Bolsonaro garante que cumprirá promessas e governará com a Constituição

O presidente eleito do país Jair Bolsonaro (PSL) usou sua conta oficial no Facebook, que tem mais de 8 milhões de seguidores, para transmitir seu primeiro discurso após a vitória. Com mais de 97% das urnas apuradas, o pesselista obteve pouco mais de 55% dos votos válidos, contra 44% de Fernando Haddad (PT).
Foram quase 8 minutos de pronunciamento na rede social, ao lado de sua esposa, Michele, e de uma tradutora de Libras (Língua Brasileira de Sinais). As imagens foram gravadas na casa do próprio candidato eleito. Sobre a mesa, havia exemplares da Bíblia, da Constituição e de um livro sobre o ex-primeiro ministro britânico Wiston Churchill, que liderou o Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial.
Inicialmente, Bolsonaro fez uma referência religiosa e agradeceu aos médicos que cuidaram de sua saúde, após o atentando à faca que sofreu no dia 6 de setembro. “Fizemos uma campanha diferente das outras. Nossa bandeira e nosso slogan, fui buscar naquilo que muitos chamam de caixa de ferramentas para consertar o homem e a mulher: a Bíblia sagrada”,
Ele lembrou que tomou a decisão de disputar a Presidência da República há quatro anos. “A verdade tem que começar a valer dentro dos lares, até o ponto mais alto, que é a Presidência da República. O povo, mais que o dever, tem o direito de saber o que acontece em seu país. Graças à Deus, essa verdade o povo entendeu perfeitamente. Alguém sem um grande partido, sem um fundo partidário, com grande parte da grande mídia o tempo todo criticando, colocando-me numa situação, muitas vezes, próximo a uma situação vexatória”.
Sem fazer referência a Fernando Haddad, o presidente eleito falou que o país clamava por mudança e fez críticas à esquerda, prometendo governar sem indicações políticas. “Não podíamos mais continuar flertando com o socialismo, o comunismo e o extremismo da esquerda. (…) O que eu mais quero, seguindo o ensinamento de Deus, ao lado da Constituição brasileira, inspirando-se em grandes líderes mundiais e com uma boa assessoria técnica e profissional, isenta de indicações políticas de praxe, começar a fazer um governo, a partir do ano que vem, que possa colocar o Brasil em um lugar de destaque”, afirmou.
Bolsonaro disse ainda que terá governabilidade, “dado os contatos que fizemos ao longo dos últimos anos” e disse que “todos os compromissos assumidos com essas bandeiras serão cumpridos, com o povo em cada local do Brasil em que estive presente”.
Pronunciamento
Minutos depois, Bolsonaro falou em rede nacional, para emissoras de rádio e televisão do país. Antes de ler o discurso escrito, houve um rápido momento de oração, puxado pelo senador Magno Malta (PR), integrante da bancada evangélica e aliado do presidente eleito. Nesse segundo pronunciamento, Bolsonaro voltou a agradecer a Deus e ao povo brasileiro e falou dos diversos compromissos assumidos.
“O que ocorreu hoje na urnas não foi a vitória de um partido, mas a celebração de um país pela liberdade. O compromisso que assumimos foi fazer um governo decente. Nosso governo será formado por pessoas com o mesmo propósito de transformar nosso país em uma grande, livre e próspera nação. Trabalhermos dia e noite para isso”, afirmou.
Em seguida, defendeu as liberdades de empreender, política, religiosa e de informar e ser informado. Bolsonaro disse que “não existem brasileiros do Sul e do Norte. Somos todos um só país, somos todos uma só nação”. Ao se dirigir aos jovens, ele disse que vai governar “com os olhos nas futuras gerações e não na próxima eleição”.
Federação
Bolsonaro falou também em “desamarrar” o Brasil e disse que vai descentralizar a liberação de recursos para os municípios. “Os recursos federais irão diretamente do governo central para os estados e municípios. Precisamos de mais Brasil e menos Brasília”.
Economia
O presidente eleito prometeu reduzir o tamanho do Estado. “O governo dará um passo atrás, reduzindo sua esturutura e cortando privilégios, para que a sociedade dê muitos passos à frente”. Afirmou que terá compromisso com o emprego, a renda e o equilíbrio fiscal. O pesselista defendeu o direito de propriedade e falou em “quebrar o ciclo vicioso do crescimento da dívida [pública]”. Ele disse que é preciso eliminar o déficit primário “o mais rápido possível e converter em superávit”.
Política externa
Bolsonaro fez referência à política externa do país e disse que vai libertar o Itamaraty do que chamou de “viés de esquerda”: “O Brasil deixará de estar apartado das nações desenvolvidas”, afirmou.
Ao ser questionado por um repórter que mensagem ele teria para o conjunto de eleitores, inclusive os que não o elegeram, Bolsonaro prometeu trabalhar pela pacificação do país. “Vamos pacificar o Brasil e, sob a Constituição e as leis, vamos construir uma grande nação”, afirmou.
*Com informações Agência Brasil

