General Heleno: democracia foi ameaçada

O general Augusto Heleno assegurou que a democracia nunca esteve ameaçada e disse que é “absurda” a classificação que partidos de esquerda atribuíram a Bolsonaro. “Dizer que Bolsonaro é fascista é uma campanha sórdida. Não tem nenhum fundamento”, disse.
Segundo o militar, a equipe do governo Bolsonaro busca, a partir de agora, uma conciliação, “uma grande união de todos os brasileiros para um governo para todos”. “Não podemos fazer um governo para uma parte do país. Acredito que ele [Bolsonaro] vai buscar a união de todos os brasileiros, independente de cor, religião e idade. É uma das missões mais nobres e importantes hoje”.
Apesar das declarações feitas hoje (28), o militar, que deve assumir a pasta da Defesa, teve o discurso mais cauteloso entre os quatro ministros confirmados pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. O general Heleno esquivou-se de todas as perguntas feitas pela imprensa sobre os primeiros passos em sua área. Heleno fez questão de frisar que haverá tempo suficiente, durante o período de transição, para conversas e definição de prioridades e disse que qualquer palavra seria precipitada no momento.
O general admitiu que há um estudo de prioridades e urgências desenhado pela equipe de Bolsonaro, mas não adiantou qualquer dos pontos. Perguntado sobre o interesse do futuro governo em uma interrupção da intervenção nacional no Rio de Janeiro para liberar o Congresso para votar alguns tipos de proposições, como a reforma da Previdência, que poderia trazer fôlego aos primeiros dias de 2019, ele garantiu que, por ora, tudo não passa de especulação.

“Para isto é que tem a transição: para conversar sobre esses assuntos e verificar se há interesse ou não na interrupção para que possa colocar o Congresso para votar alguma coisa. Eu não posso analisar isso, não é a minha área”, disse.
O militar não sinalizou sequer sobre o interesse de Bolsonaro em decretar nova ação das forças armadas no Rio. A atual operação termina oficialmente no dia 31 de dezembro deste ano. Até 1º de janeiro de 2019 esse assunto é do governo do presidente Michel Temer, que vai decidir se interrompe a intervenção ou não.
“Ele [Jair Bolsonaro] que vai estudar e conversar com o novo governador do Rio de Janeiro para saber se o novo governador pretende pedir uma nova intervenção porque [a atual] não pode continuar. Existe um decreto regulamentando o término. É para o futuro. Por enquanto vamos aproveitar os êxitos da intervenção”, disse, lembrando que até o final do ano, a decisão está nas mãos do atual presidente Michel Temer.
Sobre a política externa, o mesmo cuidado ao afirmar que o assunto é sério e delicado e será tratado pelo Ministério das Relações Exteriores. O general disse que o problema da segurança ganhou grandes dimensões e o novo governo terá que agir com rigidez para reverter o cenário.
*Conteúdo Agência Brasil

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Veja a trajetória e polêmicas de Bolsonaro

Acompanhado de agentes da PF e da mulher, Bolsonaro vota no Rio.

