França quer o bi, Croácia quer vingar 98

Torcedora croata na Praça Vermelha na véspera da final. JEWEL SAMAD AFP

França x Croácia se enfrentam neste domingo, às 12h (horário de Brasília), no estádio Luzhniki de Moscou, pela final da Copa do Mundo Rússia 2018. A partida será transmitida por FOX Sports (tv fechada), SporTV (tv fechada) e Rede Globo (tv aberta). O EL PAÍS também fará ao vivo a cobertura da decisão, minuto a minuto.
Os franceses chegam à sua terceira final de Copa do Mundo buscando o segundo título. Eles foram campeões na primeira decisão, contra o Brasil, em 1998 – ocasião em que eliminaram os croatas na semifinal –, mas perderam para a Itália em 2006. Para chegar até aqui, a equipe de Griezmann e Mbappé eliminou Argentina, Uruguai e Bélgicano mata-mata.
Já os croatas, liderados pelo camisa 10 e capitão Modric, além dos atacantes Perisic e Mandzukic, disputarão uma final de Mundial pela primeira vez na história. A seleção precisou dos pênaltis para eliminar Dinamarca nas oitavas e Rússia nas quartas, além da prorrogação para bater a Inglaterra nas semis. Ao todo, contando os minutos extras, a Croácia jogou o equivalente a uma partida a mais que os franceses durante sua campanha na Rússia

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Bélgica crava a melhor campanha de sua história

A Bélgica bateu a Inglaterra por 2 a 0 neste sábado e se tornou a terceira colocada na Copa do Mundo Rússia 2018, conquistando a melhor campanha da sua história no Mundial. Os gols foram marcados por Meunier e Hazard. Logo aos três minutos da etapa inicial, Meunier chegou completando cruzamento de Chadli e abrindo o placar para os belgas.
Mesmo atrás, a equipe de Harry Kane, que veio bastante modificada em relação ao time titular, não conseguiu incomodar no restante da primeira etapa, enquanto De Bruyne, Hazard e Lukaku continuaram oferecendo perigo ao goleiro Pickford.
Gareth Southgate voltou com modificações no intervalo, colocando Dele Alli e Rashford, e os ingleses pressionaram atrás do empate. Alderweireld precisou tirar uma bola em cima da linha em finalização de Dier. Mas, nos contra-ataques, o veloz ataque belga deu trabalho a Pickford, que fez excelente defesa em outra tentativa de Meunier. Aos 37 minutos, De Bruyne puxou jogada pelo meio e enfiou para Hazard, que não deu chances ao goleiro, fechando o placar em 2 a 0.

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Fifa mirou CBF ao cortar árbitro brasileiro da final da Copa

Sandro Meira Ricci em jogo da Croácia e Nigéria, no estádio Caliningrado, Russia Foto: Matthew Childs / Reuters

Sandro Meira Ricci estava entre os 12 selecionados com chances de apitar a decisão do Mundial, no domingo, entre França e Croácia. Mas seu nome não foi levado em consideração na reta final pelo Comitê de Arbitragens da Fifa por causa de um pedido da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Tudo isso em represália à quebra de acordo do presidente da CBF, coronel Antônio Nunes, com os demais dirigentes do continente para a escolha da sede do Mundial de 2026.
Segundo o jornalista Sílvio Barsetti, a informação foi passada ao portal Terra por um dirigente da Conmebol, que está na Rússia para ver o último jogo da Copa. A exclusão de Sandro Meira teria sido acatada de imediato pela Fifa, também indisposta com a cúpula da CBF por causa dos últimos anos de escândalos de corrupção envolvendo a confederação nacional e em razão de atitudes do coronel Nunes durante sua permanência na Rússia. Lá, ele protagonizou mal-estar ao assumir que votaria com a candidatura conjunta de EUA, Canadá e México para a Copa de 2026, mas acabou optando por Marrocos.
Seu gesto abriu uma crise na relação da CBF com as demais federações da América do Sul. Depois disso, o coronel envolveu-se numa confusão num restaurante, em São Petersburgo, quando um dos seus assessores agrediu um torcedor brasileiro com um copo de vidro. Em seguida, a CBF precisou blindar o seu presidente e quase o manteve enclausurado nos hotéis que o hospedavam.
Quem vai apitar França x Croácia será o argentino Néstor Pitana. Ele estava bem cotado e foi escolhido em comum acordo entre as duas finalistas e a Conmebol.

