Entenda o jogo da sucessão com a desistência de Luciano Huck

A decisão de Luciano Huck de ficar de fora da corrida presidencial deste ano confirma posição assumida pelo apresentador de televisão em novembro do ano passado, quando assinou artigo no jornal Folha de S.Paulo, mas não deixa de trazer movimentações ao tabuleiro político.

Luciano Huck
Luciano Huck (Foto: reprodução)

O outsider conta com elevada aprovação dos brasileiros como figura pública, e, na disputa pela sucessão de Michel Temer, aparecia tecnicamente empatado com o governador paulista Geraldo Alckmin, hoje tido como o principal nome do centro reformista no pleito apesar da ainda insatisfatória pontuação nas pesquisas.

Embora a candidatura de Huck esteja muito mais distante, a rigor ela não pode ser completamente descartada das especulações eleitorais. Isso só poderá ocorrer de fato se o apresentador da Rede Globo não se filiar a nenhum partido político até 7 de abril, exigência da Justiça Eleitoral para quem quiser participar de alguma disputa nas urnas.

“Ele está entre o emprego dos sonhos e o emprego de presidente da República, que é o inferno na Terra. Vontade ele tem, mas a grande questão é a disposição de trocar o certo pelo incerto”, observou o sociólogo Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Na última edição do programa Conexão Brasília, ele projetou que, à medida que o apresentador ganhava status de candidato, sua vida pessoal seria devassada e sua imagem seria alvo de ataques de adversários, o que acabou ocorrendo com reportagens sobre financiamento de jatinho através de programa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social).

“No momento, tudo indica que de novo [a candidatura] está distante, mas sabemos, pelos bastidores, que o PPS tenta de toda maneira colocar Luciano Huck dentro da legenda, o que causou extremo mal estar dentro do partido”, analisou o professor. A decisão parece cada vez mais certa, mas ainda é importante aguardar uma manifestação do próprio apresentador. O tom da fala de Huck será importante para definir seus próximos passos neste cenário eleitoral, se de fato não tem volta para a desistência. Vale lembrar que, após a primeira sinalização efetiva de que não se candidataria, ele manteve conversas e recebeu afagos de figuras de peso na política.

Enquanto um anúncio feito pelo próprio apresentador não acontece, é possível avaliar preliminarmente alguns efeitos da desistência. O primeiro deles seria a redução de uma sombra que avançava rapidamente sobre o nome de Geraldo Alckmin. Mesmo assim, vale ressaltar que este não é um sinal de alívio efetivo ao tucano. As buscas pela figura que representará o centro governista na disputa pelo Palácio do Planalto continuarão, na medida em que o governador paulista não demonstra melhora em suas intenções de voto nas pesquisas e o tucano não agrada o núcleo duro do atual governo. No PSDB, o nome de Huck funcionou para FHC dar uma chacoalhada no tabuleiro do partido, tentando tirar Alckmin da zona de conforto do jogo parado.

Sem um nome com o potencial eleitoral do apresentador da Rede Globo, há um pequeno alívio do ponto de vista da fragmentação do centro governista. Por outro lado, uma opção é perdida por esse espectro político. De qualquer forma, a desistência de Huck não indica o fim da possibilidade de outsiders na disputa e não garante uma aglutinação em torno da candidatura de um dos nomes hoje postos, como Alckmin, Henrique Meirelles (Fazenda) ou Rodrigo Maia (Câmara dos Deputados).

Podem ganhar com a notícia Alckmin e qualquer outro nome que busque ocupar espaços no centro reformista. Porém, tudo dependerá do que cada possível candidato fará com essa oportunidade, ainda que Huck não representasse um risco real, já que nunca foi candidato de fato e sua capacidade de converter aprovação como figura pública em votos como político não era certa. A fragmentação segue sendo o maior risco ao centro governista nessas eleições

(Com conteúdondo portal InfoMoney)

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