Desde o período pré-eleitoral, sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa, o mestre em saltos da brigada paraquedista do Exército, Jair Messias Bolsonaro, candidato da coligação PSL-PRTB, liderou todas as pesquisas de intenções de voto para a Presidência da República. E venceu o primeiro turno, e conquistou a presidência no segundo turno com mais de 55% dos votos válidos.
Com apoio até de defensores da monarquia, o capitão da reserva, nascido em Campinas (SP) há 63 anos, fez uma campanha popular, que reuniu grandes grupos de simpatizantes nas ruas, mas também foi alvo de muitas críticas e contraofensivas.
Ocupando o espaço de principal rival do PT, Bolsonaro firmou-se como defensor de propostas que se enquadram no arco da extrema-direita e nunca se intimidou com os limites impostos pelo politicamente correto. Sua trajetória parlamentar é marcada pela virulência de seus discursos – que ele considera como livre opinião, protegida pela imunidade parlamentar.
Fez, por exemplo, declarações consideradas ofensivas e discriminatórias contra negros e quilombolas. Em 11 de setembro, o STF julgou Bolsonaro por acusação de racismo – inocentando-o por um placar de 3 a 2 na Primeira Turma. Publicamente, se opôs às ações afirmativas, como a adoção de cotas étnicas para o ensino superior.
Demonstrou também ser contrário às leis de proteção ao público LGBT. Como deputado, combateu sem trégua, em 2011, quando Fernando Haddad (PT) era ministro da Educação, o que chamou de “kit gay” – um material didático contra homofobia que seria distribuído pelo governo para as escolas públicas.
Bolsonaro sempre se insurgiu ainda contra a proteção que os direitos humanos conferem aos que estão sob custódia do Estado. Já disse ser a favor da pena de morte e contra o Estatuto do Desarmamento. Condena a descriminalização das drogas e quer que o cidadão comum possa se armar, em legítima defesa, contra ação de bandidos. Esse foi o seu principal recado aos eleitores na área de segurança.
Durante a campanha, seu discurso foi se tornando mais moderado. Teve inclusive que enviar carta ao STF para prestigiar a Corte depois que seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (SL), apareceu em vídeo dizendo que “bastava um cabo e soldado para fechar o STF”. Jair Bolsonaro condenou a violência entre eleitores e conclamou os brasileiros à pacificação.
Mulheres
Com o sucesso de suas propostas e de sua pregação, Bolsonaro virou um fenômeno de massa, mas encontrou resistência, segundo demonstraram as pesquisas de opinião, no eleitorado feminino. Ele afirmou considerar questão de mercado a diferença salarial entre homens e mulheres – posição da qual mais tarde recuou.
O candidato já foi condenado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por apologia ao estupro. Em 2014, da tribuna da Câmara, ele disse à colega deputada Maria do Rosário (PT-RS) que ela não merecia ser estuprada. Ele recorreu e o caso aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Por causa dessa decisão do STJ, ele se elege como o primeiro presidente que é réu na Justiça.
Memória
Um fato rumoroso marca o início da vida pública de Bolsonaro. Em 1987, reportagem publicada pela revista Veja informou que havia um plano denominado “Beco Sem Saída” para explodir bombas em banheiros da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), quartéis e locais estratégicos do Rio. O objetivo seria protestar contra os baixos salários. O então capitão publicara um artigo em que reivindicava a melhoria dos soldos – o que lhe rendeu, posteriormente, punição disciplinar.
Na ocasião, Bolsonaro foi identificado como fonte da reportagem, que exibia croquis feitos a mão supostamente pelo próprio militar. Ele negou as acusações, recorreu ao Superior Tribunal Militar (STM) e foi absolvido. Em 1988, foi para reserva. Já conhecido e identificado inicialmente como porta-voz de reivindicações militares, iniciou então a carreira política no Rio de Janeiro.
Com a pauta ampliada para segurança e temas “contra a ideologia esquerdista”, foi eleito sete vezes deputado federal, permanecendo quase três décadas no Congresso Nacional, período em que apresentou mais de 170 projetos, mas teve apenas dois aprovados. Foi o mais votado no Rio para a Câmara em 2014, obtendo 464 mil votos.
Corrida Presidencial
Na corrida ao Palácio do Planalto, o candidato teve dificuldade para ampliar alianças e negociar um nome para vice-presidente – cargo entregue ao polêmico general Mourão (PRTB), que trouxe consigo o apoio de alas da elite das Forças Armadas. Bolsonaro já negou várias vezes que tenha existido golpe militar e tortura política no Brasil.
Desde o início, ele apresentou o banqueiro Paulo Guedes como o fiador de seu programa econômico. Com o aumento de sua popularidade e a entrada de Guedes na campanha, cresceu também o apoio de setores empresariais e financeiros ao PSL. Fiel ao discurso anticorrupção, diz que vai combatê-la acabando com ministérios e estatais.
Casado três vezes, tem cinco filhos, dos quais três estão na vida política – Carlos é vereador no Rio, Flávio é deputado estadual no Rio e Eduardo é deputado federal por São Paulo. O PSL é o seu nono partido. À Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 2,3 milhões.
Atentado
Com apenas oito segundos de propaganda eleitoral, o candidato e seus filhos, que costumam criticar a imprensa, usaram as redes sociais intensamente e terminaram acusados pelos adversários de liderarem a produção de fake news nessas eleições. Denúncia sobre o uso impulsionado de mensagens em aplicativos, supostamente pago por empresários pró-Bolsonaro, está sendo investigada pela Justiça Eleitoral. Pelas redes, detalharam até o estado de saúde de Bolsonaro quando esteve hospitalizado durante o primeiro turno, alvo de atentado a faca – algo que nunca aconteceu a presidenciáveis em campanha, após a redemocratização no Brasil. Ferido em 6 de setembro quando participava de ato público em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro passou 22 dias internado, recuperando-se de uma hemorragia e de duas cirurgias no intestino. Ele foi atacado pelo desempregado Adélio Bispo – que hoje é réu por “atentado pessoal por inconformismo político”. Nos últimos dias de campanha, Bolsonaro, que votou com colete à prova de bala e forte esquema de segurança, voltou a dizer que não acredita que Adélio agiu sozinho.
*Conteúdo Agêbcia Brasil