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Começou processo de impeachment de Crivella

Brasília - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, fala à imprensa após reunião com o presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O processo de impeachment do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, pode ser iniciado com os votos favoráveis de mais da metade dos vereadores presentes à sessão. A interpretação é do parecer do procurador-geral da Câmara Municipal, José Luis Galamba Minc Baumfeld.
Apesar disso, segundo o procurador, mesmo que a Câmara decida iniciar o processo, o prefeito não deverá ser afastado do cargo até que o procedimento seja concluído.
O inciso II do artigo 115 da Lei Orgânica do município prevê que o processo de impeachment seja iniciado com metade absoluta dos vereadores, enquanto o Decreto-Lei federal 201 de 1967 prevê que é possível abrir o processo com apenas mais da metade dos votos dos vereadores presentes na sessão.
Há 21 anos, o Tribunal de Justiça considerou o inciso II do artigo 115 da Lei Orgânica inconstitucional. No entanto, no entender do procurador, a decisão judicial não se aplica ao Decreto-Lei 201 de 1967. Por isso, apenas a maioria simples dos presentes é suficiente para iniciar o processo.
Entenda o caso
A 5ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania da Capital do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ajuizou a ação civil pública contra o prefeito Marcelo Crivella, acusando-o de violar, “reiteradamente, o princípio do estado laico na administração municipal e privilegiar apenas um segmento religioso em diversos atos. Ele foi denunciado na noite desta quarta-feira (11) por improbidade administrativa.

Segundo a promotora Gláucia Santana, titular da 5ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva, a ação foi distribuída para a 7ª Vara da Fazenda Pública, que pode julgar ainda hoje (12) o pedido de liminar para que Crivella deixe tais atos.

A investigação começou em agosto do ano passado, após denúncia da realização de um censo religioso na Guarda Municipal, fato que foi comprovado pelo MPRJ. Na ocasião, o MPRJ recomendou a suspensão do censo, e o evento foi suspenso. Duas outras recomendações do MPRJ foram atendidas pela prefeitura: uma era sobre o censo religioso feito com usuários das academias Rio ao Ar Livre, e outra sobre o decreto que dava ao gabinete do prefeito poder de vetar eventos na cidade.
Gláucia disse que o estopim para ajuizar a ação foi a reunião feita no Palácio da Cidade na semana passada com líderes da Igreja Universal, da qual Crivella é bispo licenciado. “Queremos evitar que essa prática continue. Por isso, entramos desde logo com a ação de improbidade.”

Para a promotora, estava caracterizada a violações dos princípios da imparcialidade, da isonomia, do tratamento igualitário, do estado laico, da moralidade e legitimidade administrativas, além de dano ao erário. “Temos informações de que os garçons e o serviço de bufê da prefeitura serviram alimentos naquele encontro”, ressaltou Gláucia.
A promotora classificou de “muito graves” as ofertas feitas por Crivella na reunião, que beneficiariam os “irmãos” da igreja em detrimento da regulação de cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos trâmites legais para obtenção de isenção de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU pelos templos religiosos. De acordo com Gláucia, o prefeito pode perder o cargo, se for condenado na ação.

Afastamento e multa

“Inicialmente e liminarmente é [pedido] o afastamento temporário caso [o prefeito] não cumpra a decisão de se abster desses atos. Ao final, se condenado, o prefeito pode perder o cargo, ter os direitos políticos suspensos e pagar uma multa. Pedimos o pagamento de uma multa por danos morais, se o juiz entender que a coletividade foi agredida com esse proselitismo religioso realizado, de R$ 500 mil”.
Segundo o Ministério Público, ficou comprovado que o censo religioso foi feito na Guarda Municipal e que a prática foi suspensa, conforme recomendado. Porém, de acordo com a peça da ação civil pública ajuizado, os “desvios de finalidade praticados eram mais presentes no cotidiano do município do que se imaginava”, e o MP recebeu diversas denúncias, verificando “uma tendência” do prefeito de “privilegiar determinado segmento religioso, bem como, de forma sutil, perscrutar informações a respeito da religião professada pela população e pelo funcionalismo público”.
O inquérito lista a realização de censo religioso na Guarda Municipal e nas academias Rio ao Ar Livre, a realização do Festival de Cinema Cristão na Cidade das Artes, o corte de patrocínio a eventos religiosos de matrizes afro-brasileiras, o poder de veto a eventos diretamente pelo gabinete do prefeito, a realização de eventos pela Igreja Universal do Reino de Deus em escolas públicas e o encontro com pastores desta igreja no Palácio da Cidade, além da Vigília do Resgate, feita de forma gratuita no Sambódromo com a participação de mais de 100 mil pessoas
Com isso, o MPRJ questiona a possível “interferência do Poder Público na vida privada das pessoas e no uso da máquina pública para benefício de determinado segmento religioso, e em eventual discriminação aos demais segmentos religiosos e culturais, o que não pode, nem deve ser admitido”.
(Conteúdo Agência Brasil – reportagem Vitor Abdala e Akemi Nitahara)