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Bolsonaro e Haddad têm propostas antagônicas para direitos humanos. Veja o programa de cada um

Os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) que disputam, no próximo dia 28, o segundo turno das eleições presidenciais deste ano, defendem diferentes pontos de vista sobre direitos humanos. Apesar de os dois citarem a garantia de direitos e igualdade, as propostas que tratam do tema segurança são distintas.
Bolsonaro quer acabar com a progressão de pena e as saídas temporárias de detentos, reduzir a maioridade penal para 16 anos e reformular o Estatuto do Desarmamento “para garantir o direito do cidadão à legítima defesa”.Haddad propõe um maior controle de armas e munições e a redução da população carcerária reservando presídios apenas para crimes violentos. Ele também defende uma revisão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
O capitão da reserva afirma que todos os direitos serão respeitados e ninguém será perseguido e promete “enxugar” a estrutura administrativa em Brasília. Enquanto Haddad, que exalta a necessidade de garantir os avanços sociais, aposta na recriação, com status de ministério, de pastas direcionadas a mulheres e à população negra.

Bolsonaro
Conclamando um país de todos “brasileiros natos ou de coração”, Bolsonaro destaca em seu programa de governo a diversidade de opiniões, cores e orientações que caracterizam o Brasil e defende a liberdade de escolhas “desde que não interfiram em aspectos essenciais da vida do próximo”. Segundo ele, essa liberdade deve alcançar escolhas afetivas, políticas, econômicas ou espirituais e acrescenta que uma nação mais fraterna e com menos excluídos é mais forte.
“Qualquer forma de diferenciação entre os brasileiros não será admitida. Todo cidadão terá seus direitos preservados”, afirma, lembrando que para gozar dos plenos direitos é preciso obedecer leis e cumprir deveres. Para Bolsonaro, qualquer pessoa no território nacional, mesmo não sendo cidadã brasileira, tem direitos inalienáveis como ser humano.
“Somos defensores da liberdade de opinião, informação, imprensa, internet, política e religiosa”, destaca, acrescentando o repúdio a qualquer regulação ou controle social da mídia e exaltando a liberdade como “o caminho da prosperidade”. “Ninguém será perseguido, todos terão seus direitos respeitados”.
Bolsonaro afirma que, se eleito, a política de direitos humanos será redirecionada com prioridade para a defesa das vítimas da violência. É neste aspecto que defende a reforma do Estatuto do Desarmamento e o direito de as pessoas terem armas para usar em “legítima defesa”. Segundo ele, em países onde há liberação desse recurso, como Estados Unidos, Áustria, Alemanha e Canadá, o índice de homicídios por armas de fogo é menor que no Brasil, enquanto a Venezuela, “que aumentou a restrição às armas da população civil, está com o dobro de homicídios do Brasil: quase 60 por 100 mil”.
O candidato mantém o posicionamento defendido desde que ocupava uma cadeira na Câmara dos Deputados com relação à maioridade penal. Ele acredita que, a partir dos 16 anos, a pessoa tem plena consciência do que faz e a redução da idade mínima protege a sociedade. Diferentemente do adversário, o capitão da reserva também é contrário à progressão de penas que reduz o tempo de prisão de criminosos com bom comportamento e as saídas temporárias concedidas a alguns presos do regime semi-aberto em datas especiais.
Haddad
Fernando Haddad promete que “não deixará ninguém para trás”. No programa de governo, ele afirma que, se eleito, seu governo implementará políticas voltadas para todos os segmentos sociais. Destacando negros, mulheres, povos indígenas e quilombolas como a parcela da população mais marginalizada, o petista quer recriar, com status de ministério, as pastas de Direitos Humanos (hoje existente), políticas para as mulheres e promoção da igualdade racial. Haddad defende que a busca da igualdade balize todas as políticas econômicas, sociais e culturais.
Haddad detalha medidas focadas nas mulheres e na população LGTBI+. Para as mulheres, ele defende igualdade de oportunidades de trabalho e isonomia salarial e garante que, se escolhido pelos brasileiros, vai aumentar a presença das mulheres e de negras e negros em todas as instâncias governamentais.
Para pessoas com deficiência, ele propõe a retomada do Plano Viver Sem Limites, com atendimento integral para essas pessoas. Em relação ao público LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexo), o presidenciável concentra as promessas em ações de combate à violência e criminalização da LGBTfobia. O candidato promete instituir uma Rede de Enfrentamento à Violência contra LGBTI+, investir na saúde integral dessa população e implementar programas e ações de educação para a diversidade, enfrentamento ao bullying e reversão da evasão escolar. Haddad afirma que, se eleito, vai criar o Programa Transcidadania, a fim de garantir bolsa de estudo a travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade para que possam concluir o ensino fundamental e médio.
Na direção oposta a Bolsonaro, Fernando Haddad reforça que o controle de armas e munições, aliado ao investimento em inteligência, pode ajudar a reduzir o número de homicídios no país, que aumenta ano a ano, vitimando principalmente jovens, negros e moradores de periferias. A prioridade da política de segurança em sua proposta é a redução de mortes violentas por meio de ações que fariam parte de uma reformulação do Plano Nacional de Redução de Homicídios.
Se eleito, ele pretende buscar uma reforma da legislação criminal e penitenciária para enfrentar “o encarceramento em massa, sobretudo o da juventude negra e da periferia, diminuindo a pressão sobre o sistema carcerário, trazendo ganhos globais de economia de recursos”. Com isso, segundo Haddad, as polícias Civil e Militar se concentrarão na repressão a crimes violentos e no combate às organizações criminosas.
*Com informações Agência Brasil Brasília – Carolina Gonçalves