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Bolsonaro vence em 16 estados, Haddad em 11

Com 55,13% dos votos válidos, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) ganhou em 15 estados e no Distrito Federal. O oponente, o candidato do PT, Fernando Haddad, liderou em 11 estados.
Por ordem alfabética, Bolsonaro venceu no Acre, no Amapá, no Amazonas, no Distrito Federal, no Espírito Santo, em Goiás, no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul, em Minas Gerais, no Paraná, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, em Rondônia, em Roraima, em Santa Catarina e em São Paulo.
As unidades da Federação onde Bolsonaro obteve os melhores resultados foram Acre (77,22%), Santa Catarina (75,92%), Rondônia (72,18%), Roraima (71,55%) e Distrito Federal (69,99%).
Haddad venceu em Alagoas, na Bahia, no Ceará, no Maranhão, na Paraíba, em Pernambuco, no Piauí, no Rio Grande do Norte, no Sergipe, no Pará e no Tocantins. As maiores vantagens foram registradas no Piauí (77,05%), no Maranhão (73,26%), na Bahia (72,69%) e no Sergipe (67,54%).
Bolsonaro venceu em quatro das cinco regiões: Norte (51,9%), Centro-Oeste (66,55%), Sul (68,27%) e Sudeste (65,37%). Haddad venceu somente no Nordeste, com 69,69% dos votos válidos. No exterior, Bolsonaro obteve 70,98%, contra 29,02% de Haddad.
*Com informações Agência Brasil

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Bolsonaro garante que está com uma "mão na faixa"

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quarta-feira (17) que “está com uma mão na faixa [presidencial]” e que o adversário no segundo turno, Fernando Haddad (PT), “não vai tirar [uma diferença de] 18 milhões de votos até daqui dois domingos”.
A declaração foi dada após visita à sede da Polícia Federal, na zona portuária do Rio. Ao ser questionado sobre a presença em debates, Bolsonaro disse que vai depender da liberação dos médicos, mas admitiu que sua ida ou não faz parte de sua estratégia de campanha.
“Agora eu vou debater com um poste, um pau mandado do Lula? Tenha santa paciência”, declarou Bolsonaro. “Tudo na política é estratégia. O Lula não compareceu a debate. O último da Rede Globo, não sei se foi em 2006 ou 2010. Entra tudo no meio, eu decido em equipe.”
Em seguida, ele destacou a vantagem que as pesquisas têm apontado a seu favor.
A diferença de votos citada por Bolsonaro tem como base pesquisas de intenção de voto que, no primeiro turno, foram frequentemente desacreditadas pelo candidato. Segundo o último Ibope, de segunda-feira, Bolsonaro tem 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad.
Antes de falar que estava com uma mão na faixa, ele disse que não estava preocupado com isso e que não tem obsessão pelo poder. “Quero ajudar o Brasil a sair dessa situação”, comentou.
Bolsonaro ainda endossou o coro entoado por alguns segmentos de centro-esquerda de que o PT não fez um “mea culpa” durante o processo eleitoral e, como exemplo, citou as declarações recentes do pedetista Cid Gomes, eleito senador pelo Ceará e irmão de Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado na corrida presidencial no primeiro turno.
“Façam o mea culpa pelo menos como o Cid Gomes. Mas não admitem, acham que o Lula é um preso político.”
Bolsonaro pede voto; lei proíbe

