas para a celebração da Semana em diversos estados”.

No hemisfério norte, o período tradicional para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) já aconteceu entre os dias 18 a 25 de janeiro. É importante lembrar que essas datas foram escolhidas por Paul Watson, em 1908, por conta do seu conteúdo simbólico, uma vez que é, justamente, nessa época que acontecem as festas de São Pedro e São Paulo.

Papa e Patriarca- encontro em Janeiro

O fortalecimento da união

             De acordo com o padre Celso, o convite para a Caminhada pela paz, convocada por Dom Jailton de Oliveira Lino, foi também um grande incentivo para o início de passos concretos rumo ao diálogo ecumênico. Do ponto de vista teológico, o ecumenismo é o diálogo entre cristãos que professam a mesma fé em Jesus, na Santíssima Trindade, no Mistério Pascal e na Redenção de Cristo, conforme o Novo Testamento. Nesse sentido, o grupo busca estimular a todos os cristãos, neste período ímpar de oração pela união, a oração em comum pela unidade cada vez mais plena, conforme o desejo de Jesus Cristo em João 17, 21, além de expressar o grau de comunhão já atingida pelas nossas respectivas Igrejas.

O intuito, segundo o Padre Celso, que teve a experiência de encontros ecumênicos em Goiânia, é de reunir e buscar viver a dimensão ecumênica “tão almejada pelos nossos líderes espirituais que desejam que nossas Igrejas busquem maior aproximação, desfazendo-se dos rancores e desentendimentos do passado”. Ele diz ainda, que é preciso derrubar os muros da inimizade que foram construídos, ao longo de milênios, pelos nossos pais. É esta, portanto, nossa missão, no mundo contemporâneo. “Precisamos fazer as pazes, unirmo-nos, fazer acontecer, de fato, a oração de Nosso Senhor Jesus Cristo, qual seja, “Que sejamos um”, mesmo na diversidade, ou melhor, respeitando a diversidade”. No evangelho de João, lembra ele, Jesus, sabendo dos perigos eminente dos cismas e rupturas, pediu ao pai em oração: “Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” (Jo 17, 11b). Logo, “não estamos fazendo nada mais que buscar atender um desejo de Jesus, qual seja, que a sua Igreja volte a viver a unidade. Por que eu disse a sua Igreja? Porque, na verdade, Jesus criou apenas uma Igreja. Nós, por conta dos nossos desentendimentos e divisões, rompemos com a unidade adquirida de Cristo”. Desse modo, o religioso afirma que o diálogo ecumênico é um desejo de Jesus, a fim de que o mundo creia Nele.

Pe. Celso Kallarrari (foto: reprodução da internet)

Para o padre Fabiano, que já viveu a oportunidade de encontros ecumênicos no período do seminário, o Grupo de Vivências Ecumênicas busca fortalecer os laços sem, todavia, “deixar de sermos nós mesmos, ou seja, perdermos nossas identidades”. Nesse primeiro encontro, diz padre Fabiano, “percebi o desejo sincero de dialogarmos, rezarmos juntos, estarmos unidos num só coração, a fim de que a concretização da fraternidade em nós, de fato, aconteça”. Esta é a forma de “cumprirmos em nós o desejo de Jesus de “sermos um”. Muitas vezes, focamo-nos no pecado, no sentido de proibição, ou ligado à sexualidade, a afetividade. Lógico que é pecado. Entretanto, acredito que o maior pecado é o pecado contra a unidade, porque está fazendo um rasgão no tecido eclesial”, destaca ele, que completa: “então, estou muito feliz, verdadeiramente feliz por poder fazer parte de um grupo, onde é possível exercer, sem demagogias, práticas ecumênicas”.

Pe. Fabiano (foto: reprodução da internet)

De acordo com o Pastor Davi Haesi, “precisamos desenvolver e fortalecer em nós o diálogo fraterno. Que esses gestos se repitam em outros momentos e espaços, como sinal de respeito, unidade, fraternidade, tolerância e comunhão. Deus possa nos guiar em seus braços de misericórdia e bondade, conforme o texto de Romanos 8, 28 nos intrui: “Pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem Ele chamou de acordo com o seu plano”.”

Pr Davi

De acordo com o pastor Oséias, da 1ª Igreja Batista de Teixeira de Freitas – PIBATEF, no contexto “em que vivemos, precisamos pensar sobre a religião dos brasileiros a partir de uma perspectiva dialética, ou seja, seria essa a melhor forma de entendermos as incidências provocadas pelas três fases da modernidade no Brasil”. Nesse sentido, “compreende-se o novo processo de reorganização das identidades religiosas, como uma forma de militar contra as exclusões e guerras entre as religiões, consolidando a porosidade religiosa”. Apesar disso, ele ressalva, “ao mesmo tempo em que se vê a metamorfose das antigas certezas, percebe-se que ainda há uma tendência pela volta ao fechamento, exclusividade e à exclusão”. Enfim, segue o pastor “essa é a nossa dialética problemática, manifestada no território brasileiro”. Por fim, ele pontua que “os tempos mudaram, o campo religioso brasileiro foi impelido a reorganizar-se, contribuindo para a falência do pseudo monolitismo religioso, abrindo espaço para a expansão do pluralismo, ou seja, para o diálogo ecumênico, para o encontro fraterno”.

Pr. Oseias Santos

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