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Quem é o plantonista que mandou soltar Lula

Foto: Sylvio Sirangelo/TRF4

O desembargador federal Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que mandou soltar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo, 8, trabalhou no primeiro governo do petista ao lado de ex-ministro José Dirceu e com a presidente cassada Dilma Rousseff na época em que ela era ministra da Casa Civil. Horas depois, a decisão acabou suspensa pelo relator do caso no TRF-4, João Pedro Gebran Neto, mas Favreto voltou a mandar tirar o ex-presidente da prisão.

Fraveto estava de plantão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região desde a sexta-feira, 6. Ele acolheu pedido de três deputados do PT – Paulo Teixeira (PT-SP), Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ) -, suspendendo a execução provisória da pena até que a condenação em segundo grau contra o ex-presidente transite em julgado. Lula está preso desde 7 de abril. Antes de ser desembargador, Fraveto ocupou cargos em gestões petistas, inclusive na era Lula e na gestão de Tarso Genro (PT) à frente da Prefeitura de Porto Alegre. Ao longo de 1996, coordenou a assessoria jurídica do Gabinete do Prefeito.

Segundo o site BR18, Favreto foi filiado ao PT de 1991 a 2010. Depois, foi assessor da Casa Civil no governo Lula e do Ministério da Justiça quando Tarso era ministro, também no governo do ex-presidente.

Nos governos Lula, esteve em quatro ministérios diferentes. Primeiro, foi para a Casa Civil em 2005, onde trabalhou na Subchefia para Assuntos Jurídicos sob a chefia de José Dirceu, e, depois, de Dilma Rousseff.

Nos anos seguintes, foi chefe da consultoria jurídica do Ministério do Desenvolvimento Social, cujo titular era o também petista Patrus Ananias. Depois, passou pela Secretária de Relações Institucionais e pelo Ministério da Justiça, nos anos em que Tarso comandava as pastas.
Lula foi preso em 7 de abril. O ex-presidente foi condenado pelo juiz Sérgio Moro por corrupção e lavagem de dinheiro em 12 de julho de 2017 a 9 anos e 6 meses de prisão. Em janeiro, o TFR-4 manteve a condenação e aumentou a pena para 12 anos 1 mês de prisão. (Conteúdo O Estado de S.Paulo/Paula Reverbel)

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Veríssimo: divindade caíram dos seus pedestais

Crepúsculo dos Deuses seria um título adequadamente wagneriano para essa Copa, assim o escritor Luís Fernando Veríssimo* definiu esse momento da competição. Leia o texto na íntegra:
Divindades caíram dos seus pedestais. Cristiano Ronaldo estreou espetacularmente, marcando os três gols que entusiasmaram Portugal no seu primeiro jogo, contra a Espanha. Depois caiu, lamentando não jogar num time de ‘cristianos ronaldos’ que, pelo menos, lhe devolvessem a bola redonda como ele merecia. Messi caiu se perguntando “o que é que eu estou fazendo, jogando por um país que não é o meu, quando eu poderia estar em Barcelona, comendo presunto pata negra com jerez, vendo a Copa na TV e torcendo pela Espanha?” Neymar caiu do seu pedestal e rolou pelo chão, cuidando para não desmanchar o penteado, e pensando “acham que é fácil simular contusão? E os anos de laboratório gestual?” Suárez caiu cantarolando Saudade do Cavani. Uma categoria de deuses não exatamente caídos, mas que também já estão numa zona crepuscular, é a dos que se despedem sem mais pernas, mas com dignidade. Maior exemplo: Iniesta, da Espanha.
Alguns nomes que tinham nos anunciado como candidatos a deuses não decepcionaram. O melhor deles é o Mbappé, da França. Mas, no quesito “que jogadores vistos na Copa da Rússia você gostaria de ser no seu time?”, minha escolha seria: Isco, Hazard e De Bruyne. E, se alguma alma caridosa quisesse comprar o Kane e dar para o Internacional, eu não recusaria.
Sei que já falavam do Tite como candidato à presidência, pois seria o único capaz de dar um jeito neste país. Mas ele também é um deus caído. Acho que deve ficar. Desde que se comprometa a escalar Douglas Costa para o jogo todo.