Bolsonaro disse que foi à PF para agradecer à corporação pela segurança que agentes fazem, garantida por lei. “Não é porque está na lei que eu não devo reconhecimento a eles”, declarou.
Na entrevista a jornalistas, ele relembrou o ataque a faca sofrido em em Juiz de Fora (MG). “Eu perdi dois litros de sangue, cortou o intestino grosso, fezes se espalharam por todo o organismo. Fui submetido a uma segunda cirurgia no dia 12, que começou às 9h da noite e terminou às 5h da manhã. Não foi uma brincadeira.” Segundo o hospital, no entanto, a duração da cirurgia de emergência foi quatro vezes menor, de duas horas.
O discurso, no entanto, é bem diferente de entrevistas suas concedidas quando ainda estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Na ocasião, o pesselista declarou que havia uma tentativa de “abafar o caso” por parte da PF.
“Confio neles [na Polícia Federal]. Eles vão chegar a uma solução no final do inquérito. Não estou aqui fazendo papel de vítima. Eu não levei um cascudo na rua, foi uma facada. (…) Tenho muita vontade de viver, estou com ainda mais vontade de disputar a eleição”, afirmou nesta quarta-feira.
A visita de Bolsonaro alterou a rotina na sede da Polícia Federal. Advogados foram impedidos de entrar no prédio enquanto o candidato esteve no local. *Conteúdo Estadão/Fábio Motta

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Cid Gomes inviabiliza frente ampla contra Bolsonaro

As declarações do senador eleito e ex-governador do Ceará Cid Gomes (PDT) fizeram com que a campanha do petista Fernando Haddad considerasse improvável a criação de uma grande frente democrática contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). O candidato do PSL vai usar as falas de Cid, de que o PT deveria fazer mea culpa e assumir que fez “muita besteira”, em seu programa eleitoral desta terça-feira, 16. Por sua vez, o PT tem encontrado dificuldades para atrair apoios de nomes da centro-esquerda e está praticamente descartada a hipótese de Ciro Gomes (PDT) vir a se engajar na campanha.
Na tarde desta terça, Cid tentou remediar sua fala, mas ainda manteve o tom duro contra os petistas. “Comparei os dois nomes que estão no segundo turno. “O Haddad é infinitamente melhor que o Bolsonaro. Eu não quero me vingar de ninguém. Para o Brasil o menos ruim é o Haddad. Por isso penso que seria melhor que ele ganhasse”, escreveu, no Facebook.
O senador eleito pela Bahia Jaques Wagner (PT) chegou a dizer que desconhece a criação de uma frente. Segundo ele, a ideia é obter apoio de outros setores da sociedade. Em conversas privadas, alguns dirigentes do PT avaliam que a explosão de Cid Gomes somadas às declarações do presidente do PDT, Carlos Lupi, e o sumiço de Ciro, são movimentos calculados que visam definir o papel da sigla pedetista em relação a um eventual governo Bolsonaro.
A possibilidade de apoio público do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também é considerada distante. Segundo membros da campanha, FHC emite sinais contraditórios.
Bolsonaro usa programa na TV
O programa de Bolsonaro desta terça na TV irá começar com o discurso de Cid Gomes em que ele cobra um mea culpa do PT, diz que Lula está preso e afirma que o partido merece ser derrotado. O discurso será exibido quase na íntegra e terminará com #PTNão ¬- além de afirmar que a rejeição de Fernando Haddad não para de crescer porque esta é a eleição do “Brasil contra o PT”.
O discurso de Cid foi feito na segunda, 15, em evento do PT em Fortaleza. Na ocasião, ele disse que o partido do presidenciável Fernando Haddad precisa fazer mea culpa e assumir que fez “muita besteira” – ou perderá a eleição de forma “merecida”. O irmão de Ciro, que estava na corrida presidencial, ainda disse que Bolsonaro é uma “criação” de quem acha que é dono da verdade. A coordenação da campanha petista no Estado classificou a atitude de Cid como “desrespeitosa”.

