E foi assim: Neymar, destemperado, Philipe Coutinho, equilibrado

São Petersburgo — Quando até o Árbitro de Vídeo (VAR) joga contra, tem que ser na base do VNAR. Anota aí: VAi Na Raça. Coadjuvante de Neymar, Philippe Coutinho assumiu mais uma vez o protagonismo, corrigiu a lambança do camisa 10 ao simular uma queda dentro da área no lance mais polêmico do jogo e abriu o caminho para a primeira vitória do Brasil na Copa aos 45 minutos.

Eleito pela segunda vez o melhor jogador da partida, o meia Philippe Coutinho falou sobre o papel decisivo na partida: “É uma emoção muto grande, foi difícil, tentamos, buscamos os chutes. No fim, fomos premiados pela atuação do grupo. Merecemos a vitória. A bola sobrou ali, o Gabriel protegeu bem, consegui fazer o gol. Mais importante foi ganhar”.

A bola na rede tirou o peso das costas de Neymar, que marcou o segundo, aos 51, e desabou a chorar dentro de campo. Certamente, sentindo-se culpado pelo lance que poderia ter complicado a situação no Grupo E. O time de Tite voltará a campo na próxima quarta-feira contra a Sérvia, no Spartak Stadium, em Moscou. Antes, precisa esperar o resultado de Sérvia e Suíça logo mais para ter a noção exata do que precisará no próximo confronto.

Em mais um episódio de destempero emocional depois da partida, Neymar desabou a chorar dentro de campo, lembrando Thiago Silva na partida das oitavas de final de 2014 contra o Chile. Assustados, os jogadores correram em direção ao camisa 10 para confortá-lo. Os gols saíram nos seis minutos de acréscimo. Philippe Coutinho marcou primeiro, dentro da pequena área. No segundo, Neymar recebeu assistência de Douglas Costa e empurrou para a rede.

A partida foi marcada pelo uso do Árbitro de Vídeo (VAR) contra o Brasil em um lance crucial. No segundo tempo, o juiz holandês Bjorn Kuipers deu pênalti de González em Neymar. No entanto, pediu auxílio dos assistentes para conferir o lance e desmarcou a falta. De fato, a força usada pelo zagueiro de Costa Rica no lance não foi proporcional a queda de Neymar e o árbitro entendeu que houve simulação em um excelente contra-ataque verde-amarelo.

A equipe de Tite tem dois pontos e depende do resultado de logo mais entre Suíça e Sérvia para saber exatamente o que precisará na última rodada.
O jogo
O primeiro tempo teve o enredo esperado. A Costa Rica posicionada em seu 5-4-1, à espera de um erro de passe do Brasil para avançar em alta velocidade em busca do gol. A falha tão esperada até aconteceu. Em um contra-ataque nas costas do lateral-esquerdo Marcelo, a bola foi cruzada para trás. Celso Borges finalizou de frente para o gol, à direita de Alisson.

Com quase 70% de posse de bola, o Brasil avançou a marcação na tentativa de pressionar o adversário. Com a contusão de Daniel Alves, a mecânica de jogo verde-amarela ficou capenga. A saída de bola está viciada em iniciar os lances pela esquerda, com Marcelo, Neymar e Phlippe Coutinho. Há insegurança com o setor direito, onde Daniel Alves dava suporte ao ataque. Quando Willian e Danilo começavam a ter o mínimo de entrosamento, o substituto de Daniel Alves sentiu lesão muscular no treino de quinta-feira e deu lugar a Fágner. Sem ritmo de jogo, o ala do Corinthians não deu suporte a Willian — um dos piores do primeiro tempo.

A melhor oportunidade do Brasil terminou em impedimento. Gabriel Jesus estava em posição ilegal quando estufou a rede. Houve um ótimo lançamento para Neymar, mas Navas ganhou a dividida com o camisa 10. Phlippe Coutinho e Marcelo arriscaram de fora da área, mas sem levar perigo ao goleiro da Costa Rica. Em um lampejo de magia, Neymar deixou o marcador no chão e cruzou buscando Gabriel Jesus. No entanto, a defesa interceptou o lance.

Na saída para o intervalo, Neymar achou de tirar satisfação com o árbitro holandês Bjorn Kuipers dentro de campo. A pressão continuou a caminho do vestiário. Marcelo. Capitão do Brasil na estreia contra a Suíça, Marcelo puxou Neymar para evitar mais problemas.
Mal no primeiro tempo, Willian deu lugar a Douglas Costa no intervalo e o Brasil encurralou a Costa Rica no início da etapa final. Gabriel Jesus acertou o travessão. No rebote, Paulinho rolou para Philippe Coutinho finalizar praticamente sem espaço e a defesa da Costa Rica salvou.

A pressão continuou. Em uma escapa pela direita, Paulinho cruzou para Neymar finalizar de primeira. Faltou capricho. A bola passou à direita do goleiro Navas, que só ficou olhando. Douglas Costa deu vida ao lado direito e os lances começaram a aparecer. Em um avanço do atacante da Juventus, Paulinho fez o pivô para Philippe Coutinho, que chutou fraquinho. Neymar também tentou numa outra investida canarinha, mas Navas pegou em dois tempos.

O Brasil chegou aumentou a posse de bola para 71% e a Costa Rica continuou apostando em uma bola no contra-ataque e tornava o jogo cada vez mais arriscado. No lance mais tenso, Alisson não saiu do gol e Miranda precisou intervir duas vezes para evitar o pior.
Sob pressão, Tite abriu mão de Paulinho e colocou Roberto Firmino em campo. Na base do abafa, Neymar cobrou escanteio na cabeça de Casemiro, que testou firme, mas Navas defendeu com segurança. No lance mais claro para Neymar, o craque partiu sozinho, invadiu a área da Costa Rica e chutou colocado. Tirou tanto de Navas que a bola foi para fora.

No lance mais polêmico do jogo, Neymar foi derrubado na área, o juiz deu pênalti, mas recuou ao ser avisado pelos assistentes de que o jogador do Brasil havia simulado. O lance deixou o Brasil pilhado. Foi quando Philippe Coutinho e Neymar apareceram para decidir o jogo na base da raça, dando ao Brasil a primeira vitória na caça ao hexa.
(Conteúdo Correio Brasiliense -Marcos Paulo Lima)

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