*Luis Fernando Verissimo é escritor e colunista do Caderno 2/Estadão. Foto: Eduardo Nicolau.

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Brasil perde para a Bélgica e está fora da Copa

O Brasil perdeu para a Bélgica por 2 a 1 e está fora da Copa do Mundo. A seleção brasileira criou chances, pressionou o adversário, mas perdeu muitos gols e sofreu com 20 minutos muito ruins no primeiro tempo, quando a Bélgica fez os dois gols.
Os belgas aproveitaram o mau momento da seleção brasileira no jogo e impuseram seu melhor futebol. Com imposição física e contra-ataques em velocidade, o time europeu foi melhor no primeiro tempo e soube segurar o resultado no segundo tempo. O gol de Renato Augusto, descontando na segunda etapa, não foi suficiente para manter o Brasil na Copa.
O jogo
O Brasil partiu para o ataque logo no começo do jogo. E aos 7 minutos quase abriu o placar. Em uma cobrança de escanteio, Miranda escorou para o meio da área e Thiago Silva quase marcou. Ele tocou na bola e ela bateu na trave. O Brasil tentou o gol novamente em outro escanteio, pouco depois. Na cobrança, a bola chegou baixa em Paulinho, dentro da área, mas ele errou o chute.
Era um início promissor para o Brasil. A defesa belga ainda não estava completamente ligada no jogo. Mas, quando parecia que o Brasil iria se impor, sofreu o primeiro gol. Aos 12 minutos, em cobrança de escanteio para a Bélgica, a bola bateu em Fernandinho, enganou Alisson e entrou.

O Brasil ensaiou uma pressão, mas a defesa belga conseguia se fechar bem e saía rápido nos contra-ataques. E aos 30 minutos, foi fatal. Após uma cobrança de escanteio da seleção brasileira, a bola perdida deu contra-ataque à Bélgica. Lukaku avançou com velocidade e tocou para De Bruyne, que chutou de longe, no canto de Alisson. Antes de fazer a primeira defesa, goleiro brasileiro já havia levado dois gols.
Com dois gols de déficit, a seleção brasileira se lançou toda ao ataque, buscando um gol. A Bélgica se fechava com eficiência e puxava contra-ataques perigosos. Fagner tinha dificuldades para marcar Hazard, que ligava vários ataques do time belga. O ataque brasileiro não achou os espaços que procurava no primeiro tempo. Bem marcados, Neymar e Philippe Coutinho não conseguiam entrar com a bola na área e tentavam ameaçar com chutes de fora.
Segundo tempo
O Brasil voltou com Firmino no lugar de Willian e deu mais presença de área. O time brasileiro começou a segunda etapa pressionando. Foram cerca de dez minutos de ataque contra defesa. Mas jogadores importantes estavam abaixo do que vinham apresentando na Copa. Philippe Coutinho e Paulinho erravam passes e perdiam divididas. Neymar, por sua vez, não encontrava espaços na defesa.
Mas o Brasil continuava insistindo. Tite colocou Doulgas Costa no lugar de Gabriel Jesus e o time ganhou em velocidade pelo lado direito do ataque. Aos 30 minutos, finalmente, o Brasil fez seu gol. Philippe Coutinho, que vinha mal no jogo, acertou um passe perfeito na cabeça de Renato Augusto, que havia acabado de entrar. O meia cabeceou no canto de Courtois, colocando o Brasil no jogo. Aos 35 minutos, quase o empate. Em contra-ataque, Coutinho tocou para Renato Augusto, que bateu colocado. A bola passou rente à trave.
O Brasil continuava perdendo chances claras de gol. Aos 38 minutos, Neymar recebeu em contra-ataque rápido, entrou pela esquerda da grande área e tocou para o meio. Livre, Coutinho chegou e chutou muito mal, longe do gol. Aos 48 minutos, Courtois salvou a Bélgica pela última vez. Neymar recebeu na entrada da área e bateu colocado. O goleiro belga fez uma grande defesa e decretou a eliminação brasileira da Copa do Mundo.
(Conteúdo Agência Brasil, reportagem Marcelo Brandão, edição Fernando Fraga)