“Tem que fazer mea culpa, tem que pedir desculpa, ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira”, disse Cid, ao lado do governador eleito no Estado, Camilo Santana (PT). Vaiado por militantes petistas, Cid apontou para um deles, que fazia sinal de negativo com as mãos, e o confrontou. O vídeo ganhou repercussão nas redes sociais na madrugada desta terça.
“É assim? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir mea culpa é pra perder a eleição e é bem feito”, disse Cid. “Quem, junto com ele (militante), acha que fez tudo certo, muito bem, pois vão perder feio. Porque fizeram besteira, aparelharam as repartições públicas, porque acharam que eram dono de um País e o Brasil nã aceita ter dono.”
Ao ouvir gritos de “Olê olê olá, Lula, Lula!”, em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cid chamou a militância de “babaca”. “Quem criou o Bolsonaro foram essas figuras que acham que são donos da verdade, que acham que os fins justificam os meios. Que Lula o quê? O Lula está preso, babaca! E vai fazer o quê? Babaca! Isso é o PT e o PT desse jeito merece perder.”
O deputado federal José Guimarães (PT), coordenador da campanha de Fernando Haddad no Ceará, reagiu. “Lamento profundamente a forma desrespeitosa como fomos tratados pelo senador (eleito) Cid Gomes ao criticar o PT em um momento inadequado e que só contribuiu para gerar desconfiança e incertezas da nossa vitória”, escreveu em uma rede social. “A eleição está em aberto. Vamos para o confronto e apelamos para que todos os democratas se somem ao esforço de derrotar essa direita representada pela candidatura de Bolsonaro”, disse.
Nesta terça-feira, Fernando Haddad classificou como uma “coisa meio acalorada” as críticas de Cid ao partido. “Uma coisa meio acalorada, não vou ficar comentando isso até porque eu tenho uma amizade com o Cid, ele fez elogios à minha pessoa”, disse Haddad . O petista declarou que preferia ver o lado “positivo” das declarações do pedetista e que a amizade entre os dois continuaria a mesma
O PT tentava se aproximar do PDT e acenou para Ciro Gomes no intuito de trazê-lo para dentro da campanha petista no segundo turno das eleições 2018. Porém, ao contrário do que esperava a campanha de Haddad, Ciro viajou para a Europa e não vai chefiar a equipe do programa econômico do petista. Ele não deverá subir no palanque com Haddad, muito menos fazer fotos para indicar o “apoio crítico”, aprovado em reunião da Executiva nacional do PDT na quarta-feira, 10.
Para se distanciar do PT, o presidente do PDT, Carlos Lupi, já havia antecipado que o partido pretende lançar Ciro como candidato para 2022, já após o fim do segundo turno. “Não faremos nenhuma reivindicação (junto ao PT). Será um voto claro sem participação na campanha e com a certeza de que não participaremos de nenhum governo, mesmo se Haddad ganhar a eleição. Vamos começar a construir agora 2022, já estamos decididos a lançar a candidatura de Ciro Gomes”, afirmou. *Com informações de O Estado de S.Paulo/Ricardo Galhardo. Colaboraram Matheus Lara e Daniel Wetermean

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PT tira Lula e cor vermelha da marca Haddad

