A Rússia que os torcedores do Brasil vão encontrar

Mascote do Brasil na Praça Vermelha, em Moscou. Foto Lucas Figueiredo - CBF.

Brasileiros são o 3º maior público da Copa na Rússia, onde a população é afável, mas rejeita movimentos gays e tolera o racismo nos estádios. Veja dicas e curiosidades sobre o país.
Até maio deste ano, mais de 72.500 ingressos para a Copa do Mundo Rússia 2018 foram adquiridos por brasileiros – o número coloca o país atrás apenas de russos (871.797 entradas) e americanos (88.825) no ranking de maiores compradores do Mundial, que totaliza mais de um milhão e meio de ingressos vendidos na última parcial divulgada.
Visto que os torcedores do Brasil prometem “invadir” a maior nação do mundo em território, o EL PAÍS preparou um guia com informações a respeito das cidades que receberão a competição mais importante do futebol. Mas antes, é bom lembrar que as temperaturas na Rússia, ainda que seja verão durante a Copa, tem temperaturas mais amenas que a do Brasil.
Os russos são afáveis, mas vivem suas idiossincrasias que podem constituir um choque cultural. Herdeiros do socialismo e a da guerra fria que imperou no século XX, têm uma visão planetária diferente da quem está no Ocidente e em especial do Brasil, onde o eixo central do mundo são os Estados Unidos.
Os russos, ao contrário, entendem sua grandiosidade em contraposição aos americanos. Nada que uma vodca não ajude a quebrar o gelo. A população russa gosta de beber e de fazer amizades e tem apreço pelo Brasil.
A circulação no território russo não tem restrições, a não ser que o turista permaneça na mesma cidade por mais de sete dias seguidos – neste caso, deverá ser preenchido um formulário de Registro Migratório, normalmente encontrado nos hotéis do país e no momento do desembarque. Nenhuma vacina é exigida para visitantes brasileiros, apesar de recomendada; a carteira internacional de vacinação pode ser solicitada por autoridades russas de Imigração na entrada do país.
O Rublo russo, moeda oficial do país-sede, pode ser adquirido em conversão direta do real, dólar ou euro; para estas últimas duas moedas, ela pode ser feita na chegada ao país. Para mais informações, a Embaixada Brasileira na Rússia disponibilizou uma página com contatos de emergência e procedimentos necessários para a visita de turistas e uma cartilha de 134 páginas com mais informações sobre o que evitar no país, documentos, clima e moeda. Serão abertos, ainda, cinco novos postos consulares na Rússia para garantir assistência aos brasileiros, nas cidades de Kazan, Samara, Rostov, Sochi e São Petersburgo.
Caso a opção feita seja pelo carro, a carteira de habilitação do Brasil tem validade na Rússia, mas precisa ser expedida por um DETRAN, traduzida em russo e autenticada nos consulados do Brasil ou do país europeu. A carteira de habilitação internacional também pode ser usada. Não existem muitas diferenças entre o modo de dirigir brasileiro e o modo de dirigir russo; apenas que, lá, o limite de velocidade nas rodovias varia entre 60 km/h e 90 km/h.
A relação do país com as minorias também merece atenção. A homossexualidade foi descriminalizada em 1993, mas a constituição russa tem leis que condenam “propaganda gay” visando “proteger as crianças de conteúdo homossexual”.
Segundo pesquisa feita pelo instituto Levada Center no país no início deste ano, 83% da população considera o movimento LGBTQ “condenável” – opinião que aumentou nos últimos dois anos entre pessoas abaixo de 30 anos, segundo o mesmo estudo. Seja nos grandes centros ou nas menores cidades, a cartilha do Itamaraty pede para que “demonstrações homoafetivas em ambientes públicos” sejam evitadas.
Racismo e machismo estão igualmente presentes; no último março, em amistoso entre Rússia x França, jogadores franceses negros foram discriminados pela torcida local e, na temporada 2017/18 do Campeonato Russo, foram contabilizados 51 casos semelhantes dentro de estádios com “forte caráter de extrema-direita”. Para as mulheres, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil alerta que elas “devem evitar andar sozinhas pelo país, especialmente durante a noite e/ou em áreas isoladas” e até desacompanhadas em bares com muitos homens. São 11 cidade-sedes que abrigarão 12 estádios durante a Copa do Mundo:

1. Moscou
Capital da Rússia, a cidade com cerca de 12 milhões de habitantes é a única da Copa que tem dois estádios: o Spartak, com capacidade para 42.000 pessoas, e o Luzhniki, principal estádio do país, onde cabem 81.000 torcedores. Ambas as arenas ficam no distrito central da cidade, que conta com a riqueza cultural da época de União Soviética: a Praça Vermelha, a Catedral de São Basílio e o Kremlin de Moscou são algumas das maiores atrações turísticas. A capital tem grande variedade de hotéis e hostels, com os mais caros próximos aos estádios e os mais baratos afastados do centro, e metrô e ônibus como principais meios de transporte público. O Luzhniki, além da final, também receberá a abertura da Copa, entre Rússia x Arábia Saudita; o Spartak terá Sérvia x Brasil, o último jogo da seleção na fase de grupos.
2. São Petersburgo
Cidade-sede mais ao norte do país, São Petersburgo é banhada pelo mar Báltico e tem aproximadamente cinco milhões de habitantes. Na região, está a Arena Zenit, estádio para 68.000 pessoas e casa do time homônimo. A cidade, que por décadas se chamou Leningrado em homenagem ao líder da Revolução Russa, abriga o Museu Hermitage, que tem em sua coleção mais de três milhões de peças artísticas, além do Palácio de Inverno. Linhas de metrô e ônibus compõem o transporte público do local, que também conta com uma grande variedade de hotéis, dos luxuosos aos hostels. Além da anfitriã Rússia e da Argentina, a cidade receberá Brasil x Costa Rica, pela segunda rodada do grupo E, e poderá voltar a ver a seleção nas oitavas caso a equipe de Tite se classifique em segundo lugar.