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Bancada de Bolsonaro já é maior da Câmara Federal

Bolsonaro, que aparece na foto durante ato de filiação ao PSL, quer alcançar uma base de apoio com 150 deputados até agosto. Foto Isabella Macedo/ Congresso em Foco

No dia 2 de fevereiro de 2017, Jair Bolsonaro recebeu apenas quatro votos ao disputar a presidência da Câmara. O eleito, Rodrigo Maia, teve o apoio de 293 dos 513 deputados federais. Menos de um ano e meio depois, a situação é inteiramente outra. Maia (DEM-RJ) não entusiasma nem o seu partido para seguir adiante com o sonho da candidatura ao Planalto. Já Bolsonaro (PSL-RJ), líder de todas as pesquisas presidenciais nos cenários em que o ex-presidente Lula (PT) fica fora da lista de concorrentes, vive tempos de bonança.
Levantamento do Congresso em Foco apontou que pelo menos 65 deputados admitem – a maior parte deles, com a garantia de preservação dos seus nomes – que estarão com Bolsonaro na disputa presidencial. O número supera os 61 integrantes da maior bancada partidária da Câmara, que é a do PT. O próprio pré-candidato e seus seguidores difundem um cálculo bem superior.
Na última quarta-feira (4/7), num ato no salão verde da Câmara, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) anunciou que os bolsonaristas já somam 110 deputados. “111 se contar o próprio Jair”, emendou Onyx. Ele se recusa a mostrar a lista, que passou às mãos de Bolsonaro em um envelope fechado, sob aplausos de vários parlamentares. “Tenho 24 anos de mandato e jamais divulgaria um número errado, mas não vou expor colegas”, disse.
“Alguns já podem assumir, rasgando a bandeira”, continuou Onyx, que fez dez reuniões em sua casa em busca desses apoios e é o coordenador dessa mega e nascente bancada suprapartidária bolsonarista.
“Outros estão negociando alianças regionais ou têm problemas dentro do seu partido para vir a público agora. Claro que, por prudência, muitos não quiseram assumir para vocês. Mas pode ter certeza: chegaremos a 150 deputados em agosto, antes de iniciar a campanha eleitoral. E esses deputados estarão na futura base parlamentar do governo Bolsonaro. Estamos provando que, ao contrário do que se dizia, o nosso candidato tem capacidade de oferecer governabilidade”.
Poucas adesões entre as mulheres
É baixa a porcentagem de parlamentares mulheres que decidiram cerrar fileiras em torno do deputado capitão. A pesquisa do Congresso em Foco chegou a apenas três nomes, de um total de 65. Uma quarta deputada admitiu a possibilidade de apoiar Jair Bolsonaro, mas falou que ainda não se decidiu sobre o assunto. Onyx reconhece que há somente “6 a 7 mulheres” em sua listagem.
Mesmo na sua conta, portanto, o índice fica próximo de 6% do conjunto de apoiadores. Bem menos do que os 10% de participação feminina existente no Congresso Nacional. O percentual nanico confirma as dificuldades de crescimento do assim chamado “mito” entre as mulheres. Um ponto vulnerável, que certamente será muito explorado por adversários, e está relacionado com as inúmeras declarações misóginas já feitas por Bolsonaro.
Os integrantes do grupo incluem os oito deputados do PSL, partido de Bolsonaro, e membros de 21 das 26 agremiações partidárias representadas na Câmara. As exceções são cinco legendas de esquerda ou centro-esquerda: PCdoB, PDT, Psol, PT e Rede. Todas elas já anunciaram a intenção de disputar a Presidência da República com candidatos próprios. Ter pré-candidato a presidente indicado pelo partido, porém, não é o suficiente para evitar a diáspora bolsonarista.
“Já estou trabalhando para que todos os candidatos do Avante no meu estado votem em Jair Bolsonaro”, admite sem pedir segredo o deputado Cabo Sabino (Avante-CE), cujo partido anunciou o nome de outro deputado federal, Cabo Daciolo (RJ), como pré-candidato a presidente. Outro apoiador assumido de Bolsonaro é Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC), apesar da cúpula emedebista ter lançado o ex-ministro Henrique Meirelles como pré-candidato à sucessão presidencial. Assim como Jhonatan de Jesus (PRB-RR), cuja legenda lançou o empresário Flávio Rocha para presidente. “Me identifico plenamente com o ideário do Jair Bolsonaro, é o meu candidato”, revela-se Arolde de Oliveira (PSD-RJ), indiferente às articulações do PSD rumo a uma provável aliança com Geraldo Alckmin (PSDB). “O ideal seria o Alckmin, mas ele não decolou nem vejo mais como decolar”, pondera um bolsonarista que ainda prefere se manter anônimo dentro das hostes tucanas.