Reunida nesta quarta-feira (10/10) em São Paulo a coordenação da campanha do PT decidiu que no segundo turno a candidatura de Fernando Haddad vai ter caráter de frente política. Para isso o vermelho do PT perdeu espaço para o verde e amarelo da bandeira brasileira no material de campanha, o slogan passou a ser “O Brasil para todos” no lugar de “O Brasil feliz de novo” e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desaparece da foto oficial.
O PSOL e o PSB foram incorporados à estrutura da campanha que já tinha PT e PC do B. O próximo passo é abrir espaço para o PDT de Ciro Gomes.
Em outra frente, a campanha vai atuar na TV e nas redes sociais para desconstruir a imagem de Jair Bolsonaro (PSL). “Agora é partir para a desconstrução, mostrar que ele é um falso nacionalista e não é contra o sistema, ao contrário, é parte do sisterma”, disse o presidente do PSOL, Juliano Medeiros.
Integrantes da campanha petista admitem que encontram dificuldades para encontrar um flanco pelo qual Bolsonaro fique vulnerável mas orientaram a militância a explorar nas redes sociais as propostas econômicas de aliados do deputado como o candidato a vice, general Hamilton Mourão, que se manifestou contra o 13o salário e o adicional de férias.
Nos últimos dias, membros da campanha e aliados começaram a defender que Haddad se descole da imagem de substituto de Lula e mostre mais sua própria personalidade. Em vídeos para as redes sociais, Haddad começou a se apresentar como candidato sem citar o nome do padrinho político, como fez fortemente no primeiro turno da disputa.
Lula sai dos santinhos mas continua na TV. A estratégia, segundo a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, é manter Lula no centro do debate como representante de um projeto de Brasil que deu certo e que Haddad é o homem certo para executar este projeto.
“O Lula mantém a centralidade como legado mas o desafio é mostrar que Haddad tem capacidade de implementar oprojeto que Lula representa”, disse Gleisi.
Segundo ela, seria uma “burrice” esconder Lula na campanha porque é o ex-presidente quem tem conexão com o povo. Para reforçar o caráter de frente, a campanha quer aumentar sua amplitude atraindo partidos, personalidades e movimentos da sociedade. Nas redes sociais, a ideia é que os eleitores e militantes tenham autonomia para distribuir conteúdos contra Bolsonaro e em defesa de Haddad, principalmente em grupos do WhatsApp.
O PC do B defende que o programa de governo seja resumido a poucos pontos de convergência que sirvam de guarda-chuva para abrigar forças dispostas a aderir à campanha mas discordam do programa petista. “O PC do B defende que o programa dois ou três pontos bastante amplos que representem a essência da campanha de Haddad. Este é um pacto democrático”, disse o vice-presidente do PC do B, Walter Sorrentino.

Com informações de O Estado de S.Paulo – Ricardo Galhardo e Daniel Weterman.

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São Paulo, a batalha final na direita

Oswaldo E. do Amaral
O estado de São Paulo é o lar de 22,4% dos eleitores brasileiros. Desde 1994, o PSDB ganha as eleições para o governo e, desde 2006, o estado é reduto importante das candidaturas tucanas à presidência. O bom desempenho do PSDB nas últimas eleições presidenciais passou por votações substantivas em São Paulo. E em 2018? Como está a candidatura do tucano Geraldo Alckmin na unidade mais populosa da federação? Quando comparamos com os dados da eleição de 2014, vemos que o PSDB tem um desempenho muito mais fraco neste pleito. Em 2014, o então candidato Aécio Neves (PSDB) teve 44,2% dos votos válidos no estado. Dilma Rousseff (PT) recebeu 25,8% e Marina Silva (PSB), 25,1%. Apenas para relembrar, em todo o País, Dilma teve 41,6% dos votos válidos e Aécio, 33,6% no primeiro turno em 2014.
Segundo a última pesquisa do Ibope realizada em São Paulo e divulgada no dia 19 de setembro, entre os paulistas que indicaram pretender votar em algum candidato, 38% escolheram Jair Bolsonaro (PSL), 17% apontaram Geraldo Alckmin e 16%, Fernando Haddad (PT). Na mesma pesquisa, em âmbito nacional, o capitão atingiu 35%, o tucano, 9% e o petista, 24% dos votos válidos. É interessante notar ainda que, entre 20 de agosto e 18 de setembro, Alckmin perdeu cinco pontos percentuais enquanto Bolsonaro ganhou sete e Haddad, dez em São Paulo.

A maior fragmentação dessa eleição, com um número maior de candidatos competitivos até o momento, explica a redução na proporção de votos válidos do PT e do PSDB em São Paulo. Mas, para o candidato tucano, essa explicação deve ser analisada levando em consideração o desempenho de seu principal concorrente no momento, Jair Bolsonaro. Enquanto Haddad está dez pontos abaixo da votação obtida por Dilma no primeiro turno de 2014, a intenção de votos em Alckmin está quase 30 pontos abaixo do obtido por Aécio Neves.