3. Kazan
A Kazan Arena, estádio para 45.000 torcedores, fica na cidade de Kazan, 800 km ao leste de Moscou. A cidade tem como principal atração turística o Kremlin (sinônimo de fortaleza) local, que, ao contrário da arena, fica no centro, onde se encontram a maioria dos hotéis. Com mais de um milhão e meio de habitantes, a região, que tem o sistema metroviário mais novo do país, é famosa por ter a maior concentração muçulmana da Rússia
4. Ecaterimburgo
Ecaterimburgo é a cidade-sede que está mais longe de Moscou, a quase 1.800 km para o leste da capital russa. A cidade de um milhão e meio de habitantes tem transporte público via metrô e ônibus, além de hotéis com preços relativamente acessíveis próximos a Ekaterinburg Arena, onde cabem 35.696 pessoas. Egito x Uruguai e França x Peru estão entre os quatro jogos que acontecerão na cidade, que também abriga um monastério em homenagem à família do czar Nicolau II, último monarca da Rússia.
5. Rostov-on-Don
Palco da estreia do Brasil, no dia 17, contra a Suíça, a cidade de Rostov-on-Don, 1.000 km ao sul de Moscou, abriga a Rostov Arena, para 45.000 pessoas. Apesar dos 1,3 milhão de habitantes, a cidade não conta com metrô; o transporte público depende dos ônibus locais. O estádio fica na região mais frequentada da cidade, onde estão os principais hotéis.
6. Níjni Novgorod
Níjni Novgorod é a cidade-sede mais próxima de Moscou, a 400 km da capital russa. A região tem aproximadamente 1,3 milhão de habitantes, uma fortaleza que data do século XIV e foi onde a URSS realizava pesquisas sobre armas nucleares. O estádio é o Nizhny Novgorod, para 45.000 pessoas, que receberá um Argentina x Croácia e duas partidas de mata-mata. O palco dos jogos é cercado de hotéis, com preço menor se comparado à média, e a cidade tem malha metroviária.
7. Samara
Caso o Brasil se classifique em primeiro em seu grupo, a seleção jogará as oitavas de final contra o segundo colocado do grupo F em Samara, cidade 1.000 km ao leste de Moscou. Com aproximadamente 1,2 milhão de habitantes, a região abriga a Samara Arena, estádio para 45.000 pessoas que também receberá os anfitriões da Copa no duelo contra o Uruguai. Samara foi capital da União Soviética no período em que Moscou sofria perigo de invasão, durante a Segunda Guerra Mundial, e por isso tem alguns bunkers que eram utilizados pelo ditador Josef Stalin. A cidade tem malha metroviária, mas poucas opções de hotel se comparada às outras.
8. Volgogrado
Conhecida durante a Segunda Guerra por Stalingrado, a cidade foi palco de uma das principais batalhas do conflito, marcada por ter contido o avanço nazista em território soviético 900 km ao sudeste de Moscou. Por isso, conta hoje com monumento, memorial e museu sobre o evento. O estádio da cidade de pouco mais de 1 milhão de habitantes é a Volgograd Arena (45.568). Apesar de turística, a região não conta com estrutura de metrô; o estádio é próximo dos lugares mais frequentados pelos visitantes.

9. Caliningrado
Caliningrado não é a cidade-sede mais distante de Moscou, mas é a única que não está no mesmo território russo das outras dez. A cidade está localizada na província homônima, que faz divisa com Lituânia e Polônia, está mais próxima da Bielorrússia do que de Moscou, é banhada pelo mar Báltico e tem 450.000 habitantes. O estádio local, Kaliningrad, tem capacidade para 35.000 pessoas e receberá Sérvia x Suíça, pelo grupo do Brasil, além de Inglaterra x Bélgica. O Istmo da Curlândia, faixa estreita de terra entre o Lago da Curlândia e o mar Báltico, se destaca como destino turístico e é patrimônio mundial pela UNESCO. Com preços na média do restante das sedes, os hotéis são próximos à região do estádio, que também não tem metrô.
10. Sochi
Casa do Brasil na Rússia, a cidade de Sochi está 1.600 km ao sul de Moscou, quase na divisa com a Geórgia. O estádio de lá é o Olímpico de Fisht, para 47.700 torcedores, feito para as Olimpíadas de Inverno de 2014. A estrutura olímpica ainda faz com que o local seja rodeado de hotéis e a cidade tenha estações de trem e linhas de ônibus, mesmo com apenas 350.000 habitantes. Como o verão predomina durante o Mundial, as praias do mar Negro são opção turística. Sochi receberá, logo na primeira rodada, o clássico ibérico entre Portugal x Espanha.
11. Saransk
A menor cidade-sede do Mundial, Saransk tem pouco mais de 300.000 habitantes, está 650 km ao leste de Moscou e abriga a Mordovia Arena, estádio para 45.000 espectadores que será reduzido para 25.000 após a Copa do Mundo. Pequena, a cidade não tem metrô em sua estrutura e conta com poucas opções de hotel; sua maior atração turística é uma catedral ortodoxa, construída nesse milênio. *Conteúdo: texto Diogo Magri (El País) – foto Lucas Figueiredo (CBF)

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