Protegidos pelo off, também abriram o coração para o deputados do Podemos do senador Alvaro Dias, do Solidariedade de Aldo Rebelo e de outras legendas que ou botaram na rua pré-candidatos a presidente ou negociam alianças com partidos mais bem posicionados na corrida presidencial. Os três estados mais populosos (São Paulo, Minas e Rio) são também aqueles com mais deputados seguidores de Bolsonaro.
Fincado principalmente nos partidos de direita e centro-direita que constituem o aglomerado parlamentar conhecido como “Centrão”, o bolsonarismo conquistou a quase totalidade da “bancada da bala”, formada por políticos que defendem a flexibilização de regras para a posse de armas e o uso de medidas repressivas para combater a criminalidade. Seduziu a maior parte dos 40 membros da bancada do PR, antes mesmo de a legenda oficializar – como se espera – a coligação com o PSL. E, dia após dia, cresce a passos largos na bancada evangélica.
Direita x esquerda
Ex-líder do seu partido e uma das mais influentes lideranças evangélicas na Câmara, o deputado Lincoln Portela (PR-MG) afirma que a crescente adesão a Jair Bolsonaro é uma reação ao fortalecimento do PT e da esquerda durante o governo Michel Temer. “O Michel, ao fazer o jogo da política velha, esfarelou o centro e ressuscitou o PT, que havia ficado quase morto após a saída da Dilma. Por isso não tem jeito. Teremos uma eleição presidencial de esquerda contra direita, personificada no Bolsonaro. Estou com ele para enfrentar essa realidade brutal de um país que teve mais de 62 mil homicídios em 2017. Para enfrentar esses discursos da esquerda em defesa da liberação de drogas e impedir a destruição da família monogâmica”, declara-se Lincoln Portela.
Valter Cam Agência Brasil
“Temos uma esquerda genial”, prossegue. “Ela se apoderou da educação, da cultura, da causa dos direitos humanos, dos sindicatos, do jornalismo, do jornalismo e depois do Ministério Público e da magistratura. A candidatura Bolsonaro é uma reação contra essa minoria que se empoderou a ponto de comandar todos esses grupos. E isso se confunde com o interesse empresarial. O que dá dinheiro nas redes sociais é pornografia. Tem uma indústria que fatura com a ideologia de gênero. A minha igreja [Igreja Batista Solidária] é frequentada por homossexuais, não temos nada contra os direitos homoafetivos. Temos contra essa apropriação da homoafetividade por uma ideologia que tem por trás bilionários como George Soros e a família Rockefeller”.
Há razões mais pragmáticas e menos ideológicas para a engorda do rebanho bolsonarista. “Todo mundo quer está perto de quem vai dar voto, e o Bolsonaro é o melhor cabo eleitoral que pode ter hoje um político que seja candidato à reeleição”, propaga o deputado Manato (PSL-ES). “Sabe o que um deputado quer? É do candidato que cumpra o orçamento da União. Ninguém quer mais do que isso”, acrescenta Manato, referindo-se à cota de quase R$ 15 milhões em obras para os redutos eleitorais que cada congressista tem direito a incluir no orçamento federal. Embora tais emendas possuam efeito legal impositivo, na prática, as dificuldades de caixa do Tesouro Nacional levam a atrasar o seu cumprimento.
Qualquer insinuação de fisiologismo ou de descuido com a responsabilidade fiscal é, contudo, imediatamente rechaçada pelo coordenador da bancada, Onyx Lorenzoni. “Não há hipótese de nada diferente acontecer com Bolsonaro. Vamos divulgar até o final de julho um plano de governo que vai surpreender positivamente o país. Tem uma equipe muito qualificada trabalhando nisso, sob a liderança desse grande economista que é o Paulo Guedes, e posso garantir. O governo Bolsonaro será constitucional, absolutamente democrático, com um perfil conservador liberal. Um governo enxuto, que vai estimular o desenvolvimento econômico, vai fazer a reforma fiscal e fará uma reforma da Previdência racional, dentro da razoabilidade, e não essa loucura que o Temer propôs”.
(Conteúdo Congresso em Foco – texto Sylvio Costa. Colaboraram para esta reportagem Isabella Macedo e Thallita Essi, sob a supervisão de Edson Sardinha)
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Embraer agora é Boeing. Preço: US$ 3,8 bi por 80%