Quando analisamos os dados de forma um pouco mais desagregada, vemos que o desempenho do tucano, em comparação com Jair Bolsonaro, é especialmente ruim entre os homens (Bolsonaro 50% x 10% Alckmin), os mais escolarizados (Bolsonaro 41% x 9% Alckmin – Ensino Superior), e os mais ricos (Bolsonaro 45% x 10% Alckmin – Acima de 5 salários mínimos). Além disso, quando observamos as escolhas para a disputa presidencial entre os eleitores do candidato tucano ao governo do estado, João Dória (PSDB), é possível termos uma dimensão ainda mais clara de como Alckmin perde votos para Bolsonaro em seu estado natal. Dos eleitores de Dória, que lidera a disputa empatado com Paulo Skaf (MDB) e tem 32% dos votos válidos, 45% declararam votar em Bolsonaro, enquanto apenas 19% mencionaram o nome de Alckmin – é o voto “Bolsodória”.
Para concretizar a sonhada “arrancada” rumo ao segundo turno, Alckmin vai precisar melhorar seu desempenho em São Paulo – o que significa não só conquistar os votos de outros candidatos de “centro” e “centro-direita”, mas conseguir captar votos diretamente de Jair Bolsonaro.

Dada a estrutura competitiva da atual disputa presidencial, isso significa conseguir atrair, especialmente, o voto dos “antipetistas”. No Brasil, esse contingente está em torno de 30%, segundo dados do Ibope (eleitores que não votariam no PT de jeito nenhum). Em São Paulo, a porcentagem é de 43%. Até aqui, foi o capitão reformado que conseguiu conquistar parcela significativa desse eleitorado. A Alckmin resta ir para o “tudo ou nada”. Precisa mostrar que, ainda que faça parte de um partido desgastado junto à opinião pública e com escândalos de corrupção no estado, é o único com chances de derrotar Haddad e o PT. Para Bolsonaro, manter a vantagem em São Paulo será fundamental para garantir a passagem ao segundo turno. A briga na direita vai ser dura nos próximos dias.

Oswaldo E. do Amaral é professor de Ciência Política na Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop) da mesma instituição. Esse texto foi elaborado no âmbito do projeto Observatório das Eleições de 2018, que conta com a participação de grupos de pesquisa de várias universidades brasileiras e busca contribuir com o debate público por meio de análises e divulgação de dados. Para mais informações, ver: observatoriodaseleicoes.org

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Quatro mil cidades não recebem recursos da União para Crianças

Mais de 75% dos municípios brasileiros ainda não têm Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente cadastrado ou em condições regulares para captar recursos de doação do Imposto de Renda. O balanço mostra que mais de 4 mil municípios apresentaram informações insuficientes. Lideram a lista com mais cidades sem registro os estados de Minas Gerais, da Bahia, de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Piauí.

A informação está em levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), com base em dados do cadastramento do ano passado.
Segundo a pesquisa do CNM, 1.355 municípios com fundos que foram cadastrados ou recadastrados no ano passado puderam receber este ano quase R$ 60 milhões em doação de pessoas físicas pelo Imposto de Renda. No entanto, o potencial de arrecadação seria muito maior se houvesse mais divulgação, diz a entidade.
De acordo com a pesquisa, o cadastro do ano passado mostrou que 699 municípios têm fundo instituído, mas foram impedidos de receber doações porque estão com dados inconsistentes ou incompletos no cadastro. Há também 347 municípios que têm fundos ativos e regulares e, mesmo assim, não captaram nenhum recurso de doação este ano.
Doação legal
A dedução de até 3% da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda para Fundos da Infância e Adolescência é permitida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ao longo do ano, contribuições das pessoas físicas podem chegar a 6% do imposto devido. E para as empresas, a contribuição é de até 1%.
Para ter acesso ao repasse da Receita Federal, os fundos municipais e estaduais devem estar em situação regular na Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos. O município fica impedido de receber o repasse se o fundo estiver com informações bancárias ausentes, incompletas ou com CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurírica) em situação irregular.
Situação dos estados
O levantamento do CNM mostra que 20 fundos estaduais captaram cerca de R$ 4,5 milhões de recursos por meio de doações. Porém, Amapá, Goiás. Paraíba, Rio de Janeiro, Roraima e Tocantins não receberam nenhuma doação. Goiás, Rio de Janeiro e Tocantins apresentaram dados inconsistentes, enquanto Amapá, Pará e Roraima não têm cadastro no Ministério dos Direitos Humanos.
O estado do Paraná foi o que mais arrecadou doação dos contribuintes, alcançando a soma de pouco mais de 1,2 mil doações e R$ 1,3 milhão. E o Amazonas angariou apenas 14 doações, s omando recursos superiores a R$ 18 mil.
Om informações Agência Brasil/Débora Brito

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