Geddel: velhos amigos me
jogaram no “vale dos leprosos”

Em depoimento na manhã desta terça-feira, 6, na Justiça Federal de Brasília, no processo em que é acusado de tentar obstruir as negociações do acordo de delação premiada de Lúcio Funaro com a Procuradoria-Geral da República, o ex-ministro Geddel Vieira Lima declarou ter sido jogado num “vale dos leprosos” por “amigos de longas datas”.

Sobre o processo, Geddel disse que não se lembra ao certo quantas foram e criticou: “memória fantástica só quem tem é elefante e delator”. O ex-ministro reafirmou que o caráter das ligações era pessoais, para confortar Raquel pela situação que passava, da prisão de Funaro, e sempre reforçava a ela que tudo “iria passar”.

Geddel

O momento de maior tensão no depoimento foi quando a defesa de Geddel o orientou a não responder perguntas do Ministério Público, ao que Geddel acatou, mas escorregou por vezes, dando pequenas respostas. De acordo com o advogado, Gamil Föppel, a orientação foi no sentido de manter a coerência processual já que teria se colocado formalmente e voluntariamente diversas vezes para prestar esclarecimento ao MP. Geddel se emocionou ao contar que se sentiu condenado no dia em que foi tirado de casa em 8 de setembro: “Fui condenado à pior das penas, a morte civil”.

O ex-ministro comentou o choro na audiência anterior, relatou ter conversado com um padre a respeito e teria ouvido do religioso o conselho de que “os olhos foram feitos pra ver e pra chorar”, ao que acrescentou que as lágrimas eram manifestação de dor, amor e saudade da família, sendo que ressaltou em dois momentos que dia 8 de setembro era aniversário de um de seus filhos. Em setembro, Geddel foi preso em regime fechado por causa dos R$ 51 milhões encontrados em apartamento em Salvador. Antes, estava desde julho em prisão domiciliar.

(Com conteúdo do A TARDE e do UOL)

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