Foto: Antônio Milena

A Embraer e a Boeing anunciaram hoje (5) que vão formar uma joint venture que vai abarcar todos os negócios e serviços de aviação comercial da empresa brasileira. A companhia norte-americana vai pagar US$ 3,8 bilhões para ter 80% de controle da nova operação, estimada em um valor total de US$ 4,7 bilhões. A fabricante brasileira terá 20% da parceria.
A expectativa é que a transação seja concluída em um prazo de 12 a 18 meses, sendo finalizada até o final de 2019. As empresas precisam acertar os detalhes operacionais e financeiros do negócio, que deve ainda passar por aprovação dos acionistas e dos órgãos reguladores.
O governo federal decidiu que só vai analisar o negócio após outubro, quando já estiver definido o novo presidente da República. Entre outras questões, a precaução visa evitar que a parceria Embraer-Boeing seja motivo de polêmica durante a campanha eleitoral. A União, que esta semana deu o sinal verde para que as duas empresas divulgassem o comunicado de fato relevante, é quem dá a palavra final sobre o negócio porque manteve em seu poder, com o processo da privatização da Embraer em 1994, a chamada golden share (ação de ouro).
Com a parceria concretizada, a joint venture de aviação comercial será liderada por uma equipe de executivos sediada no Brasil. A Boeing terá, no entanto, o controle operacional e gestão da nova empresa. A partir da fusão das operações das duas companhias na linha comercial, poderão ser oferecidas ao mercado aeronaves de passageiros com capacidade de 70 a mais de 450 assentos.
O acordo prevê ainda a criação de uma outra joint venture voltada para o mercado de defesa. Terá destaque nessa linha o avião KC-390, modelo para transporte de carga e uso militar desenvolvido pela Embraer. A área da aviação executiva não foi mencionada e deve continuar sendo desenvolvida exclusivamente pela empresa brasileira, como já havia sido sinalizado em um comunicado ao mercado divulgado em abril.
As negociações
Desde o ano passado, as duas empresas negociavam os termos de uma possível fusão das duas companhias. O governo brasileiro havia, entretanto, rechaçado a possibilidade da Embraer ser adquirida pela companhia norte-americana devido à importância estratégica da empresa.
A fabricante nacional é responsável por desenvolver duas linhas de aviões de caça, além de participar a transferência de tecnologia relacionada ao satélite estacionário brasileiro. Essas áreas são consideradas de grande relevância para a soberania do país.
(Conteúdo Agência Brasil)

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Mbappé, o super herói da periferia de Paris

O astro francês nasceu em Bondy, coração da periferia de Paris marcado pela precariedade e a exclusão, onde o futebol é visto como um meio de ascensão social
Do outro lado se abre outro mundo: a banlieue, ou a periferia. Desconhecido e mitificado. A banlieue é o lugar em que a França projeta seus fantasmas, suas frustrações. Palco de distúrbios ou viveiro de islamistas. Muro invisível no qual a ascensão social se choca. Também, às vezes, o território de onde a República espera que chegue a salvação, o herói que irá debelar suas ansiedades, que acalmará o terror da fratura da nação.