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Pesquisa Datafolha (10/19), votos válidos segundo turno: Bolsonaro, 58%; Haddad, 42%

O Datafolha divulgou nesta quarta-feira (10) o resultado da primeira pesquisa do instituto sobre o segundo turno da eleição presidencial. O levantamento foi realizado nesta quarta, dia 10, e tem margem de erro de 2 pontos, para mais ou para menos.
Nos votos válidos, os resultados foram os seguintes:
• Jair Bolsonaro (PSL): 58%
• Fernando Haddad (PT): 42%
Para calcular os votos válidos, são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos. O procedimento é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.
Nos votos totais, os resultados foram os seguintes:
• Jair Bolsonaro (PSL): 49%
• Fernando Haddad (PT): 36%
• Em branco/nulo/nenhum: 8%
• Não sabe: 6%
Apoio dos candidatos
O Datafolha também levantou a opinião dos entrevistados sobre o apoio dos presidenciáveis que disputaram o primeiro turno.
Marina Silva
O instituto perguntou: “O apoio de Marina Silva a um candidato a presidente no segundo turno da eleição deste ano…?”:
• Poderia levar você a escolher esse candidato: 11%
• Faria você não votar nesse candidato: 11%
• Seria indiferente: 72%
• Não sabe: 6%
O Datafolha também perguntou: “Na sua opinião qual dos dois candidatos Marina Silva deveria apoiar no segundo turno”?
• Fernando Haddad (PT): 43%
• Jair Bolsonaro (PSL)% 38%
Ciro Gomes
O instituto perguntou: “O apoio de Ciro Gomes a um candidato a presidente no segundo turno da eleição deste ano…?”:
• Poderia levar você a escolher esse candidato: 21%
• Faria você não votar nesse candidato: 11%
• Seria indiferente: 63%
• Não sabe: 4%
O Datafolha também perguntou: “Na sua opinião qual dos dois candidatos Ciro Gomes deveria apoiar no segundo turno?”:
• Fernando Haddad (PT): 46%
• Jair Bolsonaro (PSL): 40%
Geraldo Alckmin
O instituto perguntou: “O apoio de Geraldo Alckmin a um candidato a presidente no segundo turno da eleição deste ano…?”:
• Poderia levar você a escolher esse candidato: 14%
• Faria você não votar nesse candidato; 13%
• Seria indiferente: 69%
• Não sabe: 4%
O Datafolha também perguntou: “Na sua opinião qual dos dois candidatos Geraldo Alckmin deveria apoiar no segundo turno:”?
• Jair Bolsonaro (PSL): 46%
• Fernando Haddad (PT): 37%
• Nenhum: 9%
• Não sabe: 7%
• 15 dias antes: 10%
• Uma semana antes: 8%
• Na véspera: 6%
• No dia da eleição: 12%
• No dia da eleição: 17%
Sobre a pesquisa
• Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos
• Entrevistados: 3.235 eleitores em 227 municípios
• Quando a pesquisa foi feita: 10 de outubro
• Registro no TSE: BR-00214/2018
• Nível de confiança: 95%
• Contratantes da pesquisa: TV Globo e “Folha de S.Paulo”
• O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.
• *Conteúdo G1

