Neymar, pai, e mãe na mira da Justiça espanhola. Entenda o caso

A nação está indignada com os exemplos de corrupção, crises política e econômica. Ao mesmo tempo, fecha os olhos para escândalos também de grande porte que dentro do futebol brasileiro. Um já está famoso na Europa: a compra de Neymar Junior pelo Barcelona. No mesmo processo, serão julgados o atual presidente do clube (Josep María Bartomeu), seu antecessor (Sandro Rosell) e, como pessoas jurídicas, tanto o Santos como o próprio Barça por ocultação de valores, além do pai e mãe do jogador.

As coisas começaram a ficar estranhas quando Neymar, postulante de bom moço, saiu do Santos e foi para a Europa. Versões controversas da negociação tomaram os noticiários. Sandro Rosell, não aguentou a pressão das críticas e milhares de manchetes acusatórias e renunciou a presidência do clube. Josep María Bartomeu assumiu e, como primeira providência, reuniu a imprensa e abriu a “caixa de pandora” da transação. Bartomeu revelou que o Barça só detalhou o contrato para o público, depois da autorização do pai de Neymar.

Nas explicações, as entrelinhas remontam um grupo organizado de pessoas, e estratégias para driblar o fisco, usando entidades filantrópicas, como o acordo da Fundação Barcelona com o Instituto Neymar Junior. Isso quer dizer, que além dos valores oficialmente divulgados, houve acertos paralelos, valendo-se da natureza jurídica das empresas, sem fins lucrativos, e por isso, não tributáveis.

O julgamento é fruto de queixa apresentada pelo grupo DIS, que detinha 40% dos direitos federativos do jogador. Esta empresa tinha o direito de decidir onde Neymar jogaria. Existia outra cláusula indenizatória se alguma das partes não cumprisse o acordo. A DIS alega que a forma como o dinheiro foi fracionado, lesou a empresa.

A Promotoria espanhola pedirá dois anos de detenção e 10 milhões de euros (35 milhões de reais) de multa para Neymar e cinco anos de prisão para Sandro Rosell, por crimes de corrupção e desvio de dinheiro do grupo DIS na contratação do brasileiro. O promotor encarregado do caso, José Perals, também cobra 8,4 milhões de euros (29 milhões de reais) de multa para o Barcelona e 7 milhões de euros do Santos (24,5 milhões de reais). Perals quer a prisão por dois anos do pai de Neymar e por um ano da mãe, ambos pelo delito de corrupção empresarial, além de multa de 1,4 milhão de euros (4,9 milhões de reais) para a empresa N&N.

A versão oficial do clube sempre afirmou que foram gastos € 57,1 milhões (cerca de R$ 188,5 milhões, na cotação atual) para contar com o brasileiro. Valor elevado ao se considerar as luvas recebidas pelo craque, as parcerias sociais e de marketing e o acordo de prioridade com o Santos: € 86,2 milhões (R$ 284,5 milhões).

O Barcelona firmou também uma parceria para projetos sociais com o atacante (o que custou € 2,5 milhões, o equivalente a R$ 8,2 milhões) e também de marketing (€ 4 milhões, ou R$ 13,2 milhões. Além disso, o clube pagou € 7,9 milhões (R$ 25,9 milhões) ao Santos para ter prioridade na contratação de três promessas do Peixe e mais € 2 milhões à N&N, que irá monitorar as revelações.

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