A Copa é uma destas ocasiões. Kylian Mbappé —produto perfeito da banlieue de Paris; filho da periferia mais dura e a mais pura; revelação na Rússia— encarna o renovado sonho dessa França diversa e coesa. Mbappé nasceu em 1998, em Bondy, uma cidade de 52.000 habitantes a 12 quilômetros do centro de Paris. Seu pai era de origem camaronesa; sua mãe, argelina. Ambos esportistas. Se existisse uma capital da banlieue, Bondy aspiraria ao posto. A banlieue castigada pela precariedade —na moradia e na educação— e pela discriminação. E pela falta de oportunidades. A banlieue, também, das casas ajeitadinhas com jardim, os cafés hipsters e livrarias independentes, um espaço de convivência e respeito aparente e de trabalho duro que desmente os retratos apocalípticos de um território sem lei. Tudo é mais complexo.
“Quando os bairros populares são vistos sob o prisma dos acontecimentos e da violência, do islamismo e do terrorismo, ou sob o prisma do heroísmo, é uma visão caricatural e perigosa porque não remete à realidade que as pessoas vivem”, diz Nassira El Moaddem, diretora do Bondy Blog, mídia de referência na cobertura das banlieus, com sede em Bondy.
El Moaddem cita um relatório recente apresentado na Assembleia Nacional sobre o “fracasso do Estado” em Seine-Saint-Denis. O relatório constata que este é o departamento com os habitantes mais pobres da França (com exceção dos territórios de ultramar) e com a criminalidade mais elevada. “Em Seine-Saint-Denis”, resume Le Monde, “há menos de tudo: menos policiais, menos professores, menos funcionários do Judiciário, menos magistrados, menos médicos escolares…”
De algo “há mais” em Seine-Saint-Denis, e na banlieue em geral: mais jogadores. As instalações da AS Bondy, onde Mbappé se formou, são um autêntico canteiro do futebol francês. Em seu gabinete no pavilhão do clube, o diretor esportivo, Jean-François Suñer, contabiliza 16 profissionais na ativa, entre os quais Sebastian Corchia, que joga no Sevilla, e, claro, Killian Mbappé. Boa parte da seleção francesa —Pogba, Matuidi, N’Golo Kanté— é composta de filhos da periferia de Paris.
Suñer, filho de uma valenciana e um catalão que chegaram depois da guerra, conhece Mbappé desde que nasceu. Quando tinha 5 anos, se deu conta de que era especial. Quando exatamente? “Quando o vi com a bola nos pés. É um talento natural.”
A filosofia de Suñer e do AS Bondy é simples: Dizemos às crianças e aos pais: primeiro tem de trabalhar na escola. Se depois vemos que pode ser um profissional, ajudaremos. Antes de formar jogadores, formamos homens”, acrescenta. E recorda o caso recente de dois meninos de 10 e 11 anos que, por mau comportamento na escola, foram excluídos do jogo do sábado.
“Muitos querem que seus filhos tenham sucesso para sair da banlieue”, diz Suñer. “Nós não vamos nos enganar.”
Em cidades como Bondy, e ainda mais com fenômenos como Mbappé, o futebol corre o risco de ser a única esperança de muitos pais para prosperar, de encontrar aí —e não na escola republicana— a ascensão social em que empacam na vida civil: os currículos sem respostas, a discriminação silenciosa.
“Antes de Mbappé, o fato de vir de Bondy podia ser motivo de discriminação na busca de trabalho. Hoje acontece o contrário: pode ser positivo”, diz Mahmoud Bourassi, que na semana passada voltou da Rússia depois de torcer pela França com um grupo de jovens da cidade. Mas Bourassi alerta contra o perigo de confiar excessivamente no futebol para consertar a França.
Os distúrbios na noite anterior em Nantes, depois que a polícia matou um jovem em um controle policial, são um lembrete. Como são as esperanças que a vitória da França de Zidane —outro filho dos bairros multiculturais— despertou em 1998. Quatro anos depois, a Frente Nacional, partido contrário à imigração, chegava ao segundo turno das eleições presidenciais.
“É preciso manter a cabeça fria”, diz Bourassi: “Como faz Mbappé quando comparam-no com Pelé.”
*Conteúdo: Marc Bassets (El País), texto – foto Reau Alexis (L’Equipe)

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