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Datafolha (quinta-feira 20/9): Bolsonaro é líder com 28% e Haddad cresce para 16%

O Instituto Datafolha divulgou na madrugada desta quinta-feira (20/9) uma nova pesquisa de intenção de voto para presidente da República. Jair Bolsonaro (PSL) segue na liderança, com 28%. Em segundo lugar, aparece Fernando Haddad (PT), que cresceu três pontos e chegou a 16%. O candidato petista continua tecnicamente empatado com Ciro Gomes (PDT), que ficou estagnado,com 13%.

No levantamento, encomendado pela Rede Globo e pelo jornal Folha de S. Paulo, foram ouvidas 8.601 pessoas, de 323 municípios entre os dias 18 e 19. A margem de erro é de dois pontos percentuais, o nível de confiança é de 95% e o número de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-06919/2018.

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem quase metade do tempo de TV, está estagnado na pesquisa, com 9%. O tucano aparece empatado com Marina Silva (Rede), que agora tem 7% das intenções de voto.

O instituto também mediu a rejeição dos candidatos. Jair Bolsonaro lidera, com 43% dos eleitores dizendo que não votariam nele em hipótese alguma. Ele é seguido por Haddad, com 29%.

As simulações do Datafolha para segundo turno mostram que Ciro é o único candidato que venceria todos os rivais. Ele bateria Bolsonaro com 45% e com vantagem de seis pontos. Nos outros cenários, Bolsonaro empata com Haddad, Alckmin e Marina.

No conjunto do eleitorado, 40% dizem que podem mudar o voto. Entre eles, 15% indicam Ciro como segunda opção, 13% apontam Marina, 12% optam por Haddad e Alckmin e 11% indicam Bolsonaro. *Com informações Correio Brasiliense, UOL e agências)

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Toffoli cá, Haddad lá – campanha ganha movimento para soltar Lula em 2019

Foto Twitter.

Toffoli cá, Haddad lá – movimento para soltar Lula em 2019
Eleição do petista seria a porta aberta para a volta ao poder do ex-presidente (*)
Nenhum candidato diz isso claramente, mas a posse do ministro Antonio Dias Toffoli na presidência do Supremo Tribunal Federal reforça um discurso crescente na campanha eleitoral: o de que a eleição do petista Fernando Haddad seria a porta aberta para a volta ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva.
Os dois movimentos, Toffoli no STF e o crescimento de Haddad nas pesquisas (8% pelo Ibope), convergem na mesma direção: a desconfiança de que Lula será solto de alguma forma em 2019.
A intenção de Toffoli é pôr em pauta no plenário, logo no início do ano, a prisão após condenação em segunda instância. A antecessora Cármen Lúcia encerrou seu mandato cumprindo a promessa de não fazê-lo. Toffoli o fará. Como a última decisão sobre a questão foi por um único voto, não é impossível mudar.
E Haddad presidente seria não apenas Lula dando as cartas, como a possibilidade real de soltar Lula por indulto. Aliás, ele ou Ciro Gomes (PDT), que já admitiu publicamente a hipótese durante a campanha.
Há, porém, outros aspectos a serem considerados nos dois casos. Um deles é que, não raro, as pessoas se superam ao assumir imensos desafios e prezam, antes de seus compromissos políticos ou partidários, o seu próprio nome e a sua imagem para a história.
Toffoli, 50 anos, é o mais novo presidente da história do Supremo. Sua nomeação por Lula como ministro da Corte causou surpresa, perplexidade e crítica, não só pela idade, mas porque ele fora reprovado em duas provas para juiz, não era um nome brilhante no meio jurídico e tinha como credenciais ter sido advogado do PT, assessor da Casa Civil de José Dirceu e advogado-geral da União de Lula.
Toffoli, porém, de bobo não tem nada. Ao assumir a cadeira, informou-se, aproximou-se dos colegas, ganhou passe livre no gabinete de Gilmar Mendes, nomeado por FHC, identificado com o PSDB e considerado, goste-se ou não dele, um dos mais preparados e técnicos ministros do Supremo.
Foi assim também, na busca de reconhecimento e de negociação com os extremos, que Toffoli saiu do seu gabinete no STF, cruzou o Eixo Monumental e foi até o Quartel General do Exército conversar com o comandante, general Eduardo Villas Bôas.
Saiu dali com o nome do respeitado general Fernando de Azevedo e Silva para sua assessoria especial na presidência.
Gesto inteligente, sobretudo num momento em que o comandante do Exército alerta para a legitimidade do próximo presidente da República, o candidato líder nas pesquisas é um capitão reformado e seu vice é um general de quatro-estrelas que acaba de deixar a ativa. Sem maldade, apenas como constatação, Toffoli atraiu o “inimigo” para bem perto dele. E tem um canal direto com as Forças Armadas.
Quanto a Haddad: ele assumiu simultaneamente a candidatura pelo PT e uma vaga no “segundo pelotão”, aquele que disputa chegar ao segundo turno contra Jair Bolsonaro (PSL). E, assim, passa a ser alvo natural de todos os demais concorrentes, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva.
A diferença é que Ciro disputa o espaço de esquerda diretamente com Haddad e não pode bater em Lula, para não afugentar votos principalmente do Nordeste, onde já lidera com 18%. Marina bate na polaridade PT x PSDB e Alckmin não tem restrições, está livre para bater. No seu discurso, Bolsonaro é “passaporte para a volta do PT” e Haddad, para a volta de Lula.
Logo, os três procuram uma brecha ao centro para furar o embate Bolsonaro-Haddad, que caracteriza a chegada da direita radical ou a volta do PT, Lula e Dilma. Em suma, Ciro, Alckmin e Marina são os candidatos do mesmo partido, o “voto útil”.
*Artigo de Eliane Cantanhêde, publicado jornal no O Estado de S.Paulo

