Wagner: “alguém” do meu Governo tentou tomar dinheiro da Odebrecht

Em entrevista ao programa Se Liga Bocão, Rádio Itapoan FM, Salvador, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT), jogou na mesa das especulações de corrupção, no caso tentativa, um personagem sem nome, um “alguém”, que no seu governo, tentou acertar propina com a Odebrecht na construção da Via Expressa.

E quem é esse “alguém”? Para tentar entender e, quem sabe, chegar no nome desse senhor, ou senhora, vamos acompanhar a entrevista. Wagner, atual secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, disse que soube por Cláudio Melo, ex-diretor de relações institucionais da empreiteira, que “alguém do seu governo tentou dar uma acertada para receber uma bola pela obra”. Mas que ele teria desautorizado a negociação.

“Pergunta à Odebrecht e a Cláudio Melo por que ele não pegou a obra da Via Expressa. Ele não pegou porque alguém do meu governo, que não me interessa falar, parece que já tinha vendido a ele a obra na contrapartida de alguma grana. E eu digo [disse]: se você pagou adiantado, pagou mal pago, porque aqui vai ter licitação'”.

Orçada em R$ 480 milhões e custeada com recursos do PAC, a Via Expressa é uma avenida que liga o porto de Salvador à BR-324, principal saída rodoviária da Capital. A obra foi iniciada em 2008, após a licitação ter sido vencida pela empreiteira OAS, e inaugurada em novembro de 2013.

Em nenhum momento da entrevista, Wagner não quis dar o nome e se limitou a afirmar que a pessoa não faz parte da atual gestão do governo da Bahia, comandado por Rui Costa. Também questionado sobre se havia o demitido ou punido, afirmou que “não teve nenhuma corrupção feita” porque o funcionário “não recebeu” propina da Odebrecht. “Ele não aprontou porque eu não deixava. Eu sempre cortei as asas”, afirmou.

Disse, disse, disse…

Veja agora o caminho percorrido pela Via Expressa e tire suas

conclusões se algum desses é o “alguém”. Inicialmente o projeto esteve sob a responsabilidade da Secretaria de Infraestrutura, comandada por Antônio Batista Neves (PMDB), aliado do então ministro Geddel Vieira Lima (PMDB). Contudo, em decreto assinado por Jaques Wagner em maio de 2008, o projeto foi transferido para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, na época dirigida pelo hoje deputado federal Afonso Florence (PT).

No decreto, ficou definido que a licitação da obra seria feita pela estatal Conder (Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia), então comandada por Maria Del Carmen (PT), hoje deputada estadual. À Conder, caberia “contratar as obras, serviços e bens necessários, assim como realizar projetos e demais atos para implantação da via”.

Na época, o então secretário Batista Neves afirmou em entrevista à imprensa baiana considerar “um erro” a execução pela Conder, que não teria “tradição” em obras de grande complexidade.

O ex-secretário de Desenvolvimento Urbano, Afonso Florence, disse desconhecer qualquer irregularidade envolvendo a obra, mas lembrou que ela inicialmente estava sob a alçada da Secretaria de Infraestrutura, comandada por Batista Neves (PMDB).

O ex-secretário de Infraestrutura, Batista Neves, disse que atuou apenas no planejamento orçamentário e, que a responsável pela obra, foi a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, então ocupada por Florence.

A ex-presidente da Conder, deputada Maria Del Carmen, afirma que a Via Expressa foi licitada e todo o processo aconteceu de acordo com a lei. Também diz que nunca soube de nenhum pedido de propina relacionado à obra.

E então, depois de tanto disse que disse, depois de conhecer o passo a passo do projeto até a conclusão da obra, você seria capaz de descobrir onde está o nosso Wally, aliás o senhor ou senhora “alguém”?

(Com informações da Folha de S. Paulo – João Pedro Pitombo)

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