Na seleção brasileira é tudo calmaria. Mas ela vai perdurar?

SOCHI – A dois dias da estreia na Copa do Mundo da Rússia, é de praxe sentir uma ponta de ansiedade. A pressão por um bom resultado, interna e externa, geralmente cria um clima tenso, quando não hostil. Mas qualquer animosidade passa longe do grupo comandado pelo técnico Tite. Até o mais jovem do grupo, a quem se permitiria uma ponta de nervosismo, está tranquilo: “Está calmo, né? É bom quando está assim”, respondeu Gabriel Jesus em entrevista na última quinta-feira. “Estamos focados. Uma coisa que o professor cobra bastante é estar sempre mentalmente forte. Isso é o que a gente vem fazendo, é isso ajuda muito a gente”, arrematou o camisa 9 da seleção brasileira.

Quando o assessor de imprensa da Confederação Brasileira de Futebol se preocupa com as garrafinhas de água vazias deixadas sobre as bancadas de trabalho, é que não há muito o que contestar. Longe de defender a falta de asseio, a carraspana foi merecida. A questão é que, a essa altura do campeonato, existem preocupações maiores. Fossem tempos mais exaltados, a ponte entre a seleção e os jornalistas dificilmente notaria algo do tipo.
Mesmo com treinos fechados e poucos minutos para observar o trabalho dentro de campo, não existe mau humor por parte de quem noticia o dia a dia da equipe. Nem mesmo os mais céticos procurar escarafunchar problemas, apesar da preocupação com os jogadores cujas condições físicas se mostram mais frágeis.

“Seleção brasileira tem de ser desta forma, alegre, feliz, fazemos o que amamos” disse o meia Paulinho, egresso da tensão do ambiente de 2014. “Claro que o Tite e todo seu estafe têm sua parcela e a gente tenta levar o ambiente dessa forma, é um dos melhores que já vi no futebol, por essa amizade, essa felicidade.” De fato, é o treinador quem mais empresta sua credibilidade para o time que disputa esta edição da Copa. E conseguiu transferir a franqueza com que aborda as situações, sejam elas boas ou ruins, para as disputas internas.
Tanto que o próprio Gabriel, numa alquimia perfeita entre ingenuidade e frieza, não parece ligar para a dura competição entre ele e o atacante do Liverpool Roberto Firmino, talvez o único ponto de contestação atual dos onze titulares da seleção. “Se eu estiver jogando, ele vai torcer. Se for ele, vou torcer também. Eu, particularmente, vou torcer para a Seleção. Se ele fizer gol, vou ficar muito feliz”, afirmou o jogador do Manchester City.
Paulinho ressalta a competição em alto nível entre os convocados. “É um grupo leal, temos de competir porque os 23 jogadores têm condições de jogar, a competição interna é normal no futebol e todos ganham com isso. Este grupo é espetacular.” Por enquanto, tudo é lindo e maravilhoso. Mas é preciso aguardar e ver se o bom ambiente resiste ao peso de um resultado ruim. (Conteúdo revista Placar)

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