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Ataque a Bolsonaro força freio de arrumação na campanha e redefine os parâmetros da disputa eleitoral

Ataque a Bolsonaro força freio de arrumaçãoEnquanto isso, todos tentam entender os impactos do incidente para a dinâmica eleitoral. Pelo menos momentaneamente, Bolsonaro deixa de ser o alvo preferencial das críticas e passa a ocupar um espaço midiático muito maior do que aquele que lhe estava destinado – oito segundos de propaganda eleitoral, contra cinco minutos e meio de Geraldo Alckmin, por exemplo —, com potencial até para superar o protagonismo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de preso, tentava sustentar.
Todos os cálculos e previsões precisam ser refeitos a partir deste imponderável. Em 2014, por exemplo, o acidente de avião que vitimou Eduardo Campos no dia 13 de agosto daquele ano, então terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, catapultou, num primeiro momento, Marina Silva, sua vice de chapa do PSB, para o segundo lugar na disputa quando ela assumiu a cabeça da chapa. A comoção com a tragédia a ajudou a ultrapassar o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Faltavam então 52 dias para o primeiro turno da eleição. Tudo parecia líquido e certo no caminho de Marina ao Planalto. Mas o candidato tucano garantiu sua ida ao segundo turno na reta final da disputa, com ajuda da propaganda negativa da campanha de Dilma Rousseff contra Marina.
O efeito do ataque contra Bolsonaro para a corrida eleitoral ainda é incerto, mas seu nome ganhou a expressão máxima neste momento. Se a campanha do deputado do PSL tinha no pouco tempo de propaganda de televisão um de seus maiores limites, a atenção dirigida a ele em função do atentado tem o potencial de eliminar essa fraqueza. Além disso, Bolsonaro dificilmente deve conseguir participar dos próximos debates, já que os médicos preveem cerca de dois meses para sua recuperação total. Assim, ele não irá se expor a embates como aquele com a ex-ministra Marina Silva (Rede) no debate da RedeTV!, que escancarou a fragilidade do candidato entre o público feminino. Na campanha de Marina, inclusive, a avaliação é que o atentado contra o Bolsonaro jogou a disputa “num terreno imprevisível”.
A candidata da Rede vinha apostando, desde o debate da RedeTV!, em antagonizar com Bolsonaro e criticá-lo por suas opiniões em relação aos direitos das mulheres. O momento em que ela e o candidato do PSL se enfrentaram diretamente no debate era, inclusive, considerado o ponto alto da campanha da Rede até aqui. Isso terá de mudar. “Atacar o Bolsonaro não faz sentido, porque desta vez ele é a vítima”, disse um integrante da campanha de Marina ao EL PAÍS. Uma ideia é usar o episódio do esfaqueamento para reforçar a oposição da candidata às políticas que facilitem o armamento da população — uma das bandeiras do capitão reformado do Exército. Algo na linha de que a tragédia poderia ter sido muito maior se tanto o agressor quanto seus apoiadores na passeata tivessem amplo acesso a armas de fogo. Mas o tema ainda gera discussões no comitê de campanha. Se optarem por esse discurso, há uma preocupação de que as mensagens sejam construídas com cuidado. “Sem jamais culpar o Bolsonaro pelo ataque”, diz um aliado de Marina. A candidata anunciou uma “caminhada pela paz” para este sábado em São Paulo.
Enquanto líder das pesquisas, Bolsonaro também vinha sendo alvo de ataques contundentes da campanha do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que disputa o mesmo eleitorado — mais rico e instruído — com o deputado federal. Os assessores da campanha tucana já fizeram circular a informação de que a intensa ofensiva contra o adversário está suspensa. O cientista político Alberto Carlos Almeida destacou, em seu perfil no Twitter, o dano para a campanha de Alckmin, já que é de esperar um efeito de mídia favorável para Bolsonaro após o ataque da quinta-feira. Para ele, o tucano não poderá atacar o deputado federal por pelo menos uma semana. Vice na chapa de Alckmin, a senadora Ana Amélia (PP-RS) publicou um vídeo para dizer “não queremos violência para ninguém”.
Para o cientista político Paulo Kramer, as estratégias de desconstrução de Bolsonaro foram desarmadas e “a facada tirará do armário votos que estavam envergonhados”. Ou seja, Bolsonaro pode ampliar a vantagem nas pesquisas. Algo que deve começar a ser medido pelas próximas pesquisas de intenção de voto, que vinham mostrando sua candidatura como a mais popular depois da do ex-presidente Lula, já barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas também a mais rejeitada. Institutos como Ibope e Datafolha farão novos levantamentos ao longo da próxima segunda-feira e as divulgam na noite do mesmo dia.
Ânimos acirrados
As análises mais óbvias e simplistas levam a crer que o atentado teria garantido Bolsonaro no segundo turno, já que ele lidera as pesquisas e, blindado pelo ocorrido, não estaria exposto às tentativas de desconstrução de seus adversários. Mas a dinâmica ainda está por se desenvolver, e depende entre outras coisas, da evolução do quadro clínico do deputado federal e de sua capacidade de mobilizar a atenção política pelos próximos dias — o esperado anúncio de Fernando Haddad como substituto de Lula na chapa do PT, aguardado para o início da semana, já teve seu impacto amortecido no noticiário. Até agora, Bolsonaro era o candidato com as mais expressivas imagens de campanha, praticamente o único a reunir um número considerável de apoiadores pelas ruas do país. Isso não deve mais acontecer, mas, mesmo debilitado, o candidato do PSL gravou vídeos e postou mensagens que circulam com ainda mais intensidade pelas redes sociais por meio das mãos de seus apoiadores.
As estratégias de sua própria campanha e a forma de lidar com o ocorrido podem atrair ou afastar votos de Bolsonaro. Seu vice, General Mourão (PRTB), chegou a acusar o PT de ser o responsável pelo ataque, para em seguida advertir que “se querem violência, os profissionais da violência somos nós”. Nesta sexta-feira, contudo, o tom do vice já veio mais baixo. “As primeiras declarações são sempre na base da emoção, e aí as pessoas dizem coisas que não deveriam dizer. Há um velho ditado que diz: ‘as palavras, quando saem da boca, não voltam mais’. Portanto, vamos manter a calma. O caso está nas mãos da Polícia Federal”, disse. Nas redes sociais, contudo, os ânimos seguem acirrados dos dois lados. Enquanto os opositores de Bolsonaro tentam diminuir a relevância do atentado e criticam o comportamento do deputado em outros incidentes, como o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), seus apoiadores jogam lenha na fogueira com acusações para todos os lados e espalham informações sem confirmação. O pastor Silas Malafaia, por exemplo, disse que o autor do atentado assessora a campanha da ex-presidenta Dilma Rousseff ao Senado. A campanha de Dilma prometeu processá-lo por injúria, calúnia e difamação.
*Reportagem de Rodolfo Borges, Afonso Benites e Ricardo Della Coletta para o jornal El País

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